Verdade
18 Capítulo XVIII - Declarações
Notas iniciais
–Mas Thomas, você tem certeza que é agiu certo? Que é isso que seu coração quer? – Perguntou Fábio sentando-se ao lado do rapaz. Thomas precisava de conselhos. No fundo ainda amava Pedro, mas era certo perdoar o que ele fez? Ele merecia uma segunda chance?
–Ele me traiu!
–Olhando por esse lado... Você também... Você também ficou com outra pessoa Thomas. – Rebateu o rapaz, que limpava a mesa da churrasqueira, conforme as “ordens” de Alberto.
–Eu sei... Mas se ele não tivesse feito... Eu não teria. – Justificou se Thomas com veemência.
–Se? Se? Você percebeu que está usando duas hipóteses variantes? Você nem sequer tinha certeza de que ele estava com alguém, era apenas uma hipótese, ele também tinha essa mesma duvida quanto a você, vocês dois agiram com base numa suposição que fizeram do outro, não dá pra saber o que aconteceria “se não, se a gente entrar no mundo das hipóteses, paramos de viver para pensar em como a nossa vida seria, é bobagem. A vida é assim, e não é sobre o que poderíamos ter feito, é sobre o que VAMOS fazer.
–Mas... Ele, ele ficou com ela tão rápido...
–Thomas, não olha para o passado, não adianta, se ele fez isso ele já tá arrependido, mas eu sinto que você só vai ser feliz com ele. – Acrescentou Regina, abraçando o primo. — E, além disso, eu não enchi a cara daquela vadia de tapa a toa não é? Eu quero que vocês fiquem juntos.
–Ai Regina... – Thomas parecia indeciso, contrariado consigo mesmo.
–Ai Regina nada... O que você sentiu quando abraçou ele hein? – Perguntou Regina, abraçando o primo.
–Foi... Foi mágico... Foi como se eu voltasse a ser completo, feliz sabe? Eu tinha tudo, era como antes, melhor ainda, por que agora eu não tinha nada que me impedisse de amar o Pedro!
–Thomas você ama ele! A quem você tá querendo enganar! Vai atrás dele!
–Não! Não posso! Por mais que eu goste dele, eu não posso simplesmente esquecer! Ele errou mais do que eu, ele que se entregou àquela vadia deliberadamente! E Eu tenho meu orgulho tá? Não vou simplesmente me humilhar que nem fiz com o Ivan. – Thomas saiu irritado, deixando Fábio e Regina sem reação.
–É... Eu sabia, ele não vai aceitar tão fácil, mas eu não o culpo, deve ter sido difícil pra ele... Você sabe, decepções em sequencia, ele ainda não superou tudo. – Admitiu Regina, abraçando Fábio. No fundo ela estava preocupada com o primo, torcia para que ele superasse tudo logo, mas não tinha certeza se depois disso ainda haveria lugar para Pedro em seu coração.
–Quer saber? Eu tive uma ideia. – Disse Fábio com um sorriso de quem já tinha algo arquitetado. Mas preciso da sua ajuda.
Pedro estava em cima da ponte de pedras de um pequeno córrego na mata perto de sua casa, atirava pedras na água enquanto apoiava o braço numa das guardas da ponte. Estava quase noite, mas Pedro não tinha vontade alguma de sair de lá. “como eu fui tão idiota?” perguntava-se, deixou-se enganar por uma porção de doces, algumas palavras infantis e um pouco de bebida... Permitiu que aquela mulher entrasse em sua vida e fizesse o que bem entendesse, enquanto seu verdadeiro amor estava longe e precisando dele. Queria voltar o passado e fazer tudo diferente, agora era tarde, Thomas não queria saber dele.
“Thomas, volta pra mim” – Murmurou ele baixinho atirando a última pedra na água, talvez por obra do destino, uma voz surgiu do outro lado da margem no mesmo instante.
–Ei, tem um minuto? Eu preciso falar com você – Disse uma voz que se aproximava pelo bosque.
–Thomas? –Perguntou Pedro virando-se de súbito, mas seu sorriso se desfez quando percebeu que não se tratava dele.
–Não não, eu sou o Fábio. –Revelou o rapaz. – Namorado da Regina, você me conhece já.
–Sim, sim. – Disse Pedro cumprimentado-o.
–Desculpa por chegar de repente, eu espero não ter te assustado.
–Não, tudo bem, é que eu tava distraído. – Respondeu Pedro. –Mas o que te traz aqui?
