Vampire²
1 Capítulo 1 - Uma tomboy em minha vida
Hum... Como será que eu começo a contar essa história toda?
Bem, acho que um ótimo jeito de começar é com o dia em que ela chegou e mudou totalmente a minha vida... pela primeira vez.
Meu nome é Evan Dias. Eu sou um garoto extremamente pálido, nada forte, e meu cabelo é um ninho de urubus. Apesar de tudo, sou ligeiramente atlético; Ninguém sobe uma árvore mais rápido do que eu. Claro, além de macacos e... Bem, na minha rua, eu sou o maioral.
Essa minha habilidade esquisita de subir em árvores vem dos meus "colegas" de escola, que frequentemente tiravam sarro de minha aparência, e geralmente me perseguiam. Eu acabei ficando bom em fugir. Não posso culpá-los por eles terem feito o que fizeram, eu sou um garoto esquisito, sempre fui. Minhas olheiras são de dar inveja.
É um vício a esse ponto, ficar até tarde no celular assistindo a vídeos sobre monstros e lendas. Eu faço isso há anos, e posso te garantir que tenho o nome de quase todas as criaturas lendárias da história. Grega, japonesa, romana, irlandesa... Não importa o lugar ou o tempo, eu tenho um fascínio por isso.
Sempre tive um interesse em particular com vampiros, mas isso não vem ao caso agora.
A minha vida, no geral, foi assim. Eu sofria bullying, eu estudava sobre monstros, não tinha amigos. Eram... tempos. Nem bons, nem ruins, mas eram tempos.
Porém, aos doze anos, algo incrível aconteceu: Alguém se mudou para o apartamento logo em frente ao meu.
Esse alguém era esquisito, no mínimo. Ela tinha lindos e curtos cabelos pretos, que eram incrivelmente rebeldes, com mechas indo para todos os lados. Ela se vestia como eu, totalmente desleixada: Uma simples camiseta larga e bermuda eram o bastante para essa garota, que andava para todos os lados com chinelos.
Ao vê-la, meu coração deu um pulo. Eu não entendia direito aquele sentimento ainda, mas eu sabia que ela era alguém especial. E bota especial nisso: Com doze anos, a garota já morava sozinha. Disse que recebia um dinheiro de seu pai, e que ela sabia se virar. Apesar de que eu nunca via ela comendo algo por ela mesma, ou bebendo nada além de alguns frascos esquisitos. Ela dizia que eram poções mágicas, o que sempre me deixava confuso. Apesar de dizer que as "poções" a alimentavam, ela costumava experimentar qualquer coisa que eu tivesse trazido para o lanche.
Alguns dias depois de ela ter se mudado, eu ainda não tinha conversado com ela por vergonha. Mas tudo mudou no primeiro dia de aula do ano, quando a garota (que mais parecia um garoto) chegou com uma mochila em minha sala de aula.
— Gente, deem boas vindas à nossa aluna nova, Alice! — disse a professora.
— Uau, ela parece um garoto! — gritou uma das meninas.
— Ela é bem bonitinha. — ouvi um dos garotos atrás de mim dizer.
A garota parecia não se abalar com nenhum dos comentários, e começou a andar com um sorriso no rosto em direção às carteiras. Porém, ao me ver, soltou um gritinho de felicidade, o que pegou todos de surpresa.
— Ele mora no apartamento em frente ao meu! — gritou Alice, enquanto sentava na carteira ao meu lado.
A sala ficou em silêncio por alguns segundos, já que até a professora estava um pouco confusa. Mas então, ela começou a aula, e Alice se pôs imediatamente a conversar com o garoto esquisito que mora no apartamento em frente ao dela:
— Eaí! Meu nome é Alice, e o seu? — perguntou ela, estendendo a mão para mim.
— Ahn... Evan. Meu nome é Evan. — respondi, apertando a mão dela.
Acabamos tendo uma conversa bem engraçada durante a aula, o que não foi do agrado da professora, que nos repreendeu várias vezes. Mas no fundo, ela estava feliz pela aluna nova já ter alguém para conversar, eu tenho certeza.
