Vínculo Mágico
6 Ativação
Notas iniciais
Capítulo VI — Ativação
Norte da cidade de Datra, 12:22 PM (10 horas antes)
O sol de meio-dia brilhava com intensidade absurda sobre a simpática cidade de Datra. Num típico dia de verão como aquele, muitas pessoas andavam ostentando guarda-sois e abanadores, uma tentativa desesperada de amenizar os efeitos do grande astro. Desesperada, porém praticamente inútil.
Mesmo com o calor escaldante, duas magas totalmente desprevenidas andavam por uma das inúmeras vielas da cidade, procurando em todos os estabelecimentos por qualquer pista de um homem que tinham visto apenas uma vez.
– Não adianta Mira-nee! — Reclamou Lisanna, ofegante. — Estamos andando desde às oito da manhã. Já olhamos em todos os comércios desse setor da cidade, que nem é tão grande assim! — Disse, secando o suor da testa. — Ninguém nunca viu essa criatura.
– Aparentemente não, né? — Mirajane respondeu, sorrindo angelicalmente. — Me pergunto como as outras duplas estão indo. — Divagou, colocando o dedo indicador na boca. — Lisanna encarou a figura da irmã que, ao contrário dela, ainda estava completamente composta. Mesmo trajando um vestido longo, pesado, com mangas cumpridas e de cor escura, Mirajane parecia nem transpirar. Contrastando com ela, a maga mais nova estava toda suada e exausta. Já tinha até mesmo tirado o casaco e amarrado na cintura. Lisanna nunca perguntou, mas imaginava que sua irmã era mais resistente a temperaturas elevadas devido a natureza do seu Take Over.
– Imagino que também devem estar terminando. — A albina mais nova respondeu.
– Nesse caso, acho que podemos parar para almoçar, né? — Propôs a garçonete.
– Sim! — Lisanna respondeu, com os olhos brilhando. Além de exausta, estava faminta.
As duas deram meia volta e começaram a procurar por um retaurante que tinham entrado para investigar momentos antes. Não foi preciso que caminhassem muito para encontrá-lo. Logo, ambas adentraram o simples, mas charmoso, ambiente de madeira.
As irmãs se dirigiram a uma mesa mais ou menos no meio do estabelecimento. Sentaram-se, uma de frente para a outra, e começaram a conversar.
– Hei, Lisanna. — Mirajane começou. — Voce se importaria se eu te fizesse uma pergunta?
– Não me importarei se você fizer outra pergunta. — Lisanna brincou. Ambas riram.
– Você está apaixonada pelo Natsu? — Mirajane perguntou, incisiva. Lisanna corou furiosamente, arregalando ainda mais os grandes olhos claros.
– Por que essa pergunta agora, Mira-nee? — Respondeu com outra pergunta.
– Bem, eu sei que você gostava dele quando era criança — A irmã mais velha respondeu -. Queria saber se esse sentimento tinha resistido ao tempo, mas estava sem jeito para perguntar. Então eu venho observando você, desde que voltou de Edolas. Mas sinceramente, seus sinais ficaram mais sutis. — Falou, apoiando o queixo nas mãos — Contudo, essa manhã, quando descemos do trem, eu vi a expressão que fez ao ver Natsu dormindo no colo da Lucy.
Lisanna desviou o olhar, contrangida. Não estava esperando abordar esse assunto naquele momento. Também não sabia o que fazer para se esquivar dele.
– Eu não deveria ter me incomodado. — Respondeu a Albina mais nova. — Os dois já até dormem juntos, na mesma cama! — Disse, tentando conter o choro — Eu não devia ter me incomodado só com aquilo.
Era extremamente difícil para Lisanna tratar desse assunto. Antes de que fosse transportada para Édolas, todos, com exceção do próprio Natsu, pareciam saber dos sentimentos que a garota nutria por ele.
Entretanto, depois que voltou, ficou um tanto surpresa ao descobrir que a versão terrestre da Lucy que conheceu lá tinha se juntado a Fairy Tail, e era tão unida a Natsu quanto a outra. Aliás, era ainda mais unida. Era verdade que no passado Natsu e Lisanna sempre andavam juntos, mas Lucy e ele agora eram inseparáveis.
E então, todos pareceram esquecer dos sentimentos da garota. Não existia mais Natsu e Lisanna. Agora existia Natsu e Lucy. E ela quase podia ouvir Happy dizendo "Aye", em concordância aos seus pensamentos.
– Eles podem até ser bem próximos, mas tenho certeza absoluta de que não houve nenhuma iniciativa romântica entre os dois. — Mirajane contou, séria. — Ainda. — Acrescentou, enfática.
– Ainda. — a albina mais nova repetiu, na mesma entonação.
