Vínculo Mágico

15 Preparação


Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS!!! EU AVISEI, HEIM?! Depois de dias, meses, anos, séculos, olá! Eu sempre posto os capítulos tão atrasados que estou até desistindo de me justificar. xP Mas a verdade é que passei por maus bocados esse fim de ano, entre problemas familiares e uma reprovação que realmente eu não esperava (E alguém espera por uma reprovação? Eu, heim!) O fato é que eu fiquei na única matéria que eu realmente tinha estudado. E me senti injustiçada, pois na minha opinião (e também na de alguns colegas meus) a questão pela qual reprovei estava correta, então eu tinha sim que ter passado, mas o querido Teacher não deu o braço a torcer. Tá, e o que vocês tem a ver com isso? Nada, eu sei. Fiz esse desabafo porque eu precisava mesmo, e também para explicar o motivo pelo qual eu desanimei totalmente de escrever. Contudo, mesmo desanimada, eu me forcei e ir escrevendo, e aos poucos (aos poucos mesmo, esse capítulo demorou semanas para sair) as ideias foram se unindo. Eu também não queria postar de qualquer jeito, afinal esse é um capítulo forte, que merecia um pouco mais de cuidado. Um outro assunto que eu queria falar é que ESTE CAPÍTULO CONTÉM SPOILER PARA QUEM NÃO LÊ O MANGÁ OU NÃO TEM UM PINGO DE PODER DEDUTIVO (se bem que depois desse tempo todo eu já nem considero spoiler). Eu sei que a fanfic já contém o alerta de spoiler, mas achei legal reforçar. Não venham me xingar depois. u.ú Enfim, espero que vocês gostem.

Capítulo XV — Preparação

– Ué, eu dormi? – Lucy olhou em volta, pois não fazia a mínima ideia de que lugar era aquele. — NATSU! — Gritou levantando-se abruptamente, quando as memórias dos acontecimentos retornaram a sua mente de forma torrencial. No entanto, o mago do fogo não estava por perto. Ninguém que pudesse socorrê-la estava. Contrariando suas expectativas, um gemido agudo e amedrontado lhe chamou a atenção.

Encolhido no canto do pequeno ambiente onde se encontrava, havia um garotinho. Só quando o percebeu, Lucy parou para observar o lugar. Parecia uma espécie de quarto, com duas camas, sendo que estava deitada em uma delas até segundos antes.

Tudo naquele cômodo, assim como na maioria dos outros da sede da Nihil Occultum, era branco. A estrutura das camas eram brancas. Os lençóis também. As paredes. A porta. O piso. Até mesmo suas roupas e as do garotinho eram dessa cor. A única coisa que contrastava com alvo cubículo era o tom de pele de ambos, bem como os cabelos.

– Olá! — Saudou a maga celestial, voltando sua atenção para o menino, que possuía lindos cabelos alaranjados. Ele, porém, limitava-se a tremer encolhido. — Algum problema? — Se aproximou, preocupada, e para o seu total espanto, ele começou a gritar. — Calma! — Pediu.

– Não me machuque, por favor! — Implorou a criança. Lucy piscou, sem reação.

– Eu... — Tentou dizer, atônita, ante o berreiro do menino. — Eu não vou te machucar! — Falou, mas ele continuava gritando.

– VAI EMBORA! — Esgoelava, com todas as forças.

– Hei, calma! — Lucy insistiu, tentando uma nova aproximação. Entretanto, foi recepcionada com pequenos socos e tapas. Sem desistir, segurou ambas as mãos da criança pelos pulsos, e sem dar tempo para que se debatesse, a puxou para um abraço.

No começo ele resistiu. Tentou se soltar de todas as maneiras. Lucy, porém, o manteve firme em seus braços, pressionando-o contra seu colo e, aos poucos, o sentiu relaxar, parando de se contorcer apenas para cair no choro. Um choro compulsivo. A loira, sentindo os próprios problemas pesarem em seus ombros, permitiu-se chorar também.

– Eu não quero morrer. — O menino murmurou, agarrado ao jaleco da maga celestial, que já se encontrava úmido pelas lágrimas.

– Está tudo bem! — Mesmo chorando, Heartfilia tentou acalmá-lo. — Você não vai morrer.

A pequena criança permaneceu aninhada aos colos da maga por longos minutos. Em determinado momento, levantou a cabeça e a olhou diretamente nos olhos. Lucy percebeu, admirada, que ele possuía lindos olhos cor-de-mel.

– Quem é você? — O garoto perguntou, ainda desconfiado.

– Me chamo Lucy. — A loira respondeu, sorrindo. — Qual o seu nome?

– Nome? — a criança perguntou de volta. — Eu não tenho um nome.

– Como? — A maga celestial perguntou, confusa. — Você tem que ter um nome! — Exclamou. — Do que as pessoas te chamam?

– 819. — Respondeu o menino.

– 819? — Lucy repetiu, espantada.

– Sim. — Confirmou a criança. — Experimento 819. Mas na maioria das vezes é só 819 mesmo. — Contou, timidamente.

– Experimento 819? — Falou, chocada. — Você não tem outro nome? O que seus pais te deram?

– Eu não tenho pais. — Respondeu.

– Como não? — Indignou-se a maga. — Como você chegou aqui?

– Eu fui criado nesse lugar. — Ele respondeu. — Pelo menos é o que todos me dizem. Também não tenho lembranças fora daqui, então acho que é verdade.

Perturbada, Lucy se levantou e sentou na cama que estava momentos antes. Tinha acabado de receber uma nova e chocante informação sobre a Nihil Occultum.

– Hei, garotinho. — Chamou, sem querer usar o número que lhe foi atribuído. — Há outros como você aqui? — Indagou.

