Vagalumes Cegos

3 Teu cuidado e tua maneira


Notas iniciais
O plano era que fossem vários capítulos curtinhos... Não segui o plano D; A música do One Ok Rock que aparece ali é Wherever You Are, e sim, ela é melosa, e sim, está na lista de músicas do Reo xP

— Nós iremos participar de alguns jogos esta semana — Akashi anunciou assim que todos eles se reuniram no centro da quadra.

— A troco de quê?

— Como é seu último ano, e a Winter Cup seria sua última partida oficial na Rakuzan, eu... — Por algum motivo, Akashi se interrompeu. Foram apenas alguns instantes, mas Reo percebeu e sorriu para ele, encorajando-o. —... nós nos inscrevemos em um torneio de rua.

Mayuzumi conseguiu ficar em silêncio por uns segundos.

— Street basketball? — Ele indagou, de novo. Reo quis sacudi-lo; por que aquele cara sempre falava nesse tom desconfiado?

— É! — Hayama, em toda sua graça, saltitou até ficar diante do terceiranista. — Isso aí! Em Tokyo! Eles vão ter medalhas!

— Em Tokyo? — Mayuzumi direcionou sua sobrancelha arqueada para Akashi e Reo, por cima do ombro de Hayama. — Vamos para Tokyo só para umas partidas de streetball? Eu preciso estudar, Akashi.

Reo sentiu que respirou fundo e contou até duzentos pelos dois, numa tentativa de se controlar para não dar umas bofetadas bem dadas na cara de Mayuzumi

— Ninguém tá te obrigando a ir, ué — Hayama franziu a testa para ele no lugar dos capitães. — Akashi pensou, né, que seria uma coisa maneira pra todos nós! Como é teu último ano, sabe, e tu não vai poder participar de outro campeonato, aí assim, a gente pensou que, aí, apesar de ter que estudar pra entrar em uma super faculdade, tu iria querer ir com a gente, assim, pra jogar competitivamente de novo, só pra, sabe, um mini super torneio!

Às vezes, Hayama falava tão rápido que Reo se sentia sem fôlego.

Pelo jeito, Mayuzumi ficou um pouco aturdido também.

— Eu continuo não—

— Você ainda vem treinar conosco durante as tardes, Mayuzumi — Akashi disse. — Mesmo que tenha saído do clube.

— Eu estudo de manhã — Mayuzumi resmungou. — Não tenho o que fazer de tarde.

— Você quem sabe — Se tinha uma coisa que Reo odiava, era gente indecisa e que reclama de barriga cheia, mas ele tentou não ser rude. — O ônibus sai amanhã às cinco e quarenta. A final é sábado. Vamos dormir em um hotel durante esses quatro dias.

O silêncio de Mayuzumi foi satisfatório e Reo tomou aquilo como um “eu provavelmente vou ir, mas não avisarei vocês até que seja bem em cima do horário”.

E como que para fechar o assunto com chave de ouro, Nebuya se pronunciou:

— Vai ter as quatro refeições de graça?

(Reo não costumava ouvir música, muito menos dividir fones com alguém.

Mas para Akashi, ele sempre (sempre, sempre, sempre) abriria uma exceção).

Eles estavam na estrada há algum tempo.

Reo estava ouvindo Goya no Machiawase, sentado do lado de Akashi nas primeiras poltronas do ônibus, quando o dito cujo começou a olhá-lo.

Olhá-lo muito e muito intensamente.

— O que foi, Sei-chan? — Não era nada fácil devolver aquele olhar de curiosidade. — Você quer ouvir também?

Akashi assentiu. Reo entregou um dos fones à ele.

E então, ele soltou uma risada, abafada com a mão na boca. — Essa música... é uma abertura de anime, não é?

Reo sorriu e virou o rosto para a janela.

— Não sei do que você está falando, Sei-chan.

— Oi, Reo-nee, eu quero ouvir também! — Protestou Hayama, surgindo atrás do banco deles e quase matando Reo de susto; como é que ele tinha esquecido que os outros também estavam ali? — Eu gostava de Noragami!

