Vínculo Mágico
14 Captura
Notas iniciais
Capítulo XIV — Captura
– Onii-san!!! — Gritou Jiro, irrompendo porta adentro, fazendo com que Wendy, se sobressaltasse, assustada. Nos últimos minutos, a pequena maga havia se ocupado de curar a mulher chuva, que havia chegado as suas mãos em estado lamentável.
Kotaro encarou o irmão caçula com clara irritação, fazendo com que ele imediatamente controlasse sua afobação. Em seguida, olhou para Wendy ameaçadoramente, sinalizando que ela deveria continuar com os procedimentos curativos.
– Que bom que voltou! — Jiro exclamou, de forma mais contida, ante a reprimenda silenciosa que levou.
– Realmente, é ótimo que eu tenha voltado. — Respondeu o líder da Nihil Occultum, ríspido. — Porque você não teve competência nem para comandar o ataque a um bando de magos sem magia. — Alfinetou. — Como pôde deixar aquela turma de adolescentes bárbaros passearem livremente pela base?
– Eu mandei uma unidade para capturá-los, mas eles a derrotaram, e depois eu mandei Ref e Sorano, mas não sei como eles também acabaram escapando, e também agora mesmo a Randha... — Tentou justificar, se atropelando nas palavras, porém foi interrompido pelo irmão.
– Eu sei muito bem tudo que aconteceu, Jiro. — Atalhou. — Se eles derrotaram uma unidade, é porque era uma unidade fraca, treinada apenas para conter cobaias! Você não deveria tê-la mandado desde o início!
– Mas eles nem podem usar magia, eu pensei que seria o bastante... — Tentou, envergonhado.
– Você pode ter feito qualquer coisa, menos pensar! — Zombou Kotaro, o escárnio pontuando cada palavra. — Se nós estamos a um passo de conseguir realizar nosso grande sonho e finalmente capturamos os elementos necessários para que ele se concretize, como você teve a capacidade de tratar a situação com tamanho desleixo? — Estourou. — Três dos principais Aprendizes estavam aqui desde o começo. Talvez tudo já estivesse controlado se os tivesse enviado.
– Mas Pali foi derrotada. — Murmurou, tentando tirar o foco de seu fracasso.
– Eu sei. A incompetência dos que me cercam não para de me surpreender! — O irmão mais velho respondeu, exasperado.
– Desculpa. — Foi tudo que Jiro conseguiu dizer, num fiapo de voz.
– Nos já perdemos um tempo precioso nessa confusão. — Kotaro começou. — Quanto a Titânia e o líder da Crime Sorcière, Randha está cuidando da situação. Ainda assim, o inútil do Ref está a caminho, para dar reforço. E eu já deixei bem claro quais serão as consequências caso ele falhe novamente. — Contou. — Agora, quanto ao dragon slayer do fogo e a maga celestial, eu ia mandar uma unidade do setor vermelho para lá, mas depois de tudo isso não tenho certeza se será o suficiente.
– Então me deixe ir! — Jiro pediu, ansioso por uma oportunidade de reparar seus erros.
– Para estragar tudo agora, quando estamos nos últimos preparativos? — Perguntou o irmão mais velho. — De jeito nenhum. — Respondeu. — Você vai. — Falou, apontando para Ícaro, que acompanhava a conversa encostado a parede, com as mãos nos bolsos de seu sobretudo.
– Hai, Kotaro-sama! — Respondeu o aprendiz. — Eu estava realmente ansioso para conhecer a nossa presa principal. — Falou.
– Nada de gracinhas, Ícaro! — Kotaro alertou. — Eu preciso de ambos inteiros, ou nos atrasaremos ainda mais. Contenha seus instintos sádicos.
– Eu já entendi. — O Aprendiz respondeu, em tom brando.
– Então me deixe ir para garantir que ele não causará danos a eles. — Jiro pediu. Ícaro fez uma expressão de pura irritação. — Por favor, Onii-san!
Percebendo o claro desapontamento de Ícaro, Kotaro resolveu ceder ao pedido do irmão.
– Então vá. — Anuiu o líder. — Mas tente não interferir. Aja apenas se for extremamente necessário. — Ordenou.
– Hai! — Jiro concordou animado.
– Ah, mais uma coisa. — Chamou Kotaro, fazendo com que Jiro e Ícaro, que já tinham começado a caminhar em direção a porta, se virassem para ele novamente.
– Sim? — Falaram em uníssono.
– Mandem preparar o 819. — Jiro arregalou os olhos ante a ordem. Ícaro sorriu maleficamente. — E deixem os outros escolhidos preparados também.
– Hai! — Apenas Ícaro respondeu.
Em seguida, tanto o Aprendiz quanto o irmão mais novo deixaram a sala, fazendo com que Kotaro voltasse sua atenção para Wendy, que tinha terminado de curar Juvia.
– O mago do gelo agora. — Mandou, em tom gélido. Wendy arrepiou, mas obedeceu.
A pequena dragon slayer nem ao menos sabia quanto tempo fazia desde que fora capturada em Datra. Aliás, ela nem ao menos sabia direito o que estava acontecendo. A única coisa que se lembrava era de ter sido atacada por homens que vestiam branco e usavam máscaras. Pouco depois, tudo ficou escuro.
Sabe-se lá quanto tempo mais tarde, despertou e viu-se sozinha em um pequeno quarto, completamente branco. Em desespero, percebeu que estava atada a uma cama hospitalar, com algemas que aparentemente a impediam de usar magia.
Sem saber quanto tempo ficou desacordada, viu as horas decorrerem lentamente, gritando por ajuda a todo momento. Ninguém apareceu nesse período.
Muito tempo depois, ouviu a porta abrir, e direcionado o olhar a ela, constatou a presença de três homens com os mesmos uniformes dos que a atacaram adentrando o ambiente. Os estranhos capangas vendaram-lhe os olhos, e sem tirar as algemas de seus pulsos, soltaram-na do leito, porém prendendo seus braços com as mesmas algemas para trás.
Sendo conduzida por dois deles, um segurando em cada braço seu, a garota caminhou pelos corredores completamente brancos e iluminados do setor vermelho da Nihil Occultum. Todavia, nada mais que trevas enchiam sua visão, bloqueada pela tira de tecido preto.
Ouviu uma porta se abrindo. Foi guiada para dentro. Sentiu um leve chacoalhar, e deduziu que estava no interior de um elevador, mas não sabia se subia ou descia. Novamente a porta se abriu. Foi empurrada para fora. Outra porta se abriu e mais uma vez foi levada para dentro. Foi forçada a se sentar, e quando bateu o cotovelo em uma superfície lisa, percebeu que se tratava de uma mesa. Em seguida, sua venda foi removida e suas mãos foram soltas, mas ainda não podia sentir sua magia.