O menino se aproximou. Mesmo que ainda estivesse temeroso, também era possível perceber um pouco de curiosidade em seu olhar.

– Aham. — Respondeu. — Se eu sou o 819, então vieram pelo menos 818 antes de mim. Mas eu sei que atualmente, o número de cobaias desse lugar já entrou na casa do milhar. — Revelou. Lucy sentiu seu interior desmoronar.

– E porque você estava tão apavorado? — Questionou, percebendo o medo tomar conta do olhar da criança.

– Porque eles se livram dos experimentos que se tornam inúteis. — Contou, retornando ao desespero anterior. — E eu nunca me achei muito útil. Achei que tivesse chegado a minha vez. E como vi que você estava de jaleco, pensei que fosse um deles. — Completou, em prantos.

A maga celestial teria caído no choro novamente se a sua frente não estivesse uma criança que precisava de apoio emocional muito mais que ela. Instintivamente, o puxou, abraçando-o pela segunda vez.

– Eu não sou um deles. — Falou. — Estou tentando fugir daqui junto com meus amigos. — Confidenciou. — Mas não sei como vim parar neste quarto. Eu tinha sido derrotada por um Aprendiz, aí ele me paralisou, mas não lembro o que aconteceu depois.

– Quando me trouxeram para cá, você já estava dormindo. — O menino comentou, a voz embargada.

Lucy tentou avaliar a situação. Sabia que a Nihil Occultum não podia perder tempo, mas mesmo assim tinham trancado-na com aquele garotinho. Respirou fundo, na intenção de clarear seus pensamentos, que estavam tomados pelo temor. Precisava descobrir qual o propósito de estar ali. Natsu provavelmente já estava sendo preparado para ser usado no projeto. De agora em diante, estaria sozinha.

– Você tem algum poder, ou habilidade especial? — Indagou a loira, buscando qualquer informação que pudesse ajudar.

– Só quando estou sem elas. — O garotinho indicou duas pulseiras metálicas erguendo os braços. — Elas inibem minha magia.

– Entendi. — Lucy comentou. — E o que você pode fazer? — Perguntou.

– Eu posso indicar precisamente a localização dos magos, pela natureza do seu poder mágico. — Contou. Lucy ergueu as sobrancelhas, levemente surpresa. — Eu disse que eu não era muito útil. — O garotinho completou, ante a reação da maga celestial.

– Mas sua magia é incrível! — Exclamou Heartfilia, fazendo os olhos da criança brilharem por um momento. — E com certeza muito útil. — Emendou.

– É, mas ela só atinge o raio de um quilômetro. — O garoto explicou. — Kotaro já possui outras cobaias que conseguem usar o mesmo poder em uma área muito mais extensa. Por isso acredito que logo se livrarão de mim.

– Shhh!!! — A maga celestial colocou o indicador sobre os lábios da criança, e reuniu todas as suas forças para abrir um largo sorriso. Para sua surpresa e satisfação, obteve o resultado esperado. O menino, mesmo choroso, arregalou os olhos a encarando hipnotizado, sem entender como uma mulher, machucada e suja de sangue, ainda conseguia ser tão bonita. — Ninguém vai se livrar de você. — Falou. — Vamos fugir daqui juntos. — Prometeu, afastando-se e segurando em ambos os ombros do garoto.

– Sério? — Ele perguntou, a esperança presente em seu tom de voz pela primeira vez desde o início da conversa.

– Claro que é sério! — A maga completou. — Magos celestiais nunca quebram suas promessas.

E então, para surpresa da maga, o menino agarrou a sua cintura, tomando a iniciativa de um abraço de agradecimento. Lucy, sorrindo, afagou os cabelos alaranjados.

– O que faz um mago celestial? — O menino se afastou e a encarou, os enormes olhos mel ainda úmidos, transbordando curiosidade.

– Então voce nunca ouviu falar de um mago celestial? — Lucy forçou um falso tom ofendido e deu tapinhas ao seu lado no colchão, sinalizando para que o garoto se sentasse.

– Nunca! — Respondeu, prontamente, se acomodando.

– Pois eu vou lhe contar Oitoc… — Lucy parou no meio da pronúncia da alcunha do garoto. — Não gosto de como te chamam. — Comentou. — É grande e complicado.

– Mas nunca me chamam de outra forma. — O ruivinho tentou justificar.

– Depois a gente pensa nisso melhor, mas por enquanto vou chamá-lo de Ged. — Lucy decidiu.

– Ged? — Ele repetiu, curioso.

– Sim. É a mistura de dourado e vermelho, a cor dos seus olhos e do seu cabelo. — Explicou. — É bem simplório, mas por enquanto vai ser isso mesmo.

– Ged… — O garoto repetiu, sorrindo, por ser chamado pela primeira vez por um nome. Mesmo que fosse um nome um tanto ridículo.

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O barulho da fechadura metálica se abrindo tirou Pali da desolação que estava imersa até segundos antes. Ainda tremendo, encarou a porta da jaula onde esteve trancafiada. Sem sentir o mínimo de alívio, reconheceu o primeiro Aprendiz que a observava estático, com seus cabelos alvos emoldurando o rosto que ostentava um sorriso sádico.

– A jaula é para um espécime pequeno, mas aparentemente lhe serviu muito bem. — Debochou, olhando a figura deplorável a sua frente. Ser amaldiçoada e em seguida afetada pelos próprios poderes tinha perturbado Pali de tal forma que desde que acordara não parava de se arranhar e puxar os próprios cabelos, que tinham abandonado o penteado que lembrava dois chifres e agora jaziam soltos e desgrenhados.

