Verdade

13 Capítulo XIII - Desejos


Notas iniciais
O Capítulo ficou meio longo... Mas não deu pra resumir, entendam... E espero que gostem. Contem um trecho meio que +18, mas eu tentei evitar qualquer "saliencia" então, acho que é seguro ler mesmo quem não curte lemon ahahahah.

Carol colocava os lençóis e fronhas que usara na lavadora, após receber um que de bronca da amiga, teve que se comprometer a lavá-los. Mas aquilo era o mínimo... Se pudesse até guardava para si, aquelas peças de tecido impregnadas com o cheiro dos dois, do amor que Pedro sentia por ela, da sua vitória. Aquelas singelas peças de tecido eram como uma chapa fotográfica onde se capturara as imagens daquela noite, Pedro não havia sido o primeiro, porém com certeza havia sido o mais marcante. A campainha tocou, interrompendo a música alta que havia posto para tocar no rádio. A garota esbravejou com raiva, e caminhou até a porta para atender.

–Escuta aqui Bianca, o combinado foi que eu ia lavar os lençóis, nada mais! Não sou sua empregadinha pra ficar lavando suas meias e... –Carolina, imaginando tratar-se da amiga, trovejava ofensas em direção a quem estava na porta. Porém para sua surpresa era Pedro quem ali estava. Carol sentiu-se perplexa por alguns instantes, mas o rapaz quebrou o gelo com um sorriso.

–Acho que alguém andou levando uma bronca...

–Não é nada de mais amor, era o mínimo que eu devia fazer pra compensar uma noite tão maravilhosa... – Disse ela com uma voz infantilizada, como sempre, avançando em direção aos lábios do rapaz, mas este recuou, agora mais sério.

–Escuta Carol... Eu só queria pedir desculpa, rolou mais coisa do que deveria ter rolado... Eu bebi demais sabe... Eu não queria ter feito aquilo, a gente exagerou... Mas eu não queria ter te forçado a nada e...

–Shh, bobinhoo – Reprovou ela colocando o indicador em posição perpendicular aos lábios de Pedro e então pressionando-os levemente. –Aconteceu, e foi perfeitooo, eu adorei, se pudesse repetia tudooo – O tom que ela falava era levemente irritante, porém Pedro não prestou tanta atenção, seu coração apenas batia mais forte naquele momento. – Vem cá, garanhão — A garota agarrou-o e beijou-o, atirando-o sobre uma poltrona e sentando em seu colo, as mãos dela corriam pelas costas dele enquanto suas línguas guerreavam afoitas em seus lábios. As respirações ficavam ofegantes e o sangue fervia em suas artérias. Mas a razão não abandonou Pedro desta vez, o álcool não estava lá para inibi-la. Ele com um gesto, sem precisar dizer nada, fez menção de empurrá-la.

–Eu só acho que o que tá rolando entre a gente é muito bom Carol, eu gostei muito do que aconteceu... Mas vamos com cuidado tá? Eu acabei de sair de outro relacionamento, que não acabou por minha vontade, nem por vontade dele. Simplesmente fui forçado a parar de tê-lo. E foi muito confuso pra mim... Eu gosto muito de ti Carol, mas não peça mais do que eu posso te dar, eu quero continuar contigo, mas vamos mudar de marcha tá? Eu... Eu não quero pensar com a cabeça de baixo, eu quero pensar com a de cima. — Riu ele, tentando quebrar a tensão criada pela interrupção daquele beijo, e esperando ansiosamente a reação da garota:

–Oww, seu fofoo, tudo bem, eu te entendo... Não precisa ficar com medo, eu vou estar aqui sempre, ninguém vai separar a gente tá? –Disse ela, com seu típico tom de quem fala com uma criança pré-escolar. – E eu entendo esse seu nervosismo, tudo que rolou foi maravilhoso, mas quer saber? A gente tem todo o tempo do mundo... E quem sabe... O amor em nossos corações tenha que ser como... como... uma calda de chocolate: tem que derreter devagar pra ficar bom.