Alguns dias depois, e continuávamos conversando. Eu nunca fui um garoto muito falante, mas tinha algo naquela menina que me fazia não querer calar a boca.
Ela era um pouco distraída, uma cabeça de vento, mas ela era incrivelmente divertida de se ter por perto.
Um dia, eu acabei trazendo uma revista sobre vampiros para a escola, pois ela tinha me dito que iria faltar, e eu precisava de algo para fazer no meu tempo livre.
Alice acabou indo na aula naquele dia, e viu minha revista. Ela ficou maluca:
— UAU! VOCÊ GOSTA DE VAMPIROS? — disse ela, com um sorriso ainda maior do que o normal.
— Claro! São minhas criaturas lendárias favoritas! — respondi, entusiasmado por descobrir que Alice gostava de monstros também.
— ... Lendárias? — perguntou ela, seu sorriso dando lugar à confusão.
— Bem... Sim. Lendárias, tipo... Lendas, sabe? Eles não existem. Mas cara, como eu gostaria que eles existissem! Eles podem sugar seu sangue, mas imagina, poder voar! Viver para sempre! E minha pele pálida faria sentido! — comentei, rindo.
Alice estava ainda mais confusa. Desde o dia que eu a conheci, eu nunca havia visto o sorriso sumir de seu rosto, por isso acabei ficando preocupado, pensando se eu tinha dito algo para ofendê-la.
Mas após alguns segundos de pensamento, Alice voltou a sorrir, e disse:
— Que bom que você gosta tanto deles assim!
Agora eu havia ficado confuso, mas decidi seguir com o papo, e jogamos conversa fora por mais um tempo, sem maiores preocupações.
Mas, naquela tarde, algo incrível aconteceu.
Após a aula, Alice e eu saímos juntos da escola, como costumávamos fazer. Porém, Alice, com dinheiro na mão, me disse para esperar por ela, que ela iria comprar picolés para nós. Achei aquilo estranho, pois geralmente ela não costuma se interessar por comidas como aquela a não ser que eu já esteja comendo-as, mas acabei por aceitar esperá-la, e a vi atravessando a rua e entrando numa lanchonete.
Mas, antes que Alice voltasse, três garotos grandes me rodearam.
— Olha, cara, saia de perto da Alice. — Disse um dos meninos, que era gordo, grande e tinha um cabelo curto feio de dar dó — Eu gosto dela, e quero falar com ela, mas ela nunca desgruda em você!
— Eu não vou deixar de falar com a Alice, esquece! — eu respondi, bravamente. Eu não podia deixar um bando de brutamontes me tirar a única amizade que eu havia feito em todo o meu tempo de escola. Claro, eu estava tremendo feito gelatina, minha voz desafinou diversas vezes durante aquela curta frase, e eu com certeza apanharia feio, mas eu estava pronto para sofrer as consequências.
O bully me puxou, junto com seus dois amigos, para um beco na mesma esquina da escola, e eu estava pronto para apanhar. Tentei me soltar, e acabei levando um soco no estômago. Quando eu nem conseguia lembrar meu nome de tanta dor, eu ouvi alguém gritando do beco:
— EI!
Todos nós viramos para ver quem era, e, para minha surpresa, era Alice. Ela colocou os picolés nos bolsos de sua bermuda, e gritou:
— Soltem ele!
O garoto que gostava dela decidiu tentar falar com ela:
— Olha, gata, eu só queria falar com você! Se você prometer desgrudar desse seu amigo tosco por uns dias, a gente libera ele.
Alice deu um chute no rosto do brutamontes, que fez ele voar até a parede; ele tinha desmaiado.
Os dois que sobraram me soltaram, me fazendo cair no chão, e foram socorrer o amigo. Quando Alice começou a andar em minha direção, um deles tentou dar um soco nela. Péssima ideia.
Alice desviou facilmente do punho do menino, e usou o braço dele para jogá-lo por cima de seu ombro, fazendo ele cair de costas no chão com um alto e sonoro "AI!".