– Ha, ha, ha! — Ela respondeu, enquanto se levantava, sem forças até para adicionar qualquer dose de ironia no tom de voz.

– Se você demorar mais, vai perder o espetáculo. — Ícaro a avisou. Pali o encarou, o semblande indecifrável.

– O projeto foi iniciado? — Indagou, passando por ele e saindo do pequeno cárcere.

– Preparativos finais. — Respondeu, a excitação crescendo. — Todos os magos escolhidos já foram confinados aos lacrimas. Agora só falta Heartfilia fazer o contrato com os dois espíritos restantes para que possa finalmente abrir o portal.

– Não acho que será tão simples. — A Aprendiz comentou, indiferente. — Pelo que conheci dela, ela vai preferir morrer a fazer o contrato. — Falou convicta, enquanto caminhava em direção a saída da Sala Treze. Outra habilidade que seus poderes lhe davam era traçar o perfil emocional de quem controlava. Pelo perfil de Lucy, chegou a tais conclusões.

– Ora, ora! — Exclamou Ícaro, a acompanhando pelo corredor do setor laranja tão logo ela abriu a porta. — Será que estou percebendo um tom de descaso em sua voz? — Questionou. — Parece que alguém perdeu subitamente o interesse no Projeto Heaven. — Pali estacou por um instante, mas logo recomeçou a lenta caminhada.

– Não sei do que você está falando. — Retrucou, no mesmo tom monótono de antes.

– O que foi Pali? Amoleceu? — Troçou o aprendiz mais velho. — Só porque as fadinhas pouparam a sua vida inútil? — Provocou. A menina nem se deu o trabalho de encará-lo.

– Não seria motivo mais que suficiente para qualquer pessoa amolecer? — Ela perguntou, ignorando a parte dele ter feito pouco da sua existência.

– Desistiu de ter seu irmão de volta? — Insistiu o albino.

– Eu não sou qualquer pessoa. — Pali completou. — Trarei Terci de volta a qualquer custo.

– Sei. — Disse o outro.

Em toda a a sua vida, a única pessoa que tinha tratado Pali com o mínimo de carinho era seu irmão, Terci. Mesmo que ele fosse o caçula.

Em uma família miserável, onde os pais descontavam os problemas financeiros espancando os filhos, a única coisa que a Aprendiz podia fazer era proteger o irmão mais novo, tão indesejado como ela, dos maus-tratos constantes. Como retribuição, o menino devolvia a única coisa que uma criança mal-nutrida poderia oferecer a quem lhe protegia das surras constantes: Amor.

Pali também o amava mais que tudo. Mais que a própria vida. A ponto de não ver mais sentido em continuar vivendo naquela espelunca que chamava de lar quando o irmão faleceu, acometido por uma doença mágica. Tão logo o pequeno caixão foi enterrado, a Aprendiz deixou o cemitério seguindo o rumo oposto de sua casa, decidida a nunca mais voltar. E com apenas seis anos, começou a viver nas ruas de Zamúria. Seus pais nunca lhe procuraram.

Juntando-se a outros desabrigados, a garota começou a pedir esmolas, e com o tempo passou a roubar. Ela não se lembrava exatamente em que ponto da infância adquiriu habilidades mágicas, mas acreditava que elas afloraram com a necessidade. Naquela época, Pali usava seus poderes pouco desenvolvidos para influenciar as pessoas a lhe darem dinheiro e também para intimidar os homens que tentavam abusar dela. Graças a isso, conseguiu se manter ilesa.

Certo dia, ficou parada em frente a um luxuoso carro, esperando o dono voltar. Sabia que pelo porte do veículo, poderia conseguir um bom dinheiro.

Quando ele chegou, a menina riu por dentro da sua estranha aparência. O porte gorducho e as roupas coloridas lhe conferiam um visual estranho. Sem se importar, o influenciou, e tal como imaginava, conseguiu uma boa quantia.

O que ela não esperava é que, no meio da noite, enquanto dormia, o homem viria na surdina e a capturaria. Crente que se tratava do seu fim, a garota tentou se consolar, pensando que talvez fosse para perto do irmão. Porém, pera seu total espanto, o estranho homem começou a lhe perguntar sobre suas habilidades, admirado por ter sido manipulado por uma criança.

Hoje, oito anos depois, Pali conseguia entender a Admiração que Kotaro sentiu naquela época. Sabia que ele não era desprovido de sentimentos, todavia era frio o suficiente para nunca ter demonstrado qualquer sinal de compaixão na sua frente, desde que o conheceu. Agora ela sabia que, se não fosse manipulado, Kotaro jamais ofereceria ajuda a qualquer pessoa.

Assim, maravilhado com a maga conveniente que tinha acabado de descobrir, acolheu a menina e a treinou durante os anos que se seguiram, prometendo trazer seu irmão de volta, posteriormente a transformando na Aprendiz número quatro.

– Você parece pensativa demais para quem está decidida a seguir em frente. — Alfinetou mais uma vez o Aprendiz número um, tirando a garota de seus devaneios.

– E você parece não ter nada mais para fazer do que me atormentar. — Respondeu, aborrecida.

– Você sabe que esse tipo de provocação não me apetece. — Explicou ele, provocando arrepios na garota. — Mas você falhou antes, sabe? — Lembrou. — Mais tarde, quando o projeto for concluído, punirei você pessoalmente. — Avisou. — Esse tipo de coisa me apetece. — Completou, a encarando divertido.

