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5 A Descoberta


Notas iniciais
Queria enviar logo esse capítulo pra não demorar muito a postar (apesar d'eu já ter demorado :P) Divirtam-se o/

Quando chegamos, o garoto estava sentado no chão, olhando para o crepúsculo do sol com os olhos cheios de lágrimas. Perguntei o por quê dele estar assim e ele respondeu:

— Eu vi meus pais...eles disseram coisas ruins sobre mim...eu sempre quis conhecê-los mas agora...

O garoto abaixou a cabeça e voltou a chorar, e então eu disse a ele:

— Não ligue pro que eles disseram, eu também já quis conhecer meus pais mas hoje em dia eu vejo que consigo me virar sem eles, nunca achei que conseguiria cuidar de mim e olha só, agora eu cuido de um garoto...claro, eu sou meio pentelho ás vezes mas quem não é?

O garoto sorriu e disse:

— Você tem razão...eu consigo dar conta de mim mesmo...a propósito, qual o seu nome? Meu nome é Stanley.

Quando o garoto disse isso, eu congelei, Kage olhou pra mim assustado e o garoto falava:

— Senhor? Você tá bem?

Até que eu respondi calmamente:

— Claro, eu tô bem, estava pensando em outra coisa, meu nome é Jack. Se importa se eu perguntar o que aconteceu com seus pais?

— Não sei ao certo, eles me deixaram sozinho desde o mês passado e não vejo eles desde então.

Quanto mais o garoto falava, mais eu me assustava, Kage viu como eu estava e interrompeu o garoto:

— Okaaay, tivemos todos um dia exaustivo, precisamos descansar, que tal dormirmos nessa caverna? Já limpamos ela dos monstros, já está segura dos perigos mas independente disso, vou pôr umas armadilhas pela porta e lá fora para pegar alguns alimentos, que tal?

O garoto estava super animado:

— Claro, vocês podiam aproveitar e me ensinar a lutar um pouco, o que você fez com sua espada foi muito legal, Senhor...?

— Kageyume mas pode me chamar de Kage, parece que esse apelido pegou entre os mais "chegados", e obrigado, treinei bastante pra saber fazer coisas do tipo.

— Você pode me ensinar? Me sinto tão confiante, acho que serei de bom uso para vocês.

— Não vamos te usar, só queremos que você aprenda a se defender, podemos te ajudar mas quando não conseguirmos, você vai ter que se virar sozinho. Não é, Jack?

— Claro claro, o que você achar melhor.

Eles treinaram um pouco com adagas na caverna e eu continuava espantado com a situação, Kage tentava me distrair mas não conseguia. Todas aquelas coisas que os "pais" do garoto disseram foi pra mim. Mas então eu pensei, aquele garoto é bom, eu conheço ele desde sempre, é como se fosse meu filho então me senti no dever de protegê-lo. Então eu fui falar com Kage:

— Japinha, vem aqui

— Já voltou com os insultos então já deve estar melhor da cabeça.

— Juro que estou rindo mas possuo uma técnica que me permite rir mentalmente.

— Hahaha, muito boa.

Não sei se ele riu sarcasticamente ou não. Enfim, eu disse:

— Então...qual a possibilidade de eu ter encontrado meu Eu do passado?

— Bom, já que muita coisa estranha está acontecendo, animais pré-históricos voltando a aparecer, magias nunca antes vista...acho que são grandes as possibilidades.

— E qual a possibilidade d'eu morrer se ele morrer?

— Certas.

Que ótimo, já não conseguia tomar conta de mim, agora preciso ter cuidado em dobro. Então Kage disse:

— Mas talvez seja bom para ambos, imagino que você sempre se sentiu sozinho, abandonado e com medo das pessoas, essa é sua chance de mudar o que você sentia, seja pra ele o que você sempre quis ter. Um pai.

Essa frase me emocionou mas eu não ia deixar o japa saber disso, tratei com sarcasmo o que ele disse:

— Olha só, o japinha sabe sobre família.

