Viagem sob o manto das trevas
2 Experimento a sensação de uma adorável mordida
Notas iniciais
Um novo capítulo aí, espero que gostem! Os títulos não estão muito criativos, mas ignorem isso. Beijos, Bianca ;)
Meus sonhos foram apenas em relação a Bianca, como sempre, ela não falava nada. Apenas ficava lá, eu podia sentir seu calor e seu carinho, como podia antes de ela morrer, e isso era bom. Palavras não eram muito meu forte, então era melhor assim.
Acordei com raios de sol que entravam por uma fresta nas cortinas e iam diretamente nos meus olhos. Virei-me para o outro lado, e quase entrei em colapso quando não vi Reyna nem o treinador. A porta do banheiro se abriu e a Reyna saiu de lá, usando roupas mais limpas e o cabelo arrumado na trança costumeira.– Bom dia. — ela saudou.– Dia. — respondi, apático. — Onde está o treinador?– Ele saiu para falar com a esposa. Está pronto? Vamos sair hoje.– Estou. Vou me trocar. — entrei no banheiro e encostei a porta, deixando Reyna sozinha. Vesti meu casaco aviador por cima de uma camisa preta com uma caveira branca e grande no centro e calças jeans escuras. Minhas olheiras haviam diminuído um tanto, porém em contraste com a palidez do meu rosto, ainda eram marcantes. Pagamos a conta do hotel e fomos por mais uma viagem nas sombras. Me concentrei no nosso destino e começamos a viagem. Reyna amarrada na estátua logo atrás de mim. Viajamos por total escuridão por um bom tempo, eu já me sentia esgotado, e o frio cortante atravessava meu casaco e me fazia tremer de leve. Algo estava errado, parecia que eu estava sendo arrastado para fora das sombras.– Nico, o que está fazendo? — perguntou Reyna, tão atônita quanto eu. — Nico, largue meu braço! — eu não estou segurando seu braço! Queria dizer, mas as palavras não saíam. — Menino idiota! Me largue! Apenas ouvi Hedge vociferar algo do tipo: " Destruir! Matar!" e depois quase fui cegado pela luz do sol. Algo nos trouxe de volta a claridade, fora das sombras. Senti algo molhado lambendo minha bochecha, não do jeito que a senhora O'Leary faz, mas de um jeito nojento, como se examinando uma presa. Abri os olhos rapidamente e dei de cara com uma língua bifurcada de cobra a centímetros do meu rosto. Examinei o corpo do animal, a extensão da cobra não era muito longa, terminando no dorso de um leão, que tinha a cabeça de um cachorro e um rabo longo e peludo de algum animal que eu não sei definir. Quimera. A cobra escancarou a boca e tentou dar o bote, não tive tempo de sacar a espada, mas a dor não veio. O que veio foi um jato de sangue. Abri os olhos e vi que a cobra tinha sido decepada. Reyna estava com a espada cheia de sangue na mão.– O-obrigado. — gaguejei. Ela nem respondeu, e virou-se para lutar contra o monstro. Hedge também entrou para a luta, com seu bastão de beisebol, bateu no lombo do leão até ele se irritar e investir contra ele. Reyna cuidou disso enquanto eu cuidava do cachorro/lobo. Peguei minha espada e dei um golpe que arrancou uma das orelhas dele. Um ato tanto quanto mal calculado, porque ele ficou furioso. Rosnou e avançou, ouvi Reyna gritar enquanto quimera investia na minha direção. Corri o mais rápido que consegui, tentando pensar em um plano. Antes que pudesse planejar algo concreto, ´patas com garras afiadas atingiram minhas costas e me estatelei no chão. Estávamos em uma estrada deserta, e, por mais que tentasse, não consegui correr até a mata que se localizava na margem da rodofia. Pensei que fosse o fim quando os dentes da fera morderam com tudo a carne de minhas costas, perigosamente próximo ao meu pescoço. Minha espada estava no chão a poucos metros de distância, mas não o suficiente para minha mão alcançar. Não chorar e gritar estava sendo difícil com a dor excruciante nas costas, mas eu não iria me humilhar. De jeito nenhum. Nunca me senti tão grato por ter o treinador Hedge por perto, ele bateu o taco no monstro, que me largou e voltou sua atenção para o sátiro. Me arrastei na estrada e peguei minha espada. A quimera se encontrava em cima do treinador, e nem sinal da Reyna.– Rápido, garoto-morte! — exclamou Hedge. Girei a espada e cravei-a no dorso do monstro, que evaporou. Ajudei o sátiro a se levantar, enquanto ele resmungava.– Não foi nada! Me largue! Me lembrei de Reyna se recusando a aceitar minha ajuda. Reyna! Onde estava ela? Olhei em volta, mas não a vi.– Reyna! — gritei.– Estou aqui! — ela saiu de entre as árvores na margem oposta a que eu olhava.– O que estava fazendo?! — quase berrei, depois me controlei. — Estávamos procurando por você.– Pensei ter visto outro monstro, mas era só um cachorro ou sei lá. — de repente, sua calma se evaporou e ela me fitou com raiva. — Achou que eu havia abandonado a luta?!– Eu não achei nada! Só estava te procurando! — Nem tive tempo de achar alguma coisa enquanto estava tendo minhas costas dilaceradas.– Vamos seguir viagem. — Hedge sugeriu. Eu não conseguiria seguir viagem nesse estado, com as costas doloridas e sangrando.– Podemos descansar dessa luta? — Não usei a frase na primeira pessoa por motivos de autopreservação.– Tem uma casinha abandonada lá. — Reyna apontou para a floresta. — Acha que devemos entrar?