Pali entrou em um desespero mudo. Por mais que não pudesse controlar Ícaro, apenas por ter tentado também pôde traçar seu perfil. E essa era a razão por temê-lo tanto. Sabia que ele estava falando sério. Mas sabia também que Kotaro sepre permitiu que o psicopata se divertisse com as cobaias, mas nunca admitiu que ele encostasse um dedo sequer nos demais funcionários. E se ele estava a ameaçando assim, descaradamente, é porque estava planejando alguma coisa.

– Vá em frente. — Ela desafiou, tentando manter-se firme enquanto sabia estar protegida. — Se puder. — Completou. Ícaro apenas continuou caminhando, o sorriso sádico pendurado na face.

Então, apenas com o som de seus passos, os dois aprendizes saíram do setor laranja e cruzaram o setor vermelho em direção ao salão onde tudo aconteceria. Tão logo adentraram a “Área de Planejamento”, um andar superior que circulava o ambiente, com várias salas de comando e algumas celas, puderam vizualizar as dez lacrimas gigantes, uma no centro e as demais dispostas em torno das runas desenhadas no chão.

As lacrimas que rodeavam estavam preenchidas pelo Seranium, subtância mágica desenvolvida por Kotaro essencial no processo de drenagem do poder mágico dos magos. E também, cada uma delas continha um dos magos capturados, com exceção de Wendy e Lucy.

– Cadê o Ref? — Pali perguntou a Randha, que estava inclinada sobre as grades de metal, observando os lacrimas.

– Está na Clínica. — Respondeu a Terceira Aprendiz. — Titânia o feriu gravemente, antes de ser capturada. — Emendou, apontando a Lacrima que estava logo abaixo deles, onde Erza jazia.

– Lindo, não é? — Ícaro falou, referindo-se aos magos que flutuavam no líquido amarelado. Tal como Randha, debruçou-se nas grades de metal, para observá-los.

Pali se aproximou dos dois, apenas apoiando as mãos na proteção prateada. Sua atenção estava presa ao Dragon Slayer do fogo, que estava confinado na lacrima que ficava exatamente do lado oposto de onde se encontrava, sendo portanto o que podia ver melhor.

A Quarta Aprendiz tentou imaginar o que o mago sentiria vendo Lucy perder a vida, ao mesmo tempo que ele próprio morria. Olhou para o Lacrima do centro, onde logo a maga celestial seria colocada.

Passando os olhos lentamente por cada mago, uma lembrança ocorreu a pequena Aprendiz.

– Kotaro torturou os magos para usá-los de isca? — Perguntou ao Aprendiz número um, lembrando-se que ouvira pelo auto falante terríveis gritos e a voz de Kotaro tentando persuadir Natsu e Lucy a se entregarem, quando ela própria estava apavorada dentro de uma jaula.

– Pali, a sua falta de inteligência as vezes incomoda. — Ícaro zombou em resposta. — Kotaro-sama não disse expressamente para que não feríssemos os marcados? — Perguntou. — Claro que eu não consegui seguir isso a risca, mas enfim.

– Então o que foram aqueles gritos? — Insistiu, confusa.

– Aquela foi a forma que Kotaro-sama encontrou de coagir os fugitivos. — Randha explicou. — Enquanto a magia deles estava sendo restaurada, ele gravou os gritos para posteriormente os colocar no auto-falante, fazendo-os acreditarem que estavam sedo torturados.

– Ah! — A garota exclamou, compreendendo. Ela mesma, durante os treinamentos, foi submetida a restauração artificial de seu poder mágico diversas vezes. Lembrava-se muito bem da sensação. Era como se água fervente estivesse entrando for cada um de seus poros, ao mesmo tempo que uma dor aguda atingia todos os ossos. — Até estranhei Kotaro usar um de seus preciosos marcados.

– Aquilo foi uma chantagem barata. — Comentou o Albino. — Quer ver uma verdadeira coação? — Questionou. — Fique aqui e assista de camarote tudo que acontecerá agora. — Avisou, caminhando até as escadas que levavam a parte inferior do salão.

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Lucy sentia os pés atritarem no piso gelado enquanto era impiedosamente arrastada para fora da cela por dois homens mascarados. Logo atrás de si, outro capanga de branco trazia Ged, que chorava copiosamente.

– Calma Ged! — Ela gritou, tentando acalmar o pobre garoto, sem no entanto conseguir acalmar a si própria. Sabia que estava sendo levada para a conclusão do Projeto Heaven. Sentia. Só não entendia qual era a relação da criança com a história.

Mesmo sabendo que era inútil, a maga celestial insistia em se debater, tentando ao menos demonstrar sua revolta com a situação. Ainda assim, suas pernas davam passos forçados por uma plataforma que rodeava um enorme salão circular.

Ao atingirem o lado contrário ao da cela em que estavam, Lucy reconheceu Pali, a Aprendiz que manipulara Natsu e ela, parada próximo as grades de metal. A pequena inimiga parecia completamente abatida e apática, bem diferente da adolescente zombeteira com quem lutara. Ao lado dela, estava uma mulher de cabelos castanhos que Lucy não conhecia, provavelmente outra Aprendiz.

Com os Gritos de Ged ecoando pelo ambiente, os dois prisioneiros foram forçados a descer uma escada. Mesmo sob a tensão do momento, Lucy não pode deixar de observar o local.

Ícaro estava ali, parado antes de um enorme círculo mágico desenhado no chão. Lucy percebeu que o Aprendiz encarava Ged e ela com um entusiasmo doentio. Olhando para plataforma de cima, a maga constatou que Pali observava a cena sem demonstrar emoção alguma e a Aprendiz que desconhecia parecia tomada por um misto de ansiedade e nervosismo.

Em seguida, a maga foi conduzida até o círculo mágico, e só então percebeu os elementos que compunham o salão. E o que ela viu fez suas entranhas congelarem.

