Notas iniciais
Obrigado aos que esperaram :) eu sei que devo desculpas pela demora, e espero que me perdoem, leitores. Ai vai o final dessa história tão gostosa de escrever. Estive pensando em uma segunda temporada, espero que aprovem a ideia XD divirtam-se com a leitura, e não deixem de opinar.

Aquelas foram as melhores férias da vida de Thomas, havia perdido a conta de vezes que iam nadar juntos no riacho, das noites que passavam juntos no chalé. Tinha que dar desculpas aos seus pais, e Regina sempre encobria tudo. A cumplice perfeita. Dizia que iam acampar, ou inventava festas e eventos. Ela também estava adorando as férias. Passou os meses juntos com Fábio, e não se importavam com os resmungões de Alberto ou de Mônica, simplesmente aproveitavam os momentos juntos sem se importar com a opinião dos outros, como sempre fizeram.

Chegara o dia de partir. Infelizmente tudo o que é bom tem uma curta duração, e as férias chegavam ao seu fim. Alberto e Mônica diziam que tinham uma surpresa a fazer, e para isso mandaram reunir a família na fazenda. Talvez dessa vez esse momento bom durasse um pouco mais.

Thomas acordara de súbito, dormira tarde de tanto conversar com Pedro pelo computador, eram tão grudados que se não estivesse se vendo pessoalmente se viam através das telas dos computadores. Thomas dormira tanto que perdeu a noção da hora, já era tarde quando levantou-se. Tomou banho as pressas esperando não levar nenhum xingão por estar atrasado. Ainda estava no chuveiro quando viu a porta abrir. Provavelmente era sua mãe mandando ele se apressar.

–Ah, mãe, eu já vou! Não vê que eu to no banho? – Resmungou Thomas virando-se para a parede.

–Acho que não é mamãe não. – Respondeu uma voz grave que entrava no banheiro. Era Pedro, que invadia o cômodo sem aviso algum. Carregava uma rosa nas mãos, e sorria de maneira maliciosa ao observar Thomas no banho. Esse, envergonhado mal teve tempo de desligar o chuveiro e enrolar-se numa toalha.

–Como foi que você entrou aqui? você me deu um susto! – Resmungou o moreno atirando água em Pedro.

–Regina abriu a porta da frente, e eu fiz meu caminho. – Riu ele. – Feliz 3 meses e meio. – Disse ele entregando a flor para Thomas e acariciando seus cabelos molhados enquanto dava-lhe um beijo nos lábios.

–Obrigado. – Sorriu Thomas. – Retribuindo com um abraço meio desajeitado, visto que estava enrolado numa toalha. Pedro o beijou novamente.

–E aí, o que tem para hoje a noite? –Perguntou Pedro.

–Jantar de família, vou ter que ficar em casa. – Desculpou-se Thomas sem graça.

–Eu sei, seu pai me convidou. Achei que tivesse te contado.

Thomas desconfiou. Por que o Pai falaria com Pedro sem nem sequer consulta-lo? Algo de errado. Esperava que não fosse nada grave, nem que Marco constrangesse a família com algum discurso moralista.

–Não deve ser nada, vai ver ele quer só agradecer pelo salvamento. – Lembrou Thomas.

–Espero que sim. – Confirmou Pedro. Já estava na hora de Marco engolir o orgulho.

–Enfim, agora sai né... Eu preciso me trocar. – Censurou Thomas fitando Pedro nos olhos. Não saberia o que esperar se ele e Pedro continuassem sozinhos ali.

–Não tem nada aí que eu não possa ver. – Pedro sorriu maliciosamente e fechou a porta. Não foram vistos o restante do dia.

A noite chegou rápida. Regina e Fábio haviam passado a tarde no riacho. As areias brancas e o som das águas eram o melhor ambiente para um piquenique. Regina lamentava um pouco em ter que deixar a fazenda, mas sentia também saudade do movimento da cidade. Fábio pensava o mesmo. Nunca visitara o interior, mas gostava daquela tranquilidade. Na verdade não importava muito, contanto que Regina fosse sua companhia.

–E aí, que surpresa é essa que o Seu Alberto preparou para hoje a noite? – Perguntou Flávio entrelaçando as mãos na cintura de Regina e beijando-a nos lábios.