– Escute Lisanna, Lucy e Natsu são meus amigos, e eu desejo imensamente a felicidade deles. — Disse a garçonete — Mas eu desejo ainda mais a sua. Então, permita-me lhe dar um conselho: Se tem algo que você deseja dizer ao Natsu, diga, antes que seja tarde. — Falou, sorrindo ternamente. — É melhor se arrepender do que você fez, do que se arrepender de nada ter feito.
– Tá. — Respondeu a irmã mais nova. De certa forma, estava se sentindo um pouco aliviada agora. Entretanto, seu sentimento de alívio durou muito menos do que ela gostaria.
– Mira-nee… — Lisanna chamou, a tensão visivelmente pesente em sua voz.
– O que? — Mirajane perguntou, preocupada.
– Ele está aqui. — Respondeu.
– Ele quem? — Perguntou a outra de volta.
– O homem bizarro. — Mirajane congelou com a fala da irmã.
Lisanna não sabia desde quando, mas o fato é que o homem que elas passaram a manhã inteira procurando e que provavelmente estava envolvido no incidente das marcas estava sentado em uma mesa no fundo do restaurante. Também estava olhando diretamente para ela.
– O que devemos fazer? — Perguntou para a irmã mais velha.
– Vamos tentar atraí-lo para fora. — Respondeu — Aqui dentro tem muita gente. Pode ser perigoso.
– Ok. — A take over mais nova mal respondeu, e se levantou da cadeira, seguida de sua irmã. Ambas caminharam em direção a saída, mas pararam quando perceberam que um grupo de magos, todos mascarados e vestidos de branco, entraram no local.
– Eu não iria a lugar algum, se fosse vocês. — O homem bizarro, que já tinha se colocado atrás delas, falou. As irmãs viraram-se e o encararam furiosamente.
– Pode me dizer por quê? — Provocou Mirajane, na defensiva.
– Na verdade, perfiro lhes mostrar. — O estranho homem respondeu, segurando a cartola laranja fluorescente. — Maledicite vincla: Activate! — Gritou, palavras desconhecidas.
Mirajane e Lisanna olharam em volta, a espera de qualquer coisa que pudesse ataca-las, porém nada aconteceu. Temendo pela segurança de ambas e das pessoas do local, que já olhavam amedrontadas, Mirajane resouveu agir.
– Take Over: Satan Soul!– Gritou a Maga, transformando-se. Porém, antes mesmo que tivesse chance de acertar o inimigo, um grito de sua irmã fez com que ela recuasse. — Lisanna! — Gritou, correndo em direção a irmã.
A maga mais nova encontrava-se caida no chão, com as mãos no pescoço. Mirajane arregalou os olhos horrorizada, e abaixou-se ao lado dela.
– Mi… ra-nee… — Falou Lisanna, com dificuldade. Mirajane percebeu que ela estava sufocando. Desesperada, abaixou a gola da blusa da irmã, e percebeu que perte da marca em seu pescoço destacava-se em carne viva, como se estivesse sido gravada em sua pele com ferro em brasa.
– O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO COM ELA??? — Gritou Satan Soul, desesperada.
– Nós não estamos fazendo nada minha cara. — O Homem Bizarro respondeu, com um sorriso macabro adornando sua face. — Você é quem está.
– O que? — Perguntou, em desespero. Lisanna continuava se debatendo, sem fôlego.
– Desfaça sua magia. — Ordenou o estranho homem. — Se você continuar usando sua magia, sua querida irmã vai sufocar até a morte.
Sem pensar duas vezes, Mirajane voltou a sua forma original. Imediatamente, Lisanna começou a respirar, de forma desesperada.
– Respire, respire! — Dizia Mirajane, amparando-a. A essa altura, já não havia ninguém além deles no restaurante.
– Não foi para isso que vocês vieram aqui? Para descobrir do que se tratava a marca? — O Homem perguntou, sarcástico. — Pois acabaram de descobrir. Vocês duas estão ligadas por ela. Enquanto uma estiver usando magia, a outra sufoca. — Disse, animado. — Ah! Devo dizer que se a queimadura for completada, a pessoa inevitavelmente morre. E se uma das duas me matar, as duas morrem.
Mirajane e Lisanna encararam os inimigos, sem opções. Elas estavam a mercê deles. Nada podiam fazer, sem comprometer a vida de ambas.
– Levem-nas! — Ordenou o homem bizarro.
Imediatamente os magos de branco separaram as irmãs. Mirajane observou, desesperada, a irmã ser levada para longe dela enquanto chamava seu nome. Gritou de volta quando viu que um dos magos de branco cobriu o nariz e a boca dela com um pano úmido, fazendo-a desmaiar.
Poucos segundos depois era Mirajane que estava com o nariz e a boca tampados, inalando uma substância que a levava lentamente para a inconsciência.