O terceiro decidiu sair correndo do beco, mas Alice o segurou pela camiseta, puxando-o para perto de si.
— Nunca mais encostem um dedo no Evan, entendeu? — disse ela, com o tom mais agressivo que eu já vi ela usar.
O garoto concordou com a cabeça, e Alice o soltou.
Andando em minha direção, ela estendeu a mão e me ajudou a levantar. De seu bolso, ela tirou um picolé todo quebrado e me deu, dizendo:
— Desculpa... Na minha empolgação, eu esmigalhei ele todo, hehe.
Lágrimas começaram a rolar, e eu abracei a minha salvadora.
Eu não tinha ideia de como ou porquê Alice parecia ser forte a ponto de jogar garotos de uns setenta quilos para os lados como se fossem ursos de pelúcia, mas eu estava feliz por ela ter aparecido.
E foi assim que vivemos nossas vidas durante pelo menos uns cinco anos.
Éramos inseparáveis. Falávamos abobrinhas juntos, andávamos por aí juntos, estudávamos juntos (ela não era o que se podia classificar como uma boa aluna, então eu a ajudava bastante). Foram os melhores anos da minha vida, com certeza. E, com ela perto e com sua reputação por ter socado aqueles valentões (junto com mais alguns que não haviam recebido o memorando), ninguém pensava em me atormentar. Eu era livre para dedicar todo o meu tempo para Alice.
E eu estava cada vez mais apaixonado por ela.
Eu, infelizmente, nunca consegui contar, apesar de tentar várias vezes. Algo sempre me impedia... O meu medo de as coisas mudarem se eu dissesse algo.
Um dia, no parque, estávamos botando a mão na água da fonte, por brincadeira, e ela me soltou essa pergunta:
— Ei... Você gosta de alguém, Evan?
Eu olhei para água, e comecei a pensar. Com um nó na garganta, eu decidi dizer "Você". Mas assim que eu me virei para responder Alice, ela comemorou:
— Achei uma moeda no fundo da fonte!
Então eu decidi deixar aquilo para outra hora. Quer dizer, ela morava na frente do meu apartamento, eu tinha todas as oportunidades do mundo!
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Alice frequentemente ia ao meu apartamento, fosse para fazer trabalhos de escola ou só para bater papo enquanto jogávamos videogame. No começo, ela era horrível, mas em pouco tempo começou a me derrotar em quase todo jogo que eu apresentava a ela.
A única coisa esquisita nisso tudo era que ela só passava pela porta depois de perguntar "Posso entrar?", e eu responder que sim. Era um ritual esquisito, mas acabou virando piada entre nós.
Minha mãe, Sabrina, trabalha como uma enfermeira no turno da noite no hospital da cidade, então durante o dia ela sempre está em casa. Ela se dá muito bem com Alice, pois diz que ela é uma garota "especial". E, como eu já disse, bota especial nisso.
Ela ainda bebia suas "poções mágicas", apesar de que agora, com dezesseis anos, ela apenas as chama de "poções". Eu e minha mãe já desistimos de entender as esquisitices de Alice, e acho que ela gosta ainda mais da gente por isso.
Apesar de eu já ter listado várias das esquisitices dela, aqui vão mais algumas:
Todo fim de semana ela viaja para algum lugar, e nunca quis me contar onde; eu já fui várias vezes em seu apartamento, e não encontrei comida em sua geladeira; e ela parece estar contente em me ter como seu único amigo.
Ela ignora todas as pessoas que tentam conversar com ela, exceto por mim. É algo bem esquisito, mas ei, ninguém além dela quer conversar comigo, então eu não reclamo. Durante nosso tempo juntos, acabei transformando ela em outra fissurada por monstros, o que deixa nossa amizade ainda mais divertida e especial para mim.
Meu mundo era perfeito, e se tudo continuasse do jeito que estava, eu seria a pessoa mais feliz da Terra.