–Olha, além da paella, todo o resto é confidencial, segredo de estado. Minha mãe não falaria nem sobre tortura. Tia Isabel também é um enigma. Vai se acostumando com esses meus parentes esquisitos. – Brincou ela. – Isso é bom, sinal de que eu não sou adotada.

Fábio Riu. A cada momento tinha mais certeza que Regina era a pessoa certa. Seu sorriso iluminava o dia. Seu jeito de fazer piadas, a maneira como olhava para ele. Não sabia descrever. Mas só se sentia feliz assim se ela estivesse por perto.

Os dois rumaram para casa abraçados, acompanhados por uma revoada de pássaros, o sol já havia se posto e o céu se pintava de vermelho no horizonte. No caminho encontraram Thomas e Pedro.

–Ei, onde vocês estavam? – Perguntou Regina. – A Tia Isabel quase me interrogou hoje, sumiram o dia todo...

Pedro e Thomas se olharam.

–Quer mesmo saber? – Perguntou Pedro, bancando o engraçado.

Regina Riu.

–Vocês hein. – Riu Fábio olhando pra Regina com olhar de cumplicidade

–A gente só foi dar um passeio na cidade ué. O Pê me levou para almoçar, essas coisas... – Justificou-se Thomas, inocentando-se.

–Hmm tô de olho hein. – Exclamou Regina enquanto entravam.

– Pode deixar que com a dona Isabel eu me acerto. Digo que levei vocês para pescar. – Riu Fábio.

Isabel apareceu na frente da porta de súbito, camisola e bobes na cabeça, pelo jeito ainda não tinha terminado de se arrumar. A expressão no seu rosto não era muito convidativa:

–Posso saber onde estava mocinho? Nem tomou café da manhã! E se desmaia por aí nessa fazenda e ninguém te acha? Como eu vou ficar? – Xingava ela enquanto tentava retirar um dos bobes da cabeça sem sucesso.

–Calma dona Isabel, eu só levei os meninos para pescar. A gente comeu na cidade. – Antecipou-se Fábio, piscando o olho para Thomas.

–Bom. Mas da próxima vez me avisa! Eu fico aflita. – Exclamou ela. – Regina, me ajuda aqui com o meu cabelo querida? Aii, Pedrinho, eu nem vi que você tava aí. Me perdoa querido, eu to tão ocupada... –Exclamou ela dirigindo-se agora a Pedro e dando-lhe beijos no rosto, Isabel era daquelas que conseguia manter mais de cinco diálogos ao mesmo tempo, e intercala-los. – Regina seu pai não sai daquela cozinha, me mandou manter distância, eu vou ficar maluca desse jeito. Não consigo ver ninguém mexendo nas minhas panelas.

–Tudo bem mãe, tenho certeza que vai ficar um ótimo jantar. – Respondeu Thomas entre risos. Pelo menos as desculpas funcionaram.

–Se sobrar alguma coisa, vai sim. Agora vai tomar um banho, e vocês também. Não quero ver ninguém cheirando a peixe na minha mesa. – Riu ela enquanto Regina a ajudava a retirar os rolinhos do cabelo.

–Tudo bem ter uma sogra louca? – Sussurou Thomas para Pedro. Ele riu.

–Ela é engraçada. Mas contanto que você seja meu namorado, pode ser filho até da Rainha Malvada. Eu aguento a barra. – Riu Pedro, dando beijos no pescoço de Thomas.

–Aqui não, e se meu pai aparecer? – Impediu ele.

–Shh. – Pedro colocava o dedo diante dos lábios de Thomas. – Já tá na hora de você não ligar pra opinião de ninguém.

Os dois se beijaram ali mesmo. Prometeram não se importar com qualquer um que discordasse do amor deles. Amor de verdade.Thomas teve que resistir para conseguir livrar-se de Pedro e entrar no banho de uma vez. Era difícil ficar distante um do outro, nem que fosse por apenas uma parede. Já tinham ficado longe tempo demais. Agora iriam aproveitar cada segundo.

A mesa estava posta: mal se via o branco da toalha de tantos pratos: saladas, doces, acompanhamentos e uma majestosa paella os aguardavam, o cheiro de comida dilacerava o estomago esfomeado de Thomas. Mas o Pai insistia para que só comessem após a “surpresa” da noite.

