Vácuo

13 Reencontro e Despedida


Eu fiquei gelado, meu coração estava mais rápido que uma locomotiva. Mesmo se lembrar de quase nada, ela era minha mãe e não poderia morrer, não poderia me deixar aqui sozinho sem lembrar de nada. Sei que isso é egoísmo da minha parte, mas eu não queria de jeito nenhum perder minha mãe. Despedimo-nos da senhora Soledade e partimos em disparada em direção ao carro. Enquanto corremos nós vemos alguns dos seguranças tentando se levantar, já outros pareciam estar dopados, nao se mexiam e quase não dava pra perceber sua respiração. Mas agora isso não importava mais, nós teríamos que chagar ao hospital o mais rápido possível. Iago estava dirigindo e nós não dissemos uma palavra se quer. Raquel estava aflita pelo possível encontro com seu pai, e eu por provavelmente ver minha mãe morrer sem ao menos lembrar de todos os momentos felizes que tivemos. Depois de uns 20 minutos, finalmente chegamos até o hospital e o curioso era que não tinha nenhum segurança protegendo as entradas, então fomos entramos em disparada no hospital e fomos até a recepção pra saber em que andar e qual quarto minha mãe estava. Mas antes que pudéssemos confrontar a recepcionista, fomos abordados por aquele pediatra de cabelos escarlate, Ingryd, eu acho. Ela nos puxou para um canto vazio do saguão e nos contara que o lugar estava cheio de facínoras, todos eles contratados por Enzo, mas com as ordens do doutor leonan. As ordens era capturar a Raquel e neutralizar quem tentar se opuser. Ela nos levou até o elevador de serviço, onde assim, subimos até o sétimo andar onde ficava o quarto que minha mãe estava internada. Na porta estava escrito ''Perez'' então, logo soube que era o certo.

–--Por favor, sejam rápidos. Não sei quanto tempo vou conseguir atrasa-los.

A medica fala, e depois sai acompanhada de Sasha para tentar atrasar os capangas de Enzo. Iago, Raquel, Axel e Eu, ficamos no corredor. Eu ainda não tinha coragem de entrar no quarto, estava com medo, mas eis que ouço um barulho de choro, era a Anneatte que quando me viu correu de encontro a mim e me deu um abraço bem forte.

–--Ele está morto, Enrico. Eles o mataram, eletrocutaram meu pai até a morte. Anneatte fala enquanto chora bastante. Eu não acreditara, Raquel ficou perplexa e não aguentou e começou a chorar. De uma forma totalmente horrível, e para nossa proteção perdemos um amigo, um aliado, mestre.

–--Anneatte, me escuta, por favor. Vai pra casa, casa de uma amiga, mas por favor não fica aqui. Não vai ser algo bom de ver. A garota novamente me abraça e sai correndo pelos corredores e vai em direção ao elevador principal. Iago consola a Raquel e a leva para tomar andar um pouco, enquanto Axel vigia a porta, pois eu tomei a decisão de entrar no quarto.

Axel arromba a porta, e entro no quarto e me deparo com uma senhora que aparentava ter uns 70 anos, caucasiana, cabelos mais brancos do que algodão e estava muito mal. Eu me aproximo da senhora e fico parado ao seu lado e começo a lembrar de tudo. Meus aniversários, primeiros dias de aula, as broncas que ela me dava. Não aguentei e cai de joelhos no chão e comecei a chorar. Antes que pudesse levantar a cabeça, sinto uma mão sobre meus cabelos e lentamente levanto minha cabeça. Totalmente tremula e fraca, ela passa a mão no meu rosto fazendo um carinho enquanto lagrimas escorrem no seu rosto e um sorriso doce e discreto surge em sua boca. Devagar, ela leva sua mão em direção a sua mascara de oxigênio e a retira.

–--Eu sempre soube que você voltaria, nunca perdi as esperanças, meu pequeno. Eu te amo.

A boca dela seca, ela começa a engasgar e aos poucos o seu sorriso vai se desfazendo e seu braço desaba sobre o colchão do seu leito. Bastante pálida e fria tive a confirmação de sua morte. Levanto-me, dou um beijo em sua testa e vou em direção à porta. Estava destruído, abracei o Axel bem forte, e logo nós dois fomos abraçados por Raquel e Iago.

–--Nossa. Desculpe atrapalhar o momento ‘’luto eterno’’, mas aquela velhota já estava condenada. Enzo debocha de nós enquanto traz Sasha e a doutora Ingryd amarradas e as joga no chão. Ele estava acompanhado de vários capangas, não sei se todos nós daríamos conta.

–--É o seguinte, entreguem minha irmãzinha e quem sabe nós libertamos a vadia loira e a piranha traidora.

Axel não pensa duas vezes e prepara seu arco.

–--Que tal você receber uma flechada no olho nesse exato momento.

Antes que ele dispare a flecha, Enzo toma uma das armas dos bandidos e atira em Axel atingindo seu peito. Meu grito de dor poderia ser ouvido até de marte, corro em direção ao meu arqueiro e com minhas mãos apoio sua cabeça.

–--Por favor, fica comigo, vai ficar tudo bem. Você não pode me deixar Axel. Eu te amo.

Axel sorri pra mim e me beija.

–--Desculpe por tentar ser herói, por não ter demostrado todo o amor que sinto por você, mas pelo menos eu cumpri uma parte do prometido. Te trouxe até sua mãe, mas não vou poder ficar com você, me desculpe meu pequeno. Eu te amo, e adeus.

Axel engasga com seu próprio sangue e morre em meus braços. Sasha mesmo amarrada no chão estava desesperada e tentou se arrastar pra perto do irmão, mas foi impedida por Enzo.

–--Tá vendo, Raquel. O que você fez com seus amigos. Poderia ser tudo numa boa, na paz, mas não, você sempre tentando dificultar tudo. Agora já chega, o papai quer ver você.

Enzo e seus capangas nos amarram e somos levados a sala do Doutor Leonan.