Viagem sob o manto das trevas
3 Pesadelo
Notas iniciais
Este capítulo sim teve uma coisa marcante! Teve grande colaboração da Ágata... Espero que gostem. Beijos, Bianca.
Um corcel negro adentrou no quarto, de suas narinas,labaredas de fogo jorravam constantemente. Seu pelo era negro reluzente, e pareciam ter almas se contorcendo e agonizando.
– Sionis! — sibilei, tentando me levantar.– O que diabos é isso? — gritou Reyna, estupefata. Não tive muito tempo para pensar, levantei-me e saquei minha espada, mas ela de nada servia se eu não conseguia nem ao menos destinguir as formas a minha frente.– Sou um pesadelo, filha de Belona. Pensei que já tivesse ouvido falar sobre mim. — o próprio cavalo respondeu. Sua presença causava arrepios até nos mais bravos guerreiros e, até onde eu sabia, eram criaturas forjadas nos mais profundos níveis do Tártaro — Di Angelo, até que enfim! — sua voz, ou relincho, que seja, inspirava alívio. Para ele, obviamente.– Como nos achou aqui, maldito? — indaguei, piscando os olhos freneticamente para poder focar no que estava a minha frente.– Simples. Pelas sombras. — Diante da situação, eu estava completamente indefeso, Reyna parecia estar atônita demais para ter qualquer reação e Hedge sumira. "Ótimo trio, o nosso!" pensei enfurecido. Eu fiz como qualquer desesperado faria, rezei. " Não me lembro de ter lhe pedido nada por anos. Nada, nem sequer quando eu mais precisei. Mas agora, não é apenas por mim, pai, ofereço a ti o único bem que posso no momento..." e quando ia concluir minha prece, fui interrompido por um barulho ensurdecedor. O que era? Não faço a mínima ideia, mas não poderia ter vindo em hora melhor. Reyna acordou de seu transe e logo estava procurando algum ponto onde pudesse cravar sua espada, mas ela não precisou. Três ou quatro centauros adentraram o quarto, estavam armados com armas medievais e vestiam camisa com as seguintes palavras: "Pôneis de festa". Não sabia se aquilo era uma resposta a minha oração ou simplesmente obra do destino mas mesmo assim sussurrei, para que ninguém ouvisse: "Obrigado".– Nico di Angelo, certo? Vamos, garoto, você e seus amigos, não gosto de ter dívidas com o senhor da escuridão. — um dos quadrúpedes falou para mim,sorrindo. Reyna montou primeiro e depois me ajudou, abandonamos o quarto com os gritos de Sionis ao fundo:– Da próxima vez que nos encontrarmos, filho de Hades, não haverá ninguém para defende-lo. Temos uma conta a acertar.– Assim que eles nos levarem a um lugar seguro, você vai ter de me explicar por que uma das piores criaturas do mundo inferior está jurando vingança a você como se já se conhecessem. — Reyna bufou, com um tom excessivo de raiva em sua voz. Os centauros nos levaram a uma floresta. Haviam algumas casas lá, como uma aldeia.– Bem, sejam bem vindos. — um dos pôneis de festa disse. — Vocês podem ficar naquela casa ali. — a casa não era muito grande, mas era bonita. — Vou mostrar-lhes os quartos. O centauro nos mostrou a casa, de apenas um andar, mas com dois quartos.– Você e Hedge podem dividir um quarto. — disse Reyna. Pensei em protestar, não queria mais uma noite ouvindo os roncos daquele sátiro, mas dei de ombros e aceitei. Fiquei com a parte de cima do beliche. Estava me preparando para dormir, quando o mesmo centauro invadiu o quarto, todo animado.– Então! que tal uma pequena festinha?! – O quê? Não! — respondi.– É, acho que vou querer algo para comer. — Hedge saiu do quarto.