–Bem – Começou Marco. – dando batidinhas no cálice com a ponta da faca. — Aqui estamos todos reunidos como a família que somos. Em primeiro lugar, eu queria dizer que muitas vezes nos afastamos, por convicções erradas que temos, ou porque a vida nos força a isso. Mas a distância é uma boa professora, ela nos mostra que não podemos ser felizes longe daqueles que amamos. Eu tentei me isolar por muito tempo, e aprendi que eu fui uma pessoa que errou, com minha esposa, com meu filho, com minha família. Por isso eu queria aproveitar essa data, como o início de uma nova vida. Quero deixar meus erros no passado, e para isso, tenho que agradecer ao garoto que me deu uma nova chance: aquele dia, lá no rio, eu jurava que era meu fim, eu só conseguia pensar em como errei na vida. Eu tinha sido muito duro com meu filho, e também tinha errado com minha esposa. Eu não queria partir sem o perdão deles. Aí esse menino apareceu. –disse apontando para Pedro — Ele tinha todos os motivos para não gostar de mim, mas foi graças a ele que eu estou aqui contando essa história. Em primeiro lugar eu queria te agradecer, Pedro. Não fosse por você eu não poderia me redimir e nem para me tornar uma pessoa melhor, vem cá rapaz.

Marco levantou-se sorrindo e deu um abraço apertado em Pedro, todos aplaudiram, agora, finalmente. As coisas iriam dar certo. Marco já não era mais aquela pessoa fechada, a vida havia lhe ensinado a ser bom.

–Cuida bem do meu filho, rapaz. – Disse ele, dando tapinhas nos ombros de Pedro, que mesmo um pouco surpreso sorriu.

–Pode deixar seu Marco. – Confirmou ele.

–Pode me chamar de sogro. – Riu Marco, piscando um olho.

–Bem, além disso, eu gostaria de anunciar mais uma coisa, eu sei que nunca vou poder me desculpar pelos anos que perdemos, e por esse tempo todo que fui um imbecil, mas agora quero começar de novo Thomas, quero ser o pai que nunca fui para você, e o marido que nunca fui para você, Isabel. – Disse marco, sorrindo para a ex-esposa e então beijando-a nos lábios.

–Peraí, vocês reataram? — Exclamou Thomas ainda meio chocado. Seus pais apenas assentiram com a cabeça enquanto eram ovacionados pela família. Thomas não poderia estar mais feliz. Se sentia um tanto culpado pela separação de seus pais, e tudo o que podia desejar era uma reconciliação. Pedro pegou em sua mão por debaixo da mesa, sentiu que pisava em nuvens, tudo era perfeito demais, parecia um sonho. Lembrou-se de tudo o que passara. Aquilo compensava afinal.

Após os aplausos, Alberto pigarreou.

–Eu, eu também tenho algumas palavras para dizer. – Regina ficou atenta. – Eu e Mônica, andamos pensando na nossa vida. Nos afastamos um pouco da família nesses anos na capital, e nos afastamos do verdadeiro sentido da vida. Eu já fui muito chato com Regina, já te privei de muita coisa filha, e queria pedir desculpas pro rapaz também –disse ele, referindo-se a Fábio. – Eu fui um tanto rude com vocês.

–Não precisa se desculpar pai, eu sei que fez com a melhor das intenções. – Disse Regina, segurando a mão do pai.

–Tudo bem eu sou um velho meio xarope mesmo. – Riu ele. – Mas não é tudo. Eu e Mônica conversamos, e aí que vem a surpresa. Vamos voltar pra fazenda. O restaurante fica pra você filha. Eu estou velho e gordo o suficiente para não lidar mais com comida.

–Como assim pai? Como assim? Me deixar sozinha na cidade? – Regina estava atônita, seus pais nunca lhe deram a devida independência, mas agora a ofereciam de bandeja. Era um choque.

–Você sempre foi louquinha, mas responsável querida. – Completou Mônica. – Sabemos que não irá fazer bobagens. Então eu e seu pai decidimos. Vamos te visitar ainda meu amor. E além disso, acho que você não vai estar tão sozinha assim.... – Mônica piscou para Flávio, com sutileza. O Rapaz se levantou, e se ajoelhou em frente a Regina, que chocada, não teve reação.