Depois de piscar algumas vezes, acostumando-se a claridade, olhou para os próprios pulsos e percebeu que as algemas que antes os mantinham unidos, tinham se separado em duas pulseiras, que ainda a impediam de externalizar seu poder mágico. Levantando a cabeça, deparou-se com uma estranha figura parada a sua frente.
Tratava-se de um homem gorducho, baixinho, com cabelos loiros e crespos, e roupas tão inusitadas como coloridas. O contraste das vestes contra o ambiente branco era tanto que Wendy teve a impressão que se as encarasse por muito tempo, acabaria com dor nas vistas.
De tudo, o que mais chamou a atenção da garota foi a marca negra que adornava a mão do pequeno homem. Um desenho de uma mão esquelética segurando o infinito. Sentiu um frio na espinha.
– Antes de qualquer coisa, olhe a sua direita. — O estranho homem ordenou. — Wendy, imediatamente obedeceu, apenas para se chocar com a visão que teve. Amarrados em duas macas, estavam Gray e Juvia, desacordados. A garota percebeu que O mago do gelo parecia bem, porém, a maga da chuva estava em estado deplorável.
– Por favor, me deixe ajudá-la! — Implorou, encarando o inimigo.
– Claro que sim. foi exatamente para isso que te trouxe a esta sala. — O homem respondeu, puxando uma cadeira e sentando-se de frente para ela. — Mas Antes, olhe a sua esquerda. — Ordenou novamente, e Wendy prontamente obedeceu.
A sua esquerda encontrava-se um enorme monitor lacrima, que exibia um outro ambiente, completamente estranho. A dragon slayer percebeu que se tratava de um vasto salão redondo, com um enorme círculo mágico desenhado no chão. Em volta do círculo mágico, estavam dispostos vários lacrimas, com tamanho suficiente para conter uma pessoa. E era exatamente isso que eles continham.
A garota constatou, horrorizada, que dentro dos lacrimas, flutuando em um líquido amarelado, encontravam-se vários magos da Fairy Tail, desacordados.
– O que você fez com eles? — Gritou, encarando o homem com um misto de fúria e temor.
– Nada ainda. — Ele respondeu. — Mas quero deixar bem claro que a vida de cada um deles está em minhas mãos. — Explicou. — Eu vou tirar suas algemas para que você possa usar magia e curar esses dois, mas preste atenção: Do mesmo jeito que você pode ver seus outros amigos pelo monitor, o pessoal da outra sala também pode nos ver. Tente qualquer gracinha e carregue a culpa pelo extermínio dos seus companheiros nas costas pelo resto de sua existência medíocre. — Concluiu, em tom surpreendente amigável.
Wendy sentiu o estômago embrulhar. Estava surpresa com o modo que aquela criatura conseguia falar coisas tão terríveis de modo tão casual.
– Entendeu? — Perguntou. A maga apenas meneou a cabeça afirmativamente.
– Ótimo. Respondeu. — Mas antes... — Falou reticente, estalando os dedos em seguida. Imediatamente, um dos magos de branco se aproximou, carregando uma bandeja com pão, frutas, água e leite e colocando a sua frente. — Coma. Acredito que precisará de energia.
A dragon slayer encarou o pequeno homem, incrédula. Verdade que quando estava enclausurada naquele pequeno quarto sentiu o estômago doer de fome, mas agora, duvidava muito que fosse capaz de engolir qualquer tipo de coisa. Percebendo a expressão da garota, o homem exigiu, severo:
– Eu mandei comer. — Wendy entendendo que ele não estava lhe dando opções, pegou o pão e partiu. Sentindo que poderia vomitar a qualquer momento, levou um pedaço a boca e mastigou. A garota silenciosamente supôs que se um dia comesse cacos de vidro, a textura provavelmente seria a mesma.
A garota tentou engolir o mais depressa possível, mesmo que seu estômago rejeitasse cada pedaço. Queria curar seus amigos logo, saber se estavam bem, afinal, até que se aproximasse deles não poderia saber a extensão dos danos.
Enquanto tomava o leite para forçar a comida garganta a baixo, a dragon slayer do céu aproveitou para observar melhor o ambiente. Parecia se tratar de um escritório. Talvez fosse o centro de comando daquele lugar, que ela não fazia ideia de onde ficava. O ambiente possuía mesas e cadeiras muito antigas e elegantes, que contrastavam com todos os monitores e dispositivos tecnológicos presentes ali.
Excetuando a maga, o estranho homem, Gray e Juvia, também se encontravam ali pelo menos uns dez capangas mascarados — três dos quais Wendy imaginou que a tinham escoltado anteriormente — além de um outro homem, que não usava máscara, mas também vestia roupas brancas, mesmo que fossem diferentes. Sem entender, Wendy percebeu que este último lhe causou mais pavor do que todos os outros juntos.
O homem era alto e vestia-se elegantemente com sobretudo, calça, camisa e sapatos brancos, além de um colete e uma gravata cinza. Não aparentava ter mais que trinta anos. Possuía cabelos lisos e brancos em comprimento médio. Os olhos, violetas, a fitavam de forma assustadora. A garota não se lembrava de ter sentido um perigo tão grande apenas pelo olhar de alguém.
Quando terminou sua refeição, o homem baixinho de roupas coloridas mandou que os capangas fizessem tal como tinha dito anteriormente: Tiraram as algemas da garota de modo que ela pudesse usar sua magia.
Sem demora, Wendy correu em direção a Juvia e começou a curá-la, percebendo que a garota estava com várias costelas quebradas, além de inúmeros cortes profundos, internos e externos.
Enquanto se empenhava para ajudar a companheira de guilda, outro homem entrou correndo e gritando naquela sala, fazendo com que ela desse um pulo, assustada. Wendy imediatamente reconheceu a pessoa que entrou como sendo o “Homem Bizarro”, cliente do Maid Café que encontraram em Datra, e não ignorou o fato de que ele havia chamado o homem baixinho e estranho de "Onii-San". Pelo olhar que recebeu do homem baixinho em seguida, entendeu que era para continuar o que fazia. Ainda assim, empenhou-se para ouvir a conversa.
Pelo pouco que ouviu descobriu que o homem baixinho e estranho se chamava Kotaro. O homem era denominado Jiro. Sorano estava com os inimigos. Erza e Jellal, bem como Lucy e Natsu também haviam sido capturados, mas estavam lutando em algum lugar. O homem que lhe dava medo se chamava Ícaro, e aparentemente recebia a alcunha de Aprendiz, assim como alguns outros membros daquela organização.