Chi-ku-taku-chi-ku-taku to~ — Akashi cantou baixinho, com um sorriso que fez Reo esquecer-se de mandar Hayama se sentar e pôr o cinto antes que ele voasse pelo ônibus. — Damashi damashi no hiiibi wo...

— HEY! DOUshiTE BOku wa maTTE ita, usugurai HEY—

— Koutaro! — Ouvir o loiro cantar alto e atropelar o cantarolar delicioso de Akashi atingiu Reo como um labrador lambendo sua cara de cima a baixo. — Você não pode ficar de pé no ônibus!

— Mas Reo-nee, eu quero ouv—

— Sente-se aí atrás, ou—

— Ou você vai virar um extrato de Koutate.

Até Mayuzumi, sentado no fundão do ônibus, sentiu suas células congelando momentaneamente, atônitas, pelo quão divertido Akashi soou. Hayama exclamou um “HAHAHAH, AKASHI, QUE MALDADE!” seguido de gargalhadas, nas quais desta vez até Nebuya o acompanhou. Para Reo, no entanto, era como se Akashi tivesse esperado o momento certo para se infiltrar na conversa.

Os outros podiam não perceber, mas Reo ouviu, ou melhor, sentiu, o quão entranho e surpreendentemente acanhado Akashi estivera ao dizer aquela simples frase.

É, sim. Ele era o Imperador, e como tal, colocar o manto nos ombros e a coroa na cabeça é fácil.

Tirá-los é que é a parte difícil.

Aproveitando que Hayama sentara-se de volta e não havia ninguém para olhá-los, Reo esticou a mão para pular a música no botãozinho do fone de Akashi. Seus dedos roçaram no pescoço morno dele, e durante os poucos instantes que Reo levou para apertar duas vezes o botão, ele sentiu a pele de Akashi se arrepiar.

Quando ele recolheu a mão, Akashi o encarou.

I’m telling you

I softly whisper

tonight

tonight

you’re my angel

aishiteru yo

futari wa hitotsu ni

tonight

toni—

— One Ok Rock, Sei-chan — Reo tentou devolver o olhar firme, mas franziu a testa, recebendo sobrancelhas arqueadas em resposta. — Você pode mudar, se quiser.

Uma pontada de decepção cutucou seu estômago quando, suavemente, Akashi tirou o fone do ouvido e o deixou sobre o colo dele.

— Sono — Akashi disse, como se aquilo resolvesse tudo. Honestamente, aquilo só serviu para empurrar ainda mais garganta acima o coração do pobre Reo. — Você se importaria se eu dormisse um pouco?

Foi quase um insulto.

— Óbvio que não, Sei-chan.

— Sim — Sim? Sim?! — Obrigado.

????

— Não por isso, Sei-chan.

Então, casualmente, Akashi se ajeitou no seu assento e deitou a cabeça no ombro de Reo, que nem preciso dizer, quase teve uma parada cardíaca. Ele só se acalmou quando percebeu o quão tenso Akashi estava; todo duro, com a testa fervendo contra o seu pescoço, a respiração forçosamente controlada.

Engolir foi uma tarefa dificílima, e Reo teve orgulho de conseguir segurar as rédeas da situação. Com um suspiro de derrota ele deixou a bochecha descansar junto aos cabelos vermelhos e revoltos de Akashi, o cheiro de xampu frutífero fazendo-o ter a insolente vontade de espirrar.

Mas, guiando tudo com maestria, Reo relaxou quando sentiu Akashi relaxar também. O pobre ruivo soltou o ar que até então estivera prendendo e todo seu corpo se desfez da rigidez inicial, parecendo mais confortável como estava.

Reo sorriu gentilmente, tomado pela vontade — também insolente — de virar o rosto só um pouquinho para beijar o topo da cabeça do Akashi.

Afinal, decidiu que era melhor guardar isso só para si.

Durante o tempo que tinham, dormir apoiados um no outro estava bom, e era o suficiente.

Notas finais
Sintam-se à vontade pra deixar alguma coisa, nem que seja um oi, ou uma notícia velha ♥