–Regina, Você quer casar comigo? – Perguntou ele ajoelhado diante dela.

–Mas, como assim? Você sabia de tudo! Eu achei que ia ser uma surpresa e a surpreendida fui eu! Nossa, eu... Eu não desconfiei de nada e.... Ah, sim, eu quero. – Riu Regina lembrando-se que estava sendo proposta em casamento.

Fábio riu enquanto encaixava a aliança na mão de Regina, e então tomou-a no colo e a beijou nos lábios enquanto era acompanhado por aplausos. Regina quase chorou de tanta felicidade. Fábio era o cara ideal. Finalmente alguém que a entendia sem questionar. Aquele era o primeiro passo para a merecida felicidade. Os meses que se seguiram foram felizes, Regina e Fábio se dedicaram ao restaurante, mas sempre que podiam voltavam para visitar os pais. Esses estavam vivendo em merecido sossego. Marco e Isabel também não teriam do que se queixar, apesar de tudo que passaram nos últimos meses, agora finalmente encontrariam a devida felicidade.

Thomas e Pedro se olharam, sorriam um para o outro e se abraçaram. Agora todos estavam felizes. Thomas relembrou de si mesmo no começo de tudo, quando seus olhares se cruzaram pela primeira vez naquele dia chuvoso, o primeiro beijo no quarto do hotel, seus pimeiros encontros, a descoberta do amor, e a descoberta do preconceito. Passara por tantos momentos ruins, talvez tenha sido para os bons valerem a pena. Aprendera muito naquele ano. Certamente não era o mesmo Thomas do começo. Aprendera a buscar a felicidade, e a não se importar com o que os outros pensam de si, apenas a confiar no amor, amor de verdade.

–Sintam-se livres para se beijar. – Riu Marco ao ver os dois abraçados, dando tapinhas no ombro de Pedro. Que o olhou com um misto de riso e desconfiança.

–É. Sei que o que vocês sentem um pelo outro é amor, amor de verdade.

Pedro e Thomas se beijaram.

Aquelas foram as melhores férias da vida de Thomas, havia perdido a conta de vezes que iam nadar juntos no riacho, das noites que passavam juntos no chalé. Tinha que dar desculpas aos seus pais, e Regina sempre encobria tudo. A cumplice perfeita. Dizia que iam acampar, ou inventava festas e eventos. Ela também estava adorando as férias. Passou os meses juntos com Fábio, e não se importavam com os resmungões de Alberto ou de Mônica, simplesmente aproveitavam os momentos juntos sem se importar com a opinião dos outros, como sempre fizeram.

Chegara o dia de partir. Infelizmente tudo o que é bom tem uma curta duração, e as férias chegavam ao seu fim. Alberto e Mônica diziam que tinham uma surpresa a fazer, e para isso mandaram reunir a família na fazenda. Talvez dessa vez esse momento bom durasse um pouco mais.

Thomas acordara de súbito, dormira tarde de tanto conversar com Pedro pelo computador, eram tão grudados que se não estivesse se vendo pessoalmente se viam através das telas dos computadores. Thomas dormira tanto que perdeu a noção da hora, já era tarde quando levantou-se. Tomou banho as pressas esperando não levar nenhum xingão por estar atrasado. Ainda estava no chuveiro quando viu a porta abrir. Provavelmente era sua mãe mandando ele se apressar.

–Ah, mãe, eu já vou! Não vê que eu to no banho? – Resmungou Thomas virando-se para a parede.

–Acho que não é mamãe não. – Respondeu uma voz grave que entrava no banheiro. Era Pedro, que invadia o cômodo sem aviso algum. Carregava uma rosa nas mãos, e sorria de maneira maliciosa ao observar Thomas no banho. Esse, envergonhado mal teve tempo de desligar o chuveiro e enrolar-se numa toalha.

–Como foi que você entrou aqui? você me deu um susto! – Resmungou o moreno atirando água em Pedro.

–Regina abriu a porta da frente, e eu fiz meu caminho. – Riu ele. – Feliz 3 meses e meio. – Disse ele entregando a flor para Thomas e acariciando seus cabelos molhados enquanto dava-lhe um beijo nos lábios.

