Vem cá, te conheço?!
5 Fadas, Lobos, um Ser aparentemente mal e a minha memória! ÊÊÊ!
Notas iniciais
Paramos no meu quarto, tinha um lindo biquíni em cima da cama, Henrique me deu licença e vesti-o, fazia muito tempo, mais tempo do que posso lembrar. Quando sai, Henrique beijou a pele exposta de meu ombro, corei. Encontramos Willian pelo caminho, ele estava só de bermuda preta, parecia preocupado.
–Hoje tem novamente o ritual, e é a vez dela…
–Meu Deus! Já está na hora?
–Quase...
–Ela será testada?
–Irão ver seu desenvolvimento, é um dos dias mais importantes para a sua tribo.
–Em qual das praias?
–Areia de prata.
–Certo. Ela já está com eles?
–Sim. Eles estão a testando e examinando- Willian mexeu nos cabelos, nervoso- Daqui a meia hora, ela será exposta a tribo e aos amigos mais próximos, ou seja, nós. E também receberá um novo dom.
–Temos que ir. Precisamos trajar algo especifico?
–Não, roupas de praia estarão mais do que ótimas.
–Você já foi n um ritual de FairChild?
–O da namorada do meu irmão, acreditem, é bem estranho.
–Tudo bem. Areia de Prata não é tão longe, vamos a pé.
Quando chegamos na tal praia de Areia de Prata, entendi o nome. A areia era da cor do metal precioso, e cintilava com o luar, havia um circulo de pessoas, elas cantavam em uma língua antiga e estranha, mas fizeram espaço para nós três no juntarmos á eles na roda. Quando eles começaram a bater palmas. Um garota entrou no centro da roda, cercada por mulheres mascaradas, de vestidos longos e leves, elas se afastaram, exibindo que estava entre elas: Anna.
Anna estava brilhando. Literalmente! Parecia que uma camada de purpurina cobria seu corpo. Bem, isso nem era o mais estranho, porque ela flutuava, tipo, pairava a uns cinco centímetros do chão de mármore, e ela tinha asas. Asas de verdade! Pareciam folhas de cristal cobertas de orvalho. E ela estava nua, os cachos loiros cascateavam pelas costas.

Quando tudo ficou estranhamente roxo, uma névoa violeta a envolveu, até ficar espessa e formar uma espécie de casulo. Tudo ficou quieto, até o mar havia se calado. Quando o casulo explodiu em luz roxa e Anna caiu na areia, vestida com um vestido lilás de seda, tão curto e justo.
Mal reparei que as pessoas ao nosso lado começaram a voar, pois estava curiosa e preocupada demais com Anna. Pera! Pode parar! Pessoas não tem asas e nem voam! Isso é um sonho! Só pode ser! Me belisquei.
–Ai!
–O que você está fazendo?- Sibilou Henrique, na minha orelha.
–Vendo se isso não é um sonho.
Ele riu.
Voltei a prestar atenção em Anna, as pessoas voadoras pousaram e formaram uma roda novamente, e uma das mulheres mascaradas falou.
–Saúdem Anna FairHipnos, filha de Kieira FairHipnos e Dennosam FairHipnos, a mais nova fada com poder da hipnose, do sono e dos encantos poderosos!
–Ave!
Agora é latim? Estamos indo para o Acampamento Júpiter? Se sim, Jason, Percy, aí vou eu!
Então as outras moças de mascara levantaram os braços e fumaça/luz/sei lá voltou.
–Seu dom será o poder de invadir sonhos e alterá-los!- Gritou a primeira mascarada.
E os olhos de Anna ficaram roxos, para, lentamente, voltarem ao azul que eram.
Então uma sombra cobriu a lua.
Todo poder vem com uma grande responsabilidade, um pesado fardo…Uma Maldição!
A voz era assustadora, sibilante, acho…acho que ele falou aquilo na nossa cabeça, me encolhi ao perceber que não era a única a estar com medo, Henrique me abraçou.
Anna, significa graça. Mas eu irei acabar com a graça dessa festa! Anna, serás amaldiçoada, quando o amor encontrares, a principio será bom, festas, amor, dias e noites divertidas e prazerosas, mas com o decorrer do tempo, ele a decepcionará, sim, mãe um dia serás, mas de uma forma sofrida, verás o amor de sua vida ruir e a mim, seguir!
