Unlike Cinderella...
8 Capítulo 7 - Assignation...
Notas iniciais
POV Ally
– Elliot, você está afim de se apaixonar por Ally? – pergunta Trish. – Lembre-se que essa é uma proposta única. É pegar ou largar! – completa em um tom de malícia.
Olho para aquela cena com descrença. Eu não consigo acreditar na proposta que Trish faz a Elliot.
– Está falando sério? – pergunta Elliot em dúvida.
– Não dê ouvidos a ela, Elliot. Trish perdeu, completamente, a sanidade. – falo tentando reparar a loucura que Trish estava prestes a fazer.
– Ally está certa, Elliot. Não se pode dá ouvidos a pessoas que te chamam de perfeito assim que você chega no lugar. – Austin fala, apoiando meu argumento.
– Eu não enlouqueci! – defende-se. – E eu já expliquei o porquê de tê-lo chamado assim.
– Acho que consegui entender aonde Trish quer chegar com essa história e, pensando bem, pode ser uma ótima ideia. – diz Dez, lançando um olhar e um sorriso cumplice a Trish.
– Gente. – choramingo, tendo fazê-los mudar de ideia. É simplesmente insano achar que eu possa lidar com essa situação.
– Hãn, pessoal? Será que dá para alguém me explicar o que está acontecendo? – pede Elliot.
– Esquece essa loucura, Elliot. – fala Austin, colocando a mão nos ombros do moreno. – É só uma louca ideia que passou na cabeça de Trish.
– Elliot, queremos que finja está apaixonado por Ally. Austin e ela não querem se casar e a melhor forma que encontramos de anular esse casamento é com a comprovação de que os dois nunca poderiam dar certo. – explica Trish, ignorando Austin e eu.
Elliot dá um riso de descrença pelo que ouvia sair de nossas bocas. Não é para menos, estamos o envolvendo em um assunto muito mais amplo do que se parece ser.
– Inacreditável. – diz Elliot, olhando para nós com incredulidade. – Vocês são loucos. Tem certeza que isso pode dar certo?
– Não, não temos certeza de nada. Por isso, não precisa se envolver. – responde Austin. O loiro parecia não está gostando nem um pouco do envolvimento de Elliot no nosso plano.
– Bem, apesar de não termos certeza de nada, achamos que pode dar certo. – fala Dez.
– Certo! Então eu ajudarei Ally a sair dessa enrascada. – decidiu Elliot, sorrindo para mim. Coro, envergonhada pela maneira como ele me olhava.
– Tem certeza disso, Elliot? – pergunto sem olhar em seus olhos. – Não precisa fazer isso, se não quiser.
– Ally, eu quero te ajudar. Pode contar comigo! – responde, aproximando-se de mim e fazendo-me olhá-lo, quando levanta meu rosto com delicadeza. – Estou feliz por ajudá-la.
– Certo, Romeu. Agora, poderia nos dizer o que veio fazer aqui? – questiona Austin, afastando Elliot de perto de mim. Confesso que foi bem estranho.
Ouço Dez e Trish soltarem risinhos disfarçados e os olho confusa. O que é que está acontecendo? Parece que estou sobrando na conversa.
– Vim convidar Ally para almoçar comigo e conhecer a cidade, já que faz pouco tempo que ela chegou aqui. – responde Elliot, sorrindo de maneira simpática.
Antes que eu respondesse qualquer coisa, Austin responde a proposta de Elliot com agilidade. A cada minuto que passo perto de Austin, mais eu o acho estranho. A personalidade dele é bem bipolar.
– É uma pena, mas ela já tem compromisso. Ela vai almoçar com minha família e eu e, mais tarde, Dez e Trish a levarão para conhecer a cidade. Não precisa se incomodar. – o loiro complementa a fala com seu típico sorriso irônico.
– Você é engraçado, Austin. Decida-se logo sobre o que quer da vida. – responde Elliot, rindo de Austin. Estou cada vez mais confusa. – E, imagino eu, que a pergunta foi feita a Ally. Por que não permitimos que ela responda a pergunta?
Todos da sala começam a me encarar. Nesse momento, meu rosto fica mais vermelho do que já estava. Não sei exatamente o que dizer. Ao mesmo tempo em que eu não queria contrariar Austin, eu não podia desapontar Elliot que está sendo tão gentil comigo. Olho para Dez e Trish, como se eles pudessem entender o meu pedido de ajuda e os dois apenas dão de ombros. Ou seja, a decisão está em minhas mãos.