Quando a conversa terminou, Jiro e Kotaro se dirigiram a porta, e Wendy percebeu que ela só abriu quando o homem bizarro passou a marca negra que possuía na mão esquerda — idêntica a de Kotaro — em frente a uma pequena lacrima acoplada na parede. Imediatamente concluiu que provavelmente só podiam circular por aquele local os que possuíam aquela marca. A garota deduziu que todos os membros daquela organização a possuíam, mas apenas a tinha visto nos dois irmãos.
Agora, seguindo as ordens de Kotaro — que a garota concluiu ser o líder da organização -, usava seus poderes de cura para ajudar o mago do gelo. Para seu alívio, ele não estava muito ferido. Provavelmente estava sendo mantido desacordado.
Enquanto curava o parceiro de time, Wendy listou mentalmente as informações que tinha conseguido antes de partir para Datra em missão com as que tinha conseguido agora.
A morte de Yukino;
Jiro que havia aparecido no Maid Café e provavelmente marcado Natsu e Lucy;
Kotaro, que pela descrição fornecida por seus amigos era quem provavelmente tinha marcado os outros membros da Fairy Tail em Magnólia;
Sorano, irmã de Yukino mencionada na carta que ela enviou a Lucy, estava do lado do inimigo;
O fato de Kotaro precisar dos seus amigos vivos e em boas condições de saúde, afinal, ele havia mandado que ela curasse dois dos marcados;
Seus amigos presos em lacrimas gigantes em torno de um grande círculo mágico;
Um suposto sonho que estava prestes a se realizar.
Apesar de todas as informações que tinha, a garota não conseguiu visualizar o objetivo maior do inimigo. Ela já estava quase terminando de curar Gray quando pensou que assim que concluísse, seria algemada novamente.
Talvez ela devesse lutar, assim como seus amigos estavam lutando. Só que aí ela lembrou que assim, colocaria em risco a vidas dos outros magos que estavam confinados nas lacrimas.
– Nem pense em fazer besteira. — Kotaro avisou, como se pudesse ler seus pensamentos. — Eu não estava blefando sobre eliminar os seus amigos.
Quando a garota terminou, o líder imediatamente percebeu e mandou que lhe colocassem as pulseiras novamente, deixando-a, porém, com as mãos livres.
– Sente-se. — Mandou, apontando para a mesma mesa onde a garota tinha feito sua refeição. A garota obedeceu.
Kotaro, então, caminhou até uma grande escrivaninha e pegou dois objetos, colocando-os sobre a mesa em frente a Wendy assim que retornou, e logo depois caminhou até os seus subordinados. A maga percebeu os objetos se tratavam de um par de óculos de Leitura do Vento e um conjunto de papeis encadernados. Entretanto, sua atenção foi desviada para quatro dos magos mascarados, que empurravam as macas onde repousavam seus amigos para fora da sala.
– Para onde estão sendo levados? — Perguntou, levantando-se preocupada.
– Primeiro, terão suas magias restauradas. Depois, irão para o mesmo lugar que os outros. — Contou o líder, enquanto abria a porta da sala com sua marca negra para que os outros passassem. Wendy arregalou os olhos, desesperada.
– Por favor, não! — Pediu, vendo os amigos desaparecerem porta afora. Kotaro caminhou em direção a ela e sentou-se novamente na cadeira a sua frente.
– Sente-se. — Tornou a ordenar. Wendy obedeceu, chorando. — Acredite em mim quando digo que a melhor forma que você tem de ajudar seus amigos é aprendendo a magia que essas folhas contém. — Falou, apontando o encadernado.
– Por quê? — Perguntou, aflita.
– Leia. Quem sabe você não descobre. — Kotaro respondeu, zombeteiro.
Wendy colocou os óculos e sentiu algumas lágrimas rolando por suas bochechas. Assim que pegou o caderno, viu um curioso nome impresso numa capa improvisada.
“PHOENIX DWARF”
A partir daí, a garota pode imaginar do que se tratava o plano do inimigo.
Deixando a maga folheando rapidamente as páginas, Kotaro caminhou em direção a saída, contudo, parou em frente a porta e alertou-a:
– Não se esqueça: Sem gracinhas. — Lembrou. — saiba que estarei te observando todo o tempo. — Falou, tirando do casaco uma pequeno monitor lacrima portátil, e mostrando a ela. — Você tem 30 minutos. — Disse, antes de deixar o local.
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Erza movimentou sua espada rapidamente, de modo que as agulhas lançadas pela inimiga atingissem a lâmina ao invés de seu rosto. Aproveitando o movimento, rodopiou de modo que a outra espada, que estava em sua mão esquerda, impedisse mais uma rajada de agulhas que voavam em direção a Jellal.
– Erza, concentre-se em você! — Ralhou ele, percebendo que ela tentava defendê-lo. A ruiva ignorou.
No momento em que adentraram a sala sete do setor vermelho, Erza percebeu que teriam uma difícil luta pela frente. Randha, a inimiga, aparentava uma tranquilidade anormal. Somando isso ao extraordinário poder mágico que exalava, a ruiva percebeu que ela nem sequer considerava a derrota. Todavia, essa também não era uma possibilidade que Titânia poderia se dar ao luxo de levar em conta.
Seus amigos estavam confinados naquela sala até momentos antes, mas agora estavam correndo sério risco de vida. A própria Aprendiz admitira o fato, antes de começar a atacá-los com agulhas. Mas mesmo trajando um vestido e usando um sapato de salto, os movimentos da inimiga eram extraordinariamente rápidos. Tão rápidos que desde o início da batalha, os dois magos não conseguiram acertar nenhum ataque.
Mesmo sem sua magia, Erza também conseguia se movimentar com uma velocidade impressionante. Contudo, ela estava em clara desvantagem ali. A arma da inimiga era de longo alcance. Erza não poderia atacar a menos que se aproximasse. E se aproximando, ela estaria se expondo e aumentando as chances de ser atingida, tornando-se um alvo mais próximo.
Teoricamente, Jellal era quem tinha maiores chances de atacar a Aprendiz, usando as técnicas de Mystogan. Entretanto, a velocidade sobre-humana com que ela se movimentava tornava isso uma tarefa árdua. Vendo que vários dos feitiços que lançava atingiam o nada, começou a usar o Círculo Mágico de Três Camadas: Espelho d'Água para refletir as agulhas.
A ideia pareceu boa, inicialmente, pois Randha passou a precisar desviar dos próprios ataques. Porém, Erza também precisava ficar em constante movimento, e quando um dos reflexos passaram a centímetros de atingi-la, Jellal percebeu que o melhor era não arriscar a segurança da maga, descartando o uso da magia.
Foi quando outra ideia ocorreu ao mago. Usando a magia Meteor, Jellal converteu-se em um raio dourado, e começou a perseguir a Aprendiz pela sala. Erza, percebendo a tentativa de acuar a inimiga, também começou a investir contra ela, sem descuidar das agulhas que voavam em sua direção a todo instante. O que era para ser uma batalha sangrenta, tinha se convertido em um jogo de gato e rato.
