Ventos do Inverno: Jaime & Brienne
9 Jaime V
Notas iniciais
Jaime imaginou que passariam anos e ele ainda se divertiria com as reações de surpresa de Brienne. Sua ingenuidade e a facilidade em enrusbecer o rosto, deixá-lo tão vermelho quanto um pimentão. Ela nem desconfiava, mas Jaime percebia a tempos todos os tons de azul e o cintilar que ocorriam pelos olhos-cor-de-safira da moça quando seu humor mudava. Por um momento ele imaginou se de tanto amar Cersei havia percebido o mesmo. Ele não conseguiu se lembrar e deixou o assunto para depois.
Era uma sensação nova e esquisita, porém boa. Jaime sentia ter quinze anos de novo. Ele não queria comparar com a paixão que teve pela Cersei porque… Esta era sua verdadeira primeira paixão.
Cada palavra e movimento que Brienne falava e fazia mexiam com o coração do cavaleiro, enchendo-o de alegria e um sorriso bobo no rosto. Talvez a melhor parte era o fato dele sentir-se cada vez mais atraído por ela de uma forma que ele não sabia explicar. O jeito que andava, que puxava as rédeas do cavalo sem machucá-lo, seu silêncio, seu semblante calmo, porém sério, seu olhar tão profundo e brilhante que era como se Brienne pudesse ver através de sua alma.
O que aconteceu na noite anterior só fez com que os sentimentos que Jaime já havia por ela, mas desconhecia, aumentassem. Os beijos e os toques levaram seus sentido à loucura, e ele não queria mais mentir a si mesmo dizendo que simplesmente ficara muito tempo sem nenhum tipo de carinho mais íntimo. O que aconteceu a ele na banheira de Harrenhal não foi mero capricho do tempo. Agora ele finalmente entendia que tinha sentimentos fortes pela garota e precisava dela.
– Você entendeu muito bem o que eu quis dizer. — Ele comentou risonho. Apoiou a cabeça na mão esquerda e o cotovelo no ombro de Brienne esperando pacientemente pela resposta.
– Jaime… Estamos no meio de uma floresta.
– Quando se quer fazer, não existe hora nem lugar… — O comentário havia deixado Brienne mais vermelha do que parecia possível.
– Está congelando!
– Ah, então quer voltar à estalagem? Ou talvez você possa mudar de ideia sobre sua barraca individual no acampamento e dividir a que eu tenho comigo.
– N-não… — E empurrou-o para o lado. — Não esqueça de que ainda estamos em uma importante missão, Jaime.
– E isso nos impede de se divertir um pouco?
– Jaime!
– Desculpe-me se eu esqueci o quão estraga-prazeres você podia ser… — Brienne não parecia mais estar dando atenção a ele. Desamarrou o cavalo do tronco e montou-o.
– Vamos, Jaime, logo escurecerá… E você ainda está ferido.
– Estou, mas estou bem. Não vai se livrar de mim tão fácil, garota. — E montou o cavalo de forma desajeitada, Brienne observava de forma curiosa e quando Jaime percebera que ela o olhava, virou o rosto. — Pode rir do moribundo aqui se quiser.
– Eu não ia. Tive uma lembrança...
– Minha, eu espero. — Jaime brincou, enquanto arrumava as rédeas para poder cavalgar usando apenas uma das mãos. Brienne suspirou e mandou seu cavalo galopar para trás, para que ela pudesse ajudar o homem.
– Não foi nada demais, eu só… Lembrei como nós dois tentamos nos matar diversas vezes… Como nos transformamos nisso? — Jaime soltou um riso abafado.
– “Nisso”..? — Jaime olhou para o alto, pensativo. — Não seríamos amantes? — Brienne levantou as sobrancelhas.
– E-eu não faço ideia... Eu nunca estive em uma relação amorosa antes. — Ela admitiu.
– Eu também não, pelo menos não uma que fosse considerada saudável. Mas você mente. Já foi noiva e nunca me contou. — Brienne soltou um suspiro cansado.Eles começaram a cavalgar enquanto continuavam a conversa.
– Claro, Jaime. Eu devia ter lhe contado alguma hora enquanto fugia da morte, não sei o que deu em mim, me desculpe por deixar uma informação tão importante escapar…
– Não ouse dizer que não me contou por que o Loras queria lhe tirar a cabeça do corpo. Eu fiquei transtornado com a ideia de você ter sido noiva do Ronnet Connington, aquele bastardo.
– E quem lhe contou isso?
– O próprio.