A voz maligna gargalhou e sumiu, deixando Anna arquejando na areia prateada, Willian se aproximou dela, relutante, eu e Henrique o seguimos, as outras fadas – Sim, eu havia aceitado muito bem o fato de que fadas existiam- murmuravam entre si, agitados, mas nem parecia ligar para a “homenageada” caída.
–Anna?- Perguntou Willian, ajoelhando-se ao lado da fada.
Ela levantou o rosto, chorando.
–Anna, eu estou aqui com você- Ele disse- Nós estamos aqui com você. Não se preocupe…
–Como não vou me preocupar?- Ela perguntou, os enormes olhos brilhando com as lágrimas- O amor é muito importante para as fadas, e eu perderei isso…
Amor? Eu achava que as fadas se importavam é com a primavera, com a natureza…Tinker Bell mentirosa!
Enfim, voltemos ao principal:
– Eu verei meu coração ruir…E no meio disso terei um filho!
–Ãh…Anna?- Chamei, ela virou o rosto para me encarar- Quantos anos você tem, exatamente? Parece nova demais para ser mãe…
Ela deu um leve sorriso.
–Tenho dezesseis, Isa, mas aqui as fadas, os lobos, os vampiros, as sereias, os duendes, geralmente se casam com dezessete anos, e são pais na mesma época, os bruxos são um pouco diferentes, mas… Eu me casarei em breve, estão escolhendo meu marido, há tempos que prometeu ser minha madrinha, com Henrique, pena que não se lembra, mas o convite ainda está de pé...
–Mas…Não tinha o lance do amor? Como se eles vão escolher?
– O amor das fadas é diferente… Eu já lhes disse a quem amo, já disse pra você, e eles vão ver se é possível casar-me com ele, se não, escolherão alguém de meu povo.
– Ahá!- Gritou Willian de repente- Então está apaixonada por alguém de outra espécie? É um bruxo? Um vampiro?
–Não- Disse Anna, parecendo se irritar.
–Vamos Aninha!- Disse ele, com um olhar de filhote pidão- Diga só de qual espécie! Eu te imploro!
Henrique riu baixinho, pondo a mão no meu ombro, olhei para ele e compreendi, era para deixarmos os dois a sós.
Caminhamos pela areia até o castelo de onde tínhamos ido, dava pra ver a silhueta luminosa do que deveria ser o acampamento ao longe, parecia na outra “margem” do mar.
–Como não vemos isso- Apontei para o castelo- Do acampamento?
–Magia- Disse Henrique- Também tem normalis como campistas.
–Traduza para mim.
–Você vai descobrir, ou melhor, vai lembra, amanhã- Ele disse- Pra quê gastar tempo explicando?
–Obrigada pela gentileza, cavalheiro- Revirei os olhos, ele riu.
–Peço perdão, minha dama- Ele diz, com um sorriso contido, levando minha mão esquerda aos lábios.
– Jamais o perdoarei por tal afronta!- Digo, de brincadeira, puxando a mão.
–Imploro-te, senhorita, perdoe-me, farei qualquer coisa!
–Meu mais profundo desejo…se vós o cumprirdes, considere-se perdoado!
–Diga-me o que deseja, minha bela, e eu o farei- Ele estava quase rindo e eu também;
Caprichei na postura, olhei-o com firmeza e disse:
–Meu maior desejo é: Vai catar coquinho, Henrique!
Começamos a rir.
Quando esfriou de repente...
Oh! Princesa! Quanto tempo! Retornou na hora certa! Meu filho ficará muito feliz quando receber a notícia!
Era novamente a voz, a que amaldiçoara Anna, estaquei, a Voz gargalhou.
–Quem…Quem é você?- Perguntei ao nada, Henrique olhou para mim, preocupado.
Não se lembra de mim, é claro, retiraram suas lembranças por minha causa, não queriam lhe sacrificar… Não quero seu mal Isabel Le Fray, quero apenas que venha até mim e meu filho…Não quero seu mal, me chame de Karanlık Ses, a Voz da Escuridão! Tenho que ir, Isabel, mas espere por mim!
Karanlık Ses…Karanlık Ses…
O mundo começou a girar, e caí;
Estava sentada em uma sala confortável, tinha uma TV de tela plana, sofás, pufes, um frigobar e um mural de fotos. Anna parecia preocupada.
–Será que Will um dia me olhará com outros olhos?
–Claro, ele ainda é só meio idiota, mas uma hora vai perceber que você é a garota certa para ele e…
Henrique e Willian entraram na sala, agitados.