Ao ver que suas vítimas estavam completamentes indefesas, o homem bizarro retirou de dentro de seu paletó uma lacrima portátil de comunicação, e iniciou o contato com alguém.
– Como vão as coisas por aí? — Perguntou.
– Eles nos perceberam e fugiram.– Respondeu uma voz desconhecida.
– Vocês são mesmo uns incompetentes! É melhor que os peguem antes que eu chegue aí, ou não poderei ativar a marca.
– Entendido Jiro-San!
– E a Dragon Slayer? — Indagou Jiro.
– Já foi encaminhada ao instituto, mas nem sinal da outra garota.
– Ela provavelmente vai seguir vocês. Tentem pegá-la.
– Entendido Jiro-San!
– É melhor que vocês corrijam as besteiras que fizeram, antes que eu tenha a chance de encontrá-los. — Falou o Homem Bizarro, antes de guardar o lacrima.
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Leste da cidade de Datra — Ao mesmo tempo
Gray corria o mais rápido que podia com Juvia em seu encalço. Ainda assim, percebeu olhando por cima do ombro que os insistentes magos de branco continuavam se aproximando. Nesse ritmo, logo seriam capturados.
A situação ficava cada vez mais crítica. Os magos os seguiam por terra, montados em estranhos animais, e também os perseguiam pelo ar, sendo carregados por legions. E Gray pensou que depois de Édolas nunca mais veria esses bichos estranhos. Correndo a pé, Juvia e ele estavam em terrível desvantagem. Sucumbir talvez fosse questão de tempo.
– CUIDADO! — A maga de cabelos azuis berrou, se atirando contra Gray, o salvando por centímetros de ser acertado por um raio vermelho. Ambos rolaram pelo asfalto e pararam chocando-se contra o meio fio.
– VEM! — Gray gritou, puxando Juvia pela mão para dentro do estabelecimento que estavam em frente. A queda os tinha atrasado.
– Não tem Saída! — Disse a moça, desesperada.
– Então faremos uma! — Gray respondeu.
– KYAAAA!!! — Gritou Juvia quando um raio vermelho atravessou o teto e acertou o chão bem ao seu lado. Imediatamente, o telhado começou a ser perfurado por uma chuva de raios vermelhos.
– Desgraçados, desgraçados! — Gray berrou, enfurecido. Novamente tomou a maga da chuva pela mão e puxando-a, por um buraco na parede que havia acabado de fazer com sua magia, fugindo para outro estabelecimento comercial.
– Gray-sama! Não é melhor saírmos? — Juvia perguntou, preocupada.
– Não. — Respondeu o mago. — Se corrermos por dentro das lojas, eles não nos verão de cima e também terão dificuldade de correr com os animais aqui dentro.
– Isso é verdade, mas assim colocaremos muitas pessoas em risco. — Observou Juvia, enquanto Gray a puxava para outra loja através de um novo rombo na parede.
– Porcaria, ela está certa! - Pensou o mago do gelo, quase em desespero.
Seis magos perseguiam a dupla. Três iam pelo ar, e três por terra. Se não se apressassem, temia que logo os inimigos receberiam reforços.
Gray sabia que um confronto direto não era a melhor solução. Embora não costumasse fugir da batalha, vira momentos antes sua magia se criação ser vaporizada por aquele raio vermelho antes mesmo de ser concluída. O mago percebeu que as armas que lançavam esses raios tinham sido escolhidas especialmente para eles dois. Se seu gelo tinha sido consumido ao ser atingido, não queria nem pensar no que poderia acontecer se acertassem o corpo feito de água da Juvia.
Enquanto corria por um mercado, uma loja do outro lado da rua fez os olhos do mago do gelo brilharem. Ele tinha acabado de ter uma ideia.
– Juvia, lançe a gente! — Pediu, sem parar de correr.
– O que? — Surpreendeu-se a moça.
– Lançe a gente, para a loja do outro lado da rua. — Insistiu, arrebentando mais uma parede e entrando em uma loja de brinquedos.
– Mas Gray-sama…
– AGORA! — Berrou ele. Juvia desfez-se em água e envolveu o corpo de Gray, encondendo-o dentro dela como fizera para protegê-lo do ataque de Simon, no cassino do Akane Resort¹. Ainda em forma líquida, a maga se lançou através da vitrine da loja que estavam naquele momento, rompeu a vitrine da loja do outro lado da rua e derramou-se no chão, voltando a sua forma e liberando Gray.
O mago do gelo reparou que eles tinham parado mais a frente do que ele queria. Todavia, agora possuíam uma mínima vantagem.
– Vamos! — Gritou, quebrando mais uma parede e seguindo para outra loja. Mais duas paredes arrebentadas depois e eles finalmente chegaram onde o mago desejava.
