Untitled

4 O Esquecido


Depois de quase uma hora caminhando, eu já não aguentava mais ver árvores, nós íamos um pouco mais e apenas árvores. Uns 10 minutos depois, nós ouvimos uma moita se mexendo e o olho puxado olhou para trás e sumiu, ou ele é muito precavido ou muito medroso. Kage desceu de uma árvore, fomos até a moita e atrás dela, havia um garoto que se parecia bastante comigo, olhos verdes, cabelos castanhos e umas roupas que condiziam mais com a minha época do que as roupas do "Japa".
Olhei pro garoto e perguntei qual era seu nome, ele respondeu:

– Pra que quer saber? Minha vida não é de seu interesse e mesmo que fosse, de que ia adiantar?

Levantei uma sobrancelha e disse:

– Realmente, sua vida não é de interesse meu e certamente minha vida também não é de seu interesse, entretanto...por que estava nos seguindo? Acha que eu não percebi os 5 galhos que você quebrou, fora as trezentas folhas secas que você pisou vindo atrás de nós? Por que essa perseguição toda?

– Bom, vocês parecem ser fortes e muito bem treinados, por quê não ficar atrás de vocês? Uma proteção dessa bagunça seria de grande ajuda, já que aqui se aplica a lei do "Mais Forte" e sou uma criança.

Eu ri alto quando ele terminou de falar e disse:

– Garoto, você é muito espertinho, adorei você, pode vir conosco.

Continuei rindo um pouco mais e o garoto estava com um pouco de raiva disso. Enquanto andávamos, o pasteleiro falou baixinho pra mim:

– Primeiro, nós não deveriamos levar qualquer criança que aparece no caminho conosco, e segundo...sério, vocês são MUITO iguais.

Eu respondi com uma piadinha:

– Primeiro, ta com medo do quê, da mãe dele aparecer e bater na gente?

Ele riu sarcasticamente e eu concluí:

– E segundo...é, a gente se parece um pouco.

Disse isso olhando para trás, onde estava o garoto. O "japa" olhou pra mim depois pro garoto e falou:

– Tem certeza que não tem um óculos em algum dos seus bolsos? Não é possível que você não esteja vendo a TOTAL semelhança.

– Que seja, vamos continuar nosso caminho.

Andamos mais um pouco e encontramos uma caverna com um corpo sendo arrastado para dentro, não conseguíamos ver o quê ou quem o arrastou mas decidimos entrar. Logo na entrada da caverna, vimos que não podíamos enxergar nada lá dentro (Que ironia). Não sei como mas o japa criou um tipo de luz com sua mão nua e a luz continuava acesa enquanto ele estivesse com a mão aberta. Com aquela luz do lado de fora, já conseguíamos enxergar metade da caverna, os olhos do garoto brilhavam ao ver aquele tipo de magia, foi tanta admiração que chegava á enjoar. O japa foi na frente iluminando o caminho e nós avistavamos as paredes da caverna pintadas com sangue ainda fresco, eu podia vê-lo escorrer. Algo foi lançado em direção ao "famoso mágico Mister J" que o fez apagar sua luz quando se defendeu, logo quando ele apagou a luz, uma voz de lugar nenhum me disse assim:

"É tudo culpa sua, você deveria ter ficado sozinho nas ruas"

Eu não entendi nada e parece que só eu pude ouvir aquilo, o "pasteleiro" e o garoto estavam chamando um ao outro para saber onde estavam, Kage acendeu uma luz no chão dessa vez e então eu a vi.
Ela estava lá, bem na minha frente, seus cabelos embaraçados, suas roupas rasgadas e ela estava sangrando, então eu disse seu nome:

– Shelly?

Ela gemia de dor, eu pude sentir a angústia em sua voz e também o ódio em suas palavras quando ela disse:

– Era pra ser você em meu lugar. Nada disso teria acontecido comigo se eu deixasse você, seu merdinha, no olho da rua do jeito que te encontrei.

Eu não sabia o que dizer, fiquei abismado com a figura dela ensanguentada bem na minha frente. E então ela disse:

– Me abrace. Eu senti tanto a sua falta, por quê me deixou sozinha?

Eu fui chegando perto e pude ver que ela estava mesmo muito mal. Eu chorei quando a senti novamente em meus braços, sentia seus cabelos em cada dedo e quando achei que não podia piorar, vi um homem e uma mulher atrás dela, a mulher só chorava enquanto o homem dizia:

– Você acabou com as nossas vidas, por quê você teve que nascer?

O estranho foi que ele não dizia isso olhando para mim, quando olhei para trás, vi o garotinho olhando assustado para os 2, soluçando e chorando, a mulher agachou e abriu os braços e o garoto começou a ir em direção a ela.
De repente, a voz do japa ecoou na minha mente dizendo:

"Você está encurralado por suas emoções, saia daí e leve o garoto"

Eu sabia que não podia ser verdade, eu vi o corpo dela morto quando eu era novo. E então eu fiz uma pergunta:

– Eu sei que você não está viva então só tenho uma pergunta.
Como você quer morrer dessa vez?

A mulher que estava atrás da Shelly revelou olhos negros, garras e dentes afiados e disse ao garoto:

– Vem pra mamãe!