Pedro quase riu com a analogia... E agora beijou-a nos lábios, sem muita volúpia, apenas um bom beijo de amor. Estava consciente que Carol o havia entendido o que lhe afligia, talvez tivesse que dar uma chance ao seu coração, afinal havia gostado tanto daquela noite, que sonhara com ela se repetindo, cada vez que sua mente voltava aquele momento, seu corpo excitava-se pronto para provar novamente daquelas sensações, das quais, embora ébrio, se recordava tão bem. Teve que se afastar um pouco, para Carol não sentir aquele movimento involuntário que é tão difícil para os homens controlar.

–Agora eu preciso ir... – Disse ele, parando de súbito. – Meus pais chegam da Alemanha amanhã e eu vou estar encrencado se não limpar quase um mês de bagunça que tem naquela casa...

–Tudo bem fofuxoo. – Despediu-se ela com mais um beijo. – A gente se vê loguinho loguinho hein? – Despediu-se ela, acompanhando-o até a porta. E assim que saiu ela passou a murmurar em tom de vitória.

–Ele tá caidinho por mim, tá custando a admitir, mas está. Os homens são assim, a gente dá um pouco, eles querem tudo, ele vai ficar que nem um cachorrinho atrás de mim, ah, se vai. – Murmurava ela entre risinhos de empolgação. Havia sentido a transformação no corpo dele quando o abraçara e sentara no colo dele: o coração batia mais rápido... Ele estava ansiando por mais. Estava pronto para ter, e teria, porém em seu tempo certo.

Pedro ainda lembrava se da cena, Carol invadia sua mente, coexistia com Thomas, era difícil explicar, para Carol ocupar seu coração, não era necessário que Thomas saísse. O Coração de Pedro era um mar tempestuoso, Carol um barco pesqueiro que habitava a superfície, permanecer ali era seguro e propício, um conforto sem igual, porem Thomas era aquela criatura que habitava as profundezas do mar, não era fácil atingi-lo pela superfície, mas ele estava lá, bem no fundo, reinando sobre todas as coias abissais e intensas, talvez não fosse notado, mas sua presença era forte e real. Absorto em pensamentos, Pedro não viu quem se aproximava, e apenas virou-se quando este gritou:

–E aí moleque? Vai se fingir de surdo? – Era Marco, o Pai de Thomas, só de ouvir sua voz Pedro se preencheu de mal humor. – Escuta, eu te vi andando de mãos dadas com aquela garota amiga do meu filho, acho que é Carolina. Eu só queria dizer que eu fico até feliz em saber que tu tá virando homem, finalmente foi pro bom caminho é? É bom saber que tu tá tentando ser uma pessoa direita e gostar de mulher. Assim não vai ser problema quando meu filho voltar.

Pedro já ia enchendo os pulmões para rebater aquelas declarações absurdas de que “ser um homem direito é gostar de mulher” e que possuir uma mulher torna alguém mais “homem”, mas ao ouvir Marco mencionar o filho seu coração deu um pulo. Pedro apenas deu um sorriso e respondeu com qualquer tipo de agradecimento, mas agora seu coração batia mais rápido do que nunca, e sua mente já estava permeada com a pergunta “ e quando Thomas voltar?”

Regina estava um pouco nervosa, não queria atrapalhar o rapaz, mas sabia que estava fazendo o certo. A memória lhe falhava, não conseguia e nem queria lembrar direito do que acontecera na noite anterior, e assim tornava-se mais difícil encontrar o tal restaurante. Por fim, guiada talvez pelo instinto, chegou n’El Divino Pescatore, o restaurante de seu pai. Devia estar muito distraída, pois não reparara nisso na noite anterior, certamente por causa do trauma.

–Regina querida! Veio visitar seu pai? Ele acabou de sair... Foi falar com um fornecedor... Ele só volta daqui uma hora. – Informou a recepcionista, conhecida de Regina.

–Não, não Rose, eu vim procurar um rapaz chamado Flávio... Ele trabalha aqui não é? – Regina não saberia explicar direito como o conhecera, portanto resolveu dar o menor número de informações possível.

