Vampírico
2 Capítulo 1
Notas iniciais
A Corte estava reunida pela primeira vez em mais de cinquenta anos. Somente um seleto e exclusivo grupo de vampiros podia passar pelo lacre milenar e entrar na pequena sala elegante. O chão era de marfim pérola e as paredes eram de terra escura e batida, no teto um divino lustre de ouro do século quinze iluminava o salão. Uma mesa circular de mogno negro estava no centro e três pessoas ocupavam as cadeiras ao redor dela. A única vazia era a maior, uma espécie de trono de ouro com estofado de veludo preto, que pertencia a uma entidade temida e respeitada pela maioria: a rainha.
Os vampiros, por terem acompanhado a humanidade em sua trajetória pela sobrevivência e pelo desenvolvimento, haviam se identificado com uma sociedade arcaica, em que o rei estava no poder e a corte só o convocava em época de crise. Porém, com as adaptações, ocorria o contrário. A rainha era a vampira mais antiga de todos os existentes, enquanto alguns achavam que ela era criadora da raça, outros a consideravam uma lenda urbana por quase nunca ser vista.
A Corte era formada por três vampiros líderes dos clãs mais poderosos e tomavam as decisões. Quando alguém desobedecia as regras, eles mandavam os Domineu, vampiros que tinha autorização oficial para matar vampiros, para eliminarem o transgressor. Porém, naquele caso, todos os dois Domineus enviados foram mortos. A situação estava se tornando uma crise e quando isso acontecia, Seelyn, a rainha, precisava ser convocada para colocar ordem. A última vez que isso aconteceu foi há cinco séculos.
– Essa mulher tem que morrer. Os seus seguidores estão crescendo rapidamente e se não fizermos nada eles levarão os vampiros para viver com os humanos. Já começaram a matar de modo desenfreado como recém-criados! Se nos descobrissem iríamos perder a segurança que temos no subsolo e seremos caçados novamente como no século vinte, com a diferença que agora esses potes de sangue têm brinquedinhos que causam mais destruição. – falou o mais conservador vampiro presente – O que esses idiotas querem ao almejarem morar na superfície? Queimar até a morte?
Ele era alto e sua característica mais marcante eram os olhos quase totalmente brancos de tão claro que era o azul de suas pupilas. Seu cabelo era loiro e seu porte magro estava realçado pelas roupas sociais um pouco mais largas que suas medidas. Seu nome era Mitchell Twery e fora transformado no Império Romano, quando as tropas de Júlio César invadiram sua cidade.
A Corte espalhava que os vampiros moravam no subterrâneo por causa do forte sol que os queimavam e da grande guerra que houve em 1939. Os humanos, claro, conheciam-na como Segunda Guerra Mundial, porém, com o passar dos anos a lembrança de que lutaram contra vampiros foi se exaurindo devido a muita magia e incontáveis subornos e eles acabaram pensando que guerrearam contra um grupo que chamaram de nazistas. Nunca os vampiros se saciaram tanto quanto naquela época em que todos achavam que eram os judeus que sumiam em campos de concentração, quando na verdade pessoas de diversas religiões eram arrastadas para fora da cama no meio da noite e drenadas ao ponto de virarem cascas secas, fáceis de serem queimadas.
Porém, a verdade era muito mais simples do que uma mera guerrinha contra humanos despreparados e ingênuos. Era muito mais fácil para aqueles três componentes da Corte governarem com grande poder em um espaço limitado, dominando o fornecimento de sangue. A influência sobre os vampiros era muito maior ali, ainda mais que tinham posse do alimento. Além disso, o sangue dos mortos não restaurava completamente o poder dos vampiros quanto um fresco e isso permitia submetê-los às vontades dos três ainda mais facilmente. Os líderes dos clãs, claro, podiam fazer o que quisessem, bebida na superfície liberada em troca de manterem pulso firme nos vampiros sob seu comando.