– Hãn, Eu... Hum... Olha, sendo sincera com ambos, eu não sei o que fazer. – resolvo dizer a verdade. Esse tipo de coisa nunca aconteceu comigo.
– Venha comigo, Ally. Terá muito mais tempo para almoçar com Tia Mimi e Tio Mike. Além do mais, acredito que eles entenderão a situação se você explicar. – argumenta Elliot.
– Quer dizer que ela não terá tanto tempo assim para sair com você, Elliot? É o primeiro almoço de verdade com a minha família que ela terá. Está disposta a estragar isso, Ally? – pergunta Austin.
Ótimo, agora eu estou mais confusa ainda. Não faço a menor ideia do que fazer. Quero ir para os dois lugares, mas não posso. O que fazer? Não quero decepcioná-los.
– Ok, isso está sendo ridículo! – fala Trish. – A Ally vai com Elliot e acabou. Outro dia a Ally almoça com a Tia Mimi e o Tio Mike e depois conhecerá a cidade comigo e Dez.
– Trish! De que lado você está? – pergunta Austin, incrédulo.
– Do lado da Ally. – responde Trish com sinceridade. – Vocês dois estão a colocando em uma posição impossível. Além disso, essa pode ser uma boa oportunidade da Ally e o Elliot se conhecerem melhor.
– Concordo com a Trish. – opina Dez. – A Ally, tadinha, já está com vergonha do que está acontecendo e vocês ainda pioram tudo. Tenham um pouco mais de compaixão.
– Obrigada. – sussurro para os dois em agradecimento. Suspiro aliviada, em seguida.
– Ótimo! Vou te levar para conhecer os lugares mais incríveis de Miami, Ally! – diz Elliot em êxtase.
– Tudo bem. Espere apenas que eu coloque uma roupa apropriada. – peço e o mesmo afirma, balançando a cabeça.
Subo as escadas e, ao chegar em meu quarto, escolho uma roupa básica e soltinha. Miami está bem quente. Resolvo ir com um vestidinho branco de alças fininhas e com algumas flores vermelhas e apenas um cinto marrom preso a cintura para deixá-lo um pouco mais encorpado. Olho no espelho e gosto do resultado. Coloco uma rasteirinha e solto os meus cabelos. Dou uma rápida penteada e pego minha bolsinha preta.
Volto para sala e todos estavam em silêncio. Austin parecia chateado, mas prefiro não comentar nada. Ao notarem a minha presença, todos se levantam.
– Você está linda. – elogia Elliot.
– Obrigada. – agradeço com um pequeno sorriso.
– Bem, nós estamos de saída. No fim da tarde venho deixá-la. – fala Elliot, oferecendo seu braço a mim. Pego e o mesmo me lança um sorriso em resposta. – Até mais.
– Tchau Ally e Elliot. Divirtam-se. – despede-se Trish, sorrindo.
– Tchau e juízo vocês dois, hein?! — fala Dez acenando com animação.
– Até logo Trish, Dez e Austin. – digo e acompanho Elliot até seu carro.
Elliot abre a porta de seu carro para que eu pudesse entrar e depois entra no lado do motorista. Ele lança um sorriso antes de ligar o carro e partir a algum lugar que não conheço.
– Prefere almoçar primeiro ou conhecer a cidade? – pergunta, enquanto presta atenção no trânsito.
– Almoço, por favor. – peço e o mesmo concorda.
Passamos um tempo em silêncio, apenas aproveitando a companhia um do outro. Observo a paisagem passar pelo carro e me encanto cada vez mais pela beleza de Miami.
– Desculpa. – ouço Elliot falar e me viro para ele, tentando entender o porquê, exatamente, dele me pede desculpas. – Pela cena que Austin e eu fizemos agora a pouco. — explica.
– Não se preocupe. Está tudo bem. – digo com sinceridade.
– Sei que pode parecer estranho para você, mas Austin e eu funcionamos dessa maneira. Desde crianças, nós dois sempre batemos de frente e nossas personalidades só fazem piorar a nossa relação. Mas, somos bons amigos. Discutimos e tudo mais, mas sabemos que podemos sempre contar um com o outro. – explica, suspirando.
– Isso é encantador. – comento, voltando a observar a paisagem.
– O que? – pergunta Elliot com curiosidade.
– Vocês serem tão diferentes e se darem tão bem. Se for analisar melhor, a amizade de vocês é bem mais forte do que parece. Vocês convivem diariamente brigando e, ainda sim, estão sempre juntos. Vocês possuem uma amizade muito bonita. – explico meu ponto de vista.
– Você acha? – pergunta Elliot, sorrindo em satisfação.