— Pois é senhor Jack, depois que perdemos quem amamos, aprendemos que tudo um dia acaba. A lâmina perde seu fio, cabelos perdem a cor, a abstinência de contato humano lhe faz perder a sanidade. Enfim, um coração para de bater em um milésimo de segundo, fácil assim. Daí não tem como voltar atrás. Sem arrependimentos. Sem ódio. Sem amor. Apenas um último suspiro.

Ficou um clima meio pesado e silencioso depois disso, então perguntei:

— Quer conversar sobre isso?

— Não, eu estou bem.

Kage disse isso e voltou rapidamente a treinar o garoto como se nada tivesse acontecido. Ele parece lidar muito bem com seus problemas. Ou muito mal. Fizemos uma fogueira e passamos a noite naquela caverna, Kage arrumou coelhos para comer, o garoto voltou a treinar sozinho, ele estava muito empenhado, que orgulho de mim mesmo. Kage nos chamou pra comer quando terminou de assar os coelhos e o garoto queria continuar treinando (sério, que orgulho). Mas então eu disse:

— Você está se saindo muito bem mas com fome você vai ficando mais fraco com o tempo.

— Obrigado mas eu ainda consigo ficar de pé.

— Vem comer logo, só vai perder 10 minutinhos do seu treino.

Ele ficou indignado como toda criança ficaria mas veio comer. Dei uma zoada no Kage:

— Aí japa, tem ketchup aí não?

— Não, mas consegui encontrar tomates, serve?

— Olha, está começando a se mostrar prestativo.

— Ha-ha, engraçadinho.

O garoto riu um pouco e comeu um coelho inteiro. Coitado, devia estar perdido nesta floresta a bastante tempo. Kage improvisou uns travesseiros com a pele dos coelhos e pedra e então fomos dormir.

No outro dia quando estava prestes á amanhecer, Kage me cutucou no ombro duas vezes e sussurou:

— Levante, pegue o garoto e vamos embora em silêncio.

Eu acordei e vi uma pessoa no fundo da caverna, alta e esguia, usando um manto que cobria o corpo todo e um capuz, ela olhava os restos do monstro que derrotamos noite passada, devia ser seu criador. Eu levantei devagar, peguei minha mochila, peguei o garoto no colo e fomos para a saída da caverna, Kage e eu. Quando chegamos na saída, a pessoa falou com uma voz de homem que ecoava pelas paredes da caverna:

— Vocês matam minha criação, comem em minha casa, usam minha comida e saem sem ao menos dizer um olá?

Eu cochichei com Kage:

— Como assim "usam minha comida"?

— Eu achei os tomates aqui na caverna

Eu quis trocar de parceiro na hora que ele me contou isso, minha cara de indignação estava ótima. E então, o homem disse:

— Parem de cochichar, eu estou ouvindo vocês. Logo logo, apenas ouvirei o sussurro dos senhores quando estiverem engasgados com o próprio sangue.

Quando ele disse isso, Eu e Kage corremos para fora da caverna, quando olhamos pra trás, o homem já estava vindo atrás de nós, então Kage começou a destruir o topo da entrada da caverna. Quando o homem estava quase na entrada da caverna, as pedras começaram a cair, fechando a entrada da caverna por completo. Kage disse:

— Essa foi por pouco.

Sim mas quem te garante que ele não saia daí em segundos? Vamos sair daqui logo.

Contornamos a caverna e fomos na mesma direção que estávamos mais cedo. Perguntei á Kage se ele sabia algo sobre aquele homem e ele respondeu:

— Aquele homem devia ser um Chimora, necromantes antigos, um dos poucos que sabiam invocar os Pschango. Precisamos de um banho de cachoeira para limpar nossa alma

— Como assim?

— Quando matamos um Pschango, nossa alma fica marcada com o sangue deles, assim os Chimora podem nos achar sempre e não tem onde se esconder.

— Você o matou, você está marcado.

— E com quem eu ando?

— Fala direito comigo. E onde vamos achar uma cachoeira nesse escuro?

— Eu encontrei uma antes de te encontrar, não devemos estar muito longe agora. E daqui a pouco irá amanhecer, vocês dormiram bastante. Vamos andar rápido, o Chimora com certeza sabe onde estamos.