Until Kingdom Come
15 Capítulo 15
Notas iniciais
O apartamento de Lucas era o oposto do de Patch. O de Patch era arrumado, silencioso e limpo. O de Lucas era igualmente grande, mas diferente. Na sua sala de estar havia uma TV de plasma, com vários jogos e um console de Xbox espalhados no chão, perto do sofá de veludo bege. A cozinha ficava no lado direito da sala e nela tinham várias caixas de pizzas abertas e provavelmente estragadas. A mesa de jantar era pequena e estava lotada de livros, cadernos e materiais escolares. Na minha frente haviam três portas fechadas, que deduzi ser os quartos e o banheiro.
- Desculpe pela bagunça. Eu não costumo receber visitas. – ele disse envergonhado.
- Tudo bem. Eu vou dar um jeito.
- Não, não. Não precisa, eu arrumo tudo.
- Lucas, é o mínimo que eu posso fazer, já que vou ficar aqui.
- Tudo bem.
Eu arrumei aquela bagunça e entrei naquele que seria o meu quarto. O cômodo era grande e arejado. Havia uma cama de solteiro em um canto e uma escrivaninha e um armário em outro. Arrumei as minhas roupas no armário e deitei na cama depois de 48 horas sem dormir.
Lucas passava a maior parte do dia na faculdade, e isso não era um problema para mim, uma vez que eu arrumara um emprego em uma livraria. A livraria ficava no centro da cidade, perto do apartamento de Patch. Eu ficava lá o dia todo e Lucas me pegava quando o turno acabava. Eu estava gostando dessa rotina. Eu não falava com Patch há mais de uma semana, quando eu o vi entrando na livraria que eu trabalhava. Ele estava diferente, não sei. Suas roupas eram as mesmas, sua aparência também, mas algo estava diferente.
- Nora. – ele disse surpreso.
- Patch. – respondi. Como se ele não soubesse que eu trabalhava aqui.
- Você está trabalhando aqui?
- Sim, e o que você está fazendo aqui? Está me perseguindo? Por que não persegue Dabria. – isso o afetou de algum modo.
- Nora. Nós podemos conversar? Só que civilizadamente dessa vez?
- Estou trabalhando. – eu disse colocando alguns livros na prateleira.
- Quando você sair do trabalho, eu te pego e depois te levo para casa. – ele parecia esperançoso.
- Não vai dar. Lucas vem me buscar e me leva para casa.
- Lucas, quem é Lucas? – ele parecia com raiva, ou ciúmes.
- Meu amigo.
- É com ele que você está morando? – eu estava gostando disso.
- Sim. Mas eu não te devo satisfações.
- Vamos, Nora. Vamos conversar.
- Tudo bem. Meu almoço é daqui à uma hora. Eu te encontro no café aqui da esquina. – eu disse a contra gosto.
- Tudo bem. – ele respondeu e saiu rapidamente.
Por mais que eu não quisesse me encontrar com Patch, uma parte de mim estava ansiosa por isso. Eu ainda gostava dele e ele deixou bem claro quando beijou a Dabria que não queria nada comigo. Quando a hora passou, eu tirei o meu avental e sai relutante para o encontro. Patch estava sentado em uma das mesas redondas com banquinhos altos no fundo do café. Na frente dele tinham duas xícaras de chocolate quente e uma caixa com donuts.
- Olá – eu disse séria.
- Nora. Você veio. – ele parecia surpreso.
- Mas é claro, fui eu quem te disse para vir aqui.
- Mesmo assim. Nora, eu tenho tanta coisa para lhe falar.
- Vamos direto ao ponto. – eu disse seca. – Eu não acredito nem um pouco em você e por que deveria acreditar?
- Por que eu te amo e eu sei que você também me ama. – isso me atingiu como um raio elétrico.
- Depois de tudo o que você fez, eu acho que não.
- Nora. Acredite em mim, tudo o que eu lhe disse é verdade.
- Eu acho que estou perdendo o meu tempo aqui. – eu falei levantando da cadeira. Patch pegou na minha mão e disse:
- Não vá. – eu olhei para minha mão e ele a soltou.
- Me convença a ficar. Está chovendo lá fora e eu tenho que voltar antes que a chuva aperte.
- Eu já lhe disse que estou sendo sincero, em todos os sentidos. Agora basta você acreditar em mim. Confiar em mim.
- Acho que não. Eu vi você com a Dabria, você tem uma namorada e ainda sim faz tudo isso comigo. Por quê? Por que tudo o que você faz e diz é secreto, misterioso? Nada disso é real?– a essa altura eu estava com lágrimas nos olhos. Patch olhou para o chão e não me respondeu.
- Eu disse, acho que estou perdendo o meu tempo. – eu disse e sai para a chuva. No momento em que percebi que estava sem guarda chuva e iria me molhar muito, algo pegou na minha cintura. Patch passou a mão nos meus cabelos encharcados, olhou fundo nos meus olhos e me beijou. Eu estava tão chateada que não o empurrei. Em vez disso, eu o puxei mais para mim e de repente nós estávamos nos beijando na chuva!
Eu não sabia o quanto gostava dele até esse momento. Eu não queria separa– lo. Quando perdemos o fôlego, ele me afastou – sem tirar as mãos da minha cintura – e sussurrou no meu ouvido:
- Eu não te disse. Você queria uma razão para ficar, estou te dando uma. – ele disse ofegante. Ele era sempre tão confuso e misterioso. Eu achava que o conhecia, mas ao mesmo tempo não sabia nada sobre ele. Eu ia abraça – lo, quando alguém chamou o meu nome.
- Nora. – Lucas gritou. Ele veio até nós e eu me afastei de Patch.
- Quem é esse? – Patch perguntou claramente com ciúmes.
- Lucas. – eu o chamei.
Eu os apresentei e fui embora com Lucas.
- Vamos nos ver de novo? – Patch gritou atrás de mim.
- Eu não sei. – gritei de volta.
- Você gosta dele? – Lucas perguntou enquanto me levava para casa.
- Eu não sei. Está tudo tão confuso. Eu não quero falar sobre ele agora. Agora o que eu mais quero é encontrar os meus pais.
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