– Sim. – respondo, sorrindo para o moreno.
Depois dessa breve conversa, volto a observar Miami pelo vidro do carro. Não demoramos a chegar ao restaurante. O lugar era muito bonito e era bem perto da praia, o que nos dava uma vista maravilhosa.
Sentamo-nos em uma mesa um pouco mais afastada. Fazemos nossos pedidos e logo nossa refeição é servida. A comida estava maravilhosa. Provavelmente, meu encanto por Miami nunca irá acabar.
– Gostou daqui? – pergunta Elliot, observando-me atentamente.
– Sim. O lugar é muito bonito. – respondo, sorrindo.
– E como está a comida? – questiona.
– Divina! – exclamo, após saborear um pouco mais da comida. – Aqui é maravilhoso.
– Fico feliz que tenha gostado. – fala Elliot. Após um tempo em silêncio, o rapaz volta a falar. – Ally, eu posso te fazer uma pergunta?
– Claro. – respondo, limpando minha boca com o guardanapo, em seguida. Observo o garoto se endireitar na cadeira.
– Por que você não quer se casar com Austin? Por acaso, isso tem a ver com a maneira com que ele te trata? – questiona com interesse.
– O problema não é Austin, se é o que está imaginando. – respondo. – Eu não quero me casar apenas para cumprir um compromisso, entende? Eu quero me casar por amor. Sei que pode ser um desejo infantil, mas é o que eu realmente quero.
– Não é infantilidade querer se casar por amor, Ally, isso é sensatez. Quando as pessoas se casam é para viver ao lado da pessoa até que a morte os separe. Casar-se com alguém que não ama é algo desumano, se pararmos para pensar. – diz Elliot. Sorrio com intensidade. É muito bom saber que não sou a única a pensar assim.
– Deseja se casar um dia, Elliot? – pergunto, antes de tomar um pouco do meu suco.
– Tenho vontade de me casar e construir uma família, mas não pretendo tão cedo. Quero curtir minha vida o quanto eu puder. Somos jovens, Ally. Casamento é coisa séria demais. Não pretendo tomar uma decisão dessa de qualquer maneira. Só me casarei com quem eu amar de verdade. – sinto que as palavras de Elliot são verdadeiras.
– É admirável que possua esse tipo de pensamento, Elliot. Acredito que não seja algo fácil de se encontrar nos dias atuais. – elogio com sinceridade.
– Bem, agora que sei o motivo de não querer se casar com Austin, eu irei, com certeza, ajudar-te com o plano. – fala, bebendo, na sequência, seu refrigerante.
– Obrigada, Elliot, de verdade. – agradeço, feliz por saber que poderei contar com a ajuda dele.
– O que, exatamente, eu devo fazer? Ainda estou perdido com o plano. – diz Elliot.
– Basicamente, devemos mostrar a Tia Mimi e a Tio Mike que estamos “apaixonados”. – explico. – Não sei como fazer, mas, segundo Austin, caso nós consigamos convencê-los, eles anularão o casamento, pois presam muito o amor.
– Não será uma tarefa fácil, visto que Tia Mimi e Tio Mike são bem espertos. – comenta Elliot.
– Sim. – concordo com desanimo. – E é isso que mais me preocupa. Não gosto de mentiras e mentir para os dois, que estão me acolhendo com tanto carinho, deixa-me pior ainda com isso. Será que vale a pena enganá-los?
– Não é a coisa mais certa a se fazer, mas vocês precisam lutar pela liberdade de vocês. Talvez, quando eles descobrirem, não aceitarão muito bem, mas com o tempo, entenderão que foi por uma boa causa. – incentiva Elliot. – Nós vamos conseguir colocar o plano em prática, Ally. Apenas acredite nele.
– Você está certo. – minha confiança havia voltado. – Pela primeira vez em minha vida, eu preciso fazer algo por mim também. Obrigada, Elliot.
Com isso, começamos a conversar e conheço um pouco mais sobre o moreno. Ele é bem maduro para sua idade e devo admitir que isso me encanta muito. Ele me contou sobre algumas recordações de quando criança com Austin e falou sobre sua família. Ele é bem divertido e fácil de se manter uma conversa. É atencioso e bem falante.
Assim que terminamos de almoçar, Elliot me levou para conhecer os pontos turísticos de Miami e falou um pouco da história de cada um. A cada ponto que visitávamos, mais eu me apaixonava pela cidade. Apesar de ser domingo, a cidade parecia viva, com a quantidade de pessoas passeando.
