Ventos do Inverno: Jaime & Brienne
7 Jaime IV
Notas iniciais
– O que disse? – Perguntou, perplexo. A frase não parava de disparar em sua mente. Eu o amo, sor Jaime. Eu o amo, sor Jaime. Eu o amo, sor Jaime. Nem mesmo a dor pode tirar-lhe a concentração. Virou-se e encarou a garota. Não havia luz alguma no quarto, ainda era muito tarde da noite, mas a lua deveria estar brilhando no céu, pois alguns finos feixes de luz invadiam pelo telhado. Ele mal podia vê-la naquele breu, mas podia ver seus olhos cor-de-safira. Nunca os vira daquele jeito antes, olhos tão cintilantes e convidativos. Cheios de lágrimas para cair, era um olhar inocente e infeliz que ele havia visto tantas outras vezes nela e não dado devido valor. Ela engoliu em seco e repetiu.
– Eu... o amo sor- Antes que ela terminasse ele encostou seus lábios no dela. Não entendia o porquê, só precisava fazer isso. Pegou sua mão boa e passou pela nuca, pressionando a cabeça de Brienne para mais perto. Ela atendeu ao carinho como se estivesse esperando por aquilo toda a sua vida, mesmo sem saber exatamente o que fazer. Ela virou-se para desapartar do beijo, mas ele se levantou junto e afastou a cabeça buscando ar.
– Jaime... – Ela disse numa voz cansada e tênue. O cavaleiro quase se sentiu embriagado por ouvir o próprio nome na voz dela.
– Por que escondeu esse fato de mim, garota? Que seus lábios eram deliciosos. – E eram. E partiu para outro beijo, pressionando sua boca contra a dela. Sentindo a cicatriz que lá havia, tornando-a mais lasciva do que achou ser possível.
Brienne não era nenhuma beldade, estava longe disso. Tinha um corpo mais masculino que muitos garotos da mesma idade que ela. Peitos pequenos, braços duros e fortes. Pernas longas e definidas. O rosto era uma verdadeira brincadeira de mau gosto dos deuses. Dentes grandes demais para uma boca de lábios grandes e carnudos, um nariz grande e deformado pela porção de vezes que devia ter levado pancada atrás de pancada. As sardas salpicando aos montes por todos os lados, mas aqueles olhos. Nem mesmo Jaime Lannister conseguiu ignorá-los.
Ela não era atraente, mas por que não conseguia parar de beijá-la e deseja-la? O corpo já não mais aguentava e tinha fome carnal? Seu membro viril se eriçava inquieto dentro das calças e, pelos deuses, Brienne havia deixado o travesseiro entre eles como se adivinhando que aquilo aconteceria.
Resolveu não pensar muito sobre aquilo e se concentrar no que era mais importante: beijar a garota. Sua vontade havia tomado conta do corpo dele e a própria Brienne parecia não se importar. Imaginou que seria jogado fora da cama no momento em que a tocara, que seria morto ao beija-la. Mas pelo contrário, Brienne tentava inutilmente seguir o ritmo dele. Tem muito que aprender, garota. Aquilo estava divertindo-o como nunca em anos. Ele passou a beijá-la no pescoço, pela curiosidade da reação. Ela rangeu os dentes e quanto tentou falar algo soltou um gemido baixo. Não precisa se conter, quero ouvi-los. Afastou a gola dela o máximo que pode e a encheu de beijos. Ela pousou uma das mãos na nuca dele e a outra no ombro, apertando-o contra si. Jaime voltou a beijá-la e mordiscou o lábio inferior antes de se afastar, curioso demais com a feição do rosto de Brienne.
– Rápido demais, garota? – Fitou-a. Ela não respondeu, só tentava respirar com mais calma, vendo como era impossível, empurrou Jaime para o seu lado da cama.
– Eu só...! – A voz dela soou irritada, mas talvez fossem as golfadas de ar que tomava que demonstravam isso. Ele esperou que ela descansasse antes de falar.
– Foi um reflexo. Eu agi por reflexo. Me desculpe. – explicou.
–Por que eu disse que te amo? – O tom irritado permaneceu na pergunta.
– Sim. – Respondeu sinceramente.
– O que isso quer dizer?
– Quer dizer que... – Jaime não sabia. Não entendia. Agiu por puro impulso e sem pensar nas consequências. Brienne tinha dado a certeza que o amava. O que isso significava? Qualquer garota se apaixonava por ele por vezes instantaneamente apenas por vê-lo. Ele era bonito em todos os sentidos, tinha se tornado um hábito receber suspiros por onde passava e não se importar por nenhum deles. Só os de Cersei. Até o momento. Agora não tinha ideia.
Ele havia tentado antes seduzir Brienne, mas a garota não cedia. Queria apenas que ela o libertasse, prometendo amá-la ou qualquer coisa, mas em todas as vezes que tentou Brienne persistiu. Uma verdadeira muralha ela havia criado para se manter segura dos gracejos de e mentiras de qualquer homem. Sabia que certas feridas nunca fechariam por completo. – não faço ideia, Brienne. Deixe me explorar um pouco mais ou, me dê mais tempo.
– Certo. – Ela virou as costas para ele e pouco tempo depois passou a ressonar.
Jaime não mais dormira naquela noite. Mesmo quando tentava, as lembranças recentes dos beijos em Brienne lhe acordavam no susto ou senão os latejos das dores por todo o corpo, mas a dor de cabeça de não ter podido responder Brienne corretamente era o que lhe irritara mais.
Ele tentou organizar os pensamentos e os sentimentos, porém em vão. Um conflito interno com ele próprio se iniciara. Parte dele não queria encontrar resposta alguma, só queria viver o agora, pois poderia nem ter um amanhã. Mas não seria justo com a garota, Jaime falava a si mesmo. Ele agira por impulso, mas passou a entender melhor sua ação depois do ocorrido.
Eu estou curado! Eu não amo mais a Cersei. Estou curado! , Jaime vibrou em pensamentos. Foi por isso que disse o que disse, que não havia voltado para Cersei e disse à ela, Brienne de Tarth. Foi por isso que enfrentou um bando inteiro, uma bruxa morta, uma cachoeira tão alta e a noite mais congelante de toda a sua vida. Por que ele também a amava. E o corpo fez o que a mente custou a entender. Você não quer só o corpo dela, que a garota por inteiro! Sabe que ela vale muito mais do que qualquer pessoa existente nos Sete Reinos, seu completo imbecil. Jaime passou a sorrir no escuro e a pensar na melhor maneira de explicar tudo à Brienne na manhã que estava por vir.
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