– Vocês seriam oponentes formidáveis se pudessem usar magia normalmente. — Ouviram a voz da aprendiz ecoar pelo ambiente, já que ela corria por todos os lados. — Afinal, duraram até agora nessas condições. — Debochou.
Erza cortou o ar novamente com suas espadas, evitando que novas agulhas atingissem seu pescoço. Nas condições que estava, sabia que logo estaria exausta. Jellal também não parecia muito melhor. Afinal, eles estavam lutando praticamente desde que chegaram a Zamuria.
Para piorar a situação, tanto a maga de armadura quanto o falso Mystogan podiam sentir, pelo poder mágico, que Ref estava se aproximando. Se o outro Aprendiz se envolvesse na batalha, estariam perdidos, pois ele poderia tornar Randha um alvo inatingível, permitindo que apenas ela atacasse.
– Jellal! — Erza , gritou, concentrando-se em desviar dos ataques de Randha. — Cuide do Ref. — Disse, imperativa.
A ruiva sabia que se separar de seu parceiro era uma péssima ideia, porém ela já tinha enfrentado Ref e sabia que sem sua magia era praticamente inútil antes os poderes dele. Ela não teria chance de vencer nem em um combate corpo a corpo.
Jellal, por outro lado, o tinha acertado, pelo menos uma vez. Talvez, se o surpreendesse, pudesse ganhar. Foi confiando nessa ínfima possibilidade que a ruiva pediu que ele a deixasse ali, com uma inimiga complicada, mas não impossível de derrotar.
O membro da Crime Sorcière sentia-se péssimo por deixar Erza sozinha. Mas sabia, tanto quanto ela, que a batalha estaria perdida caso Randha e Ref se unissem contra eles. Ainda usando o Meteor, direcionou-se a porta que haviam deixado entreaberta, não sem antes passar ao lado da parceira e cochichar:
– Vença.
– Entendido. — Ela respondeu.
O raio dourado voou pelo corredor, não indo muito longe porém. Ref já estava em frente a porta da sala três, uma distância consideravelmente pequena da sala sete.
– Yo, Ouji-sama! — O aprendiz zombou, assim que o avistou. — Você deve estar bem desesperado para ter vindo me encontrar aqui.
Sem querer conversa, Jellal atacou, e outra batalha se iniciou do lado de fora.
Dentro, Erza novamente apenas desviava, já que sem a intervenção de Jellal tinha perdido a mínima vantagem que possuía. Freneticamente, continuava rebatendo as agulhas que pareciam vir de todos os lados. A fadiga começava a se apoderar de seu corpo. Como se também precisasse de descanso, Randha parou, exatamente no mesmo local em que estava quando entraram na sala. A ruiva aproveitou e correu em direção a ela, atacando-a com as duas espadas. Como esperado, a Aprendiz desviou-se com facilidade, parando em outro local para observar a maga ofegante.
– Sabe, essa batalha realmente está compensando o tédio que senti durante o dia. — Comentou. — Mas Kotaro-sama nos instruiu a não brincar com vocês.
– Então é isso? — A ruiva perguntou. — Vocês nos consideram brinquedos? — Disse, a respiração completamente falha.
– De jeito nenhum. — Negou. — Vocês são os instrumentos necessários para a realização dos nossos sonhos. — Contou. — E para que nossos sonhos sejam realizados, vou terminar com esta disputa agora. — Declarou, tirando três agulhas da saia volumosa de seu vestido, e as lambendo.
– O que você...? — Erza tentou perguntar, ao ver atitude nojenta da outra, mas foi interrompida por um novo ataque.
A garota quase não conseguiu desviar, e mal tinha se recuperado do ataque e percebeu que outro chegava logo depois. Alerta, brandiu sua espada atingindo as agulhas que vinham em sua direção, evitando o segundo ataque. Mesmo que a Aprendiz sempre passasse as agulhas na própria língua antes de as lançar, sua velocidade não tinha diminuído nenhum pouco.
No corredor, Jellal tentava desesperadamente investir contra Ref, que tinha tornado seus cajados intocáveis graças a sua magia. Porém, sempre que se aproximava, na tentativa de atingi-lo, ele também se tornava "atravessável", aproveitando as aberturas para cancelar a magia e acertá-lo logo depois.
– Sabe, eu sei o que você está tentando fazer. — O Aprendiz zombou, vendo as mãos do falso Mystogan atravessarem seu corpo, enquanto tentava socá-lo a qualquer custo. — Você está tentando impedir que eu me aproxime da sala sete para proteger sua namoradinha. — Falou, caminhando tranquilamente através do corpo do rapaz em direção a referida sala.
– Não! — Jellal gritou, tentando inutilmente segurar o mago.
– Sua magia psicológica foi uma estratégia brilhante. — Admitiu — Entretanto, não poderá fazer nada agora, se não puder segurar seus cajados. — Zombou.
Ignorando as provocações, o membro da Crime Sorcière tentava desesperadamente pensar em uma maneira de impedir que Ref chegasse até Erza. Entretanto, nada lhe ocorria. Enquanto o seguia pelo corredor, tentou pegar os cajados de volta, mas seus dedos os atravessaram tal como um fantasma faria.
– Só para constar. — O Aprendiz parou, virando para o encarar. — Se ao se separar da sua amiguinha seu objetivo era impedir que Randha e eu trabalhássemos juntos, saiba que não funcionaria desde o início. — Contou.
Jellal o encarou, curioso com o comunicado repentino.
– Eu vou lhe mostrar — Ref continuou -, que nós já estamos trabalhando juntos.
Simultaneamente, dentro da sala sete, os ataques continuavam vindo sem trégua. Sabendo que não teria chance alguma se continuasse apenas desviando, Erza resolveu arriscar sua integridade física e passou a seguir a inimiga, correndo atrás dela pela sala. Ao mesmo tempo que a perseguia, a maga precisava continuar bloqueando com suas espadas as agulhas que chegavam a todo momento.
A esta altura, o que antes parecia um perfeito e organizado quarto hospitalar, agora era apenas o reflexo do caos. As camas metálicas estavam tombadas e tortas. Não havia nenhum monitor lacrima de pé, a maioria deles jazia no chão, com cacos espalhados por todos os lados. Cacos esses que feriam os pés descalços de Titânia, que ainda assim insistia na perseguição.
Num movimento totalmente instintivo, direcionou-se para o lugar que imaginou que a oponente iria em seguida. Com um tiro no escuro, finalmente atingiu a Aprendiz com um golpe de espada, fazendo com que ela recuasse num salto.