–Bem, eu e a Regina conversamos... E decidimos por uma coisa em prática. O que você sente pelo Thomas?
–Eu amo o Thomas. Não preciso dizer mais nada. Eu acho que não tenho como dizer o quanto me arrependo por tudo o que eu fiz. Eu fui um idiota. Como eu pude me permitir... Eu o deixei ir, ele sofrer. Se não fosse por mim o pai dele não teria nos pego, nem batido nele... Eu fiquei com aquela menina por pura vontade. Eu esqueci tudo aquilo que nós vivemos. – Lamentou-se Pedro.
–Cara, todo mundo erra. E não comece com “e Se(s)” não dá pra saber o que teria acontecido. Além do que... Você salvou o pai dele, isso de alguma forma compensa! Afinal você mudou a mentalidade do velho, agora o Thomas pode voltar pra casa, você que encaminhou essa história pra um final feliz rapaz, pare se culpar. E tome uma atitude. Eu não conheço o Thomas direito... E nunca tive muitas namoradas pra entender direito desses assuntos de amor. A Regina é realmente a primeira que amo. Mas uma atitude pode mudar tudo, é serio.
Fábio estava convicto. Pedro ainda parecia indeciso, mas no fundo sabia que o rapaz tinha razão. Não podia ficar parado ali, agora sim estava tudo em suas mãos, e não podia deixar Thomas ir embora. Não por uma segunda vez.
*
–Ai Regina... Por quanto tempo ainda temos que andar? Meus pés estão cansando. E daqui a pouco vai anoitecer. Eu sabia que você gostava de caminhadas, mas não sabia que gostava tanto. – Reclamava Thomas. Provavelmente já haviam andado alguns quilômetros por meio dos bosques que circundavam a fazenda, e Thomas já estava se cansando. A cada minuto notava como o céu estava ficando alaranjado e as sombras ficando compridas. Nem notava mais as paisagens novas e bonitas que Regina tanto admirava. Mas parou de reclamar quando percebeu onde se encontrava.
–Espera! A gente tá indo pra onde eu to pensando? – Gritou Thomas, parando de súbito ao reconhecer a paisagem, percebeu que estavam indo na direção da casa de Pedro. – Eu vou voltar, disse Thomas dando meia volta.
–Não Tom, fica, por favor. – Thomas de repente parou, tentou disfarçar, mas seu rosto esboçou um sorriso quando ouviu aquela voz. Não queria ceder, o orgulho dentro de si gritava que fosse embora, mas a vontade foi maior, e virou-se. Seu rosto, num movimento involuntário, se alegrou quando as luzes de seus olhos encontraram-se.
–Thomas, sério, por favor. Volta pra mim. Eu sei que eu tava errado, meu coração dói tanto quando eu penso no que te fiz sofrer, no que te fiz sentir. Eu não quero que nada de ruim aconteça com você, muito menos por minha causa. Eu te amo Tom, me dá essa segunda chance, eu prometo que vou te fazer feliz, e que nada de ruim vai acontecer com você. Eu não vou deixar nada te atingir. – Pedro quase chorava, no fundo Thomas sabia que ele estava sendo sincero.
Thomas percebeu de repente que tudo o que estava sentindo, tudo que havia se passado nos últimos meses, todos os seus sentimentos eram incompletos, entendeu o que estava faltando. Pedro nunca o deixaria se tivesse essa escolha, nem ele deixaria Pedro. Só seriam completos juntos. Thomas lembrou- se do começo, quando chorava apenas por olhares, atormentado em dúvidas quanto a si mesmo. Foi Pedro que o fez entender o que realmente era, fez Thomas achar seu lugar no mundo. E sabia que podia contar com Pedro sempre. Esse era aquele alguém com o qual sonhara, que sempre estaria ali, protegendo-o, completando-o, e acima de tudo fazendo-o feliz.
–Desculpa por ter te julgado tanto. – Disse Thomas que se aproximava. – Eu te amo Pedro, eu não vou largar seu amor por nada, eu também fui culpado achando que você era só outro canalha, mas eu sinto, eu sei que você é diferente Pedro, desculpa por ter te culpado.
–Tá tudo bem Thomas, a culpa não foi nossa, foi o preconceito que nos separou, as vezes as pessoas não consideram todo o tipo de amor válido, mas eu conheço um amor válido: o nosso. E eu fiz e vou fazer de tudo para preservá-lo. A gente não pode deixar que as pequenas tribulações do destino passem por cima do nosso amor. – Declarou-se Pedro aproximando-se do garoto e beijando-o nos lábios.
