Notas iniciais
Woooa! A quanto tempo que eu não dou as caras por aqui! ... Primeiramente, peço desculpas aos leitores, se esse capítulo está aqui depois de tanto tempo é só por que alguns até vieram me procurar e saber do meu estado (amo vocês!) Esse capítulo pode ser considerado filler, que é quando não tem necessariamente relação com o enredo, maaas que eu sempre quis escrever (este e o próximo). Ainda assim eu os deixei bem divertidos e gostosos de se ler. Bem, boa leitura!

– O senhor comandante pediu para lhe dizer que a dama pode ir andando. Ele vai passar a noite aqui — Um meistre saiu da tenda, apenas a cabeça dele na verdade, e se dirigiu à Brienne. Ela assentiu, agradeceu e segurando a rédea do cavalo, puxou-o para que a seguisse até onde Jaime havia dado a ordem a alguns cavaleiros de montarem sua tenda. Espero que não seja nada grave, pensou um tanto preocupada. Ela sentiu que alguns homens de guarda lhe observavam, mas ela menteve o passo firme e em frente, ignorando-os. Sou uma completa estranha aqui. Tiro o Jaime do acampamento, volto dias depois com o comandante ferido… Eu vou precisar ter cuidado...

Quando chegou em sua tenda, havia ainda um homem arrumando-a com a cara um pouco carrancuda. O som do casco do cavalo de Brienne fez com que ele desse conta da presença dela.

– Quase pronta, milady.

– Não precisa me chamar de lady, eu me chamo Brienne de Tarth. — Ela respondeu calmamente. O tom do homem não tinha um pingo do mal-humor que a moça imaginara.

– Eu me chamo Guille, ahm, Brienne de Tarth… Sou um cavaleiro novo, na minha primeira missão, perdoe-me. — Ela estava lisonjeada com a simpatia do homem, tinha passado tanto tempo em acampamentos enfestados de homens que lhe matavam apenas com olhares e de formas piores ainda mentalmente, descoberto rápido que pessoas gentis assim eram extremamente raras. Seu estômago revirou ao lembrar-se de Pod por um breve momento. Abriu para ele um meio sorriso enquanto pousava a mão na barriga.

– Não se preocupe, sor, e obrigada pela ajuda.

– Eu quem devo agradecer. Esperei tanto tempo para me juntar à Guarda Real e nada disso teria acontecido se o Sor Jaime não estivesse vivo. E ele está vivo graças a você, não é? Foi o que ouvi…

– Só cumpri com a minha obrigação… — Ele também me manteve viva por diversas vezes, refletiu sem dizer ao homem. Estava cansada demais para manter uma conversa tão tarde da noite. — Obrigada novamente… — Brienne ajoelhou-se rapidamente para prender seu cavalo a um aro de ferro no chão e entrou na tenda sem mais olhar o cavaleiro. Do lado de fora o ar estava gélido, mas dentro da tenda parecia um pouco melhor. O chão estava bem forrado, com algumas mantas no canto. Ela tirou a pouca armadura que lhe restara e arrumou-se para dormir. Ouvia do lado de fora o tilintar de uma fogueira e somente isso. A maioria dos cavalheiros devem ter se retirado, deixando apenas os vigias. Brienne perguntou-se o que eles estariam fazendo ali, acampando numa floresta quando havia um vilarejo por perto. Alguma estratégia talvez? E quando desistiu de imaginar o que teria feito Jaime e seus soldados pararem no meio da estrada, finalmente pronta para dormir, um murmúrio vindo do lado de fora lhe fez abrir os olhos.

– Hey, Guille… O que você pensa que estava fazendo com aquela criatura? — Alguém começou.

– Ele tem esse jeito hospitaleiro, típico de um camponês, Titus. Somente isso… — Um outro comentou.

– Se o Sor Jaime te pegar falando com a mulher dele, capaz de te mandar embora! — Titus voltou a falar, num tom zombeteiro, fazendo o homem que havia falado anteriormente soltar algumas risadas. Dentro da tenda, Brienne suspirou profundamente, ignorando a conversa, tentando dormir. Do lado de fora a conversa continuava em volta da fogueira.

– Que besteira. Não creio que a moça seja amante do Sor Jaime. Ele não era apaixonado pela própria irmã? — Guille perguntou. O homem que ria olhou-o sorrindo.

– Vai ver ele se cansou da própria beleza! — Disse, retornando a rir da própria piada.

– Cale a boca, Titus, você teria mais chance com o comandante do que ela! Olha como é um verdadeiro cavaleiro galante! E não ria tão alto ou vai acordar todo mundo! — Edril avisou, mas o homem chamado Titus só conseguiu respirar direito novamente quando Guille lhe ofereceu um pouco de vinho.

– Sabe o que seria divertido? Algum de nós chamá-la para um duelo amigável. Não vai nem saber o que lhe atingiu.

– Não acho que é uma boa ideia, eu não virei um Manto Branco para brincar.