A ruiva constatou, satisfeita, que Randha segurava o ombro esquerdo, local que sua espada tinha cortado, na tentativa de parar o sangramento. Sem ignorar a oportunidade, Erza correu em direção a inimiga, porém, repentinamente, sentiu-se tonta e despencou de joelhos.
– Mas o que...? — Perguntou, sentindo o corpo ser tomado gradualmente por uma dor que começava da curva direita de sua cintura. Apoiando ambas as mãos no chão, olhou para a própria barriga, constatando a presença de duas agulhas fincadas em sua carne, no local onde a dor iniciava.
– Dói, não é? — A inimiga perguntou.
– Você... — Erza pronunciava com dificuldade. — Você me envenenou!? — Uma risada respondeu sua pergunta.
– Ao me atingir você deu uma abertura do tamanho do continente. — Zombou. — Realmente pensou que eu não aproveitaria?
– O que é você? — Erza perguntou, engatinhando até a parede, sem soltar sua espada, na tentativa de se afastar.
– Uma God Slayer. — Randha respondeu. — A God Slayer do Veneno. Mas não se preocupe. Esse veneno não irá te matar. Apenas paralisar.
A maga da fairy tail piscou, incrédula. De fato, tinha sentindo uma magia diferente emanando da moça. Mas não tinha associado a magia de Zancrow ou Cheria, que lutou contra Wendy nos grandes jogos mágicos.
– Por que não usou essa magia desde o início? — Erza perguntou, encostando-se a parede.
– A base da Nihil Occultum é um ambiente subterrâneo completamente fechado. — Explicou, retornando ao tom polido e cordial de antes da batalha. — Mesmo que a maioria dos membros use máscaras, ninguém ficaria de pé caso eu usasse meu Uivo Venenoso.
Erza agonizou, sentindo as vistas escurecerem lentamente. Randha se aproximou.
– Você ama o mago de cabelos azuis, não ama? — Perguntou de supetão. Erza não tinha forças nem para corar.
– O que é isso agora? — Indagou, com a voz falha.
– Só quero que você entenda meus motivos, antes que parta. Se você o ama, deve imaginar como será terrível a dor de perdê-lo. — Começou a Aprendiz. — Eu perdi o homem que eu amava. Ele morreu na semana do nosso casamento. E é pela chance de tê-lo de volta que faço tudo isso.
– Entendo. — Falou a maga da Fairy Tail, sonolenta. — Na tentativa de sarar a sua dor, você provocará a nossa.
– Gomen. — Sem negar, Randha se levantou. — Irei incapacitar o seu companheiro agora. — Avisou, tomando distância.
Forçando o corpo ao máximo, Erza tentou ficar de pé, apoiando-se na parede. Mesmo na situação em que se encontrava, tentaria defender Jellal até que não pudesse mais se mover. Determinada, ensaiou um passo e afastou-se do concreto. Porém, ao contrário do que imaginou, Randha não se dirigiu a porta, mas apenas se distanciou um pouco de onde ela se encontrava.
Com três agulhas entre os dedos, a moça as umedeceu na própria saliva, e mirou. Erza chegou a pensar que seria atingida novamente, pois aparentemente, a Aprendiz iria atirar em sua direção. Contrariando sua suposição, as agulhas foram lançadas contra a parede, e para sua surpresa e terror, as atravessaram.
– NÃO! — A ruiva gritou.
A garota percebeu tarde demais a simplicidade e o brilhantismo do plano de Randha e Ref. Desde o início, eles estavam em sintonia, guiando-se apenas pelo poder mágico um do outro. Com louvor, Ref atraiu Jellal para perto da sala sete, momento em que usou sua magia na parede, permitindo que Randha lançasse suas agulhas envenenadas através dela e acertasse o ombro esquerdo do rapaz.
Movida pelo desespero, mesmo com os movimentos limitados, Erza atravessou a parede em direção o corredor logo em seguida, e tal como deduziu, avistou Jellal começando a sentir os efeitos do veneno da God Slayer.
Pocessa, a ruiva golpeou Ref, que por não contar com a presença dela fora da sala sete, tinha baixado a guarda. Impiedosamente, a lâmina atravessou a região de seu estômago, provocando surpreendentemente o ruído de um vidro se partindo.
Finalmente sem forças, Erza despencou no chão frio.
– Ref! — Randha, que havia contornado pela porta, gritou ao ver o estado do amigo.
– Minha lacrima! A vadia quebrou a minha lacrima! — O Aprendiz falou com dificuldade.
– Isso é o de menos agora! — Ralhou a outra, preocupada. — Se não nos apressarmos, você vai morrer!
– Entendi. — Pensou a ruiva. – Então é por isso que ele podia usar magia. Porque tinha uma lacrima implantada em seu corpo. – Concluiu, sobre o Aprendiz de Édolas.
– Erza! — Jellal gritou, caindo de joelhos, sendo lentamente incapacitado pelo veneno.
– CALADO! — Randha ordenou, chutando a cabeça do mago que caiu inconsciente.
Com os dois magos a mercê da Nihil Occultum, Randha retirou um lacrima portátil de seu vestido e pediu a um das unidades do setor vermelho que removessem os dois e os levassem para a sala de preparação.
– Finalmente! — Pensou ela, quase não contendo a emoção. — Finalmente vou te reencontrar. - mentalizou as palavras, juntamente com a imagem do rosto de seu noivo falecido.
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– Droga! — Lucy gritou, estacando no meio do corredor. Assustados, Natsu e o Espírito de Gemini também interromperam a correria a que vinham se dedicando nos últimos minutos e a olharam inquisitivos. — Droga, droga, droga!
– O que foi Lucy? — O dragon slayer externalizou sua curiosidade, para não dizer sua preocupação.
– Gemini! — A loira chamou, olhando para o espírito que ainda estava sob a forma da pequena Pali.
– Hmm? — A falsa Aprendiz respondeu.
– Você não teria, entre os equipamentos de Pali uma lacrima de comunicação? — Perguntou a maga celestial, esperançosa. Gemini a olhou confuso por um instante, mas logo começou a revistar os próprios bolsos procurando o objeto.
– Você fala desse cristal estranho aqui? — Perguntou, exibindo uma pequena pedra transparente e ovalada, pendurada por uma corrente dourada. Lucy respirou aliviada.
– Ainda bem! — Exclamou, como se um grande peso tivesse saído de suas costas. — Por um instante pensei que teríamos que voltar e pegar a lacrima de Pali.
– Não estou entendendo, Lucy. — Natsu se aproximou.
– Libra comentou que cada Aprendiz tem uma lacrima de comunicação portátil, mas só lembrei disso agora. — Explicou Heartfilia. — Quando a lembrança me ocorreu, pensei que deveríamos voltar, pois é mais fácil tomar a lacrima de uma Aprendiz que já derrotamos do que invadir o centro de controle da Nihil Occultum para pedir ajuda.