– Heh, isso foi ideia do meu pai, ele só queria me ver casada com alguém, mas então eu inventei que para ter minha mão, Ronnet precisava antes me vencer em um duelo. Não preciso nem dizer qual foi o resultado, não? — E sorriu. Jaime sorriu junto, havia gostado de ter tido aquela notícia. Ficava imaginando se o soco com a mão dourada que dera na fuça do homem não teria sido pouco castigo pelo mesmo ter insultado Brienne em sua presença. — Foi melhor ainda quando eu o venci mais uma vez no torneio do falecido Renly. — Jaime gargalhou.
– Ah, eu não podia esperar menos de você, Brienne. Mas...-parou de rir abruptamente. — Isso quer dizer que eu vou ter que duelar pela sua mão um dia também? — Brienne foi corando à medida que Jaime ia falando e voltando a rir — Tenha dó deste pobre homem aleijado e apaixonado…- Encarou-a com seu olhar pidão.
– Não! ...Eu… Quer dizer...Huh?! — Brienne parecia não fazer nem ideia do que tinha sido perguntada.
– Brienne, eu estou só brincando! Vamos para o acampamento antes que você tenha um ataque do coração. — Ela suspirou de cansaço fazendo uma grande nuvem de ar quente aparecer. Brienne olhou Jaime e passou a rir e ele acompanhou.
Em pensamentos, o cavaleiro tentou se lembrar qual foi a última vez que se sentiu assim tão radiante. A noite já havia caído e com ela a temperatura, mas o frio não mais lhe incomodava. Nada parecia capaz de tirar-lhe o bom humor e no passar das horas Jaime se fascinava mais e mais com o fato da causadora da sua inesperada felicidade estar bem ali ao seu lado.
Os dois chegaram ao acampamento devagar, assustando alguns homens que observaram os ferimentos de seu comandante pela luz das tochas.
– Fiquem calmos, eu estou bem. Armem uma barraca, ela ficará conosco. — Os cavaleiros afirmaram com a cabeça e andaram firmemente até uma outra tenda de suprimentos. Brienne acompanhou Jaime até uma outra mais à frente onde ele desceu do cavalo lentamente e chamou atenção de mais dois cavaleiros que faziam guarda.
– Sor, onde esteve? Por que está tão ferido?
– Foi essa mulher quer o feriu, sor? — O outro falou com mais rispidez, pousando a mão na baínha da espada.
– Hey, hey, acalmem-se. Não estou morto, e ela não tem a ver com o meu estado… Não muito. Eu vou ver o meistre e falo com vocês pela manhã, certo? — Jaime respondeu aos homens. Eles se entreolharam e voltaram a seus postos junto à fogueira. Jaime olhou Brienne de relance, ela não parecia ter se surpreendido com a ação dos cavaleiros. Parece que vou precisar ensinar bons modos aos cães pela manhã, pensou. Fez sinal com a mão esquerda para Brienne pedindo que ela aguardasse ali fora e adentrou a tenda. Havia um cheiro forte de insenso e chá, todavia o vapor era mais aconchegante que o vento frio que fazia na floresta. O meistre estava meditando ou talvez dormindo sentado, com uma pilha de pergaminhos em seu colo.
– Meistre, desculpe interrompê-lo no seu...Ahn, enfim. Eu retornei de uma pequena aventura com minha amiga e, ela está bem, mas eu estou um pouco ferido, poderia dar uma olhada no que tenho? — O velho fungou e abriu os olhos lentamente, observando o cavaleiro dos pés à cabeça.
– Certo, certo, deite-se ali que eu já vou lhe atender. — Disse apontando para um canto forrado que parecia ser a própria cama dele. Jaime fez o que lhe foi dito enquanto o meistre arrumava os pergaminhos em cima da mesa.
– Pode dizer à minha amiga que ela pode ir descansar, ela está aí fora. — Jaime pediu, o velho assentiu e colocou a cabeça para fora da tenda. O cavaleiro podia ver a longa silhueta dela pelo lado de fora formada pelas chamas das tochas, ela passou a se distanciar com o cavalo depois que o meistre lhe pediu para sair.
– Agora vamos ver os estragos, senhor comandante. — O meistre falou direcionando sua atenção a ele. Começou a apertá-lo e Jaime precisou colocar a mão na boca para não gritar e acordar o acampamento inteiro quando o velho chegou em seu estômago. Ele lacrimejou de dor e só pode esperar que Brienne tivesse uma noite melhor do que a que ele viria a ter…
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