Juvia sentiu o braço esquerdo torcer, pois Gray tinha parado abruptamente, e ela continuara correndo.
– Ai! — Reclamou, esfregando o ombro.
– Desculpa! — Pediu o mago.
A maga da chuva reparou o ambiente onde estavam. Tratava-se de uma loja de veículos mágicos, mais especificamente uma loja de motocicletas mágica.
Primeiramente, Juvia não entendeu por que Gray tinha parado justamente naquela loja, mas em seguida estacou ao perceber sua intenção. O mago do gelo tinha montado numa moto e já estava colocando o Plug SE² em seu braço.
– Vamos Juvia! — Gray chamou, dando a partida no veículo. Entretanto, a maga nem mesmo se mexera. — Juvia, o que está esperando, suba logo! — Gritou impaciente. Ela olhou assustada.
– Mesmo que seja Gray-sama… — Falou, temerosa. — Pedir que Juvia suba em uma moto… — Gray piscou, incrédulo. Não podia acreditar que aquilo estava acontecendo.
– Juvia — Chamou -, você tem medo de andar de moto? — Perguntou. Os olhos dela umedeceram.
– Perdão, Gray-sama! — Pediu chorando. — Perdão! Juvia não pode.
– O que você está dizendo? — Falou o mago, de modo urgente. — Precisamos sair daqui! — Juvia nem se mexeu. Gray achava inacreditável que uma maga que tinha o corpo quase inatingível tivesse medo de andar de moto.
Naquele instante, Gray pode ver pelos rombos que tinha aberto na parede, os quatro magos de branco se aproximando, montados em seus animais.
– Juvia, por favor! — Gray pediu, estendendo a mão para a companheira. Timidamente, a garota segurou a mão que lhe foi oferecida, para receber um brusco puxão em seguida. — SOBE DE UMA VEZ!
– Tá, tá! — Respondeu assustada, sentando-se na garupa, dessa vez esfregando o ombro direito. Agora ela estava com os dois braços doendo. Gray imediatamente arrancou com veículo, e pela terceira vez naquele dia, ambos estilhaçaram uma vitrine.
Gray corria com o veículo o mais rápido que podia, desviando das pessoas e obstáculos que apareciam pelo caminho. Juvia, por sua vez, tinha os olhos cerrados e estava agarrada com todas as suas forças em Gray, e não parava de gritar apavorada.
– JUVIA, EU PRECISO RESPIRAR! — Gritou o mago, ofegante. — Juvia, por favor! Eu não vou conseguir usar magia direito se não for com as duas mãos! Você vai ter que atacá-los! — Ainda assim, a maga não conseguia soltá-lo.
A maga da chuva abriu levemente os olhos. Percebeu que eles estavam saindo da cidade. Era absurda a velocidade em que corriam. Instintivamente, intensificou a força com que segurava Gray. Quando ameaçou fechar os olhos novamente, viu o feixe de luz passar ao lado da motocicleta. Um feixe de luz vermelho.
– Ice Make: Geiser! — Gray, soltando o guidom da moto, lançou a magia, projetando uma enorme coluna de gelo contra os inimigos aéreos. Entretanto, sentindo o veículo oscilar perigosamente, voltou a segurá-lo mais que depressa.
Como a cidade de Datra se localiza nas montanhas, a estrada que os magos tinham tomado cortava a serra perigosamente. Isso isso os deixava meio acuados, pois do lado direito deles a rocha erguia-se impiedosa, e do lado esquerdo um abismo recebia os descuidados o bastante para caírem nele. Não era lugar para facilitar.
A situação era a pior possível. Verdade que eles tinham conseguido se afastar consideravelmente dos magos que vinham por terra, mas os três montados em legions os acompanharam com facilidade. Se eles não dessem um jeito de acabar com os inimigos que estavam por perto, logo seriam alcançados pelos outros e tudo ficaria pior.
– Juvia… — Gray já estava desistindo de pedir. A maga parecia petrificada atrás de si.
– Desculpa, Gray-sama. — Surpreendentemente, Gray sentiu os braços da garota relaxando em volta de si. — Juvia disse que o protegeria, mas está colocando sua vida em risco. — Disse amargurada. — Mas Juvia jura que nem o medo, nem a própria morte a impedirão de protegê-lo daqui em diante! — Bradou, decidida.
Apoiando a mão esquerda no ombro do mago, Juvia, lentamente, pôs-se de pé nos pedais da moto. Outro feixe de luz lançado e Gray foi obrigado a desviar bruscamente. Juvia, aterrorizada, caiu sentada na garupa.
– Tudo bem com você? — Gritou para a maga.