Exatamente do outro lado, logo abaixo da cela onde estava confinada com Ged momentos antes, Lucy reconheceu a figura de Natsu inconsciente, flutuando dentro de uma enorme lacrima.

Mesmo de longe, pode ver as vestes negras do Dragon Slayer dançando em contado com o líquido ambarino. Os cabelos róseos, por casa do tom amarelado em que estavam imersos, pareciam ter ganhado uma coloração alaranjada. Uma máscara de oxigênio o mantinha respirando.

Passando os olhos pelas demais lacrimas, Lucy foi reconhecendo seus amigos, um a um. A maioria deles estavam inconscientes, mas outros, como Gajeel e as irmãs albinas pareciam acordados, embora a maga celestial não soubesse dizer se tinham noção do que estava acontecendo em volta. Porém, mesmo que estivessem despertos, o Seranium se encarregava de drenar suas forças, fazendo com que os corpos de mexessem muito lentamente, dando a impressão que estavam em câmera lenta. Eles não teriam forças para escapar.

Desolada, Lucy percebeu que estavam todos confinados nas enormes esferas translúcidas, com exceção de Meldy e Wendy.

– Soltem-na! — Falou uma voz atrás de maga celestial, que imediatamente a identificou como a do líder da Seita.

Assim que foi solta, Lucy virou, deparando-se não apenas com Kotaro e Jiro, mas também com várias outras figuras, das quais três lhe chamaram a atenção: Uma era a pequena dragon slayer celeste, que vinha guiada por dois brutamontes de branco, e gritou pela maga celestial tão logo a avistou. A outra era uma linda, porém desconhecida enfermeira, com cabelos loiro-esverdeados presos em um volumoso coque, e um dos braços estranhamente cobertos por espinhos.

A terceira, Lucy conhecia muito bem. Porém, jamais imaginaria encontrá-la ali. Com seus longos cabelos platinados trançados lateralmente, e um vestido branco que remetia ao estilo de roupa dos membros da Nihil Occultum, porém adornado com penas alvas nos ombros e na barra, ela encarava a maga da Fairy Tail com ar de superioridade.

– Oi, Lucy-chan! — Saldou Angel, a integrante — ou ex-integrante — da guilda das trevas Oración Seis.

– Você! — A loira exclamou surpresa, encarando-a. Mesmo que a loira estivesse abismada, Angel parecia perfeitamente confortável com a situação.

– É ótimo que vocês já se conheçam. — Kotaro falou, olhando de uma para outra. — Mas ainda assim acho que devo apresentá-la adequadamente. — Decidiu. — Heartifilia-san, esta é Sorano Aguria. — Revelou, deixando a loira boquiaberta. Angel, por sua vez, pareceu levemente incomodada ao ter seu verdadeiro nome pronunciado. — Irmã mais velha de Yukino Aguria, ex-Oración Seis, ex-presidiária e colaboradora do Projeto Heaven. — Continuou.

– É um prazer reencontrá-la Lucy-chan. — Angel falou, mais séria.

– COMO VOCÊ PÔDE??? — Explodiu Lucy, gritando e avançando em Angel, de modo que teve que ser contida novamente pelos capangas de branco. — COMO VOCÊ PÔDE SE ALIAR AO HOMEM QUE MATOU A SUA IRMÃ??? — Berrava, com lágrimas teimosas escorrendo por seu rosto.

– Eu já disse a você que não matei Yukino. — Kotaro lembrou.

– Então... — Heartfilia encarou Angel com desprezo.

– Exato. — Confirmou a maga celestial. — Eu matei Yukino. Mesmo que não fosse a minha intenção, minha irmã morreu por minha culpa. — Falou, uma nota de ressentimento na voz.

– Monstro! — Xingou Lucy. — O que ela mais queria na vida era te reencontrar. — Falou, lembrando-se história que Yukino lhe contara quando foram presas pelo exército real.

– E o que eu mais quero é trazê-la de volta. — Sorano contou, fazendo a loira duvidar que tamanha hipocrisia realmente existia. — Juntamente com nossos pais.

– E você acha que Yukino ia querer isso? — Perguntou, tentando fazer Angel refletir.

– Não acho que ela reclamará depois que voltar e ver que eles também estarão aqui. — Sorano respondeu.

– Se diz isso, é porque nunca conheceu verdadeiramente sua irmã. — Disse a maga da Fairy Tail.

– E você também não me conhece. — Rebateu a ex-Oración Seis. — Não pense que palavras dramáticas ou qualquer lição de moral irá me fazer mudar de ideia. Eu já decidi meu caminho. E a única coisa que me separa de realizar meu desejo é a sua existência.

– Fiquei até arrepiado Aguria-san. — Falou Kotaro, aplaudindo a cena. — Pois bem. — Disse, virando-se para Lucy. — Sei que você já contemplou a estrutura física do Projeto Heaven. — Comentou, apontando para os lacrimas onde os amigos da maga estavam confinados.

– Você é doente! — Lucy gritou. — Todos vocês são! — Completou, encarando os demais. — Eu não vou contribuir pra esse projeto macabro!

– Eu não esperava que você ajudasse voluntariamente desde o início. — O gorducho falou, caminhando até o círculo desenhado e observando o salão. — Vê aquela lacrima vazia exatamente no centro? — Perguntou, sinalizando para que a loira se aproximasse. Os capangas que a seguravam a libertaram imediatamente. Sabendo que se não obedecesse seria arrastada até lá, a maga caminhou até ele em passos vacilantes. — É nela que você será colocada em breve. — Revelou. — Em outras palavras, é ali que irá morrer.