– Ela cumpriu a lei de uma certa forma, se a matássemos iríamos criar uma mártir para esses revoltos se inspirarem ainda mais. A câmera daquele beco só mostra o mendigo a assediando e sabemos que podemos matar um humano na superfície por justa causa. Além disso, ela não sugou o sangue do homem quando ele estava vivo. ‘‘Só beberais o sangue dos defuntos’’, todos conhecem essa ordem e ela a honrou. – citou o mais novo daquela sala, Pedro Eustácio.
Pedro parecia ter apenas dezoito anos, porém fora transformado no auge do século quinze, no porão de um dos navios ingleses enquanto cruzava o Atlântico para tentar uma nova vida nas Américas. Seus ideais eram menos conservadores do que os dos outros vampiros da Corte, por isso quase sempre era ignorado por eles. Além disso, tinha fama de ser cruel e de ser um apreciador das grandes e sangrentas confusões.
– Foi tudo parte de seu plano. O beco escuro que nos impedia de vê-la com clareza, deixar o homem chegar perto dela, agir assim que a nuvem cobriu a lua. Essa mulher é esperta e está conseguindo ganhar cada vez mais o apoio dos novos vampiros. Somos mais fortes que eles, mas não aguentaríamos a gritante diferença de números. – observou a única mulher daquele grupo, Clittia Gilkey.
Clittia fora transformada no Egito e teve o desprazer de ver seu adorado reino cair sob a direção de Cleópatra. Ela admirava até hoje a rainha, que para não ser escravizada preferiu morrer e a tomou como um exemplo de mulher inteligente e perspicaz. Sua pele negra combinava com seus curtos e lisos cabelos pretos e as tatuagens de símbolos egípcios espalhados por seus braços. A vampira usava um vestido de linho que parecia um pergaminho elegante e saltos altos dourados.
– Temos que convocar a rainha Seelyn, é o único modo de conseguirmos inibir os revoltos. – afirmou Mitchell fazendo um silêncio pesado reinar no recinto.
– Ela está senil e sem memórias, que serventia teria para nós? – perguntou Pedro franzindo o cenho.
Para ele, a rainha era mais uma figura simbólica, um adorno, do que realmente alguém forte capaz de unir todos os vampiros novamente. Além disso, a ideia de perder todo o poder que tinha para uma velha com reminiscência não o atraía nem um pouco.
– É verdade que aquela feiticeirazinha do sul conseguiu tirar boa parte das memórias de Seelyn após a morte de sua alma gêmea, mas talvez ela esteja mais útil do que nunca para nós. Agora pelo menos sua personalidade irritantemente forte está esquecida e ela será nossa marionete. – respondeu Mitchell.
Quando os vampiros encontravam sua alma gêmea, formavam uma ligação que tornava ambos muito mais fortes. Porém, um não conseguiria viver sem o outro e quando a alma gêmea da rainha foi morta, tiveram que retirar suas memórias para que ela não enlouquecesse.
– E onde ela está? – indagou Pedro acompanhando o raciocínio – Temos que anunciar seu retorno o mais rápido possível.
– Deixe isso comigo, trarei ela amanhã para um pronunciamento oficial. Reúnam os líderes dos clãs na praça principal que aparecerei com Seelyn nem que eu tenha que arrastá-la acorrentada do buraco em que se esconde.
[...]
Uma figura encapuzada caminhava sorrateiramente pelo corredor iluminado por fracas luzes. Tinha que levar as novidades para sua líder. O seu contato era realmente muito bom, apesar de só se comunicarem por bilhetes, desta vez a novidade estava escrita estava em um papel pregado em seu travesseiro. Quem sabe se com essa informação finalmente sua chefe aparecesse pessoalmente? Talvez a situação já tenha chegado ao ponto crítico.
Ninguém sabia quem a líder era, todos do grupo de revoltos ouviam seu discurso, porém seu rosto nunca era mostrado. Ao invés disso parecer suspeito, atiçava ainda mais a curiosidade e lealdade dos vampiros, que entravam por causa do mistério e ficavam pelos ideais e vontade de se deliciar com o sangue dos humanos vivos sem nenhuma restrição.
