Era um dia frio, estava chovendo lá fora, ainda meio sonolenta escutei o som de algo bem pesado caindo perto da minha janela. Bufei e levantei da cama, colocando minhas pantufas para ir do lado de fora ver o que poderia ser.

Do lado de fora da casa havia uma grande cratera onde no centro tinha uma pequena minhoca saindo no chão.

— Boa tarde, senhorita, poderia me fornecer alguma ajuda?

— Não é a primeira vez que isso me acontece de manhã, como posso ajudar?

— Minha cidade está sendo atacada por um monstro, todas as pessoas estão sendo devoradas, não temos como nos defender

— Certo, certo, pode esperar só um pouco? Preciso trocar de roupa e as pessoas estão passando pela rua achando que eu levanto as 6 da manhã pra falar com a grama na chuva

Levantei e entrei na casa deixando as pantufas na varanda para não sujar a casa, me troquei e tirei Tanta e Azimonte do guarda-roupa, me preparando para chamar Isabel.

— Princesa, hora de acordar, temos trabalho

— Não quero ir

— Eu sei, eu sei, está chovendo bastante e tem uma minhoca falante no nosso quintal, agora vamos

— Eu disse que não quero

— Ei, tudo bem?

— ME DEIXE EM PAZ!- ela berrou se cobrindo com o lençol

Eu fiquei confusa, mas a deixei em paz, saímos do quarto e fomos para o lado de fora onde a minhoca ainda estava nos esperando.

— Vamos agora, senhorita- ela disse saindo da terra, seu corpo parecia um corpo de cão enorme sem pelo

— Acha que vamos acabar enfrentando uma galinha gigante?- perguntei a Azimonte

— Se for podemos leva-la para casa e ter um grande almoço- ele respondeu se transformando em homem

— Estou um pouco cansada, pode dar uma carona?

Ele ficou de costas para mim e se ajoelhou, subi em suas costas e deitei a cabeça perto de seu pescoço. Dei um grande suspiro ainda pensando no que Isabel me disse, estaria ela com raiva de mim? Eu a irritei de alguma forma? Não fazia sentido, uma hora ela me diz que não quer fica longe de mim e em outra ela briga comigo sem motivos aparentes.

— Acha que ela está com raiva de mim? Eu fiz alguma coisa pra irrita-la?

— Não, você estava perfeita

O som da chuva batendo no guarda-chuva que eu trouxe comigo ela calmo, mas não tirava esse problema da cabeça, em outra ocasião eu teria adorado esse momento, essa chuva, o frio, mas não agora.

— Ainda está pensando nela?

— Não posso evitar...

Ele começou a correr na grama molhada e espirrar lama, pulava para lá e para cá como um louco nos fazendo morrer de rir e pegar um pouco de chuva.

— Te fez se sentir melhor?- ele perguntou ainda correndo, mas virou a cabeça para olhar para mim sorrindo

— Sim, muito obrigada- eu disse o abraçando por traz

Paramos quando vimos que a minhoca havia parado, a cidade onde ela morava era uma grande cratera, quase 100 vezes maior do que a que ela fez perto da minha janela, mas as nuvens não se formavam encima dela, parecia que havia um grande buraco no céu que impedia que chovesse no local. Entramos na cratera e ouvimos um barulho de asas batendo, o que fez com que a minhoca estremecesse e fosse para debaixo do solo.Um grande pássaro muito gordo surgiu, tinha penas brancas, mas na sua cabeça tinha uma grande pena dourada.

— Hora do show- eu disse para Azimonte, enquanto tirava minha espada da mochila que sempre deixava pronta para casos de saídas súbitas, que começaram a acontecer com frequência.

Azimonte se transformou num dragão negro e tentou queimar o pássaro, que desviava e tentava bicar seu rosto, Tanta me subiu ate a cabeça do pássaro onde eu tentei fazer cortes sem sucesso em sua nuca, suas penas pareciam ser feitas de metal. Ela se balançava muito subi ate o topo de sua cabeça e me segurei forte em sua pena dourada, mas ela acabou se soltando, fazendo o pássaro urrar de dor e cair, provavelmente morto.

— Nossa, achei que seria mais difícil- disse decepcionada

Assim que o pássaro caiu as minhocas começaram a se juntar em volta dele.

— ESTÃO COMENDO NOSSO ALMOÇO!!!!!!!!!!!

Mesmo com Azimonte indignado por comerem seu almoço, voltamos para casa com a pena, que era nosso provável objetivo. Chegando em casa, Azimonte foi tomar um banho e levou o Tanta com ele para limpa-lo de toda a lama. Fui para o quarto, Isabel ainda estava deitada, me sentei do lado dela na cama.

— Eu sei que está acordada, pode se virar?

Ela se virou para mim, ela estava chorando antes, seu olhos estavam inchados e seu lábio inferior estava tremendo.

— Ei, você está bem? Está machucada ou algo assim?

Ela tirou o lençol, suas pernas estavam ficando transparentes, o suficiente para eu ver o lençol de cama, mas não o suficiente para desaparecerem.

—Para vir até aqui eu tive que deixar boa parte da minha força em Taminy para não causar nenhum dano a esse mundo, mas minha força vai começar a diminuir......

— Eu vou concertar isso- eu disse começando a chorar, me levantei e peguei a mochila de novo, depois voltei até Isabel para beijar sua bochecha- Eu volto logo

Ela me puxou pelo pulso e beijou minha boca, parecia que faziam anos que eu não sentia isso, mesmo tendo sido um espaço bem curto de tempo, "te vejo logo", ela disse sorrindo e me soltando. Corri para fora e assoviei o mais forte que pude, e em alguns minutos lá estava Chessy respondendo ao meu chamado.

— Chessy, para a casa de Morfus, depressa!- disse montando em suas costas e torcendo para que ainda tivéssemos algum tempo e que não fosse tarde demais.