Mesmo já tendo previsto essa informação, Lucy espantou-se com a calma e a frieza com que o vilão anunciou a sua morte.

– Entretanto, para que isso ocorra, eu preciso que você refaça o contrato com os espíritos de Libras e Peixes.

Lucy riu. Um riso irônico, sarcástico. Kotaro, ante a reação da maga, apenas ergueu uma das sobrancelhas, inquisitivamente.

– Você acaba de dizer que a única coisa que me separa do fim é a realização do contrato com Libra e Pisces e ainda espera que eu o faça? — Perguntou.

– Claro. — Kotaro respondeu, objetivo.

– Pois não o farei. — Lucy declarou. — Sei que vocês precisam de um mago celestial que tenha contrato com todo o Zodíaco até mesmo para ler o Livro “Segredos Zodiacais”, que contém a magia. Sei também que precisam de todos nós vivos, ao menos por enquanto, para a construção do Portal dos Mundos. Por isso não pode usá-los para me chantagear. — Falou, apontando para os lacrimas onde seus amigos estavam presos. — Por isso não farei contrato algum se você não libertar meus amigos, Ged e todas as outras cobaias. — Concluiu.

– O que te faz pensar que está em posição de negociar? — O líder indagou, a voz transbordando escárnio. — Eu vou te mostrar como as coisas funcionam aqui. — Falou, caminhando novamente para fora do círculo, onde os outros estavam — Ged não é? Ou eu deveria dizer 819? — Perguntou, caminhando até o capanga que segurava a criança.

– Não o chame assim! — Gritou a maga — Ele não é um objeto para ser catalogado!

– Esse garoto é criação minha! — Disse Kotaro, puxando bruscamente o menino, fazendo com que caísse de bruços aos seus pés. Como se fosse possível, Ged gritou ainda mais. — Por isso, eu o chamarei do que eu quiser! — Falou, pisando nas costas dele.

– Ged! — Lucy chamou, vendo que o menino a encarava apavorado. — Acalme-se Ged! — Pediu, correndo em direção a ele. Porém, novamente os mascarados de branco a seguraram, impedindo que se aproximasse.

– E por ser criação minha, eu o usarei para que você aprenda que não pode se opor a mim. — Explicou. — Ícaro! — Gritou, estalando os dedos.

Tão logo ouviu seu nome sendo pronunciado pelo líder, o albino caminhou até a criança, que estava de quatro por tentar se levantar. Antes que o menino percebesse as intenções do inimigo, o Aprendiz sacou uma adaga do cinto e passou em sua garganta.

No primeiro momento, Lucy ficou estática. O movimento tinha sido tão rápido que ela mal vira, não lhe dando o tempo necessário para assimilar os acontecimentos. Mas a verdade estava na escabrosa cena que se desenrolava diante de seus olhos, tão cortante quanto o fio da lâmina que feriu o pescoço de Ged, que agora se debatia enquanto seu sangue lavava o chão em torno de seu corpo.

A maga celestial gritou, com todo seu fôlego. Ela não saberia dizer se tinha ganhado forças repentinamente ou se os lacaios a tinham largado, mas o fato é que ela conseguiu correr e amparar o corpo do menino, a tempo dele lhe dirigir um último olhar.

– GED! — Berrou, sentindo as lágrimas banhando seu rosto, e o sangue escarlate manchar o seu colo. — NÃO MORRA GED! — Implorou. — Nós vamos fugir juntos, lembra? — Perguntou, como se uma simples memória pudesse salvar a vida do garoto. Não podia.

– WENDY! — A maga celestial berrou, olhando para a amiga, que encarava tudo de olhos arregalados, sem reação alguma. — DEIXEM QUE WENDY O CURE, EU FAÇO O QUE VOCÊS QUISEREM! — Suplicou.

– De fato, você fará o que eu quiser. — Kotaro avisou. — Mas agora, para ele, é tarde demais. Graças a sua desobediência.

Realmente, era. Tendo a face de Lucy em prantos como última visão, a pequena criança abandonou este mundo, sem nem ao menos fechar os olhos.

– NÃO!!! — Lucy continuava gritando, percebendo que o menino já não se debatia. — NÃO GED!!! — Sacudiu o pequeno corpo.

– Chega! — Kotaro interrompeu. — Tragam o próximo! — Ordenou.

– Próximo? — A maga indagou, a voz falha pelo choro.

Imediatamente, o capanga que conduziu Ged anteriormente subiu as escadas e adentrou a porta da cela mais próxima, trazendo uma mulher, que aparentava ter seus 25 anos. Se a face dela não estivesse tão marcada pelo medo, talvez fosse bonita, pois os cabelos negros faziam uma bela combinação com os olhos cor-de-rosa.

– Heartfilia-san, quero que você conheça o experimento 591. — Kotaro anunciou, e imediatamente a moça foi jogada contra ícaro, que a imobilizou e colocou a adaga, ainda suja com o sangue de Ged, em seu pescoço.

– NÃO! — A loira gritou, vendo a mulher chorar desesperada.

– Eu sei que as chaves de Yukino estão com você, portanto faça o contrato de uma vez. — Kotaro determinou. — Ou você quer ver uma carnificina aqui dentro? — Ameaçou. — Devo lembrá-la que o garoto era o número 819 de 1000, ou seja, há muitas cobaias para aniquilar caso queira testar ainda mais a minha paciência.

Lucy o encarou com tal ódio que nunca pensou que poderia concentrar uma quantidade tão grande de sentimento negativo em uma só pessoa. Kotaro, para ela, tinha se tornado um ser tão desprezível, que lhe faltavam palavras para descrevê-lo. Agora ela entendia a razão de ter sido trancada na mesma cela que Ged. Ao fazer isso, o líder da Nihil Occultum tinha dado tempo para que a maga se apegasse ao menino, apenas para tornar a sua perda ainda mais dolorosa.