–Bem, eu... Eu já to indo então tá gente, eu vou dar um passeio lá no rio com o Fábio e... – Regina afastou-se sem jeito, porém estava feliz por ver que os dois finalmente se entenderam.
–Eu te amo Pedro.
–Eu te amo Thomas.
Os dois beijaram-se como nunca antes, entretanto não eram os mesmos de dois meses atrás. Thomas estava maduro, não era mais aquele garoto crédulo e bobo, agora podia considerar-se um homem. Pedro também aprendeu a dar mais valor a ele, nada no mundo era mais precioso do que Thomas e o amor que sentia por ele.
–Sabe tom – disse Pedro pegando Thomas pela cintura e erguendo-o na borda da ponte, de modo que ficassem um de frente para o outro. – As aulas vão começar semana que vem.
–Por que isso agora? – Riu Thomas lembrando-se do menino bobo que era na escola quando se conheceram.
–Por que vai ter muitos trabalhos de história... E eu quero fazer todos junto com você. – Sussurrou Pedro no ouvido do garoto, beijando-o novamente nos lábios.
Thomas sorriu, e beijou-o em retorno, era como voltar ao paraíso, tudo o que sentira no passado estava acontecendo de novo, era como beber um copo de água após ter quase morrido de sede, só queria desfrutar daquele momento e nada mais. Pedro talvez pensasse que tudo aquilo se tratava de um sonho, era tudo bom demais para ser verdade, mas estava acontecendo sim.
No momento em que o sol se pôs uma chuva grossa começou a cair, deixando-os ensopados, Pedro levou Thomas para casa, não sem antes cobri-lo de beijos molhados. Quando entraram a água escorria em gotas de seus corpos, formando poças no parquet do chão, mas não ligavam para nenhum detalhe ao redor, apenas para seus corpos quentes que seriam capazes de fazer a água evaporar se ela os tocasse quando estivessem juntos, o sangue fervia e a respiração falhava enquanto um arrancava com voracidade as peças de roupa do outro. Jogaram-se na cama apenas com as peças que cobriam sua intimidade. Thomas sabia que o dia com o que sonhara havia chegado, seu corpo tremia da cabeça aos pés, mas nem só ele estava nervoso, Pedro mal se continha, desta vez estava lúcido, não havia sido coagido a nada, Thomas não possuía segundas intenções, a única intenção era amar e ser amado.
Pedro deitou Thomas na cama e abriu seus braços em forma de “T”, nem sequer ligava se a mistura de água e suor sujava os lençóis, seu único mundo era Thomas naquele momento. Ele segurou os braços do garoto com os seus próprios e deu-lhe um lascivo beijo nos lábios, e não parou por aí, brincou com o corpo de Thomas, com seus lábios, com sua pele, sentiu a reverberação de prazer que ecoava em seus sistema nervoso após cada toque de seus lábios e cada passada de sua língua. Era como receber radiação, cada célula do corpo era afetada, Thomas respirava prazer e amor, pois o ar já não lhe era suficiente, ofegava.
Pedro ia e voltava na horizontal do tórax de Thomas, porém a cada ida e volta fazia cair um tanto o alvo de suas provocações, continuou com essa voluptuosa brincadeira até que chegasse a barra daquela ultima peça de roupa que cobria o vulnerável corpo de Thomas e arrancou-a, sem suspense, passou a usar as mãos como instrumento de prazer, acariciando e deliciando aquela parte do corpo de Thomas, que por sua consistência indicava o encanto que o menor sentia. Thomas nunca foi visto por Pedro daquela forma, como veio ao mundo , ainda assim não se sentia com pudor algum, sentia-se deliciado por aquelas sensações das quais poderia até já ter experimentado, porém dessa vez estava ali com o amor de sua vida.