– JUVIA NÃO VAI DESISTIR! — Berrou ela para o alto, levantando-se novamente. — WATER NEBULA! — O enorme jato de água subiu em direção aos animais voadores, que desviaram com habilidade. Todavia, a maga da chuva também era habilidosa. Se concentrando com toda a sua força, ela tornou a água fervente e direcionou o jato para um dos animais, que urrou de dor antes de ser abatido. Uma chuva morna caiu sobre eles quando o jato de desfez no ar.
– Ótimo Juvia! — Gray comemorava, mas sabia que a situação estava ficando crítica. Sua magia logo seria consumida se tivessem que continuar usando a motocicleta. Seu desespero tomou proporções preocupantes quando ouviu um dos magos restantes acima deles gritar.
– Steel make: Storm!!! — Imediatamente, inúmeras agulhas de aço começaram a cair sobre o veículo.
– Ice Make: Shield! — Gray, soltando-se da moto novamente, concentrou toda a sua força no escudo acima deles. Ainda assim, sentiu a pele ser rasgada por algumas agulhas que conseguiram atravessá-lo. Sorte da Juvia que tinha o corpo de água.
– Gray-sama! — A maga chamou, preocupada.
– Eu to legal! — Respondeu ele.
– Ele também pode usar magia de criação!
– Eu já percebi!
– GRAY-SAMA CUIDADO! — Berrou desesperada. Até então oculta por uma curva sinuosa, vinha uma carruagem.
Gray, que ainda não tinha voltado a segurar a direção da motocicleta, perdeu o controle do veículo. Na tentativa desesperada de desviar, lançou a moto no precipício.
Pânico era o sentimento contido no grito da sua parceira de equipe. Juvia tinha sido arremessada por cima de Gray, e agora ele, também solto da moto, assistia a maga berrar desesperada abaixo de si, enquanto caia em direção as pedras pontiagudas que os aguardavam duzentos metros abaixo.
– JUVIA! — Gray, projetando-se de cabeça, estendeu a mão em direção a maga. Porém não podia alcançá-la.
Gray encarou a morte iminente. Nada que pudesse fazer lhe ocorria. Mesmo que tentasse fazer um escorregador de gelo, como fizera para Natsu certa vez, com tantas pedras abaixo e na velocidade em que estavam, sabe-se lá onde e como iriam despencar.
Por um instante, teve a impessão de ter visto a famosa luz no fim do túnel, que todos falavam. Ela era bela, azul e gentil. Lhe dava um pouco de conforto.
Entretanto, seu breve momento espiritual foi logo desfeito, quando Gray percebeu que a luz que via tratava-se não do caminho para o outro mundo, mas sim de um enorme círculo mágico desenhado no fundo do abismo.
– Mas o que...? — Tentou dizer.
– WATER SOURCE!!! — Juvia gritou com todas as suas forças.
Gray viu, imediatamente, uma quantidade absurda de água emanando do círculo mágico e subindo em direção a eles em uma velocidade preocupante. Fechando os olhos, o mago prendeu o fôlego e se preparou para o impacto.
Doeu cada centímetro do seu corpo. A dor que ele sentia era comparada aquela que se tem quando cai-se de barriga na água, porém intensificada inúmeras vezes. Sem reação frente a ela, o mago deixou-se levar pela corrente de água, sendo arrastado para cima.
Quando a corrente cessou de empurrá-lo, Gray abriu os olhos. Atordoado, olhou em volta. A quantidade de águá que Juvia tinha invocado com sua magia era impressionante. Parecia mesmo que ele estava mergulhado em um rio.
– Mas quando ela...? — Gray pensou espantado, ao ver que sua cabeça estava envolta em uma bolha de oxigênio. Aliviado, respirou.
Juvia não só tinha salvado a vida do mago evitando o impacto da queda, como também tinha se preocupado em mantê-lo respirando embaixo da água. Certamente seria complicado se Gray tivesse que subir a superfície para tomar fôlego. Era so olhar para cima que ele podia ver os dois Legions sobrevoando a água.
Olhando para todos os lados, o garoto procurou pela maga da chuva. Localizou-a muitos metros abaixo dele, de cabeça para baixo, afundando lentamente. Imediatamente, começou a nadar ao seu encontro.
De olhos fechados, maga sentia a consciência abandonar seu corpo lentamente. Usar a Water Source invocando toda aquela água de uma só vez tinha consumido quase todo seu poder mágico instantâneamente. E isso a tinha desgastado mais do que tudo que tinha acontecido naquele dia. Não poderia evitar de afundar. Entretanto, por mais que estivesse em tal situação, não conseguia deixar de imaginar se Gray estava bem.
Mesmo enfraquecida, Juvia sentiu uma agitação na água em volta. Semicerrando os olhos, pode ver Gray nadando em sua direção.
– Gray-sama… — Pensou, meio grogue – Que bom que está bem. – Sorriu, fechando os olhos.