–Obrigado. – Sorriu Thomas. – Retribuindo com um abraço meio desajeitado, visto que estava enrolado numa toalha. Pedro o beijou novamente.

–E aí, o que tem para hoje a noite? –Perguntou Pedro.

–Jantar de família, vou ter que ficar em casa. – Desculpou-se Thomas sem graça.

–Eu sei, seu pai me convidou. Achei que tivesse te contado.

Thomas desconfiou. Por que o Pai falaria com Pedro sem nem sequer consulta-lo? Algo de errado. Esperava que não fosse nada grave, nem que Marco constrangesse a família com algum discurso moralista.

–Não deve ser nada, vai ver ele quer só agradecer pelo salvamento. – Lembrou Thomas.

–Espero que sim. – Confirmou Pedro. Já estava na hora de Marco engolir o orgulho.

–Enfim, agora sai né... Eu preciso me trocar. – Censurou Thomas fitando Pedro nos olhos. Não saberia o que esperar se ele e Pedro continuassem sozinhos ali.

–Não tem nada aí que eu não possa ver. – Pedro sorriu maliciosamente e fechou a porta. Não foram vistos o restante do dia.

A noite chegou rápida. Regina e Fábio haviam passado a tarde no riacho. As areias brancas e o som das águas eram o melhor ambiente para um piquenique. Regina lamentava um pouco em ter que deixar a fazenda, mas sentia também saudade do movimento da cidade. Fábio pensava o mesmo. Nunca visitara o interior, mas gostava daquela tranquilidade. Na verdade não importava muito, contanto que Regina fosse sua companhia.

–E aí, que surpresa é essa que o Seu Alberto preparou para hoje a noite? – Perguntou Flávio entrelaçando as mãos na cintura de Regina e beijando-a nos lábios.

–Olha, além da paella, todo o resto é confidencial, segredo de estado. Minha mãe não falaria nem sobre tortura. Tia Isabel também é um enigma. Vai se acostumando com esses meus parentes esquisitos. – Brincou ela. – Isso é bom, sinal de que eu não sou adotada.

Fábio Riu. A cada momento tinha mais certeza que Regina era a pessoa certa. Seu sorriso iluminava o dia. Seu jeito de fazer piadas, a maneira como olhava para ele. Não sabia descrever. Mas só se sentia feliz assim se ela estivesse por perto.

Os dois rumaram para casa abraçados, acompanhados por uma revoada de pássaros, o sol já havia se posto e o céu se pintava de vermelho no horizonte. No caminho encontraram Thomas e Pedro.

–Ei, onde vocês estavam? – Perguntou Regina. – A Tia Isabel quase me interrogou hoje, sumiram o dia todo...

Pedro e Thomas se olharam.

–Quer mesmo saber? – Perguntou Pedro, bancando o engraçado.

Regina Riu.

–Vocês hein. – Riu Fábio olhando pra Regina com olhar de cumplicidade

–A gente só foi dar um passeio na cidade ué. O Pê me levou para almoçar, essas coisas... – Justificou-se Thomas, inocentando-se.

–Hmm tô de olho hein. – Exclamou Regina enquanto entravam.

– Pode deixar que com a dona Isabel eu me acerto. Digo que levei vocês para pescar. – Riu Fábio.

Isabel apareceu na frente da porta de súbito, camisola e bobes na cabeça, pelo jeito ainda não tinha terminado de se arrumar. A expressão no seu rosto não era muito convidativa:

–Posso saber onde estava mocinho? Nem tomou café da manhã! E se desmaia por aí nessa fazenda e ninguém te acha? Como eu vou ficar? – Xingava ela enquanto tentava retirar um dos bobes da cabeça sem sucesso.

–Calma dona Isabel, eu só levei os meninos para pescar. A gente comeu na cidade. – Antecipou-se Fábio, piscando o olho para Thomas.

–Bom. Mas da próxima vez me avisa! Eu fico aflita. – Exclamou ela. – Regina, me ajuda aqui com o meu cabelo querida? Aii, Pedrinho, eu nem vi que você tava aí. Me perdoa querido, eu to tão ocupada... –Exclamou ela dirigindo-se agora a Pedro e dando-lhe beijos no rosto, Isabel era daquelas que conseguia manter mais de cinco diálogos ao mesmo tempo, e intercala-los. – Regina seu pai não sai daquela cozinha, me mandou manter distância, eu vou ficar maluca desse jeito. Não consigo ver ninguém mexendo nas minhas panelas.