Pedro tornou a novamente usar os lábios, ora passava a língua, ora beijava, ora fazia com que sua boca o envolvesse. Ao sentir os lábios quentes de Pedro deliciando-se com aquela parte de seu corpo Thomas soltou incontáveis gemidos de prazer, seu corpo contorceu-se, talvez já houvesse provado daquela situação, mas agora sentia o ideal, estava perfeito, não poderia ser melhor de maneira alguma, porque além de prazer havia sentimento envolvido. Teve que fazer Pedro parar, do contrario acabaria com aquele momento ali mesmo. E então Thomas, já nu, inverteu as posições e desta vez foi ele a proporcionar aquele mesmo prazer a Pedro, e fez com que sua boca examinasse e deleitasse cada centímetro daquela extensão. O louro foi à loucura com aquele choque de sensações e hipnotizado permaneceu por aqueles olhos azuis que iam e vinham e por aquela boca que envolvia com prazer seu corpo.
Thomas voltou a beijá-lo. Desta vez seus corpos estavam perfeitamente alinhados de modo que cada parte deles se chocasse causando descargas de prazer, cada movimento que produziam fazia suas peles roçarem, e a sensação era indescritível. Pedro abraçou Thomas agarrando com as mãos suas nádegas, e impelido pelo instinto levou os dedos até seu centro, fazendo Thomas gemer de prazer e suspirar. Aquela era hora.
Thomas virou-se na cama, Pedro ficou ajoelhado em sua frente, o moreno abriu as pernas oferecendo livre passagem. Estava nervoso, mas o prazer ecoando em cada centímetro de si entorpecia qualquer instinto contrário. Pedro usou primeiro os dedos, o que fez Thomas gemer baixinho.
–Posso? – Perguntou Pedro, receoso, a última coisa que queria era causar dor em Thomas. O garoto apenas assentiu com a cabeça, incapaz de proferir qualquer palavra naquele momento. Pedro alinhou seus quadris, e com um pouco de força finalmente ingressou no corpo do menor, lentamente ele avançava mais. Thomas soltou algo como um grito ou gemido, sua face se contorcia, mas seu olhar continuava compassivo. A sensação para ele era indescritível, era como se ele e Pedro fossem um corpo só, por mais que houvesse uma incontestável dor em qualquer movimento, o prazer e o torpor a superavam. Thomas tocou a si próprio enquanto Pedro aumentava a frequência contra o corpo de Thomas, finalmente chegaram ao ápice juntos, e o corpo de Pedro desmontou sem forças em cima de Thomas, sonolentos e satisfeitos.
Adormeceram entrelaçados, e quando acordaram o sol raiava, tomaram banho juntos, e como antes, Pedro preparou o café de Thomas. Tudo estava tão perfeito, estavam juntos novamente, se amando, e prontos a superar qualquer desafio que fosse privá-los desse amor. Se beijaram em frente ao rio que testemunhou um de seus primeiros encontros românticos, agora as mesmas águas corriam ali, mas as mentes dos garotos não eram mais as mesmas, a verdade os havia feito evoluir, descobriram que ilusões não levam a lugar algum.
–Thomas, eu já disse que te amo? – Perguntou Pedro abraçando-o.
–Eu quero ouvir quantas vezes for possível, só pra eu ter certeza que eu não to sonhando. – Respondeu Thomas, e os dois se beijaram novamente.
“eu te amo”
“eu te amo”
Sussurraram enquanto as respirações pesadas se cruzavam e produziam nevoa naquele ar frio da manhã em que as folhas acumulavam orvalho e emanavam um cheiro puro e bucólico.
Thomas, eu não sei se eu já te pedi isso, mas provavelmente não da forma que eu queria. – Disse Pedro assumindo um tom mais solene. Thomas não entendeu direito, até que o louro retirou uma pequena caixa de seu bolso e se ajoelhou em sua frente.
–Thomas, você quer namorar comigo? – Pediu Pedro abrindo a caixa, eram dois anéis de metal, simples, não preciosos, sem pedras ou nomes gravados, porém ainda assim muito bonitos, pois representavam o elo que os unia, o amor que um sentia pelo outro.
Thomas corou, levou as mãos ao rosto e sentiu que suas bochechas estavam quentes, provavelmente vermelhas. Só ai notou que ainda não havia respondido.
–Sim, sim, claro... Claro que sim. – Sorriu ele, derramando algumas lágrimas de felicidade, que Pedro limpou após colocar o anel em seus dedos. E os dois deram o beijo mais longo e apaixonado que já tiveram, ali, debaixo daquelas arvores frondosas onde o amor deles nasceu e teve seus primeiros passos.
Thomas por um momento desejou que aquele momento não acabasse nunca, mas então deu-se conta que não importava. Aquele era só um, o primeiro, dos inúmeros momentos que teriam juntos.
Fale com o autor