– Eu estou esperando. — Pressionou ele.

Derrotada, a maga enfiou a mão em um dos bolsos do jaleco, local onde guardou as chaves depois que perdera a roupa, e sentindo o contato do metal gelado contra seus dedos, puxou os objetos para fora. Por alguns segundos, fitou as pequenas chaves de ouro sobre as palmas de sua mão aberta, fechando-a em seguida e as apertando com força, como se estivesse fazendo um pedido.

– Não temos o dia todo. — Apressou o estranho líder.

– A marca. — Falou a maga, apontando para o próprio pescoço, sinalizando que não poderia usar magia enquanto estivesse sob os efeitos da Maledicite Vincla.

– Ah, claro. — Respondeu Kotaro. — Mas nem tente fazer qualquer gracinha. Ícaro continuará com a 591 até que você esteja confinada dentro da lacrima, só por precaução. — Alertou. — Maledicite Vincla: Desactivate!– Gritou, fazendo imediatamente qualquer vestígio da maldição desaparecer do pescoço da maga celestial.

– Abra a porta das Escalas, Libra! — Lucy chamou, fazendo com que o Espírito celestial, que ainda não havia se recuperado totalmente do ataque de Caelum aparecesse a sua frente.

– Lucy, não! — Libra pediu, mas foi ignorada.

– Abra a porta do Peixe, Pisces! — Determinou.

Como se adivinhassem o pouco espaço do local onde apareceriam, mãe e filho vieram em forma humanóide. Lucy encarou os espíritos, desolada.

– Peço desculpas a vocês — Começou. — Mas preciso refazer os contratos. Por favor. — Pediu. Os espíritos apenas menearam a cabeça positivamente. — Então, que seja até o fim da minha vida. Pode ser? — Propôs a maga, e novamente os espíritos apenas assentiram, desaparecendo em seguida. — Está feito. — Avisou para Kotaro.

– Ótimo! — Disse ele, tomando as chaves douradas das mãos da garota. — Nesse caso, podem colocá-la na lacrima para que seja iniciada a construção do Portal dos Mundos.

Enquanto era arrastada novamente para o centro do círculo, Lucy encarou Wendy, que também chorava de solucar, afinal, a garota havia presenciado toda aquela terrível cena.

– Lucy-san! — Chamou a dragon slayer.

– Esperem! — Lucy pediu, fazendo com que os homens que a conduziam estacassem frente a lacrima vazia. — O que vocês farão com Wendy? — Perguntou, preocupada.

– Não se preocupe com a sua amiguinha. — Disse Kotaro, que vinha logo atrás. — Ela não será usada no Projeto Heaven. Quero dizer, não da mesma forma que vocês. — Falou.

– Como assim? — Insistiu a loira.

– Como um bônus por você não ter criado mais problemas, vou lhe contar o destino da sua companheira. — Decidiu o estranho homem, falando como se estivesse fazendo a maior das benfeitorias. — Depois que você for colocada na lacrima e o projeto finalmente se iniciar, o poder mágico e a energia vital dos seus amigos será drenada e concentrada em você, destruindo seu corpo para a construção do Portal dos Mundos.

– Isso eu já sei. — Lucy Atalhou, ríspida, convencida que ter a sua vida usada nos planos do inimigo dispensava qualquer necessidade de agir com simpatia ou educação.

– Bem, você sabe que a construção do portal permite que as almas de um plano tenham acesso a outro, mas já parou para pensar quantas almas existem do lado de lá? — O vilão perguntou, retoricamente. — Como eu faria para encontrar minha preciosa família entre tantos outros?

– Essa é a parte em que eu pergunto como? — Lucy cortou mais uma vez.

– Exato. — Kotaro continuou, animado. — Graças aos meus estudos exaustivos, consegui encontrar uma magia capaz de atrair as almas de volta para o corpo que um dia pertenceram. — Revelou. Isso, claro, se elas ainda não tiverem feito a passagem para o outro plano. Mas com o portal aberto, sua amiga dragon slayer executará a “Phoenix Darf”, uma magia semelhante a “Milk Way”, e atrairá as almas dos nossos amados entes perdidos, usando em seguida suas habilidades curativas para restaurar os corpos.

– Mas eu já disse que não posso restaurar corpos sem vida! — Wendy insistiu.

– Uma vez que eles tiverem alma, estarão com vida. — Kotaro rebateu. — E é isso. — Concluiu, olhando novamente para a maga celestial. — O dom da cura que sua amiga possui é precioso demais para ser jogado fora. Por isso, desde que ela se comporte, garanto que ficará segura, dentro das paredes da Nihil Occultum. Agora, basta de conversa. Coloquem-na na lacrima! — Ordenou para os capangas.

– Espere mais um pouco! — Lucy pediu, já dentro da lacrima — E o livro? Vocês não precisam que eu execute a magia constante no livro “Segredos Zodiacais” para que o portal seja construído?

– Na verdade — Kotaro começou. — Precisamos de você apenas para abrir o portal. Essa é a condição que o livro impõe. — Explicou.

– Mas Leo disse que… — Tentou Lucy.

– O Espírito de Leão lhe contou a história do fracasso de outros magos. — O líder a reprimiu, ríspido. — Você não espera que façamos o mesmo, não é?

– Então, como poderão construir o portal? — A maga celestial perguntou, confusa.

– Desde que tenhamos um mago celestial para abrir o caminho, qualquer outro pode declamar as palavras mágicas. — Kotaro respondeu, impaciente.