A impressão que ela tinha é que ele tentava falar com ela. Logo, o mago a alcançou. Colocando as mãos em seus ombros, começou a sacudi-la.
– Droga Juvia, aguente um pouco mais! — Pedia Gray, sem saber se a maga podia ou não ouvi-lo.
Juvia abriu os olhos quando sentiu o garoto mover o seu corpo. Do jeito que estava agora conseguiu ver a silhueta distorcida dos dois legions voando acima deles. Não podia perder a consciência, não ainda. Até porque, se desmaiasse naquele instante, a bolha que mantinha Gray respirando iria se desfazer.
Reunindo o pouco que sobrava de suas forças, segurou as mãos de Gray e entrelaçou seus dedos nos deles. O garoto corou, mas ela não podia ver.
Gray sentiu o poder mágico da garota emanando de suas mãos. Mesmo que parecesse loucura, pelo estado em que ela se encontrava, também não viu outra opção. Sabia que a proteção que toda aquela água oferecia era apenas passageira.
Mesmo que não pudessem se comunicar, os magos entenderam um ao outro e agiram em perfeita sintonia, fundindo suas magias. E com um Unison Raid perfeito, o Water Slicer de Juvia carregado com milhares de cristais de gelo, atingiu os inimigos certeiramente, fazendo com que eles, juntamente com seus animais, caíssem derrotados na água.
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Cidade de Zamúria 01:13 AM (Atualmente)
– E então Velho Crux, descobriu como faço para ler o livro? — Perguntou Lucy, ansiosa.
– Sinto muito Lucy. Essa é uma informação sigilosa do Mundo Espiritual. — Respondeu o velho espírito, sério. — É uma informação que só pode ser revelada a um mago celestial se ele for proprietário das doze chaves de ouro. — Lucy suspirou contrariada.
– Você não pode me dar nenhuma outra informação? Qualquer coisa serve! — Insistiu a maga.
– Desculpa Lucy, realmente não posso. — Crux respondeu, preparando-se para ir embora. Porém, antes de fechar o portão, olhou fixamente para sua dona. — Nós espíritos somo proibidos de dar qualquer informação sobre esse livro aos magos celestiais, mas nada impede que você desvende o segredo sozinha. — Disse — Entretanto, sinto-me na obrigação de lhe avisar: Não se meta com isso. O preço da verdade pode ser alto demais. — Terminando de falar, desapareceu, deixando uma temerosa Lucy para trás.
Já fazia algum tempo que Lucy e Natsu estavam pesquisando o material que tinham recolhido no apartamento de Yukino. Melhor dizendo, Lucy pesquisava. Natsu apenas assistia tudo sentado na cama, revoltado por não poder entrar em ação.
– Lucy, eu quero ajudar a procurar os outros! — Não parava de repetir, irritado.
– Se quer tanto ir, vá! — Respondeu a maga celestial, perdendo a paciência. — Não o amarrei aqui comigo. Em resposta, Natsu cruzou os braços e fez beicinho. Ele realmente não gostava de ficar parado enquanto seus amigos provavelmente estavam batendo em alguém. Todavia, o Mestre tinha dito que o melhor era que ficassem juntos, então iria obedecer. Afinal, era a vida da Lucy que, de alguma forma, poderia estar em risco.
Assim que eles voltaram ao hotel depois da visita ao apartamento de Yukino, tentaram fazer contato com a equipe que que estava investigando em Datra. Entretanto, ninguém respondeu.
Para preocupá-los ainda mais, descobriram, quando chegaram ao hotel, que Elfman e Evergreen haviam desaparecido.
– Nós vamos atrás deles. — Natsu falou, assim que constataram o sumiço dos dois amigos.
– Não vão não. — Gajeel cortou, ríspido.
– E quem é você pra me impedir, cabeça de lata? — Perguntou o dragon slayer do fogo, irritado.
– Por favor, acalme-se Natsu! — Levy pediu, tentando tranquilizar o amigo. — Ainda precisamos desvendar as pistas que encontramos. — Lembrou ela. — E como foi sugerido por Jellal, talvez apenas Lucy possa ler aquele livro.
– Deixamos isso pra depois! — Falou o mago do fogo.
– Natsu, essas pistas podem nos fornecer informações importantes sobre a situação em que estamos. — Insistiu a baixinha. — Fiquem aqui e tentem decifrá-las, ok?
– Enquanto isso, nós procuraremos pelos outros. — O dragon slayer do ferro anunciou. — Você pode ficar sentadinho aqui e assistir tudo, idiota. — Provocou.
– Como se eu realmente fosse fazer isso. — Natsu respondeu.
– Já chega Natsu. — Lucy pediu. — Eu ficarei. Ao menos até ter uma ideia melhor de tudo que está acontecendo.
