Sai mais cedo de casa pois estava ansiosa para pedir a Morfus para entregar minha carta para Isabel, que acabei escrevendo de madrugada já que não consegui dormir muito bem. Morfus estava ensinando o alfabeto para o ogro, ele o deu o nome de Mont, para que ele pudesse ser inteligente o suficiente para ser seu ajudante.

— Ah, estou vendo que não vai pra aula hoje de novo, assim não vai entrar numa boa faculdade

— Não, eu passei a infância toda estudando matérias avançadas, porque eu tava entediada e não queria fazer amigos

— Isso explica porque você cresceu e virou uma emo que passa seus dias com um velhote com uma bunda de cavalo

— Não esqueça que também sou uma ótima tratadora de criaturas mágicas

— Ok, Mocinha – ele disse bagunçando meu cabelo – agora entre na floresta

— Pra quê?

— Eu tava andando por lá e vi que uma das árvores abriu um portal, quero que vá lá olhar

— Abriu um portal assim de repente?!

—........... Eu meio que tava tentando ensinar alquimia para o Mont e....... Bem, pelo menos não foi na minha casa, pode dar uma olhada?

— E eu tenho escolha?

— Está falando com a Isabel, e não, você não tem escolha

— Ah, agora eu me lembrei – disse abrindo minha mochila e lhe entregando a carta – pode mandar isso pra ela por favor?

— Claro

Ele pegou a carta e assobiou para o céu, alguns segundo depois uma espécie de pássaro desceu do céu, era como uma mistura de gato com coruja, Morfus entregou a carta a ele que pegou-a com o bico e começou a correr em direção a floresta, deu um grande bater de asas e um pequeno portal abriu e ele entrou, fechando-se logo após.

— Pra onde ele foi?

— Para Taminy

— Se ele pode fazer portais, por que eu no posso ir pra lá?

— São portais muito pequenos, se não eu já teria voltado pra casa também, agora entre na floresta e se livre do portal antes que algo saia dele, por favor

Fui para a floresta acompanhada de Tanta e Azimonte, a área não era tão longe do acampamento de Morfus, era uma árvore mediana e no seu tronco havia uma porta de madeira com entalhe de uma gárgula rodiada de esqueletos é uma fênix sobre suas cabeças.

— Será que eu devo... Entrar?

Tanta e Azimonte se entreolharam e enquanto Azimonte balançava acabeis negarivamente, Tanta dizia que sim freneticamente.

— Acho que eu não vou obedecer o sabichão hoje, Azi – disse entrando pelo portal

Ao entrar no portal eu vi um lugar cinzento que parecia um cemitério, a nossa frente tinha uma estátua de gárgula que começou a se mover assim que nos aproximamos.

— Não podem entrar! – ela berrou com uma voz esganiçada

— Ah, desculpe é que,.... Estávamos curiosos então....

— Apenas os mortos vivem aqui agora!

— Agora?

— Antes esse lugar era domínio dos mortos-vivos, isso quando nosso rei fênix estava aqui, mas agora não sabemos onde para onde ele foi, então agora esses pobres mortos-vivo dormem em suas tumbas

Ao terminar de falar ela voltou a sua forma de estátua.

— Acho que temos uma missão – eu disse olhando para Azimonte animada

Ele revirou os olhos e tomou a forma de um urso com chifre de unicórnio e fez sinal para eu montar em suas costas. Ele nos levou até o centro do cemitério onde havia um templo com um grande ninho encima, Tanta voou para cima do ninho e começou a farejar, deu um pequeno rugido e começou a voar para a direita, começamos a segui-lo até que encontramos uma enorme montanha.

— Vamos ter que subir isso?

Azimonte olhou para mim com um olhar de deboche, se pôs de 2 patas fazendo com que eu caísse e começou a subir sozinho.

— Ora, seu........

Assobiei para cima e Tanta veio a meu resgate me segurando pela boca, ultrapassamos Azimonte e ele teve de enfrentar a minha cara de deboche. Chegamos ao topo antes dele.

— Ora, ora, parece que o velhote não está mais em forma para isso como o meu garotão aqui – disse acariciando a cabeça de Tanta

Azimonte se irritou ao ponto de tomar a forma humana só para me responder.

— Você acha que eu sou seu subordinado para ficar te carregado e fazendo o que você mandar!

— Mas é meu amigo, devia pelo menos me dar uma força já que eu te proporciona uma casa e comida!

— Eu não preciso de você e nem desse seu bichinho de estimação! – ele disse apontando para Tanta o que o deixou extremamente zangado e o fez avançar para cima de Azimonte tentando acerta-lo com sua cauda de escorpião

— Tanta, pare, não vale a pena

Ele se afastou de Azimonte com raiva e rosnando para ele enquanto Azimonte se afastava ajeitando seu terno.

Andei por um tempo com Tanta dormindo sobre minha cabeça até que encontramos uma fênix morta encima de um altar de pedra, ela parecia estar lá a muito dias, já que 90% de seu corpo estava decomposto.

— Essa não...... O que nós faremos agora?