A menina apertou uma combinação nos azulejos aparentemente normais das paredes e uma porta secreta foi revelada. Assim que ela passou, tudo voltou ao normal como se nada tivesse acontecido. A garota, Agatha, possuía quatorze anos antes de ser transformada e passou os primeiros cinquenta anos com um grande ódio por ser fadada a ter aquela mísera idade por séculos, mas agora seu ar inocente era primordial para os planos da chefe. Seu cabelo era curto e castanho, seus olhos verdes e possuía uma cicatriz na bochecha direita – um ferimento com adaga sagrada que ficaria marcado para sempre em sua pele.
Após subir quase cem degraus, Agatha estava em uma casa na superfície. A sala era pequena e suja, o sofá vermelho estava manchado e encardido, o tapete estava tão fino que mal o notavam. A luz da lua iluminava o recinto através dos buracos onde deveria ter uma janela cujos vidros foram quebrados há mais tempo do que se podia lembrar.
– Conseguiu alguma informação, pequena? – perguntou uma voz calma que parecia ecoar de todo lugar.
Mesmo com Agatha já trabalhando com a mulher misteriosa há quase quarenta anos, ela nunca se acostumaria com aquilo.
– Sim, senhora. A Corte irá convocar a rainha Seelyn, mas serão os três líderes que irão controlá-la. – falou.
– Você acha que a rainha será realmente uma marionete?
– Sim, eles disseram que ela perdeu a memória. Sinceramente, penso que ela não requer nossa preocupação e muito menos nossa atenção. – afirmou desdenhosa.
– Nunca subestime um oponente, Agatha. – retrucou a voz feminina – Seelyn já foi uma exímia adversária e temo que voltar para a Corte pode fazê-la ter suas recordações aos poucos.
– Mas a feiticeira fez a limpa no cérebro dela e mantêm as memórias guardadas. Além disso, ela sumiu do mapa. – disse Agatha confusa.
Uma risada macabra ecoou pelo lugar, fazendo todos os pelos da menina se arrepiarem de medo e uma vontade incontrolável de sair rapidamente dali a dominou. Ela realmente precisava de sangue, se sentia imponente como nunca antes e somente aquilo poderia fazê-la recuperar parte do poder.
– Nada nunca é o que parece ser, pequena. – afirmou – Quanto mais rápido aprender isso, mas fácil será sua vida e maior sucesso seus planos terão.
– Devo avisar os meninos que haverá uma mudança de planos? – perguntou ansiando concluir logo aquela reunião e ir embora. Para ela, até mesmo levar um corte de uma adaga batizada era melhor do que conversar com paredes que irradiavam poder.
– Sim. – a voz falou com calma – Diga a eles que haverá uma festa em Rumson à noite. Bebida liberada e chame o lixeiro.
[...]
O sangue do morto estava com um gosto horrível, o que fez Isang esboçar uma careta após drenar todo o líquido carmesim do corpo rígido e gelado do defunto. Aquilo não o fazia ter a sensação de poder que o sangue dos vivos o proporcionava, apenas acalmava sua fome por algumas horas. Após terminar sua refeição, fechou novamente a gaveta metálica do necrotério com raiva.
– Quer acordar os mortos com essa barulheira toda, Isang? – perguntou Lucius.
Lucius era um vampiro conservado eternamente no auge de seus trinta anos. Seu corpo era forte e definido, os cabelos pretos e olhos amendoados. Usava uma regata cinza e calça jeans escuras juntamente com uma jaqueta de couro para somente completar o visual já que não sentia frio. Já Isang tinha vinte anos quando foi transformado há dois séculos. Seu cabelo acobreado batia nos ombros, seus olhos eram verdes e seu físico, esbelto. Usava uma blusa com estampa do Black Sabbath, calça jeans e tênis. Ambos pertenciam ao clã do Eustácio, cujo chefe, Pedro, era um dos integrantes da Corte, mas o líder não fazia ideia de que participavam do grupo dos revoltos.
– Quem sabe se eu acordar esses desgraçados eles passem a ter um gosto melhor? – retrucou irritado – Aquela mulher pegou a diversão só para ela ontem. Não acredito que seguimos cegamente uma pessoa que nem mesmo mostrou a cara para nós. E se ela for humana?