–Trabalha sim, ele é novo, entrou semana passada. Acho que ele tá em horário de almoço, mas ele geralmente come aqui mesmo, na sala dos funcionários. É aquela porta cinza do lado dos banheiros. – Informou a funcionária, sem esconder um tom de curiosidade sobre o motivo de Regina ir ter com Flávio, Regina imaginou que logo logo seu pai ficaria sabendo de tudo.

Atravessou o restaurante, estava tudo calmo, no meio da tarde não havia quase nenhum cliente, no máximo uma senhora tomando um café no balcão, os funcionários se dedicavam a limpar as mesas do almoço e preparar o local para a hora do jantar. Regina entrou pela porta cinzenta e ficou tímida, imaginando que o lugar estaria cheio de pessoas fazendo suas refeições, a última coisa que queria era atrapalhar. Mas na verdade só havia Flávio e mais dois garçons, os demais haviam saído.

–Com, licença... Eu não quero atrapalhar, mas é...

–Regina? – Disse Flávio largando o prato e levantando-se com um brilho nos olhos.

–Oi Flavio... Eu queria falar com você, atrapalho? – Perguntou ela, timidamente, notando que os outros dois garçons a reconheceram devido ao fato dela ser filha do chefe.

–Não, não, de jeito nenhum. Eu já terminei de almoçar, vamos pra orla... Lá é mais tranquilo pra conversar.

–Você esqueceu o casaco comigo... – Disse Regina, entregando a jaqueta para Flávio, que a olhou com surpresa.

–Nossa, obrigado! Eu tinha deixado tudo aí dentro... Carteira, documento... Se não fosse pelo dinheiro da passagem que eu tinha deixado no bolso da calça eu teria que ter dormido na rua, porque não daria pra voltar pra casa. – Riu ele, reavendo as peças que havia citado.

–Nossa, mas você mora tão longe assim?

–Não é nem nessa cidade, é em São José... Eu tenho que acordar bem cedo pra vir.

–Nossa, longinho mesmo... – Exclamou Regina, acostumada com curtas distancias.

–E você... Foi bem na prova? – Perguntou ele, tentando romper o silencio constrangedor.

–Prova?

–É, você disse que tinha prova ontem...

–Ahhh, sim. – Riu Regina. – Nem fiz, vou dizer que tava doente e pedir uma chance. Ai nem consigo lembrar de mais nada.

–Entendo... – Compreendeu ele.

–Ai, mas não quero nem falar nisso... E você – Riu ela. – Como veio parar no El divino?

–Ah, antes eu trabalhava de empacotador, num supermercado sabe? Mas aí surgiu essa oportunidade aqui no restaurante, eu aceitei... Era mais fácil de vir, e, além disso, o salário é melhor sabe?

–Entendo... Mas, você nunca pensou em fazer faculdade? –Perguntou ela, curiosa.

–Ah, antes de o meu pai falecer... Eu queria ser médico sabe? Desde moleque... Mas aí não deu né... Acontece.

Regina olhou por um momento compadecida, mas o jovem sorria como se não se sentisse desafortunado, e encarava tudo com normalidade, o que fez ela admirar sua sensatez e alegria. Flávio era aquele tipo de pessoa que mesmo após horas de conversa poderia revelar mais novidades, sua personalidade era simples, e a o mesmo tempo interessante, sua humildade, bom-senso, eram características que Regina nunca havia testemunhado num garoto, sua vontade era permanecer com ele durante mais algum tempo, porém não foi possível:

–Eu tenho que ir, acabou meu horário do almoço, vou voltar para o restaurante. Disse ele, num tom meio contrariado, talvez também quisesse permanecer ali em companhia de Regina.

–Tudo bem, a gente se vê então. Até mais! – Disse ela beijando-o na face.

Flávio voltou a contragosto, queria passar mais tempo com aquela garota que caiu tão repentinamente em sua vida, os cabelos ruivos, os olhos brilhantes e encantadores, o jeito irreverente e desleixado com o qual falava da vida... Era tudo tão harmônico nela, tudo tão singelo e agradável.