– Guille, cale a boca e encha meu caneco! Ninguém disse que seria você a duelar com ela… Apesar de que não duvidaria nem um pouco da sua vitória. — Titus entornou o conteúdo do caneco garganta abaixo e levantou rapidamente. Com os olhos vermelhos, mesmo com a pouca luz vinda da fogueira, era fácil perceber que o homem havia bebido demais. Ele olhou sério para seus dois companheiros e virou-se, andando na direção da barraca de Brienne.

– Hey, o que aquele louco pensa que está fazendo? — Edril e Guille levantaram em seguida, atrás de Titus, que já estava a poucos passos da tenda. Edril segurou-o no pulso, parando seu caminhar. — Ficou louco, Titus?

– Está bêbado! — Guille sussurrou.

– Posso ver que está.

– Calem a boca, mocinhas. Serei eu a lutar com a besta! — Titus vociferou.

– Vamos sair daqui antes que alguém acorde! — Edril falou, tentando colocar algum bom senso na cabeça do amigo embreagado.

– Desejam alguma coisa, cavaleiros? — Uma quarta voz falou. Os três homens olharam surpresos. Brienne de Tarth observava-os, apenas a cabeça e o braço segurando a cortina para fora da tenda. Ela havia escutado toda a conversa desde o começo e estava apenas esperando o momento de agir. Os três cavaleiros pareciam tão chocados com a presença inesperada da moça que ainda não haviam respondido-a. Ela suspirou e continuou:

– Ouvi alguma coisa sobre um duelo… — Guille se espantou com a palavra e se pos na frente dos outros dois.

– Não é nada disso, milady Brienne! Meu amigo está apenas bêbado, não lhe dê ouvidos! — Titus não pareceu feliz com a resposta dada e empurrou Guille para o lado.

– “Milady” uma ova, se a garota quer brincar de ser cavaleiro, vai agir como um. E um verdadeiro cavaleiro não foge de nenhum duelo! — Brienne não sabia se ria ou revirava os olhos diante daquela situação jocosa.

– Muito bem, Sor… Titus. Eu aceito o duelo, mas… Está um pouco tarde para isso e o senhor não me parece bem o bastante. O que me diz de amanhã de manhã?

– Amanhã? Hic! — Titus olhou-a confuso. Guille abriu um sorriso, entendia o que ela estava tentando fazer. De manhã ele teria esquecido todo o assunto. — Certo! Certo! Mas não vá fugir de mim, fera! Nem o Sor Jaime poderá parar este duelo de amanhã de manhã! — Voltou a dizer, enquanto Guille e Edril empurravam-no de volta para a fogueira mais a frente.

– Vai tarde… — Brienne sussurrou para si mesma e adentrou na tenta outra vez.

O tal desafiador chamado Titus deveria ter dormido algum tempo depois. Ela já não era capaz de escutar um pio sequer de conversa dos homens e finalmente se pos a dormir. Sabia que a presença dela mudaria a atmosfera do acampamento, mas não que seria tão cedo. Pegou finalmente no sono e sonhou um sonho escuro cheio de faíscas quando espadas batem uma na outra, gritos masculinos cheios de ódio e mais faíscas. Acordou finalmente quando ouviu que alguém lhe chamava do lado de fora.

– Hey! Hey! Acorde logo! — A voz lhe era familiar. Se apressou para colocar suas ombreiras e cinto e saiu da tenda dando de cara com uma espada. O dono dela era Titus e ele sorriu para Brienne de forma marota. — Não pense que o vinho tirou-me a memória. Eu lembro bem que lhe chamei para um duelo! — Brienne nada disse, apenas o observou seriamente. Teria que responder rápido, muitos cavaleiros já estavam de pé e curiosos se apressaram para saber o que estava havendo. Até mesmo Jaime apareceu alguns segundos depois, levando um susto em ver que um dos seus cavaleiros apontava a espada para Brienne.

– O que sete infernos está acontecendo aqui?! — Jaime vociferou, usando a mão de ouro para empurrar para longe a espada de Titus.

– Ontem a noite eu chamei a garota para um duelo, sor. — O cavaleiro explicou. Jaime olhou para Brienne e de volta para o homem de forma horrorizada, mas antes que ele pudesse agir Brienne interrompeu-o.

– Jaime, deixe-o. — Ele olhou de volta para ela de forma confusa. Todos os cavaleiros já haviam acordado e rodeado os três. Edril e Guille olhavam o colega de forma apreensiva.

– Brienne, não vou deixar essa tolisse ocorra. Temos coisas mais importantes a resolver!

– Não importa, eu já aceitei. E um cavaleiro nunca foge de um duelo. — Brienne falou ignorando a presença de Jaime, encarando sor Titus com fogo nos olhos. Ele devolveu a encarada e se pos em posição de luta. Jaime viu-se vencido e foi lentamente andando para trás. Já estava mais do que na hora de eu por algum juízo na cabeça desse cavaleiro irritante, Brienne pensou e desembainhou a Cumpridora de Promessas.

Notas finais
E aí? O que acharam? Prometo que o próximo vem enorme e recheado de hematomas! Não esqueçam de comentar, muito importante pra eu saber o que vocês estão achando, heim! Até mais~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.