Notas iniciais
olá terrestres do séc XXI que não podem ir para o séc XV seduzir o rei Edward Cullen III
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Triste né?!
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Bom, a demora foi por causa do meu pc que me odeia e resolveu quebrar, mas tudo ok já!
Eu comecei a trabalhar tbm, mas sempre reservo uma horinha do dia para escrever. Minhas férias estão acabando tbm, mas eu não vou desistir, nem se preocupem!
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Gente, temos ciumes nesse capítulo, brigas é claro, e uma pitada de mistério. O proximo capítulo vai ter mais coisinha bonitinha da parte de Edward.
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Eu posso ter demorado, mas esse capítulo ficou gordinho pra recompensar.
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QUERO AGRADECER A FOFA DA GISLAYNE QUE RECOMENDOU A FIC. OBRIGADA XUXU! quem vai ser minha outra xuxu a fazer isso :D me incentivem galera!!

- Bom dia, Sue. A princesa Alice já acordou?

Bella encarou a mulher que cozinhava algo em seu fogão à lenha, exalando um cheiro muito gostoso. Sue expressava cansaço devido à noite passada e Bella não deveria estar muito diferente dela. Ao contrário da senhorinha que dormiu tarde por ter corrido de um lado para o outro organizando o Buffet da festa, Bella havia dormido mal por outro motivo. Um motivo alto, arrogante, metido e mimado.

Vai perder de novo seu tempo pensando nisso?

- Não querida. Que eu saiba ninguém acordou até agora. Nem fiz o café da manhã para a realeza. Pulei logo para o almoço.

- Ok. — Bella jogou seu corpo na cadeira. — É sempre assim? Depois de uma festa? Ninguém acorda?

Sue deu um muxoxo.

- É disso que eu não gosto nas festas, odeio esse castelo silencioso no dia seguinte. Parece mal-assombrado. — Sue parou de falar para provar o que estava no caldeirão. — Os criados que trabalharam ontem têm permissão para dormir até mais tarde. Mas até parece que eu ia conseguir dormir todo esse tempo, mesmo cansada.

Bella revirou os olhos quando a cozinheira não estava olhando. Queria ela dormir todo esse tempo, mesmo não sabendo bem que “tanto tempo” era esse, já que não havia relógio para medir as horas. Pelo sol forte que pairava sobre o jardim, deduziu que fosse em torno de meio dia.

- Bella, você sabe quem é Jacob?

A professora franziu o cenho. Em que momento Jacob havia entrado na conversa delas?

- Sei sim.

- Pode levar isto a ele? — Sue estendeu uma trouxinha com biscoitos fresquinhos para ela. — O coitado deve estar morrendo de fome. Na verdade, ele vive com fome e não ter almoçado até agora deve ter levado Jacob a loucura. Isso vai enganar seu estômago. Leve um suco também!

Sue pegou a jarra que continha um líquido roxo — Bella deduziu que fosse suco de uva — e despejou em um copo, colocando-o na mão livre da dama de companhia. Sem dizer mais nada, Bella foi em direção ao jardim, procurando algo parecido com um estábulo.

Desde que chegara àquele século, não tivera muita curiosidade — nem tempo — para apreciar o extenso jardim. Era bonito, verde e possuía um labirinto de arbustos típico de castelos da Era Medieval. No horizonte, era possível ver o muro de pedra que limitava a fronteira entre o palácio e o resto de Londres. Parecia um forte, porém o muro era distante demais do castelo, com o propósito de dar falsa impressão de liberdade. De onde estava, pôde ver pequenos pontos fardados que andavam de um lado para o outro, vigiando a segurança do castelo.

Bella, certificando-se de que não havia nenhum possível estábulo ali, arrodeou o castelo — o que lhe custara alguns longos minutos — até encontrar uma construção horizontal. Não podia dizer que aquilo era de fato um estábulo, mas o local correspondia às suas expectativas.

Satisfeita consigo mesma por ter achado, caminhou com paços mais rápidos. Sorriu ao ver os relinchos dos cavalos. É ali mesmo. Sem cerimônia adentrou o local e, passando pelas “casinhas” onde ficava cada cavalo, achou as costas morenas de Jacob, que dava banho em um animal.

- Será que o convite ainda está de pé para conversar com um homem fedendo a cavalo? — Disse Bella risonha.

Jacob, ao reconhecer a voz, pisou no balde com água e sabão ao seu lado, perdendo o equilíbrio e caindo de cara no feno. Bella riu do desajeitado homem à sua frente. Ele é tão desastrado que chega a ser fofo.

- Flora! — Jacob falou envergonhado, limpando a sujeira em sua roupa. — Você deve me achar um estúpido que mal sabe falar com uma... — Gesticulando nervosamente, Jacob bateu o braço na bandeja que sustentava os instrumentos de banho para cavalos, derrubando-os no chão. — garota. Talvez eu seja mesmo.

Bella, rindo de um Jacob envergonhado e sem graça, entregou a comida que Sue lhe enviara. Um pouco mais animado, Jacob foi até um balde com água limpa e sabão para lavar as mãos. Bella o analisou. O interesse de Jacob nela era claro e ela podia muito bem se divertir um pouco. Ele era um homem gentil e bondoso, então, por que não?

- Não penso nada disso Jacob. Acho você um homem maravilhoso. — Jacob deu um sorriso envergonhado. — Sue mandou isso pra você, já que, pelo jeito, o almoço sairá tarde.

- Eu imaginei isso. A realeza deve estar dormindo ainda. Obrigada por vir.

Bella sorriu.