–Mas tome cuidado para não se complicar com a filha do chefe rapaz... – Disse um de seus colegas, assim que ele voltou, acordando-o de seus devaneios. Nem sequer respondeu, mas entendeu muito bem a mensagem.

Devia ser realista, Regina podia ser alguém interessante, que valesse a pena se aproximar pelo puro prazer de ficar perto de alguém tão encantador, quem sabe fosse a mulher perfeita, o amor de sua vida, quem sabe... Mas estava fora de alcance, para um rapaz humilde como ele, seria ridículo. Ela era filha do chefe, o dono daquele lugar inteiro, por que motivos a filha do dono do restaurante ficaria com o auxiliar de garçom?

Desta vez tudo parecia bem mais fácil, a academia não foi uma provação tão forte quanto no dia anterior. Talvez estivesse se acostumando, talvez sua vontade de sair dali logo e ir encontrar com Ivan também ajudasse-o. Os pesos pareciam mais leves, ele parecia mais forte, a dor parecia mais fraca, o som parecia mais agradável. Tudo era de alguma forma melhor. Desta vez não teve receio de tomar uma ducha no chuveiro do vestiário, pois este estava vazio, a água caiu gelada sobre seu corpo, aliviando o calor e a tensão dos músculos, estava preparado para ir onde quisesse.

Ivan o esperava no carro, e grande foi seu sorriso ao perceber que Thomas havia chegado.

–Malhando pra mim então? – Brincou ele, enquanto abria a porta do carro e segurava a mão de Thomas para que ele entrasse, num gesto cavalheiresco que fez Thomas ruborizar.

–Ai seu bobo. – Riu Thomas, enquanto entrava no carro. – E aí, para onde vamos?

–Pra minha casa ué, tem um filme que eu comprei que me fez lembrar de você. – Declarou ele com uma pitada de malícia, mas não entendeu por que a resposta fez Thomas se sentir surpreso.

Thomas nada respondeu, mas o seu sangue gelou. Estaria preparado para o que possivelmente estava por vir? Quando o beijou naquela praia, sentiu seu corpo, cada centímetro, pele com pele, seu coração bateu mais forte, e o prazer entorpeceu sua mente, estava mais maduro depois de tudo o que ocorrera, por que não então deixar que as coisas aconteçam? Só estamos vivos para aproveitar a vida.

Ivan vivia num apartamento espaçoso, porém bagunçado, havia jornais espalhados pelo sofá, bem como xícaras e copos sobre a mesa, porém o aroma mentolado que o ar mantinha era bom e refrescante. Se estivesse organizado, seria com certeza um ótimo lugar.

–Não repare na bagunça. – Pediu ele, enquanto freneticamente juntava todas as folhas de jornais espalhadas pelo sofá e abria espaço para Thomas, tentando fazer movimentos naturais, o que fez Thomas rir.

–Tudo bem, eu to acostumado com bagunça mesmo. – Disse o garoto.

– Quer pipoca, chocolate, refrigerante? – Ofereceu Ivan, Thomas negou, porém o rapaz insistiu, e trouxe uma caixa de bombons e dois copos de suco. Thomas teve que aceitar.

O filme começou: Onde mora o coração. Novalee, uma garota que sofre duros golpes da vida, mas ao final se reergue sozinha e vira uma mulher forte e obstinada.

–Eu vejo força em você Thomas, assim como ela é forte, você também é sabia? Não importa o que tenha acontecido, mas eu sei que você tem força para superar qualquer coisa Thomas.

Thomas sorriu, Ivan parecia ler sua mente, adivinhar cada sentimento. Mas não, não era forte, precisava de alguém que o cuidasse, que o protegesse, mas acima de tudo que acreditasse nele. Ivan o fazia. Por mais que Thomas não pensasse ser forte assim, Ivan acreditava em sua força, e isso o fazia feliz. Tudo o que Thomas sempre quis ter era esse alguém que confiasse nele.