Mas, claro, as coisas mudam. O mundo gira. O bife queima. O leite azeda. Nada dura para sempre.
No começo de um novo ano, nossa sala mudou de cara um pouco. Por sorte, Alice e eu continuamos na mesma classe. Mas alguns garotos enormes de outra cidade se mudaram para cá, e eu sabia que eles iriam trazer problemas, pois um deles olhou diretamente para mim.
Eu entendo sua linha de pensamento, passei um bom tempo observando esse tipo de pessoa. "Ele é uma presa fácil", eles pensam. "Ele deve ter dinheiro, deve ser fácil pegar dele e manter ele calado". Esse pensamento é normal para esse tipo de gente.
E, na hora da saída, aconteceu exatamente o que eu temia.
Por uma ironia do destino, uma nova lanchonete foi aberta perto da escola, e Alice queria muito comprar algo para mim de lá. Por conta dos brutamontes novos, eu tentei ficar junto dela, mas na multidão de alunos saindo da escola, eu fui puxado pelos garotos, e, por outra ironia do meu velho colega destino, fui levado para o mesmo beco onde eu fora socado alguns anos antes.
Mas dessa vez, eu estava confiante demais. Achei que todos esses anos tinham me dado alguma coisa além de pelos embaixo do braço. Alguma força oculta, algum ultra instinto, sei lá. Achei que eu podia dar conta de um valentão.
Cara, como eu estava errado.
— Passa a grana, pé rapado. — disse o brutamontes, que vestia uma camiseta camuflada e calças largas. Seu corte de cabelo era, na verdade, corte nenhum. Ele tinha longos e mal-cuidados cabelos marrons, que realmente realçavam sua cara feia.
Eu, achando que eu havia evoluído, decidi dizer:
— Nem ferrando.
— ... Você sabe o que vai acontecer se você não me der seu dinheiro, não sabe? — perguntou ele.
— Sim, sei. — Respondi — Cai dentro.
O garoto deu de ombros, e me deu um soco bem na bochecha esquerda. Achei que eu poderia desviar e dar um contra-golpe em seu queixo facilmente, mas eu não era tão habilidoso quanto Alice era. Mas eu sabia que eu não poderia ser protegido por ela para sempre, então fiz o meu melhor para levantar do chão, apesar de sentir o gosto do sangue em minha boca, e uma tontura que quase me fazia cair.
Levantei, e levantei minhas mãos, como um lutador de boxe.
— Cai... dentro... — Eu disse, as palavras machucando minha boca enquanto saíam.
O garoto suspirou, e começou a andar lentamente em minha direção, sabendo que eu não aguentaria mais um soco. Ele fingiu dar um soco, e, um segundo depois, meu corpo tentou reagir, escapando de um punho que nem havia se mexido. Andei lentamente até a frente do beco, onde Alice havia aparecido heroicamente para mim naquele dia. Eu estava no mesmo lugar que ela estava, mas de um jeito bem menos heróico.
A montanha de cara feia começou a andar lentamente em minha direção, sabendo que já tinha garantido o lanche da tarde me roubando. Mas nesse momento, meu corpo finalmente decidiu reagir de acordo com minha coragem, e eu desferi um soco no rosto do valentão.
Claro, aquilo não seria muito efetivo, pois eu sabia que minha força não era lá essas coisas. Mas acabei acertando o nariz dele de um jeito esquisito, e, por sorte, eu acabei quebrando-o.
— AI! O QUE VOCÊ FEZ?! — gritou ele.
Eu não sabia se sorria ou se chorava, porque agora eu não escaparia apenas com menos dinheiro, eu provavelmente perderia alguns dentes também.
Mas, como se soubesse que eu estava em perigo, a pessoa mais incrível do meu mundo entrou em cena.
Alice, segurando duas sacolas com uma mão, olhou para o valentão, que não sabia direito como reagir.
Porém, após pensar por alguns segundos, ele decidiu me dar um soco mesmo.
Aquilo pegou até Alice desprevenida, pois ela não achava que a esse ponto, existia alguém estúpido o bastante naquela escola para desafiá-la.
