Ficamos um tempo parados olhando para o grande pássaro morto.

— Ah não, ah não, ah não! O que a gente vai fazer?

Tanta ficou sobrevoando o cadáver e logo após começou a voar para perto de uma grande pedra que estava um pouco distante, eu o segui e chegando lá vi um ovo meio rosado de tamanho estranhamente grande, mas ainda assim dava para carregá-lo.

— Talvez seja daquela fênix, não podemos deixar ele aqui..... Se levarmos ele até o cemitério a gárgula poderia nos ajudar? – perguntei a Tanta que deu de ombros e então, como não tínhamos outra opção, voltamos para o cemitério

Colocamos o ovo no ninho da antiga fênix e Tanta montou guarda enquanto eu fui pedir ajuda da gárgula, mas ela não acordava de jeito nenhum e resolvi voltar para ver como faríamos para chocar um ovo de fênix.

— Droga, será que os ovos de fênix são como os de galinha?

Minha linha de pensamento foi interrompida por um barulho vindo do céu, uma grande fênix negra pousou no ninho e começou a aquecer o ovo com suas chamas azuis. As chamas contornavam o ovo sem o queimar e continuou assim por um tempo, olhei para o pássaro que obviamente era Azimonte.

— O que está fazendo aqui?

— Obviamente fazendo seu trabalho – ele disse se transformando em homem

— Não pedi sua ajuda

— Não é porque você é grossa que eu vou deixar você ser morta por um bando de zumbis

— Isso ia acontecer?

— Provavelmente. Então, o que se diz pra pessoa que salvou sua pele? – ele disse se curvando um pouco para me olhar e segurando meu queixo

— Obrigada... – disse bufando

— Boa menina, agora se afaste, ele vai nascer

Ele disse pegando Tanta com uma braço e pulando para se agachar na base do pequeno templo da fênix.

— Ei, espera, me afastar pra quê? – perguntei olhando para baixo, infelizmente não tive tempo de me afastar e o ovo começou a misturar as chamas azuis com as vermelhas que saiam dele e estava prestes a explodir, só tive tempo de sentir Azimonte me puxar pelo pulso para perto dele.

— Da próxima vez a piralhinha deveria ouvir quando eu falar – ele disse batendo na ponta do meu nariz com meu dedo indicador

— Ei, tenho 16 anos, você não é tão mais velho que eu

— Eu tenho a idade desse planeta, mocinha

— Uau, você é tão velho assim?

— Não sou velho, sou apenas sábio

— Você é um imortal ou algo do tipo?

— Um dia eu te conto

Nossa conversa foi interrompida por uma explosão acima de nossas cabeças.

— Já podemos subir

Escalamos o templo e vimos algumas parte queimadas no telhado, mas o ninho estava intacto, nele estava um pássaro recém-nascido com apenas umas poucas penas em seu corpo rosado. Ouvirmos alguns gemidos saindo do chão e várias pessoa começaram a sair de suas lápides, todas deformadas e meio decompostas, a gárgula saiu de onde estava e veio voando para perto de onde estávamos, agora o pássaro já estava começando a abrir seus olhos e abriu o bico para fazer um pequeno barulho semelhante ao barulho de uma águia, assim que o fez as árvores retorcidas e mortas começaram a estalar e se endireitar, seus galhos criaram folhas verdes e do chão cinza começou a crescer grama.

— Muito, muito obrigado! – disse a gárgula apertando minha mão e a de Azimonte – Finalmente temos nossa casa de volta, mas.... É uma pena que nosso querido Shuan tenha partido, se ele pelo menos tivesse morrido aqui por perto poderiamos fazê-lo voltar mesmo que aos pedaços

— Acho que podemos ajudar nisso também

Azimonte tomou a forma de um pegasus e trouxemos a fênix morta de volta para sua casa, onde agora já se movia novamente e fora cuidar de seu filhote que era a única coisa viva naquele lugar além das árvores.

Voltamos para o portal, mas antes de irmos a gárgula me entregou um pergaminho amarrado com uma fita vermelha e partimos para nossa casa enquanto o portal se retorcia e voltava a ser casca de árvore novamente atrás de nós.