Vácuo
14 O Meu Melhor Amigo
Minha vida tinha acabado. Eu havia perdido minha mãe, meu amigo e meu amor no mesmo dia, não sei se aguentaria. Eu não conseguia derramar uma lagrima. Raquel estava chocada, que não conseguia se mexer, não falou nada, quase não respirava estava numa espécie de choque catatônico. Sasha, coitada, estava chocada. Ela acabara de perder seu irmãozinho estava com a cabeça sobre o peito ensanguentado do seu irmão e não parava de chorar. Já eu, estava sem chão, só pude dar um ultimo beijo no meu amor antes de ser levado por Enzo e seus capangas. O corpo de Axel foi deixado ali mesmo estirado no chão. Não tinha ninguém naquela ala a não ser uma enfermeira que estava escondida, Raquel deu um jeito que avisa-la que chamasse a policia. A mulher entendeu o recado e voltou para seu esconderijo e assim que tivesse uma chance, avisaria as autoridades do que estava se passando. Antes que fossemos levados para o ‘’abatedouro’’, pude notar um senhor entrando no quarto da minha mãe. Ele estava acompanhado de um homem, uma mulher e dois jovens. Eram meu pai, minha irmã Erica, eu acho, me irmão Henri e provavelmente meus sobrinhos. Curiosamente eles não se assustaram tanto com o corpo estirado no chão, ou pelo menos não ficaram muito chocados e assim entraram no quarto, fecharam a porta e não pude ver mais nada só me restava continuar a andar. Chegamos próximo a sala do doutor leonan, mas antes que eles nos forçassem a entrar na sala, Raquel pega um machado que estava pendurado na parede e com toda sua fúria corta fora a mão de um dos facínoras, depois o arremessa acertando na testa de outro e começa a lutar com os outros Homens. Eu nunca vi a Raquel desse jeito. Ela estava com ódio, chorando de raiva, golpeava os capangas com tanta raiva que vi alguns dentes no chão, sangue pra todo lado, pescoços sendo pisados, homens sendo cortados por seu quase indestrutível canivete butterfly, eu fiquei bastante assustado e fui ajudar Sasha e Ingryd, mas elas já estavam libertas, pois Sasha consegui recuperar sua luva com garras e cortar a corda.
–--Não temos muito tempo. Vão embora agora e peçam ajuda. Enquanto vou batendo em alguns nos capangas que posso, e as garotas vão embora desesperadas. Sasha usa suas garras contra os capangas e abre caminho, assim fugindo pelo elevador com Ingryd em busca de ajuda. Raquel acabava com os dois últimos homens que faltavam e eu tentava ajuda-las, mas todo nosso esforço foi em vão, Enzo nos ameaça com sua arma e nós somos obrigados a parar.
–--Você não quer mais uma morte, não é irmãzinha? Enzo fala enquanto aponta a arma para minha cabeça. Enzo pega Raquel pelos cabelos e me ameaça a entrar na sala. Chegando lá, vejo aquele homem bem bonito de costas olhando para a janela.
–--Pronto pai, aqui está ela. Tive que neutralizar algumas pessoas, mas nada que não dê para resolver. O homem anda de um lado para o outro segurando uma foto em mãos e começa a falar.
–--Eu fiz de tudo por você, Raquel. Te dei a melhor educação, você estudou nas melhores escolas, sempre te teve presente caros, viagens, mesmo eu não estando muito presente sempre te dei todo amor que um pai poderia dar a um filho. E você rouba umas das coisas mais importantes pra mim, acaba com a festa beneficente que dei, agride meus seguranças e sai numa jornada com um delinquente? Antes que Raquel possa responder o doutor leonan vira para nós, e ele era maravilhoso para um homem de pouco mais de 50 anos. Ele me olha e empalidece, meu deus eu não estava acreditando, o pai da minha melhor amiga era Riquelme leonan, meu amor da juventude, meu melhor amigo e confidente, a pessoa que poderia confiar de guardar um segredo, até para amarrar um sapato. Ele larga a foto no chão e vem na minha direção, para, passa a mão no meu rosto e me dar um forte abraço.
–--Porque demorou tanto? Você não sabe o quanto eu sofri por não te ter por perto.
Ele me larga e sorri pra mim, eu estava triste por perder o meu amor, mas feliz por reencontrar o meu melhor amigo.
–--O tempo passa, mas eu ainda sou um pouco mais alto do que você. Ele começa a rir e responde.
–--Só em sonhos, baixinho. E me agarra. Raquel e Iago olham contentes para nós dois, mas Enzo não gosta nada do que vê, puxa o canivete da mão de Raquel e vem em minha direção. Mas antes que ele possa me acertar, o doutor leonan toma a minha frente e o canivete acerta o seu peito o fazendo cair duro no chão. Raquel grita, mas é empurrada por Enzo que por incrível que pareça estava chocado.
–--Eu disse que seria até que a morte nos separe. Eu só estava esperando você pra ir embora, mesmo assim, não queria que fosse desse jeito. Ele fala pra mim enquanto olha diretamente pra mim e beija minha testa. Raquel estava no chão e olha para seu pai ele pede desculpas por não ter sido paciente o bastante e disse que a ama. Já com Enzo, ele não se arrepende de ter feito um filho maravilhoso, mas sim de ele ter usado todas suas habilidades para o mau, e também disse que o amava. Logo seu coração parou de bater, ele fechou os olhos e foi de encontro com o vácuo eterno, a morte.
–--ISSO TUDO É CULPA SUA. EU NÃO QUERIA FAZER ISSO, A CULPA É SUA ENRICO! Enzo gritava, chorava e não sabia o que fazer.
–--Enzo meu irmão, acabou. Você viu o que fez, matou o Kaito, Axel e agora o papai. Você esta louco.
Enzo estava atordoado e ficou pior quando ouviu sirenes da policia. Eu olho pela janela e vejo varias viaturas estacionadas em frente ao hospital. Eu vejo Sasha com alguns dos policiais, e eles pediam pra Enrico se entregar. Mas o jovem não se entregaria tão fácil, então ele veio em minha direção e me apunhalou na barriga. Seguro sua mão, mas do mesmo modo ele me esfaqueia na barriga. Eu estava tonto, mas ainda assim tive força de agarrar o rapaz e me atirar com ele da janela do 7º andar e assim caindo em cima de uma das viaturas. Eu pude ver Raquel e Iago gritando da janela e desaparecendo vindo em minha direção, Sasha tentando vir a mim, mas foi impedida por um dos policiais. Estava tudo engraçado, tudo vibrava numa luz cintilante, eu vi tudo de bom que fiz nessa vida passar diante dos meus olhos e de repente estava tudo preto. Eu havia morrido.
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