– Por mim ela pode ser um unicórnio desde que me faça viver novamente na superfície e beber o sangue dos humanos a vontade. – afirmou Lucius.
– Seria tão mais fácil só nos mudarmos para cima sem contar a ninguém. – comentou Isang distraidamente.
– Faça isso e terá um maldito Domineu caçando seu rabo sem descanso. – advertiu Lucius.
Uma criança entrou no necrotério atraindo a atenção dos dois vampiros que trabalhavam no local como um modo de obterem sangue mais facilmente. A menina não deveria ter mais de quinze anos, seu cabelo era curto e castanho, os olhos verdes analisavam tudo ao redor e possuía uma cicatriz na bochecha direita. Lucius se debruçou na bancada para poder falar com a desconhecida que parecia perdida.
– Olá menininha, o que faz aqui? – perguntou com a voz amável.
Antes que pudesse perceber o que estava acontecendo, a garota havia agarrado a gola de sua jaqueta e puxado com força para baixo, fazendo seu rosto colidir de modo doloroso no granito da bancada.
– Se me chamar de menininha outra vez, Lucius, juro que vou fazer uma tatuagem com lâmina sagrada no meio dessa sua cara feia. Vamos ver se as mulheres o acharão mais másculo assim. – avisou Agatha com a voz ácida.
– Não te reconheci com essas roupas de criança, Ag. – falou Isang.
Ao invés das costumeiras roupas coladas e provocantes, Agatha usava um vestido florido que ia até seus joelhos e uma sapatilha branca.
– Tenho que fazer uma coisa e preciso me vestir com essa coisa ridícula, mas não foi para isso que vim aqui. – justificou balançando os ombros – A líder falou que haverá uma festa em Rumson à noite. A bebida é liberada e temos que chamar o lixeiro.
– Como nos velhos tempos, Ag? – perguntou Isang bagunçando os cabelos da mulher.
– Claro – respondeu – Mas dessa vez será bem mais emocionante.
– O que você sabe que não quer contar? – indagou Lucius.
– Muitas coisas, mas o que deixa as coisas mais excitantes é a surpresa e garanto, meninos, que o pronunciamento de amanhã deixará muitas pessoas pasmas. As coisas estão começando a esquentar e precisamos mexer com fogo. Nós contra toda a hierarquia de poder, quem se queimar primeiro perde.
[...]
Clittia Gilkey orgulhava-se de ser uma mulher que impõe respeito, medo e até mesmo admiração nas pessoas. Sentada na única e majestosa cadeira de couro vermelho do recindo que não possuía mais nenhum móvel, analisava os quinze novos vampiros, que haviam sido transformados por alguns dos integrantes do seu clã.
A verdade que poucos sabiam sobre as transformações é que pouquíssimas pessoas sobreviveriam a ela. Em algum momento das três partes necessárias, muitos acabavam morrendo. A primeira etapa consistia no corpo aceitar as mudanças, mas grande parte não resistia à elas, a segunda era o momento em que as mudanças internas e externas começavam a acontecer, o que poderia enlouquecer e destruir as pessoas de mente e corpo fracos, já terceira era a primeira alimentação. Se seu organismo não aceitasse o sangue como alimento, o quase recém-transformado morria de fome, agonizando e definhando por dias.
– Vocês resistiram à transformação, mas isso não significa nada. Até provarem seu valor não passam de bebês chorões sedentos e com fome. São somente uns primitivos que nem deveriam estar vivos caso não aprendam a controlar a fome. – falou cruzando as pernas com um sorriso no rosto.
Os quinze vampiros possuíam idades diferentes, mas nenhum tinha mais do que trinta anos e menos que dezenove. Havia somente duas mulheres, o que desagradou Clittia, que preferia que seu clã sempre tivesse mais figuras femininas. Apesar de que para a maioria dos seres do submundo ambos os gêneros possuírem mesma capacidade, a mulher ainda era desvalorizada por causa do amor. Quando as vampiras encontravam as almas-gêmeas, ficavam ligadas à elas pela eternidade, um não sobrevive sem o outro e isso era isso que os homens temiam. A maioria das pessoas, independentemente do sexo, gostava do estilo de vida devasso e sem preocupações e estava cada vez mais rara a formação casais verdadeiros. O amor estava submetido a interesses pessoais e todos estavam muito bem daquela maneira.