– Ahh! — Salamander exclamou, entendendo a situação. — Não sabia que Gemini também podia copiar esse tipo de objetos. — Comentou.
– Eu também não tinha certeza. — Lucy admitiu. — Mas pensei que da mesma forma que ele consegue copiar minhas chaves e invocar os outros espíritos, talvez também pudesse imitar esse tipo de equipamento.
– Vocês são muito malvados! — Gemini protestou, inflando as bochechas e fazendo biquinho. — Estão subestimando meus poderes!
– Ninguém está fazendo isso! — Lucy defendeu-se.
– Pois se eu posso copiar uma pessoa perfeitamente mesmo sem vê-la por completo, é natural que eu também possa copiar todas as suas roupas, internas e externas, junto com todos os seus apetrechos.
– Faz sentido. — Falou o mago do fogo.
– Claro que faz! — Continuou o espírito. — Aliás, essa maga carrega umas coisas muito esquisitas com ela, olha só o que eu achei! — Anunciou Gemini, enquanto tirava de seu sobretudo branco a mesma revista imprópria para menores que Pali lia mais cedo, abrindo-a em uma página aleatória e estendendo aos outros dois, orgulhoso.
A página aberta exibia uma voluptuosa mulher, completamente sem roupa, em uma posição quase ginecológica. Lucy enrubesceu até a raiz dos cabelos, mas Natsu se aproximou da revista, curioso.
– KYAHHH! — Gritou a loira, frente a situação. — NÃO FIQUE OLHANDO ESSE TIPO DE COISA! — Ralhou com Natsu, tapando seus olhos com dois sonoros tapas.
– GAAH! MEUS OLHOS! MEUS OLHOS! — Choramingou o Dragon Slayer, tentando tirar as mãos da parceira de sua face.
– Livre-se dessa revista! — Ordenou a loira para a falsa Aprendiz, que a essa altura folheava o objeto muito curiosa.
– Ah... — Protestou o espírito, num muxoxo chateado. Porém, ao ver o olhar severo da dona, tratou de completar: — Ok. — Falou, guardando novamente a revista em seu sobretudo. — Mais tarde darei de presente ao Leo. Aposto que ele vai adorar isso aqui. — Comentou, animado.
– Só não vou te dar outro sermão porque sei que é verdade. — Concordou a maga celestial. — E também porque se conheço bem o Loki, ele já deve ter uma coleção dessas, e não há nada que eu possa fazer para mudar isso. — Lamentou-se, finalmente tirando as mãos dos olhos de Natsu.
– Se o Loki pode ver, por que eu não posso? — Salamander perguntou em tom infantil, armando uma tromba.
– PORQUE NÃO PODE! — Lucy berrou, sem saber ao certo o motivo. — E chega dessa conversa inútil. Precisamos entrar em contato com o mestre e pedir ajuda. — Disse, autoritária.
– Ok, ok. — Natsu assentiu, inconformado. — Então faça de uma vez.
– Gemini, a lacrima, por favor. — Pediu a loira.
– Aqui. — Entregou o espírito.
Lucy, tomando o objeto, iniciou a tentativa de contato com a lacrima de comunicação da Guilda. Não demorou muito e pôde vizualizar a face de Kinana, exibindo uma mescla de alívio e preocupação.
– Lucy! – A moça exclamou. — Graças aos céus, vocês estão bem!
– Kinana! — A loira respondeu aliviada. — Ainda bem! Fiquei com medo de ninguém atender, por ser tão tarde.
– O mestre pediu que eu prestasse atenção na lacrima, caso vocês tentassem se comunicar. — A garçonete explicou.
– O mestre? — Lucy perguntou. — Cheme ele, por favor! Precisamos falar com ele urgentemente. — Pediu a maga celestial.
– O mestre foi para Zamúria.– Contou Kinana.
– Como? — Surpreendeu-se a loira.
– Há algum tempo Gray entrou em contato, dizendo que vocês estão envolvidos em problemas relacionados a alguma seita, Nihil Occultum eu acho. Eu não tudo o que ele contou ao mestre, mas foi o suficiente para que montassem um grupo de resgate e seguissem em direção a Zamúria.
– Eles vão demorar uma eternidade para chegar aqui. — Lucy lamentou, lembrando a viagem de trem de quase um dia que fizeram.
– De qualquer forma Lucy, onde vocês estão? — A jovem de cabelos violeta perguntou.
– Estamos presos na base da Nihil Occultum. — A maga respondeu.
– E você sabe mais ou menos onde fica?– Indagou Kinana. Lucy olhou desesperada para Natsu, que meneou a cabeça negativamente.
– Não tenho a menor ideia. — Choramingou em resposta.
– Eu sei, eu sei! — Gemini, na forma da Aprendiz, interrompeu animada, agitando uma das mãos para o alto.
– Eu não sei quem é você, mas poderia por favor me dizer o local?– A moça pediu, educadamente.
– Sou Gemini, um dos espíritos da Lucy! — Informou, levemente irritado. — E a base da Nihil Occultum fica no subterrâneo da Fazenda da família Nomura, Zona rural leste da cidade de Zamúria.
– Certo! Warren ficou aqui para o caso de precisarmos contatar o grupo de resgate. Tentarei avisar o mestre imediatamente.– Disse Kinana.
– Obrigada! — Agradeceu a loira. — Por favor Kinana. Eu sei que Zamúria é longe, mas diga que se eles demorarem, poderá ser tarde demais.
– Certo.
Mesmo sabendo que Makarov estava a caminho, Lucy não conseguiu se sentir aliviada quando a transmissão foi cortada. Ela duvidava muito que Kotaro fosse esperar muito para colocar o Projeto Heaven em ação.
– Gemini. — Chamou a contratante.
– Hm? — Atendeu o espírito.
– Quando Kotaro pretende colocar o projeto Heaven em funcionamento? — Perguntou, aflita.
– Na verdade, se não fosse pela série de contratempos que sofreu, era para o projeto estar concluído agora. — Respondeu.
Lucy, involuntariamente estremeceu. Era assustador saber que se não fosse pela série de contratempos, agora provavelmente tanto ela quanto seus amigos estariam mortos.
– Como Aprendiz, Pali deveria ter algumas informações privilegiadas. — Lucy comentou. — Por favor Gemini, diga-nos alguma coisa que possa impedir que o Projeto seja concluído. — Implorou.
– Se você não tiver contrato com os doze espíritos Zodiacais, não pode ser usada para abrir o portal. — Contou a falsa aprendiz. — Mas Kotaro já contava com essa possibilidade. Eu não sei como, mas ele provavelmente tem um modo de te forçar a fazer os contratos restantes. Então, na cabeça dele, a única coisa que impede o projeto de ser concluído é a captura de vocês.