Ivan o tomou nos braços, e assim permaneceram: abraçados, durante as duas horas que se seguiram. Ivan só conseguia agarrar Thomas com mais força, e o menor estava praticamente em seu colo de tão próximos que aquele abraço os tornava. Thomas sentia o coração de Ivan batendo mais forte, sua corrente sanguínea se intensificava e seu corpo se aquecia, a sua vontade era muito forte, e Thomas sentia aquilo fisicamente enquanto se movia. A cada pulsação de Ivan, Thomas aumentava a sua própria, lembrou-se daquele dia na praia, quando parecia que uma chama incendiava-se dentro de si de tanta força e tanta vontade que possuía em provar daquele corpo. Estava acontecendo de novo.

Thomas virou-se e os dois se beijaram com ardor, sentindo-se um só de tanta proximidade que seus indivíduos exerciam entre si. Se as leis da física permitissem, talvez realmente se juntassem em um só, tamanha a força bruta que empregavam um na direção do outro.

Os membros se entrelaçavam e nem mesmo as roupas de Ivan resistiram, após alguns minutos o rapaz já estava com o peito despido. Os beijos continuaram mais quentes, molhados e certamente lascivos. Ivan estava deveras surpreso com a voracidade de Thomas que o atacava com beijos prolongados em seus lábios e então descia sua boca voraz e percorria com ela o peito nu de Ivan, que se resumia a emitir pequenos gemidos de contentamento.

Após alguns minutos naquele vai e vem voluptuoso Ivan parecia entediar-se e resolveu assumir o controle, e com sua força visivelmente maior inverteu as posições, arrastando Thomas para baixo de si, e após encarar os olhos azuis do garoto por longos segundos, passou a beijá-lo e acariciá-lo. Sua rala barba acastanhada raspava a pele de Thomas e provocava no garoto um prazer inefável, só conseguia pedir mais, mas nem sua voz tinha forças para sair, apenas gemidos vinham do fundo de sua garganta. Thomas arrancou a camiseta do menor, já manchada e embebida pelo suor dos dois, e atirou-a com força ao chão, O coração de Thomas batia tão rápido que parecia escapar pela boca, e o garoto não conseguia pensar em mais nada senão naquele momento. A ânsia por prazer pulsava em seu corpo, e desejava simplesmente ser tocado, amado, beijado, até que o deleite daqueles gestos o fizesse alcançar o ápice.

Deixou Ivan dominá-lo e resignou-se aos seus atos, o vaivém de sua barba friccionando-se com sua pele nua o fazia delirar, Ivan tocou com a língua os mamilos rosados de Thomas, arrancando dele um gemido involuntário, o movimento ágil dos lábios de Ivan contra a pele de Thomas o fazia agarrar o couro do sofá com as mãos como se quisesse se segurar a qualquer custo para não cair em um poço de desvairo, uma vez que todo aquele prazer seguramente o levaria ao desatino, ou talvez fosse a sensualidade daqueles sedutores desvelos que faziam cada músculo de seu corpo contrair-se. Ivan parecia não querer parar nunca, Thomas tampouco, estava entregue a todo o prazer que o momento lhe oferecia, enquanto Ivan enchia seu baixo ventre de beijos e desabotoava sua bermuda Thomas de súbito voltou a si, e foi como se um gelo percorresse toda a extensão de sua espinha, quis dizer algo, talvez estivessem indo longe demais, mas a medida que as mãos de Thomas acariciavam suas intimidades, o oxigênio parecia faltar, a prudência estava vencida pela vontade, a pudicícia estava vencida pelo deleite. Thomas se via exposto, desnudo diante de Ivan, que o encarava com um olhar deliciosamente maroto e logo depois baixava a cabeça e sua língua e lábios envolviam a virtude de Thomas fazendo os olhos do garoto revirarem-se em suas órbitas, parecia a ele que aquilo não fosse real, mas a impressão que sentia era que seu corpo havia sido arrebatado para outro plano e o éter o envolvia enquanto seu sangue fervia e enchia-se de adrenalina. Ivan fez Thomas olhar em seus olhos, e tudo que viu foi duas orbes azuis indo e voltando em seu baixo ventre, enquanto seu movimento produzia ondas de choque que reverberavam em seu corpo num prazer inexprimível. Ivan voltou ao lábios de Thomas, e num aprazível ósculo fez o garoto notar seu próprio sabor. Logo Ivan com um olhar safado retirou as peças de roupa que cobriam seu próprio corpo, e tendo o órgão de sua própria virilidade em mãos, indicou por meio de gestos (já que vocalizar era impossível aos dois) a Thomas que fizesse o mesmo que ele fizera. Ao jogar seu olhar sobre aquilo Thomas relutou, o tamanho o assustava, mas Ivan fez um olhar cheio de significação, como se implorasse por aquela dose de prazer, posto que além de tudo era justo, já que Thomas já havia deliciado-se daquela mesma forma. O mais novo avançou, e fechando os olhos deixou que as coisas acontecessem, a sensação lhe foi estranha, mas não ruim, diferente, ainda assim deleitosa, Ivan gemia de prazer, e Thomas sentiu também por perceber que estava sendo a causa de tanto prazer, Ivan, cego e inebriado por tudo aquilo, passava a empurrar Thomas para baixo com as mãos, até que depois de um tempo, num urro, o rapaz não se conteve, explodindo de prazer.