Ela começou a correr em direçao ao garoto, eu saquei minha arma apontando para a mulher e senti Shelly pondo suas garras afiadas em volta da minha barriga.
Para minha sorte, o japa estava ali e cortou os 2 braços de Shelly, com ela desarmada, eu pude acertar um tiro na cabeça da mulher que estava atrás do garoto. Logo depois disso, o homem com os olhos negros olhou para mim e se mostrou uma fera grotesca, ele começou a crescer, sua pele foi se esticando e rasgando até revelar sua verdadeira forma, uma criatura abissal da cor da lama, parecia ter o dobro do meu tamanho, corpo deformado, unhas longas e pontudas nos pés e mãos, ele não tinha cabeça mas havia olhos em seus ombros.
Quando mirei nesse monstro, Shelly me empurrou e mordeu meu braço esquerdo, fazendo minha pistola cair no chão, Shelly pulou em cima de mim tentando morder mas eu consegui segurá-la pelos ombros.
De repente, o garoto se jogou em cima de Shelly, empurrando-a para o lado, ela caiu de costas mas girou suas pernas em 180 graus e se levantou como alguém possuído, foi logo pra cima do garoto que agora estava caído olhando a Shelly indo em direção a ele. Eu não tinha tempo de procurar minha pistola, Shelly estava prestes a arrancar a cabeça do moleque e o japa estava muito ocupado tentando distrair o monstro com olhos nos ombros então não tive outra escolha, peguei a espada que Kage havia me dado, girei meu punho algumas vezes e arremessei a espada em direção á Shelly, a espada atravessou o peito de Shelly e a cravou na parede, depois de alguns segundos, Shelly virou pó. O garoto veio a mim, me abraçou e enquanto chorava, me agradeceu por tê-lo salvo, agora era a vez de ajudar o japa a acabar com o monstro olhudo.
Disse para o garoto ficar ali no cantinho e fui procurar minha arma, por algum motivo, um dos braços de Shelly não virou pó junto com o resto do corpo. Mas enfim, consegui encontrar minha arma, retirei minha espada da parede da caverna, corri em direção ao monstro, girei meu corpo, arremessei a espada e dei um tiro no cabo da espada. Dessa vez, a espada atravessou por completo o monstro, ele urrou tão alto a ponto de fazer a caverna tremer. O monstro bateu com seu ombro na parede da caverna, pedaços grandes de rocha caíam e eu gritei para o garoto sair da caverna, imediatamente o monstro focou sua atenção no garoto e começou a ir atrás dele mas não foi simplesmente assim, ele pôs uma mão no chão da caverna e 3 esqueletos com dentes pontiagudos se ergueram do chão querendo nos atacar. O japa estendeu suas duas mãos, disse algumas palavras em uma língua qualquer e surgiu um tipo de lança espectral em suas mãos (pelo menos foi o que eu achei) e então ele a arremessou em direção dos esqueletos e a lança se transformou em um cavalo, os 3 esqueletos viraram uma pilha de ossos em apenas um golpe, após isso, Kage pegou uma garrafa de sua bolsa e derramou o líquido em sua espada e um pouco no chão e me disse:

– Atire no líquido do chão, eu consigo matá-lo!

Dei um tiro no líquido, com a faísca da bala, sua espada pegou fogo. O japa correu em direção a parede da caverna, pulou com as duas pernas na parede e se impulsionou contra o monstro, antes de chegar perto do monstro, ele jogou sua espada que foi girando até cravar na barriga do monstro, então quando o monstro estava prestes a pegar o garoto, Kage na velocidade que estava, segurou a espada e continuou cortando-o ate transformar o monstro em dois. O monstro havia sido derrotado, ele foi cortado da barriga até o ombro, o sangue marrom do monstro borbulhava devido ao fogo que esteve em contato com sua pele naquele meio segundo e ele virou pó assim como o corpo da mulher e da Shelly. O que mais me intrigou foi o braço direito de Shelly não ter sofrido o mesmo destino, ele continuou ali no chão, normal e sujo de sangue. Perguntei ao japa se ele sabia o que tinha acontecido ali e ele respondeu:

– Este monstro surgiu numa época muito distante da sua, até mesmo da minha. Ele usa a sua mente para te deixar vulnerável, alguém que já morreu, alguém que você ama ou amou muito, alguém que você já odiou ou odeia muito. Mas todos eles foram criados com pedras e terra, era tudo uma ilusão, por isso eles viraram pó quando morreram, até o Pschango.

– Quem?!

– Pschango é o nome dado a esse monstro que acabamos de derrotar, ele também vira pó quando é morto porque ele não foi uma criatura viva em alguma época certa, ele foi criado a partir de algum bruxo mas os Pschango não tentam matar seus criadores e eles não morrem com o tempo. Talvez este devia estar a bastante tempo nesta caverna e já que ele conseguia conjurar outros mortos como os esqueletos, ele poderia estar sendo controlado.

– Mas os braços da Shelly não viraram pó, isso quer dizer alguma coisa?

– Pra falar a verdade, se isso não aconteceu com os braços dela...ela não foi feita apenas com pedras e terra.

– E isso quer dizer o quê?

– Quer dizer que os braços dela...são realmente os braços dela.

– Então...ela não está morta?

– Receio que não mas se ela está sem os braços, não deve restar muito tempo á ela mas se não virou pó até agora, ela deve estar bem...sem os braços mas bem.

– Com certeza está, ela sempre dá um jeito.
Mas e você? Quem apareceu pra você?

– No meu caso foi alguém que odiei muito.

Kage disse isso indo para a entrada da caverna, acho que isso realmente mexeu com o emocional dele.

Notas finais
Acho que estou ficando sem criatividade mas pretendo melhorar, divirtam-se com esse novo capítulo. ;P