Vem cá, te conheço?!
4 Casa? Namorado? WTF?²
Notas iniciais
Quando acordei eu estava num lugar desconhecido, mas ao mesmo tempo, bem familiar. Henrique estava andando pra lá e pra cá.
–Henrique? O-onde estou?
–Você está em casa, minha querida- Ele disse, com um sorriso meio triste- Volte a me chamar de Rick, por favor…Volte pra mim…
–O que? Eu não sou sua querida! Você pirou?- Olha só, prazer, me chamo América Singer, cadê o Maxon?
–Por favor, amor!- Ele começou a me sacudir- Volta pra mim! Volta pra mim!
–Henrique! Se acalme! Ela pode estar em casa! Mas o feitiço ainda não foi desfeito!
–Estou tentando fazê-la lembrar! Você não quer que ela volte?
–Claro que quero que a minha melhor amiga volte!- Disse Anna.
–Não dá pra apressa-la!- Disse Willian—Também quero ela de volta! Ela é minha melhor amiga!
–AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!- Berrei, o que raios, estava acontecendo?
–Você está bem, meu amor?- Perguntou Henrique, me olhando preocupado.
–Henrique, o que deu em você? Nós não somos namorados, sei que ontem rolou um clima meio romântico ontem, mas não temos nada…
Parecia que o quarto ficou uns vinte graus mais frio.
–NÓS NÃO TEMOS NADA?! COMO VOCÊ PODE DIZER QUE NÃO TEMOS NADA? VOCÊ JUROU QUE NUNCA ME ESQUECERIA! QUE VOCÊ SEMPRE ME AMARIA!
Ele saiu do quarto, batendo a porta com força.
Eu comecei a chorar.
Anna e Willian se sentaram e me abraçaram. Me senti tão protegida e querida…
–O que eu fiz?
–Você não tem culpa…Foi um ano bastante difícil para ele… — Disse Anna.
–Assim que desfizerem o feitiço, você vai entender.
– Onde está a minha filha?! Quero vê-la!- Gritava um homem, acho que no corredor.
–Acalme-se, querido, ela ainda não se recorda de nada, temos que desfazer aquela magia! Chame-a Henrique!
Que magia? Todos falam de um feitiço…De recordar…
–Não quero falar com ela!- Disse Henrique.
–Achei que a amasse- Disse o homem, com uma risadinha.
–E a amo- Falou Henrique, seu tom de voz dava a entender que estava triste- Mas ela disse que nós não temos nada...NADA!
–Henrique, ela não se lembra de nada- Disse a mulher, tranquilizadora, lágrimas me vieram aos olhos- Não disse por mal, assim que ela se lembrar…
–Eu achei que eu estava no coração dela, não no cérebro…
–Henrique! Apagamos todas as lembranças, memórias e sentimentos dela! Implantamos memórias falsas e tiramos tudo o que a ligava ao nosso povo.
–Certo…Mas, quando a memória dela voltar?…
–Ela vai lembrar do que vocês passaram…
Quer dizer que eu tenho um passado obscuro? Eu sou o segredo obscuro de Henrique? Eu tive a memória apagada? Eu não sou de Phoenix?
Henrique entrou, seus olhos estavam úmidos, ele não me olhou nos olhos, apenas entrelaçou nossos dedos e me levou para fora.
Fui guiada até um grande salão, tinha um grande lustre e o chão era de mármore, perante uma parede havia dois tronos, tronos ocupados por figuras majestosas e belas. Uma mulher de olhos castanhos e o cabelo escarlate, tinha o rosto delicado, meigo, mas um olhar afiado, um pouco frio e analítico, ela sentava ereta, e o vestido caía impecável em lindas camadas até seus pés. O homem ao seu lado tinha cabelos negros bem aparados, os olhos eram acinzentados, glaciais, mas ele sorria calorosamente, trajava um terno elegante, tipo os ternos Armani da loja em que meu pai trabalhava lá em Phoenix.
–Isabel!- Ele disse, saudoso, e se levantou, andou até mim. Henrique recuou, respeitoso, e percebi que eram os comandantes dali, me curvei.
–Não se curve, Isabel Le Fray!- Disse a senhora, com uma calma fria.
–Desculpe, senhora, mas meu nome é Isabel Fray, não tem “le”.
Ela riu, e o homem me deu um colar.
–Vista-o, amanhã voltará a nossa presença! Henrique, leve-a para a praia.
–Eu já disse! Não quero ficar com ela!- Disse ele, lágrimas vieram aos meus olhos- Mandem Willian ou Anna.
–Henrique…Por favor…- Implorei, andando até ele- Eu não quis dizer aquilo…
–Mas disse, e palavras são poderosas, uma vez que as soltamos, não podemos voltar atrás, o silêncio também é poderoso, mas podemos remedia-lo...Palavras, puxa, elas ferem e ficam gravadas no coração…O que você disse vai ficar em mim pra sempre, você me feriu, me desprezou…Jogou fora todo o meu amor por você!
Ele me deu as costas e saiu, fiz algo inesperado até pra mim!
Eu corri atrás dele, segui-o por corredores desconhecidos, mas familiares.
Ele entrou num cômodo, supus que era o quarto dele, esperei alguns segundos e entrei.
Ele estava debruçado na cama, abraçava um caderno, sentei ao seu lado e acariciei seus cabelos.
–Por favor, saia!
–Não vou sair!
Passei os olhos pelo quarto e vi muitas, muitas mesmo fotos minhas, eu com Henrique, eu , Anna, Willian e Henrique…
Mas se eu nunca os tinha visto antes…
Isso não faz sentido nenhum!
–Rick…
–O que?
–Eu já te conhecia antes, não é?- Olhei para uma foto, inconfundivelmente era eu beijando Henrique- Nós éramos namorados…
–Sim, nós erámos…Amanhã você lembrará de tudo, Isabel, o colar contém suas memórias.
–Por que tiraram minhas lembranças?
–É complicado, meu amor- Disse ele- Eu apenas queria que você se lembrasse de mim, de nós.
–Eu não lembro do que passamos…Mas, no momento que eu o vi…senti algo especial…
–Mas você disse que não temos nada…
–Rick…Eu não falei por mal… Afinal eu não me lembrava…É tudo muito complicado…O que eu achava que idealizava era tudo menos isso...Nunca quis uma história digna de virar livro, ter um mistério cercando minha vida, poderes ocultos, nem nada disso…
–Relaxe, eu vou esperar você se acostumar com a ideia!- Ele disse, fechando os olhos.
Sorri.
Então ele me abraçou.
–Henrique…Não…
–Eu não tenho você faz um ano...Eu finalmente te encontrei- Ele disse, abrindo os olhos com tristeza- Eu não posso ao menos beijá-la? Quando a vi no ônibus foi o que mais quis fazer!
Me adiantei e lhe dei um selinho.
–Isto basta- Ele disse- Por enquanto.
Ri.
–Venha, vamos atrás de Anna e Willian, vamos para a praia.
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