– E também Natsu, o mestre pediu que as duplas não se separassem — Lembrou o exceed azul. Natsu bufou, irritado.
– Nesse caso, estamos indo. — Despediu-se Lilly, andando atrás de Levy e Gajeel, que iam em direção a saída.
– Se cuidem. — Pediu a maga celestial.
Agora, quase duas horas depois, Lucy e Natsu não estavam conseguindo contato nem mesmo com Gajeel ou Levy.
Lucy ainda encarava o vazio que era o lugar onde Crux estava, instantes atrás. O seu palpite era que o livro "Segredos Zodiacais" era a pista mais importante deixada por Yukino. A pista que ela nem ao menos podia ler.
Embora a ex-Sabertooth tenha indicado o livro "Objetos Mágicos Amaldiçoados" em sua carta, Lucy o leu e releu várias vezes com seus óculos leitores do vento³ e não encontrou nada de relevante.
O artigo cinentífico deixado dentro dele também parecia pouco importante, mesmo que fosse interessante. Tratava-se de um estudo sobre o seranium, uma nova substância mágica descoberta, altamente inflamável, porém capaz de drenar e conduzir a energia mágica do corpo de um mago. Aparentemente, estava sendo estudada pela comunidade científica.
– Yukino, o que você quis dizer com tudo isso? — Falou a maga celestial, jogando-se de costas na cama, ao lado de Natsu.
– No fim das contas, seu Espírito não ajudou em nada. — Falou Natsu, debruçando-se sobre Lucy. Repentinamente, estavam tão próximos que Lucy podia sentir o hálito quente do garoto em seu rosto. — Ué, por que você está ficando vermelha? — Perguntou ele, confuso.
– Eles se goxtam! — Happy zombou, voando por cima da cama.
– Não chegue tão perto, caramba! — Falou Lucy, empurrando o garoto, que caiu no chão. — E você, não enrole a língua! — Disse apontando para o exceed.
– Droga Lucy, a gente tem que conversar sériamente sobre essa sua mania de ficar me jogando da cama! — Falou o dragon slayer revoltado, levantando-se do chão. Lucy estava sentada sobre as próprias pernas na cama, e cobria a face corada.
– Se você não dormisse na minha cama o tempo inteiro, eu não te jogaria no chão. — Falou, com a voz abafada.
– É mesmo? — Questionou o garoto — Eu me pergunto se caso eu parasse de dormir em sua cama, você sentiria minha falta. — A garota, que tinha acabado de tirar as mãos do rosto, colocou-as novamente, escondendo uma vermelhidão ainda mais intensa que a anterior.
– Definitivamente não sentiria! — Falou, constrangida.
– Sinto interromper a discussão do casal, mas tenho que pedi-los que por favor, me acompanhem. — Uma voz estranha vinda da porta falou.
Natsu, Lucy e Happy olharam alarmados, e depararam-se com um senhor baixinho e gordo, parado na porta os encarando. Além disso, a combinação chamativa das roupas dele lembrava a Lucy muito a de outro alguém.
– Como conseguiu entrar aqui? — Perguntou a maga celestial, pondo-se de pé em cima da cama.
– A porta estava destrancada. Quanta imprudência, não? — Zombou a estranha visita — Só de pensar que eu espanquei o recepcionista atoa quando ele recusou-se a me dar a cópia da chave…
– O que você quer, desgraçado? — Natsu, cerrando os punhos, perguntou.
– Natsu! Não deixa ele roubar meu peixe! — O gato azul pediu, escondendo-se atrás do ombro do garoto.
– Peixe? Não, não, eu já disse o que quero. — Falou o estranho, entrando no quarto. — Quero que você e a Senhorita Heartfilia me acompanhem, sem criar problemas. — Repetiu.
– Eu e a Lucy? — Perguntou Happy, confuso.
– NÃO GATO IDIOTA, O DRAGON SLAYER E A SENHORITA HEARTFILIA! — Berrou o visitante. — Que aliás, tem uma belíssima calcinha. — Completou, abrandando o tom de voz, olhando por debaixo da saia de Lucy, que ainda estava de pé sobre a cama.
– TARADO! — Lucy gritou, pulando da cama e colocando-se atrás do outro ombro de Natsu.
– Você já deve saber que não vamos a lugar algum. — O Dragon Slayer falou, incendiando os próprios punhos como ameaça.
– Pelo contrário. Eu sei que vocês virão de livre e espontânea vontade. — Quando o estranho homem disse isso, quatro magos mascarados trajando estranhos uniformes brancos entraram no quarto.
– Karyu no Tekken! — Natsu gritou, tentando acertar um dos magos que entraram.
– Abra a porta para o Palácio do Touro Dourado, Taurus! — Lucy gritou. — Taurus, por favor! — Pediu, quando o espírito apareceu.