–Novidades- Disse Will- Karanlik deu mais uma provinha de seu poder exigindo que Isa fosse falar com ele...
–E daí? Se ele pensa que eu irei ir falar com ele, ele está muito enganado. Mas também não farei o que meus pais querem!
–Karanlık Ses é o nosso mais perigoso inimigo!- Gritava Henrique- Se ele e a Rainha Turpis puserem as mãos em você…
–Eu sei! Eu sei caramba!- Respondi, me levantando- Mas porque eu tenho que apagar as minhas lembranças e ir morar com os desprovidos, os impeditum? Não podem me trancar no porão?
–Meu amor, pense bem!- Disse ele, pondo as mãos em meus ombros- Se Karanlik por as mãos em você sem memória, qual a utilidade que você teria para ele?
–Mas eu também me esquecerei de você, poderia, facilmente, encontrar outro cara- Respondi.
–Calma, vocês dois!- Disse Anna- Do que adianta ficar se preocupando com esse tipo de bobagem? A sua mãe e seu pai disseram que não sabem o que a rainha Tupis e Karanlik querem com você…
–É mais uma medida de segurança- Will murmurou- Mas será realizada em três dias.
–Não! Eu não quero! Me sacrifico, faço o que Karanlik quer, mas eu não quero perder minha memória!
–É para sua segurança, meu amor!- Henrique disse, passando a mão nos cabelos- Por mais que me doa, é o melhor para você…
De repente, eu não estava mais naquela sala, estava em meu quarto, com Henrique.
–Eu não quero ir!- Fiz birra, como uma criança mimada.
–Mas tem que ir, é seu dever…
–Eu sei…Mas eu vou te deixar aqui…Será por tempo indeterminado…Você pode muito bem acabar se envolvendo com a vaca da Giovanna ou da Stella.
Ele riu.
–Eu juro que não ficarei com ninguém enquanto você estiver longe, juro pelos céus e pela terra, pelas estrelas que iluminam o céu, juro pelo fogo sagrado!- Ele disse, pondo a mão sobre o coração- Então jure que não vai me esquecer…Que não vai esquecer de mim enquanto estiver fora, que não vai me abandonar!
–Juro pelos céus e pela terra, pelas estrelas que iluminam o céu, juro pelo fogo sagrado! Eu serei sua, Henrique, por mais que eu não lembre de seu rosto, ou de você, nunca amarei ou sequer me apaixonarei por outro garoto, eu juro que enquanto estiver com os normalis não terei mais ninguém- Pus minha mão sobre meu coração e jurei.
Ele me beijou, e foi a ultima vez que o vi.
Quando acordei, a cabeça Willian pairava sobre mim, ele parecia um cãozinho preocupado e curioso, ao mesmo tempo.
–Oi!- Ele sorriu
–Oi Will!- Eu sorri, sentando na minha cama, a coberta deslizou até a minha cintura.
–Do que se lembra?
–A Anna está bem?
–Sim, ela está- Disse ele, mas não parecia convencido- Ela não quer falar comigo.
–Você é cego, não?
–Quê?
–Nada. Bom, eu lembrei! E cadê o Henrique?
– Numa reunião, depois ele vem- Ele disse- Se lembra do que?
–De tudo! E meu irmão, ele já voltou?
–Isa, Richard está no acampamento.
–Ele não quis me ver?
Willian ficou quieto.
–Tudo bem, mas depois quero vê-lo- Eu disse- Vou ver meus pais, quero falar com eles… E pode me fazer um favor?
–Claro.
–Pede para a Dinah fazer o lanche favorito da Anna e me entregar?
–Certo.
–Vou indo, Will, tchauzinho!
Encontrei Rick no corredor.
–Oi Rick!- Sorri, ele estava com o nariz enfiado nuns documentos, típico.
–Isabel!-Ele disse, sem levantar os olhos do relatório- Não fique andando por aí sozinha, vai se perder…
–Me perder na minha própria casa? Que idiota faz isso?
Ele me encarou, com um sorriso gigante.
–Você voltou! Você voltou pra mim!- Ele largou os papéis no chão e me rodopiou no ar, me abraçando.
–Voltei, voltei- Disse, ligeiramente atordoada- E com a promessa cumprida!
Ele me beijou demoradamente.
–Eu também cumpri minha parte- Falou.
–Eu sei. Agora, vou ver meus pais.
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