–Tudo bem mãe, tenho certeza que vai ficar um ótimo jantar. – Respondeu Thomas entre risos. Pelo menos as desculpas funcionaram.

–Se sobrar alguma coisa, vai sim. Agora vai tomar um banho, e vocês também. Não quero ver ninguém cheirando a peixe na minha mesa. – Riu ela enquanto Regina a ajudava a retirar os rolinhos do cabelo.

–Tudo bem ter uma sogra louca? – Sussurou Thomas para Pedro. Ele riu.

–Ela é engraçada. Mas contanto que você seja meu namorado, pode ser filho até da Rainha Malvada. Eu aguento a barra. – Riu Pedro, dando beijos no pescoço de Thomas.

–Aqui não, e se meu pai aparecer? – Impediu ele.

–Shh. – Pedro colocava o dedo diante dos lábios de Thomas. – Já tá na hora de você não ligar pra opinião de ninguém.

Os dois se beijaram ali mesmo. Prometeram não se importar com qualquer um que discordasse do amor deles. Amor de verdade.Thomas teve que resistir para conseguir livrar-se de Pedro e entrar no banho de uma vez. Era difícil ficar distante um do outro, nem que fosse por apenas uma parede. Já tinham ficado longe tempo demais. Agora iriam aproveitar cada segundo.

A mesa estava posta: mal se via o branco da toalha de tantos pratos: saladas, doces, acompanhamentos e uma majestosa paella os aguardavam, o cheiro de comida dilacerava o estomago esfomeado de Thomas. Mas o Pai insistia para que só comessem após a “surpresa” da noite.

–Bem – Começou Marco. – dando batidinhas no cálice com a ponta da faca. — Aqui estamos todos reunidos como a família que somos. Em primeiro lugar, eu queria dizer que muitas vezes nos afastamos, por convicções erradas que temos, ou porque a vida nos força a isso. Mas a distância é uma boa professora, ela nos mostra que não podemos ser felizes longe daqueles que amamos. Eu tentei me isolar por muito tempo, e aprendi que eu fui uma pessoa que errou, com minha esposa, com meu filho, com minha família. Por isso eu queria aproveitar essa data, como o início de uma nova vida. Quero deixar meus erros no passado, e para isso, tenho que agradecer ao garoto que me deu uma nova chance: aquele dia, lá no rio, eu jurava que era meu fim, eu só conseguia pensar em como errei na vida. Eu tinha sido muito duro com meu filho, e também tinha errado com minha esposa. Eu não queria partir sem o perdão deles. Aí esse menino apareceu. –disse apontando para Pedro — Ele tinha todos os motivos para não gostar de mim, mas foi graças a ele que eu estou aqui contando essa história. Em primeiro lugar eu queria te agradecer, Pedro. Não fosse por você eu não poderia me redimir e nem para me tornar uma pessoa melhor, vem cá rapaz.

Marco levantou-se sorrindo e deu um abraço apertado em Pedro, todos aplaudiram, agora, finalmente. As coisas iriam dar certo. Marco já não era mais aquela pessoa fechada, a vida havia lhe ensinado a ser bom.

–Cuida bem do meu filho, rapaz. – Disse ele, dando tapinhas nos ombros de Pedro, que mesmo um pouco surpreso sorriu.

–Pode deixar seu Marco. – Confirmou ele.

–Pode me chamar de sogro. – Riu Marco, piscando um olho.

–Bem, além disso, eu gostaria de anunciar mais uma coisa, eu sei que nunca vou poder me desculpar pelos anos que perdemos, e por esse tempo todo que fui um imbecil, mas agora quero começar de novo Thomas, quero ser o pai que nunca fui para você, e o marido que nunca fui para você, Isabel. – Disse marco, sorrindo para a ex-esposa e então beijando-a nos lábios.