Os dois beijaram-se novamente, seus corpos exaustos, arquejantes, caiam um sobre o outro, Thomas estava cansado, sua cabeça parecia girar e nunca parar no lugar depois de tudo aquilo, não conseguia ficar cônscio por mais que tentasse. Tudo era turbulento ainda. Mas as caricias de Ivan não paravam, ele parecia querer mais, muito mais. “você foi muito bom fazendo aquilo, agora quer ver como se sai no resto” sussurrava ele em seus ouvidos, enquanto suas mãos fortes arrastavam Thomas até seu colo e percorriam-lhe as nádegas. Thomas empurrou-o dizendo que não, mas ele parecia não dar ouvidos. Ivan só parou após Thomas se afastar, e recobrando a consciência e o fôlego, dizer que ainda não era hora para tudo aquilo.

Ivan baixou os olhos, parecia desapontado, Thomas imaginou que ele fosse xingá-lo, mas ele foi compreensivo.

–Tudo bem meu dengo, desculpa, eu não queria te forçar a nada viu? É Que você me deu tanta vontade sabe? Que eu saí de mim. Mas eu respeito seu tempo... Nossa, o que aconteceu, foi maravilhoso, eu amei. – Disse ele com um riso e um beijo nos lábios de Thomas, que acabava de se vestir. – Eu te levo até em casa...

Thomas sorriu ao ver que Ivan foi compreensivo, e aceitou a carona. Seu coração ainda batia rápido, e de vez em quanto ele sorria e ruborizava, pensando no que tinha acontecido. Afinal... Não fora um bicho de sete cabeças, aquilo era bom. Nunca pensou que fosse tão bom. Não sabia descrever exatamente o que era a sensação, mas tinha vontade de repeti-la. Repassou várias vezes a cena, e guardou cada detalhe na memória. Pela primeira vez sentiu falta de seu diário para poder escrever o que havia acontecido. Lembrou-se também de selecionar alguns trechos do ocorrido –não todos- e contar para Regina.

–Eu te amo. – Disse ele, despedindo-se de Ivan num baixo apaixonado.

–Eu também. – respondeu o rapaz, beijando-o de volta.

Thomas apertou o botão do elevador, mas este demorou a vir, sua ansiedade era tanta que subiu os lances de escada, o que só serviu para aumentar o suor que se acumulava em suas roupas, mas não ligava para mais nada, só aquele momento mágico ecoava em seus pensamentos.

–Na academia até essa hora rapaz? – Disse o tio assim que Thomas abriu a porta. – Vê se não exagera hein? Tá todo suado...

Thomas sorriu.

Notas finais
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