O soco era pesado, e me acertou na bochecha esquerda novamente. O sangue acabou acertando o rosto de Alice, e eu caí no chão. Eu estava tonto, mas ainda sim consegui ver o que estava acontecendo, e eu nunca havia visto Alice tão... furiosa.
Ela ficou brava no dia em que estávamos no beco, mas aquilo era pura fúria. Seus olhos brilhavam com um fervor quase assassino. Eu apenas consegui ver ela levantando o brutamontes pela gola da camiseta com apenas uma mão, e, após jogá-lo para cima, ela deu-lhe um chute poderoso na barriga. Se eu não tivesse gemido e chamado a atenção de Alice, acho que aquele garoto teria batido as botas.
Mas ouvi que ele apenas quebrou o braço e umas costelas, o que me deixou bem feliz.
Ao ouvir meu gemido, Alice meio que acordou de seu transe, apesar de ainda estar um pouco esquisita. Ela me pegou no colo com uma facilidade incrível, como se meu corpo fosse tão pesado quanto um pedaço de isopor, e saiu correndo em direção ao nosso prédio.
Ao chegar lá, ela bateu na minha porta, e, quando minha mãe atendeu, ela explicou o que havia acontecido.
Mas sua voz... soava esquisita. Estava mais grossa do que o normal, como se ela estivesse rouca. Eu não liguei muito na hora, pois eu estava realmente tonto, mas aquilo era um sinal do que estava por vir.
Minha mãe, uma enfermeira, após me examinar um pouco, já ficou despreocupada. Eu não tinha quebrado nada, apenas levado dois socos no rosto, nada demais. Ela me deu um pouco de gelo, e um pedaço de gaze para os cortes na parte de dentro de minha bochecha.
— Arranjar brigas é feio, Evan — disse minha mãe — Mas eu sei que você não é disso. Não importa o que houve, eu só fico feliz pela Alice ter estado perto na hora, ou algo pior poderia acontecido.
— Bem, não foi inteiramente culpa de quem me bateu... — Eu expliquei — Mas eu não iria dar o meu dinheiro para ele por nada.
— E fez bem, filho.
Após essa breve conversa, eu fui para o meu quarto. Decidi jogar um pouco de videogame, para ver se eu conseguia ignorar a dor.
Eu não conseguia.
As dores da minha bochecha só eram ofuscadas pela dor de eu ser tão molenga. Ambas estavam me incomodando muito, mas ambas as dores começaram a dar lugar à preocupação com Alice, que estava realmente estranha. Eu decidi ir para seu apartamento conversar com ela assim que eu melhorasse um pouco daquilo. Eu mal podia falar, não seria uma visão muito bonita.
Mas videogame vai, videogame vem, e eu acabei jogando quase a tarde inteira. Quando o Sol começou a descer e minha mãe se preparava para ir para o trabalho, eu acabei dormindo.
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Eu não tinha ideia do horário, mas um barulho estranho me acordou.
O inchaço de minha bochecha tinha passado, apesar de ainda estar doendo um pouco. Eu me sentei em minha cama, tentando raciocinar o que havia acontecido antes de eu ir dormir.
Mas fui puxado de meus pensamentos pelo barulho.
Um "toc toc toc" alto e persistente. Eu me levantei, pronto para abrir a porta da frente.
"Deve ser a Alice... Mas a essa hora?" pensei "Vai ver ela está realmente preocupada."
Porém, ao calçar meus chinelos, ouvi o barulho novamente, e percebi que ninguém estava batendo na porta, e sim na janela do meu quarto.
Até aí, seria algo normal. Se eu não morasse no terceiro andar de um prédio, é claro.
Eu fui até a janela, certo de que eu devia estar imaginando coisas. Mas, ao abrir as cortinas, dei um grito, e caí de bunda no chão.
— Oi, Evan! — disse Alice, com olhos vermelhos brilhantes, flutuando do lado de fora da minha janela — Posso entrar?
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