–Peraí, vocês reataram? — Exclamou Thomas ainda meio chocado. Seus pais apenas assentiram com a cabeça enquanto eram ovacionados pela família. Thomas não poderia estar mais feliz. Se sentia um tanto culpado pela separação de seus pais, e tudo o que podia desejar era uma reconciliação. Pedro pegou em sua mão por debaixo da mesa, sentiu que pisava em nuvens, tudo era perfeito demais, parecia um sonho. Lembrou-se de tudo o que passara. Aquilo compensava afinal.

Após os aplausos, Alberto pigarreou.

–Eu, eu também tenho algumas palavras para dizer. – Regina ficou atenta. – Eu e Mônica, andamos pensando na nossa vida. Nos afastamos um pouco da família nesses anos na capital, e nos afastamos do verdadeiro sentido da vida. Eu já fui muito chato com Regina, já te privei de muita coisa filha, e queria pedir desculpas pro rapaz também –disse ele, referindo-se a Fábio. – Eu fui um tanto rude com vocês.

–Não precisa se desculpar pai, eu sei que fez com a melhor das intenções. – Disse Regina, segurando a mão do pai.

–Tudo bem eu sou um velho meio xarope mesmo. – Riu ele. – Mas não é tudo. Eu e Mônica conversamos, e aí que vem a surpresa. Vamos voltar pra fazenda. O restaurante fica pra você filha. Eu estou velho e gordo o suficiente para não lidar mais com comida.

–Como assim pai? Como assim? Me deixar sozinha na cidade? – Regina estava atônita, seus pais nunca lhe deram a devida independência, mas agora a ofereciam de bandeja. Era um choque.

–Você sempre foi louquinha, mas responsável querida. – Completou Mônica. – Sabemos que não irá fazer bobagens. Então eu e seu pai decidimos. Vamos te visitar ainda meu amor. E além disso, acho que você não vai estar tão sozinha assim.... – Mônica piscou para Flávio, com sutileza. O Rapaz se levantou, e se ajoelhou em frente a Regina, que chocada, não teve reação.

–Regina, Você quer casar comigo? – Perguntou ele ajoelhado diante dela.

–Mas, como assim? Você sabia de tudo! Eu achei que ia ser uma surpresa e a surpreendida fui eu! Nossa, eu... Eu não desconfiei de nada e.... Ah, sim, eu quero. – Riu Regina lembrando-se que estava sendo proposta em casamento.

Fábio riu enquanto encaixava a aliança na mão de Regina, e então tomou-a no colo e a beijou nos lábios enquanto era acompanhado por aplausos. Regina quase chorou de tanta felicidade. Fábio era o cara ideal. Finalmente alguém que a entendia sem questionar. Aquele era o primeiro passo para a merecida felicidade. Os meses que se seguiram foram felizes, Regina e Fábio se dedicaram ao restaurante, mas sempre que podiam voltavam para visitar os pais. Esses estavam vivendo em merecido sossego. Marco e Isabel também não teriam do que se queixar, apesar de tudo que passaram nos últimos meses, agora finalmente encontrariam a devida felicidade.

Thomas e Pedro se olharam, sorriam um para o outro e se abraçaram. Agora todos estavam felizes. Thomas relembrou de si mesmo no começo de tudo, quando seus olhares se cruzaram pela primeira vez naquele dia chuvoso, o primeiro beijo no quarto do hotel, seus pimeiros encontros, a descoberta do amor, e a descoberta do preconceito. Passara por tantos momentos ruins, talvez tenha sido para os bons valerem a pena. Aprendera muito naquele ano. Certamente não era o mesmo Thomas do começo. Aprendera a buscar a felicidade, e a não se importar com o que os outros pensam de si, apenas a confiar no amor, amor de verdade.

–Sintam-se livres para se beijar. – Riu Marco ao ver os dois abraçados, dando tapinhas no ombro de Pedro. Que o olhou com um misto de riso e desconfiança.

–É. Sei que o que vocês sentem um pelo outro é amor, amor de verdade.

Pedro e Thomas se beijaram.

Notas finais
bem, acta est fabula. Espero que tenham gostado XD Foi ótimo escrever essa história pessoal, além de ser a minha primeira experiencia como autor, eu aprendi muito com os meus personagens, e também com as dicas que vocês me deram. Espero ter agradado, e não vou parar por aí, minha mente está a mil para novas histórias. Me aguardem, beijos e até mais >.<
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!