– Estou faminta. – falou Clittia para ninguém em especial.
Poucos segundos depois um humano acorrentado e amordaçado foi arrastado para dentro da sala. Ele tentava resistir, mas a mulher que segurava suas correntes mal notava a resistência, apesar dele estar se empenhando com todas as suas forças para sair dali. Os pedidos de socorro saíam deformados e abafados pelo pano que cobria sua boca. Seus olhos castanhos estavam avermelhados pelo choro, seu cabelo tingido de loiro estava completamente bagunçado e sujo pelo cárcere. A blusa branca estava manchada do sangue que escorria do corte em seu ombro quando tentou derrubar a porta do lugar que o mantinham preso e sua calça jeans estava rasgada. Assim que entrou, os recém-criados logo reagiram ao cheiro de sangue e medo.
Um dos novatos correu para frente com os olhos vermelhos brilhando e as presas já visíveis. Ele era o mais jovem de todos, seu cabelo era preto e a pele pálida como marfim combinava com os antigos olhos verdes. Sua roupa consistia em uma blusa de frio verde com uma camiseta branca por cima, jeans escuros frouxos que possibilitava ver sua cueca azul marinho e tênis de skatista. Quando estava quase em cima de sua presa, algo o parou.
Uma mão segurava seu coração enquanto ele ainda pulsava em seu peito.
– Vocês estão desprezíveis. Agindo como bestas ao menor sinal de sangue, sem um pingo de autocontrole. – falou Clittia – Entendo vocês, a fome é algo que domina completamente seus pensamentos, não sabem fazer nada além de procurar uma fonte de alimento para se verem livres desse sentimento angustiante por algumas horas, ou dias se tiverem sorte. Mas isso não quer dizer que não devem ser responsabilizados por suas ações.
Dizendo isso, puxou o coração do jovem e seu corpo caiu no chão sem vida. A mulher analisou o órgão em suas mãos por um momento e começou a esmaga-lo com as unhas sem importar com o sangue que escorria por seu antebraço e pingava no piso branco. Após destroçar o órgão, jogou-o no chão com descaso. Enquanto os ostros vampiros a olhavam de modo assustado, o humano chorava como um bebê.
– A primeira regra que irão aprender é: não mexam com a minha comida. – anunciou encarando com fúria todos os presentes.
Aquele parecia ser um grupo promissor, pensou enquanto pegava as correntes da mão da vampira e sentou-se novamente, puxando com brutalidade o humano. Sua mão ainda coberta de sangue acariciava os cabelos do homem e aproximou a nuca do jovem de sua boca ávida. Suas presas cresceram e ela cheirou o pescoço dele, lambendo-o em seguida. Não havia nada que deixava o sangue com melhor gosto do que o medo e naquele momento, a vítima exalava isso por todos os seus poros.
Sorrindo, perfurou a jugular da presa e começou a sugar seu sangue deixando propositalmente o líquido vermelho escorrer pela lateral de sua boca. Ela queria ver se alguém iria dar um passo em sua direção visando um pouco da bebida. Porém, os vampiros ainda estavam assustados e o corpo ensanguentado e sem vida do companheiro no chão era um lembrete claro que qualquer um que fizesse o que queria seria imediatamente morto sem o menor pingo de hesitação. Quando não havia nada para ser sugado, Clittia soltou o defunto e usou-o como apoio para os pés.
– É bom ver que deram um passo rumo ao autocontrole. Talvez vocês deixem de ser animais e honrem nossa raça. Mas antes de deixarem de ocuparem a posição de bestas inúteis, terão que passar pelo meu treinamento e se fraquejaram, novatos, um coração arrancado será a última coisa que irão temer.
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