– Venha garoto. — ele insistiu. Aceitei. ERa só escolher um canto e ficar parado, não deve ser tão difícil. Por incrível que pareça, Reyna estava lá, sentada em um banquinho, conversando com um centauro. Nossos olhares se encontraram, mas desviei rapidamente. Escolhi uma poltrona de aspecto confortável, perto da lareira, e me encolhi lá. Esperei não ser incomodado novamente, mas é claro que não foi assim.– Aceita um doce? — fiz que não com a cabeça. — Tem certeza? São deliciosos. — na verdade, eu estava faminto. – Está bem. — peguei um docinho da bandeja. Parecia um cupcake, no formato de flor. — Obrigado. — disse, enquanto mordia o doce. Era realmente saboroso. Senti uma coisa diferente percorrer meu corpo enquanto ingeria o doce. Me senti mais feliz... Animado. Tanto que quando um dos centauros que me observava começou a rir, eu ri também, mesmo não entendendo por que. Avistei Reyna novamente, ela estava provando um doce também. Corri até ela.– Oi, Nico! — ela sorriu. Não parecia nada com a Reyna, mas eu nem notei. — Doce excelente, não é?– Com certeza! — respondi, empolgado. — Vamos pegar mais um.– Espere... — ela puxou meu braço, quando eu estava me virando. — Você ainda não me explicou sobre aquele pesadelo.– Bem, você sabe... Encontrei-o no Tártato, e consegui derrota-lo. Ele não ficou nada feliz. — ri. Afinal, qual era a graça? Eu não sabia, mas tudo parecia engraçado. Reyna também riu.– Não sei o que fez lá. Se você rezou para algum deus, ou se foi apenas coincidência... Mas salvou a gente. Ela tocou meu ombro. Notei que era a primeira vez que eu via Reyna sem sua trança de lado. Seus longos cabelos negros e lisos estavam soltos.– As estrelas estão bonitas hoje. — comentei, olhando a janela por cima de seu ombro. — Quer vê-las?
– Boa ideia! Vamos. — ela concordou e saímos até o quintal dos fundos. Deitei-me no gramado, e Reyna se deitou ao meu lado. A noite estava fria, e Reyna usava apenas uma camiseta preta, ao contrário de mim, que estava com meu casaco de aviador de sempre.– Está com frio? — perguntei.– É, um pouco. Tirei meu casaco e ofereci a ela.– Aqui, pegue. — ela sorriu e vestiu. Ficou meio largo, mas pelo menos ela parou de tremer.– Obrigada. Minha "felicidade" já estava passando. Fui tomando conta da minha mente de novo, e só então percebi que eu havia comido flor de lótus. Por isso toda aquela empolgação. Malditos pôneis de festa! Por outro lado, parece que o efeito em Reyna ainda não estava passando. Ela encostou a cabeça no meu ombro e fechou os olhos, meio que sorrindo. Sei que enrubesci, porque minhas bochechas começaram a queimar. Eu estava mais que nervoso, comecei a mexer a perna, como um tique.– Você está bem? — Reyna me perguntou.– Ahã. — respondi, sem muita convicção.– Você está nervoso... Por causa de mim? — ela riu. Não respondi, e isso pareceu chateá-la, porque ela se afastou e sentou-se. — Tudo bem, você quem me chamou aqui em primeiro lugar. Ela se levantou. Por algum motivo, eu não queria que ela fosse. Levantei-me também e segurei seu braço, fazendo-a olhar para mim.– Eu só... Fiquei meio sem graça, nunca estive muito perto de alguém assim. — corei mais uma vez, e ela sorriu.– Tudo bem, eu entendo. – Não, não entende... As pessos gostam de você, e falam com você. As pessoas olham com repulsa para mim por onde eu passo, elas ficam o mais longe possível de mim. — percebi que ela era a segunda pessoa com quem eu comentara isso, a outra era Jason.