O chão frio se ergueu sob os pés dos Valerions como se estivesse vivo. O espaço era amplo demais para ser natural: uma arena de pedra negra, circular, sem céu e sem paredes. Apenas colunas imensas sustentavam o nada. Ao redor, silêncio. Mas todos sabiam — estavam sendo observados.

Kaelvor fechou o punho em fogo. Soraja ajeitou a maçaneta no punho como arma. Tiberan soltou pólen para mapear o ar. Nymira ajeitou o véu úmido de suor e dor. Ephiron, com sua armadura, manteve-se sério, preparado.

De repente, portões invisíveis se abriram. Da escuridão, avançaram cavaleiros negros. Suas armaduras eram diferentes das que já enfrentaram, mais pesadas, mais afiadas. O número impressionava: dezenas, talvez centenas, cercando o grupo. Nenhum nome foi dado, nenhum rosto se revelava. Eram como sombras vivas.

— Primeiro, eles querem nos cansar — disse Ephiron, ajustando sua lança. — Depois, o espetáculo começa.

A luta foi feroz. Kaelvor abriu alas com sua Fênix Flamejante, incendiando grupos inteiros. Tiberan fez vinhas brotar do chão, enrolando espadas e pernas. Soraja usava suas portas como escudos e armadilhas, engolindo golpes que sumiam em outros espaços. Nymira criou homúnculos de água, que protegiam seus aliados, mesmo que a mancha negra avançasse em seu braço. Ephiron, com golpes diretos e precisos, derrubava inimigos como se cada um fosse apenas mais uma peça do exército que ele tanto desprezava.

Um a um, os cavaleiros negros tombaram. O chão ficou coberto de brasas, flores esmagadas, água evaporando. O grupo respirava pesado. Mas não houve tempo para descanso. O silêncio voltou — e então uma nova ordem ecoou, sem dono:

— Agora, lutem entre si.

O ar ficou pesado. Eles se entreolharam, hesitantes.

— É um teste — disse Tiberan. — Querem ver até onde vamos.

Soraja foi a primeira a avançar. Ela caiu diante de Tiberan, a porta erguida como lâmina. Tiberan resistiu um instante, mas então deixou o pólen se espalhar pelo ar, cobrindo tudo como uma névoa dourada. Eles trocaram golpes, mas a luta parecia mais uma dança. Até que Tiberan baixou a guarda e recebeu o impacto.

— Por quê? — sorriu Soraja, confusa.

— Porque eu precisava entender onde estamos e quem nos trouxe aqui. — O pólen tremeluzia em direções invisíveis. — E agora eu sei.

Kaelvor entrou no círculo seguinte. Enfrentou Soraja com chamas contra portas. Ele foi implacável, ainda que respeitoso, e venceu. Soraja caiu de joelhos, ofegante, mas com um brilho de orgulho.

— Você… já não é mais o mesmo garoto.

Nymira então se aproximou. Seus olhos escuros refletiam determinação.

— Kaelvor, lute comigo.

— Você não precisa…

— Preciso. — interrompeu. — Preciso ser mais forte, antes que…

Eles trocaram golpes de fogo e água, brasas evaporando as correntes líquidas, ondas abafando labaredas. Kaelvor hesitava, mas Nymira insistia, cada ataque mais pesado que o anterior. Até que sua respiração falhou, e ela caiu de joelhos, o braço inteiro tomado pela mancha negra.

Kaelvor se ajoelhou ao lado dela, desesperado. — Nymira!

Tiberan se aproximou, o pólen girando em sua mão. Seus olhos estavam fixos, sérios.

— Não foi só um teste. — Disse, a voz baixa. — O pólen mostrou. Eles estão aqui.

No alto das colunas, três figuras surgiram. Cada uma em seu vértice. A escuridão cedeu para a luz deles.

O primeiro, de cristal, frio e transparente: Arkanis dos Cristais.

O segundo, de manto e chave às costas: Anorith, o Último Chaveiro.

O terceiro, um corpo que parecia brasa em forma humana: Lorvek da Explosão.

— Então, era isso… — murmurou Ephiron, cerrando o punho. — O verdadeiro espetáculo.

Os Valetes observavam. E agora, a verdadeira luta começaria.