– E como podem conhecer as palavras mágicas se apenas eu que sou a contratante de todo Zodíaco posso ler o Capítulo?

– Essa é a parte da história que todos os espíritos e até mesmo o Rei deles ignorou. — Falou a bela enfermeira de cabelos esverdeados, se aproximando. Lucy encarou a moça, tentando entender porque só agora ela tinha se pronunciado, já que tinha mantido-se calada desde que aparecera. — Eles podem até ter me banido, ou mesmo tirado da minha proteção o capítulo nove do livro “Segredos Zodiacais”, mas ignoraram completamente o fato de que eu ainda conheço a magia.

– Ophiuchus. — Deduziu Lucy, encarando a enfermeira.

– Hai, hai. — Confirmou ela. — Pelo visto você não conhecia minha segunda forma — Falou, indicando o próprio corpo.

– Não. — Admitiu a maga celestial. — Então você ensinou a magia do Portal dos Mundos a eles?

– Hai, hai. — Assentiu o espírito. — Sabe, há muito tempo atrás, antes mesmo dos Grandes Jogos Mágicos eu falei sobre o Portal dos Mundos para Yukino e tentei persuadi-la a executar a magia, mas ela era tão certinha que não quis. — Ophiuchus falou, com falsa tristeza. — Então tive procurar outros meios. De outra forma, meu plano para tomar o Mundo Espiritual não prosperaria.

– Então é esse o seu interesse com a criação do Portal dos Mundos. — Compreendeu Lucy. — Desde que Loki me contou sua história eu fiquei me perguntando porque um espírito se interessaria tanto na construção de um portal que não lhe traria benefícios.

– Tudo não passa de uma barganha. — Explicou o espírito. — Eu coopero com a Nihil Occultum, ensinando Angel a realizar a magia, e eles me ajudam a iniciar uma Guerra no Reino Espiritual, cujo estopim será a morte da maga celestial mais amada que já existiu, admirada até mesmo pelo Rei dos Espíritos: você.

– Se vocês não se importam — Kotaro interrompeu -, temos um projeto para iniciar.

– Hai, hai. — Ophiucus concordou, afastando-se da lacrima onde Lucy já se encontrava. — Adeus! Mande Lembranças a Layla Heartfilia. — Zombou, se afastando, fazendo mais um questionamento se infiltrar na mente da garota.

Sob as ordens de Kotaro, um dos capangas colocou uma máscara de oxigênio, idêntica a que os demais magos da Fairy Tail usavam em Lucy e fechou a lacrima.

Imediatamente, a maga sentiu os pés ficarem úmidos e, olhando para baixo, percebeu que a esfera em que se encontrava também estava sendo preenchida pelo Seranium.

Lucy sabia que já não podia fazer mais nada para se salvar. Porém, ainda não tinha desistido de salvar a vida dos seus amigos. Com um aperto no peito, a maga girou o corpo até parar de frente a lacrima de Natsu, e percebeu que ele tinha aberto os olhos.

Mesmo através dos vidros e do líquido amarelado, tentou encarar os orbes negros do amigo diretamente. Porém, o dragon slayer parecia alheio ao que se desenrolava a sua volta. Alheio a ela. Ainda assim, a maga celestial sentia-se feliz por poder olhar nos olhos dele pela última vez.

– Eu espero que você me perdoe Natsu. – Pensou ela, sentindo insistentes lágrimas escaparem dos próprios olhos. – Espero que me perdoe pelo que farei.

Notas finais
E então, como ficou? :3 Desde o capítulo nove desta fic, eu tinha planejado a aparição de Ophiuchus em uma segunda forma. Tipo, sabendo que ele é símbolo da Medicina, achei que tinha tudo a ver com o Ambiente da Nihil Occultum. Só que ele seria HOMEM e MÉDICO. Tipo, o episódio 212 me quebrou no meio, mostrando Ophiuchus como uma ENFERMEIRA. Eu sei que no fim das contas não tem nada a ver, e eu podia ter mantido o plano original. Mas eu sempre tentei deixar a fic o mais próximo que eu conseguisse do anime (porque a fic segue a cronologia do anime, ignorando essa última saga filler). E também, eu gostei tanto de Ophiuchus ter tido um pouquinho mais de destaque (mesmo em meio a uma saga duvidosa) que resolvi mudar. Os poderes dela no anime podem até ser toscos, mas eu achei o máximo a aparência dela e o jeito que ela fala. *-* Outra coisa: eu passo tanto tempo escrevendo que Yukino está morta, que acho super estranho vê-la viva no anime. Sério. No mangá ela é mais sumidinha. xP Por fim, como eu fiz isso com os outros Aprendizes, falarei também da Pali, mesmo que a história dela tenha ficado bem explicada no capítulo. Pali Horbach: É a quarta aprendiz de confiança treinada por Kotaro. Possui a habilidade de manipular e distorcer os sentimentos alheios. Não é muito eficiente em combate corporal. Pali nasceu em uma família pobre. Seus pais descontavam os problemas financeiros que tinham nos filhos, espancando-os com frequência. Sem poder evitar, a única coisa que Pali podia fazer era tentar proteger Terci, seu irmão caçula, que era tudo para ela. Quando ela tinha seis anos, Terci adoeceu, vindo a falecer posteriormente. Como o irmão era a única coisa que a mantinha em casa, Pali fugiu, passando a viver nas ruas, onde desenvolveu suas habilidades mágicas. Posteriormente, Kotaro a descobriu e a recrutou com a promessa que traria seu irmão de volta com o Projeto Heaven. Curiosidade: Pali significa "pequena", e Horbach significa "pequeno rio". Espero que tenham gostado. Até o próximo capítulo!