O silêncio da arena se rompeu quando os três Valetes se ergueram nos pilares. O ar parecia mais pesado, cada respiração custava esforço. A presença deles não era apenas física: era uma pressão espiritual, um peso que dobrava joelhos e esmagava corações.

Kaelvor se levantou, ainda ao lado de Nymira, os punhos em chamas. — Então são vocês… os donos desse jogo.

Arkanis dos Cristais desceu primeiro. Seus passos ressoavam como vidro se partindo. Ele ergueu a mão e fragmentos brilhantes começaram a orbitar ao redor de seu corpo. — Vocês são os responsáveis por destruir Drael, por humilhar Koedmiya e por despertar faíscas de rebelião em Phytonia. — Sua voz soava como estilhaços se arrastando. — Hoje, pago minhas dívidas em sangue.

Nymira tentou se erguer, mesmo com o braço escurecido até o ombro. — Você… foi quem aprisionou Valerah… — sua voz falhou. — Eu vi seus cristais, vi minha vila ser sugada para dentro deles. — O ódio transpareceu em seus olhos marejados. Ao lado dela, Tiberan a segurou, firme. — Então que seja, Arkanis. A sua hora chegou.

Na outra ponta, Anorith apoiava a chave gigante no ombro, observando tudo com uma calma desconcertante. Seus olhos percorreram Soraja. — Eu vejo a hesitação em você, pequena porteira. A chave que carrego foi sua, mas agora é minha. Fui eu quem abriu a passagem que os trouxe até aqui. — Ele girou a chave lentamente, e o espaço atrás dele se distorceu em dezenas de portais menores. — Se estou contra vocês ou a favor? Isso depende de como vão usar o que têm.

Soraja deu um passo à frente, a maçaneta em sua mão. — Você roubou de mim o único elo da minha família, a única herança do meu sangue. Eu vou recuperá-la, custe o que custar. — Ela se posicionou ao lado de Kaelvor, que acendeu mais fogo em resposta.

E, no terceiro vértice, Lorvek da Explosão apareceu como se o ar tivesse se incendiado. Sua armadura parecia feita de brasas que nunca se apagavam, cada movimento liberando estalos como de pólvora acesa. Ephiron se enrijeceu imediatamente, reconhecendo-o.

— Lorvek… — disse entre os dentes.

O Valete sorriu, sem humor. — O filho de Alenor… que vergonha. Seu pai acreditava que você seria o sucessor de sua linhagem. E olha só: um traidor, aliado a hereges. — Ele ergueu a mão e o chão da arena tremeu como se dinamite tivesse sido acesa. — Vou te mostrar o que é o verdadeiro fogo de Hyperion.

Ephiron ajustou sua armadura. — Não sou mais seu soldado. Não sou mais filho do guerreiro que tanto veneram. Hoje, luto como eu mesmo.

A arena inteira tremeu. O grupo estava dividido, cada um encarando seu rival inevitável.

Nymira e Tiberan, juntos, diante de Arkanis.

Soraja e Kaelvor, contra Anorith e sua chave roubada.

E Ephiron, sozinho, contra Lorvek, o Valete da Explosão.

— Chegou a hora — disse Arkanis, erguendo uma lança de cristal puro.

— Mostrem-me se merecem viver — completou Anorith, girando sua chave, distorcendo o ar.

— Ou queimem comigo! — rugiu Lorvek, liberando uma onda flamejante que fez a arena inteira vibrar.

E assim, começou o confronto que marcaria para sempre os nomes dos Valerions diante dos deuses.