– Na verdade, eu queria saber se o projeto tem algum ponto fraco. — Especificou a maga.
– Bem, o nível de acesso de Pali não chega a tal. — Gamini explicou. — Ela foi a ultima Aprendiz a se unir ao esquadrão especial. Mas ela ouviu Jiro comentar algumas vezes que tinham que proteger o Ponto de Concentração, pois se sofresse danos durante a execução do projeto, a magia seria cancelada. Mas não faço ideia do que eles estavam falando.
– Tudo bem. — Falou a maga celestial. A verdade é que ela tinha uma leve noção do que era o ponto de concentração. — Vamos! — Falou, recomeçando a correr.
Ao chegarem na entrada do setor laranja, local onde tinham se separado de Erza e Jellal, surpreenderam-se: A barreira de concreto que antes bloqueava o corredor tinha desmoronado, e as pedras que antes a compunham jaziam espalhadas pelo chão.
– Ótimo, vamos! — Exclamou Natsu, sem querer saber quem e porque tinha liberado a passagem.
O grupo corria com todo vigor que possuíam no momento, e teriam chegado a sala sete do setor vermelho em poucos minutos se um grito estridente não tivesse ecoado por toda a base, fazendo com que eles parassem novamente, alarmados.
– Juvia! — Lucy exclamou, horrorizada. — Esse grito é da Juvia! De onde ele vem? — Perguntou, olhando para os lados.
– Eu acho que é do alto falante. — Gemini sugeriu.
Os ecos da voz da mulher chuva ainda nem tinham sido abafados, e outro grito cortou o ambiente.
– Gray! Agora foi o Gray! — Natsu reconheceu a voz do amigo gritando em agonia. — Mas o que está acontecendo? — Perguntou, soltando um palavrão em seguida.
– Vocês devem estar se perguntando o que está ocorrendo. — Ouviram uma voz falar, e mesmo estando afetada pela interferência do alto-falante puderam reconhecer nitidamente como sendo de Kotaro. – É simples. Entreguem-se pacificamente é sem demoras. Cada segundo que vocês levarem para chegar aqui, é um segundo a mais que eu vou me divertir com os seus amiguinhos. — Avisou. E tão logo, parou de falar, outro grito agudo e feminino pode ser ouvido.
– Wendy! — Lucy reconheceu, a beira das lágrimas.
– MALDITO! Natsu bradou, enfurecido.
– Na verdade, eu não acho que eles estejam... — Gemini começou a falar, mas parou ao ouvir passos, percebendo que alguém se aproximava pelo corredor.
– E então? Vão se entregar pacificamente? — Um homem que Natsu e Lucy ainda não conheciam perguntou. Entretanto, ele estava acompanhado de outro homem, que eles conheciam muito bem.
– KYAAAAAA, O HOMEM BIZARRO! — Lucy gritou e involuntariamente teve um tremelique ao reconhecer o cliente do Maid Café.
– O namorado da Lucy! — Natsu lembrou.
– NAMORADO O CARAMBA! — Ela fez questão de rebater.
– Maldito! Foi você que meteu a Lucy nessa confusão! — Gritou o dragon slayer, apontando para Jiro.
– Você está é com ciúmes porque a loirinha caiu de amores por mim. — Jiro respondeu, indiferente. Lucy empalideceu e quase desmaiou.
– Como se isso fosse possível. — Respondeu, enojada. — Afinal, quem é você?
– Como quem sou eu? — O estranho homem perguntou indignado. — Não conseguem perceber pela semelhança?
– Semelhança? — Natsu pensou em voz alta. — Você me lembra várias coisas estranhas, mas não é como se já te conhecesse.
– Que grosseria! — Reclamou o inimigo. — Sou Jiro, irmão gêmeo de Kotaro! — Revelou. Natsu deixou escapar uma risada pelo nariz, o que fez com que o gêmeo o encarasse irritado.
– Gêmeo? — O mago do fogo disse, entre risos.
– Eu até supus que você poderia ser o irmão de Kotaro por nos lançar a maldição, mas nunca diria que são gêmeos. — Confesou a maga celestial.
– Como não? — Indignou-se Jiro. — Nós somos iguaizinhos! — Natsu riu ainda mais alto.
– Iguaizinhos? — Repetiu. — A única coisa parecida em vocês dois é a esquisitice. — Debochou.
– Nossa mãe falava que nós éramos iguaizinhos, tá!? — Gritou, sacudindo os braços.
– Jiro-sama, isso não importa agora. — O outro homem finalmente interviu. — Temos que cumprir as ordens de Kotaro-sama.
– Desculpe Ícaro. — O gêmeo pediu. — Não vou mais criar distrações. — Falou, determinado.
– Bem, como eu dizia, vocês podem nos acompanhar pacificamente se quiserem. Mas particularmente, eu prefiro que vocês sejam idiotas o bastante para escolherem a luta, assim poderei me divertir também. — Admitiu Ícaro, com um olhar doentio.
– Ícaro! Isso não é cumprir as ordens do Onii-san! — Jiro protestou.
– Eu não sei quais são as ordens do seu irmão. — Interferiu Natsu. — mas não temos intenção de facilitar a nossa captura. — Falou, já em posição de combate. Mesmo que não pudesse fazer mais do que brigar com as mãos nuas.
– Gemini, por favor! — Lucy pediu, preparando o Fleuve d’Etoile.
– Me perdoem. — O espírito pediu. — Me perdoem, por favor. — Insistiu. — Mas não posso lutar com nenhum dos dois.
– HEIM??? — Lucy piscou, incrédula.
– Eu não posso controlar aquele homem. — Falou apontando Ícaro. — Ou melhor, Pali não pode. Os poderes dela são completamente inúteis contra ele, e ela o temia mais que qualquer outra pessoa. — Falou, pesaroso.
– Como assim? — Questionou a maga celestial, tentando compreender a situação.
– Aquele homem não tem sentimentos. — Explicou a falsa Aprendiz. — Ele é um psicopata, que possui apenas instintos frios e cruéis. Não há nada que eu possa manipular que não seja em nosso prejuízo.
– Isso, isso. Muito prazer. Sou Ícaro, o Aprendiz número um. — Falou, exibindo a palma de sua mão esquerda, onde estava gravada a marca vermelha da Nihil Occultum, sem nem ao menos negar as características que lhe foram atribuídas por Gemini.
– Me perdoem. — Gemini falou mais uma vez, antes de voltar ao Mundo Espiritual
– Hei! — Lucy chamou, atônita.
– Vejo que ele era uma cópia quase perfeita de Pali. — Observou o Aprendiz. — Isso me faz pensar que assim que acabar com vocês, irei puni-la pessoalmente por ter falhado.