– O máximo que vamos encontrar são camundongos! — disse Hedge. — E eu posso matá-los! — ele se animou com a ideia e atravessou a estrada sem ao menos olhar para os lados, o que não era necessário, já que estávamos no meio dela a um bom tempo, tenho certeza de que Bianca não ficaria nada satisfeita com isso. Como previsto, não havia nada na casa a não ser ratos e insetos. Também não havia luz, mas era quase meio dia, então o sol iluminava tudo. – Sem água. — Reyna disse enquanto checava uma pia. Encontrei um quarto, com uma cama empoeirada, mas meu corpo pedia por descanso. Me deitei de bruços e fechei os olhos. Por algum motivo, as vozes de meus companheiros estavam distorcidas e quando eu abria os olhos, tudo estava turvo. Apaguei. Literalmente, não dormi, mas apaguei. Foi como um desmaio. Acordei com o treinador me sacudindo como se eu fosse um bonequinho. Engasguei um grito de dor com sua mão nas minhas costas.– Ele está muito ferido! — constatou Reyna. – Vou procurar algumas ervas na floresta! — disse Hedge. — Enquanto isso, lave o ferimento e tente estancar o sangramento. — ele pediu a Reyna que assentiu. Confesso que eu estava muito tonto, e por isso desnorteado quanto ao que estava acontecendo. Senti a mão de Reyna na barra da minha camisa e fiquei meio confuso. O que ela estava fazendo? Minha camisa foi sendo retirada e o frio foi quase imdediato.– Dê uma ajudinha aí, Nico. — ela pediu. Obedeci, levantando os braços dolorosamente e ajudando-a a passar minha cabeça. – Agora deite de bruços. — ela ordenou, friamente. Obedeci novamente.– Isso vai arder. — ela avisou. E ardeu. Mordi a mão silenciosamente para não urrar de dor. Ela passava um pano molhado no machucado, e ao penetrar nele, a água causava um ardor terrível. De novo, segurei com todas as forças as lágrimas. Deuses, meu dia não estava sendo muito agradável.– Já está bom, agora é só esperar. — ela disse, sua voz tornando-se mais clara. — Nico? — ela chamou, como se eu estivesse inconsciente.– O quê?– Tente dormir, ou pensar em uma coisa mais agradável. — ela suspirou. — Para abafar um pouco a dor. Talvez ela estivesse falando de algo além das minhas costas, mas eu não consegui entender. Pensei na Hazel, minha irmã estava a salvo, com amigos e um namorado que ela ama muito. Está tudo bem, disse para mim mesmo, e realmente relaxei. Só acordei com o ranger da porta quando Hedge deixou o quarto. Reyna estava debruçada na cama, sentada num banquinho e com a cabeça entre os braços apoiados na cama. Devia estar realmente desconfortável. Minhas costas estavam cobertas de folhas.– Reyna... — sussurrei. Não sei por que, mas não estava muito afim de ficar sozinho.– O que é? — ela esfregou os olhos.– É... Onde está o Hedge? — eu não ia dizer para ela que não queria ficar só.– Ele foi dormir. Ah, ele me mandou trocar essas folhas por outras quando acordasse. Ela retirou as folhas das minhas costas e parte do conforto foi retirado de mim. Corei um pouco, já que estava sem camisa perto de Reyna. Olhei para ela e vi que suas bochechas também estavam ruborizadas.– Obrigado por ontem. — falei, com apatia.– Estava te devendo uma, não é?A indiferença da minha parte não era tão verdadeira, mas quanto a ela, eu não sei. Logo que as folhas foram trocadas, tentei dormir novamente. Sem sucesso. Não podia me revirar na cama mas mantive meus olhos abertos, fixos em um ponto na parede. Dentre tudo o que eu podia pensar me veio a mais dolorosa das lembranças. O dia em que Percy tinha me contado que minha irmã estava morta. Lembrei-me do gosto de minhas lágrimas e do desespero com o qual corri, até, inconscientemente, abrir uma fenda no tecido da realidade e me encontrar perdido no mundo das sombras. Fechei os olhos com força tentando afastar aquela malditas memórias e tudo que consegui fazer foi reviver a experiência de gritar com Percy até minhas palavras se esvairem.– Nico? — a voz era de Reyna, ela não tinha um tom gentil, nem muito menos dócil, mas aquilo soou como música para meus ouvidos.– Sim?– O que acha que vai acontecer quando chegarmos ao acampamento? — perguntou quase inseguramente o que não era normal vindo de Reyna.– Não sei. Não tenho a mínima ideia. — "Bianca pensaria em algo apropriado para dizer nesse momento" pensei. — Eu só espero que cheguemos lá a tempo.O silêncio dominou o quarto até que ouvi um baque surdo vindo lá de fora, seguido por um balido e por fim a porta se despedaçou em um milhão de pedaços. Um velho "amigo" tinha vindo fazer uma visita.
Notas finais
Não ficou lá grandes coisas, mas tomara que tenham achado legal. Até o próximo cápitulo!
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