– Pode deixar Lucy-san! Eu vou arrebentar a cara desse idiota que fica olhando a sua linda calcinha! — Gritou o espírito.
– COMO SE VOCÊ PUDESSE FALAR ALGUMA COISA! — Repreendeu a contratante.
– Vocês são mesmo uns idiotas, não é? — Disse o baixinho, desviando-se com facilidade do machado de Taurus, que acertou a escrivaninha atrás dele, rachando-a e fazendo os livros de Yukino voarem.
Lucy já estava ponta para berrar com Taurus por quase ter destruído as pistas, mais uma coisa a fez estacar. Quando o livro "Segredos Zodiacais" abriu-se no ar, mesmo que por um instante, teve a certeza de ter visto letras.
Porém, quando correu para pegá-lo, sentiu seu pescoço queimar terrivelmente e despencou, com falta de ar.
– Nat… su! — Tentava dizer — Estou… Sufoc… — Não conseguia terminar.
– Ele não pode te ajudar. — O homem baixinho e gordinho abaixou-se ao lado dela e falou. — Está passando pela mesma coisa nesse exato momento. — Lucy tentou encontrar o amigo, olhando desesperada para os lados, mas só conseguiu localizar seus pés, saíndo detrás da cama, tremendo freneticamente. — Parem de usar suas magias e eu garanto que poderão respirar. Caso contrário, sufoquem até a morte. — Lucy, repentinamente, voltou a respirar, mas ainda estava abatida, no chão.
– Lucy! Natsu! — Happy berrava, voando pelo quarto, tentando fugir do mago de branco que o perseguia.
– Lucy-san! O que você fez a Lucy-san! — Gritou Taurus, erguendo seu machado contra o inimigo.
– Mate-me e ela também morrerá. — Falou o homem. — Essa é a proteção que a marca me oferece. — O espírito celestial olhou desesperado para sua dona.
– Vol… te! — Pediu ela, com dificuldade, e o portão se fechou. Imediatamente, Natsu também voltou a respirar.
– Vou explicar de uma vez, para que vocês não voltem a fazer besteira. Falou o Homem, levantando-se. Lucy teve a impressão que ele de pé não era muito maior que ela sentada. — Vocês estão ligados pela maldição marcada em seus pescoços. — Explicou sem rodeios. — Quando um dos dois usa magia, o outro sufoca até que ele pare de usar. Se não, parar, sufoca até a morte. Cada vez que vocês usarem magia, parte da marca é queimada na pele do seu vinculado. A pessoa que tiver a marca completada, também morre. — O homem sorriu ao ver a expressão aterrorizada na face da maga celestial. — E por fim, se algum dos dois tentar me matar, os dois morrem. É muito simples, na verdade.
– Monstro! — Lucy gritou. — Você foi responsável pela morte de Yukino!
– Você ouviu o que eu acabei de falar, mocinha? — O vilão perguntou, segurando Lucy pelo queixo e a colocando de pé. — Aparentemente, vocês tem muitas informações sobre nós. Então pense um pouco, e saberá quem foi o responsável pela morte da sua amiguinha. — Lucy arregalou os olhos. — Agora, levem-nos.
– Sim, Kotaro-sama! — Responderam os magos de branco, imediatamente algemando Natsu e Lucy com as mão para trás.
– Kotaro né? — Natsu respondeu, enquanto levantavam-no. — Eu vou arrebentar você, desgraçado.
– Eu acho que vocês vai ficar muito quieto, se preza pela vida da sua amiga maga celestial. — Disse o baixinho, antes de sabe-se lá como saltar e acertar uma cabeçada na testa de Natsu, que começou a sangrar.
– Natsu! — Lucy gritou.
– Cale-se, ou será a próxima. — Kotaro respondeu. Natsu trincou os dentes.
Sem opções, os dois magos contentaram-se em serem arrastados corredor a fora.
Antes de deixar o quarto, Kotaro recolheu os dois livros e o artigo, que estavam espalhados pelo chão.
– A vadia da Sabertooth era mais esperta do que aparentava. — Falou sozinho, caminhando em direção a saída. — Agora só falta consertar as burradas do Jiro-chan. — Disse, fechando a porta atrás de si.
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Notas:
¹ Akane Resort: Ponto turístico mais popular de Fiore, localizado na costa. Possui um parque de diversões gigante e um hotel cinco estrelas. Aparece no episódio 33 do anime.
² Plug SE: Dispositivo responsável por mandar o poder mágico do condutor de um veículo mágico diretamente ao motor interno. Definição retirada do episódio 56 do anime.
³ Óculos Leitores do Vento: Item mágico que te permite ler livros em velocidades incríveis. Definição retirada do episódio 03 do anime.
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