– As pessoas gostam de mim? — ela repetiu, incrédula. — Eu fico sozinha a maior parte do tempo, Nico. Eu sei o que você sente. — Não, você com certeza não sabe, pensei. — É melhor irmos lá para dentro. — Acho que o efeito da flor de lótus já estava passando nela também, ou não. Porque antes de sair e me deixar sozinho novamente, ela me deu um beijo na bochecha. Arregalei os olhos, tocando o local onde seus lábios tocaram. Minha mente estava a mil. Será que ela estava consciente? Será que ia se lembrar disso amanhã? E por que estou tão chocado com isso? Talvez porque eu tenha gostado. Não! Me repreendi. Nada disso, eu tenho que me concentrar na missão, em nada mais. Quando entrei na casa, não vi nem sinal da Reyna. Fui dormir um pouco, e para minha infelicidade, Hedge já estava no quarto, roncando como um porco. Adormeci bem rápido, e meus sonhos se resumiram a Bianca. Um deles me incomodou bastante. Minha irmã, a menina pálida, de cabelos médios, ondulados e negros como seus olhos, estava parada no centro de um jardim repleto de flores de diferentes cores. Não era como qualquer sonho, ela parecia realmente estar ali, usando jeans, um moletom cinza e o gorro verde que lhe cobria um pouco o rosto. Não estava vestida como uma Caçadora.– Bianca! — corri até ela e abracei-a. Consegui realmente sentí-la, seu calor... Seu cheiro...– Nico... Você cresceu... — eu realmente estava mais alto que ela, o que surpreendia um pouco.– Eu senti sua falta... — então, eu estava chorando. É, Nico di Angelo chora. — Não vá embora... Por favor. — ainda estava abrançando-a, com medo de soltá-la e perdê-la.– Está tudo bem... Precisamos conversar. — ela largou do abraço e segurou minha mão, com a outra, ela secou as lágrimas do meu rosto. — Nico, sei que está se sentindo confuso... E quero que me conte.– Contar-lhe o quê? Sobre Percy? — ela mordeu o lábio inferior. — Não há nada para contar! Eu já superei, está bem?! — me vi gritando com ela, e me repreendi mentalmente. — Desculpe, Bianca... É só que...– Tudo bem, Nico. Você pensa que é errado, mas tudo bem, eu jamais o julgaria. E seus amigos também não. – Não tenho amigos.– Esta não é a questão. Nem Percy. — fitei-a, aturdido. — Você não o ama, Nico, sabe disso. Você está se apaixonando por outra pessoa. — agora estou claramente confuso. Franzi o cenho, tentando pensar em alguém. Mas não foi tão difícil assim, o que me assustou um pouco.– Eu não gosto da Reyna. — afirmei.– Não? — ela sorriu. — Engraçado, porque eu não mencionei a Reyna hora alguma, você mesmo deduziu, isso não significa nada? — enrubesci imediatamente. — Está tudo bem, Nico. — ela sorriu, olhando nos meus olhos. — Sou eu, não precisa esconder nada de mim. Engoli em seco e assenti com a cabeça.– O que eu devo fazer?– Você não devia me perguntar isso. — ela arqueou as sobrancelhas. — Está se virando bem, Nico. – Mas... — comecei, mas ela não deixou.– Faça o que seu coração manda. — eu ri.– Claro, Bianca, ótimo conselho!– Você tem que continuar viagem. Precisa chegar ao Acampamento a tempo.– Eu sei, partiremos amanhã.– Eu tenho que ir.– Espere! — segurei suas mãos, bem firme. — É você mesmo? Bianca de verdade, ou é minha imaginação?– Só porque é sua imaginação, não significa que não seja de verdade. — ela sorriu. De seus olhos começaram a escorrer lágrimas, caindo em suas bochechas com sardinhas.– Não, não vá! Seu corpo começou a desaparecer, ficando transparente. Meu desespero só aumentava. Eu não queria deixá-la ir.– Adeus, Nico. E assim, Bianca se foi. Acordei suando frio, Hedge nem se moveu. Eu estava arquejante, bebi um copo de água e tentei voltar a dormir, o que foi inútil. Esperei amanhecer para continuarmos a viagem.
Notas finais
O pesadelo foi ideia da Ágata, espero que tenham se divertido. Até mais!
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