– Isso não vai acontecer! — Lucy, sabendo que Natsu não dispunha de poder algum sem que a afetasse, tomou a frente, ativando o Fleuve d'Etoile.
– Olha, uma sádica! — Zombou Ícaro, em clara referência ao chicote da loira. — Vamos nos divertir então. — Falou, se esquivando dos ataques.
Não tinha como funcionar. Natsu estava impedido de usar magia, a não ser que quisesse ativar novamento os efeitos da maldição no corpo de sua parceira. E Lucy, bem, ela só possuia o Fleuve d’Etoile para se defender e atacar. Nessas condições, tentavam levar adiante o combate dois a dois, com um resultado óbvio: Lucy apanhando feio do Aprendiz número um, e Natsu com extrema dificuldade de lidar com Jiro, que apesar da altura excessiva, era um bom combatente. O dragon slayer só não entendia o porque dele não estar usando magia, pois podia sentir que ele possuía um nível conseiderável armazenado em seu corpo.
Não levou nem cinco minutos para o resultado óbvio da disputa tornar-se visível: Lucy, jazia atirada a pelo menos oito metros dali, com sangue escorrendo torrencialmente de um talo aberto bem no topo de sua testa. O líquido vermelho que manchava sua pele se dividia na altura de seu nariz, escorrendo pelos dois lados de sua face, dando a ligeira impressão de que ela estava chorando o próprio sangue. O chicote, já desativado, ainda estava firme em sua mão direita, apesar de tudo.
Ícaro, caminhava até ela lentamente, contemplando os danos que tinha provocado sem nem usar seu poder de forma plena. Se a maga celestial soubesse o quanto ele se deleitava apenas por contemplar suas feridas, estaria pelos menos três vezes mais temerosa.
Natsu, por sua vez, em determinado momento tinha sido golpeado e lançado para o lado oposto, fazendo com que todas as feridas adquiridas durante o dia resolvessem reabrir ao mesmo tempo, tonalizando seu rosto do mesmo tom escarlate que o de sua parceira.
Quando forçou o corpo dolorido a se levantar, foi atingido por uma rajada vermelha, que inicialmente não pôde distinguir de onde tinha vindo. Ao rolar no chão pelo choque, teve vislumbres de dezenas de capangas da Nihil Occultum, armados e preparados para levá-los para onde quer que fosse. Aturdido, procurou pela companheira de time.
– Não! — Falou, percebendo que o Aprendiz estava ajoelhado ao lado de Lucy, e colocando as mãos sobre o peito da mesma emitiu uma magia que a fez paralizar imediatamente. — DESGRAÇADO, AFASTE-SE DELA! — Gritou, se levantando e correndo na direção da amiga, sendo porém impedido de chegar porque pelo menos cinco magos mascarados se lançaram em cima dele para o impedir.
– Hai, hai! — Ícaro o encarou, divertido. — Eu já chego aí. Não poderei fazer mais que isso mesmo… — Lamentou, encarando o corpo estático da loira. — Terei que me contentar em vê-la sendo despedaçada durante a execução do projeto. — Provocou.
– Ou pode se contentar em ser despedaçado aqui mesmo. — Uma voz conhecida uniu-se aos ruídos do ambiente.
– Loki! — Natsu gritou, tendo uma visão limitada do espírito de Leão, que acabara de se materializar no corredor.
– Desculpa a demora. — Leo justificou. — Gemini já deve ter explicado como demoramos a perceber o perigo quando Lucy está sem as chaves. Aliás, o próprio Gemini pediu que eu viesse.
– Que seja, cala a boca e tira a Lucy daqui! — Gritou o mago do fogo.
Mesmo que estivesse irritado com a ordem do dragon slayer, Leo sabia que não tinha tempo a perder. Enfurecido com a visão de sua dona, avançou para Ícaro, invocando o poder de Régulus para a batalha. Porém, outro inimigo se pôs a sua frente.
– Você não vai atrasar os nossos planos ainda mais! — Jiro declarou. — Correntes da Rejeição! – Gritou, e imediatamente duas enormes correntes que brilhavam como neon verde fluorescente apareceram, uma em cada mão.
– Porcaria! — Loki recuou.
– Ícaro, leve-os e acabe logo com isso! — Jiro ordenou. — Eu cuido deste aqui.
– Como se eu fosse deixar vocês levá-los! — Loki gritou, tentando saltar por cima do inimigo.
– Como se você pudesse impedir! — Jiro zombou, laçando a corrente na panturrilha do Espirito de Leão e girando em seguida, fazendo com que ele batesse nas paredes dos corredores. — Entenda: Minhas Correntes da Rejeição tem o poder de Prender e Neutralizar tudo que não pertence a este mundo. — Explicou.
– Esse tipo de coisa Libra não me contou. — Chiou o ruivo.
– Ela não sabia. — O gêmeo explicou. — Aliás, ninguém além do Onii-san sabia. Eu venho treinando secretamente esta arte, especificamente para este dia. Sinta-se honrado, pois é o primeiro que enfrenta as minhas correntes em uma luta de verdade.
– Como se isso fosse grande coisa! — Leo levantou, envolto em seu característico brilho dourado, pronto para reagir.
Entretanto, Lucy e Natsu, que a esta altura já estava paralizado pela magia de Ícaro, já estavam sendo transportados para seu destino final.
– Droga! — Gritou o espírito, desviando-se dos golpes do inimigo. — LUCY! — Berrou. — EU NÃO VOU DEIXAR QUE O PROJETO SE INICIE!
– Você não tem escolha. — Uma voz feminina soou atras de si. Antes que Leo pudesse direcionar seu olhar a dona das palavras, que ele sabia muito bem de quem se tratava, foi atingido em cheio no peito por um feixe de luz esverdeado, que começou e esfarelar seu corpo em minúsculas partículas douradas.
– Sorano! — Exclamou Jiro, encarando a figura mascarada que sabia ser a mulher. Ela encontrava-se parada do outro lado do corredor ao lado de Caelum, em sua forma de canhão.
– Você… — Disse Leo, quase sem voz.
– Volte para o Mundo Espiritual Leo. — Ela falou, antes de vê-lo desaparecer completamente.
– O que está fazendo aqui? — Esbravejou Jiro. — Pensei que o Onii-san tivesse ordenado que você aguardasse no salão de execução do projeto.
– Ele mandou. Mas percebi pelos monitores que poderia ser útil aqui. E no fim das contas eu fui, não acha? — Ela respondeu, indiferente. — Se você não quiser perder o início do show, é melhor nos apressarmos. — Provocou.
– Como se eu fosse perder o retorno de nossa mãe. — Resmungou Jiro, avançando pelo setor vermelho.
– Eu também não quero perder. — Falou, seguindo-o. — Não quero perder o retorno de Yukino. — Completou, em pensamento.
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