Eu nunca havia feito um passeio tão divertido quanto fiz hoje. A calma com que tirava todas as minha dúvidas me fizeram ver o quanto eu gostaria de estar noiva de alguém como ele. Ele é o cara que faz meu tipo, devo confessar. Sempre sorrindo e sendo sincero, ele consegue conquistar a todos com a sua simpatia.
– E então? Não vai me dizer como acabou entrando para a banda de Austin? – pergunto curiosa.
– Austin e eu estudamos juntos desde o jardim de infância. Nossas famílias sempre foram amigas e isso aumentava ainda mais a nossa convivência. Vivíamos discutindo e brigando, como até hoje acontece, mas se tinha uma coisa que nós concordávamos era que a música é a nossa vida. Quando Austin conheceu Jason, Kelvin e Mark, eles decidiram criar uma banda. Austin queria que Dez entrasse também, mas no dia de uma apresentação, o ruivo fugiu bem na hora que eles iam começar a tocar. Não sei bem o porquê, mas quando eu vi, já havia subido no palco, pegado o baixo e começado a tocar com os outros. Aquele dia foi inesquecível. Foi ai que concordamos que seria muito bom se nós dois usássemos do nosso conhecimento, talento e amor pela música juntos. – explica.
Sentados na areia, observando as ondas do mar e o belo pôr-do-sol de Miami, pude perceber que Austin, realmente, ama a música. Todas as histórias que Elliot contou relacionadas ao loiro, sempre envolviam a música de uma maneira ou de outro.
– Parece que, realmente, a música os move. – comento com tranquilidade.
– Você nem imagina o quanto. – responde no mesmo tom. – Ainda quero vê-la tocar todos os instrumentos que você disse que toca e cantar.
Olho para ele e o mesmo ri da minha cara de assustada. Cantar para outras pessoas? Jamais conseguiria fazer isso. Posso tocar os instrumentos para um ou outro, agora, cantar? Isso é impossível para mim.
– Oh, não me peça para cantar. Posso até demonstrar minha habilidade com os instrumentos, mas não irei cantar. – digo com convicção.
– Ah, vai Ally. Você não deve ser tão ruim assim. – fala sorrindo.
– Eu sou a pior cantora do mundo. Caso ouça minha voz, posso estourar seus tímpanos. – brinco e o mesmo gargalha.
– Certo, pior cantora do mundo. – diz Elliot, rindo. – Infelizmente, já está na hora de irmos. Está tarde e todos devem estar preocupados com você.
– Tudo bem. – levanto-me com a ajuda de Elliot e voltamos para o carro.
A viagem de volta é silenciosa e agradável. As músicas que tocavam na rádio tornavam o ambiente ainda mais aprazente. Não demoramos a chegar a residência dos Moon’s.
– Obrigada pelo passeio, Elliot. – agradeço, tirando o cinto de segurança. – Foi maravilhoso.
– Imagina, Ally. Eu me diverti muito com você. Espero que possamos repetir a experiência mais uma vez. – diz com simpatia.
– Eu adoraria. – falo. Ao sair do carro aceno e me despeço: – Até mais.
Elliot acena de volta e sai com o carro, em seguida. Toco a campainha da casa e não demoro a ser recebida. Tia Mimi abre a porta com um grande sorriso de satisfação. Dentro da casa, podia-se ouvir o som da guitarra de Austin.
– Entra, querida. Quero saber de todos os detalhes sobre o seu encontro com Elliot. – pede Tia Mimi, entusiasmada.
– Tudo bem. – concordo meio sem-graça.
– Ally! Finalmente você chegou! Quero saber tudo o que rolou no seu encontro. – fala Trish, tão animada quanto Tia Mimi.
Suspiro cansada. Elas, pelo visto, não iriam aceitar qualquer resumo. A conversa iria ser longa, então decido tomar um banho antes de relatar qualquer acontecimento.
– Importar-se-iam de esperar que eu tomasse um banho? Estou um pouco cansada e coberta de areia. – pergunto com esperança de fugir um pouco da conversa.
– Claro, mas seja rápida. Acho que não aguento mais de tanta curiosidade. – responde Trish.
Apenas concordo e subo as escadas. Apesar de ter sido um dia divertido, eu estou morta de cansaço. Quando estou prestes a entrar em meu quarto, ouço a porta do quarto de Austin se abrir e sua voz entoar pelo corredor.
– Não vai me contar como foi o encontro, Ally?
Olho para Austin e o mesmo parecia sério. A tonalidade que ele usava parecia um misto de raiva, curiosidade e algum outro sentimento que eu não soube explicar. E agora? O que eu devia contar a ele?
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Continua...
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