- Não precisa agradecer. O castelo está tão vazio... E é bom ficar na sua companhia.

Bella viu os olhos de Jacob brilharem. Ele era tão... adorável. Não existem mais homens assim. Doce e sinceros. Era fácil gostar dele.

- Então, todos esses cavalos são da realeza?

- São, mas esse que eu estava dando banho é o preferido do Rei. O nome dele é Tornado. — Jacob deu um tapinha carinhoso no tronco do cavalo totalmente preto. Bella pode perceber que este era especialmente bem cuidado. Era um cavalo bonito, de grande porte e possuía um ar de superioridade. Assim como o dono. — A família real gosta muito de cavalos, principalmente o Rei Edward. Majestade gosta de velocidade e Tornado é o mais veloz.

Era mesmo um cavalo muito bonito. Os cabelos negros e lisos caiam com graciosidade por seu pescoço, e o corpo era forte e musculoso. Seu pensamento foi interrompido por um relincho longo e doloroso.

- Deve ser Clear. Ela está parindo! — Jacob deixou o resto dos biscoitos apoiado em um banquinho e correu até o fim do corredor.

Bella o seguiu depressa até a cabine, onde viu o moreno atrás de uma égua malhada, marron e branca. Jacob tentava acalmar Clear, que estava deitada, falando palavras doces e gentis. Aquela cena lembrava-lhe sua infância, quando passava as férias na fazenda do vovô Swan, onde já vira diversas vezes o patriarca ajudando no parto de éguas. A nostalgia invadiu o coração de Bella.

- Flora, se não quiser ver, tudo bem.

- Não Jacob, — Bella negou com veemência. — eu quero ajudar.

Sem dizer mais nada, Bella se posicionou ao lado de Jacob, onde já dava para ver as patas traseiras do potro. Com força e delicadeza, ainda ouvindo as lamúrias da égua, puxaram o corpinho inexperiente, molhado e enrolado no que sobrara da placenta. No puxão final, onde puderam ouvir o primeiro balbucio do jovem cavalo, os dois caíram na bacia de água onde Clear bebia. Com as roupas molhadas, os dois riram da situação e da felicidade de pôr um animal no mundo. Com rapidez, Jacob se levantou e cortou o cordão umbilical, enquanto a égua se virava para conhecer seu filhote recém-nascido e acolhe-lo com lambidas.

Já em pé, os dois analisavam a cena ensopados.

- É tão lindo. Acho que nunca vi algo mais bonito que o nascimento de uma nova criatura. — Disse Bella sonhadora.

- Eu achava isso. — Jacob olhou para o perfil da professora. — Até conhecer você.

Bella desviou o olhar da égua acariciando seu mais novo filho, e olhou Jacob com doçura, sorrindo envergonhada. O clima de paquera foi logo interrompido pelo pigarro de uma terceira pessoa.

Um pigarro arrogante.

- Majestade. — Jacob fez uma reverência nervosa. — Não o esperava aqui.

Bella revirou os olhos. Eu esperava. Afinal de contas, Edward vivia para infernizá-la e mais cedo ou mais tarde ele iria até ela para cumprir sua missão diária.

Edward olhou a cena com os olhos semi-cerrados. O que diabos está acontecendo aqui? Era impressão sua ou o Black estava flertando com sua prisioneira? Ridículo. Não, não. Deprimente.

Até aquele momento, sempre tinha visto Jacob de maneira indiferente. Para o rei, Jacob era apenas um bom “cuidador de cavalos”. Seu pai o havia contratado enquanto Edward tinha sumido por sete anos. Quando o conheceu, gostou de seu trabalho e decidiu mantê-lo. Ele sabia que fora graças a Jacob que seu cavalo favorito estava vivo e forte.

Mas ele não era grande coisa para o rei. Na verdade, ninguém era grande coisa para Edward. Talvez Alice e Jasper fossem. Poderia também incluir Rosalie, quem sabe? Se ela estiver viva. De resto, o mundo poderia se explodir e ele não se importaria, mas, quando observou Jacob flertando com sua prisioneira, sentiu desprezo e raiva. Claro! Ele deveria estar trabalhando e não paquerando com uma prisioneira. Principalmente ela sendo a sua prisioneira.

- Eu posso saber o que está acontecendo aqui? — Disse Edward, sem se preocupar que sua voz transmitisse o desprezo que sentia.

- Flo... quer dizer, Bella, veio me trazer um prato de comida que Sue me mandou. — Disse Jacob apressadamente. — Mas aí Clear começou a entrar em trabalho de parto e...

- Não foi isso que eu vi. O que eu vi foi um homem sem qualquer noção de sua insignificância fazendo uma tentativa ridícula de flerte com uma prisioneira. — Jacob desviou o olhar para baixo, envergonhado. Tinha que ser logo na frente da Flora?

- Você não pode falar assim com ele! — Ralhou Bella horrorizada. — Ele não fez nada demais!

- CALE-SE! Já estou perdendo o resto da paciência que tenho com você Swan. Eu sou rei e devo ser tratado como tal! — Edward segurou Bella pelo braço, sem se preocupar com a mancha vermelha que tomava conta do lugar onde sua mão apertava. Seus olhos soltavam faíscas. — Eu estou a ponto de te mandar para uma cela novamente!

Bella, com custo, arrancou seu braço do aperto de Edward e o olhou como se fosse um ET. Não acreditava que ele pudesse ser tão estúpido e desprezível de forma que chegasse ao ponto de menosprezar Jacob por nada. Sobre a noite passada, retirava tudo que falara, ou melhor, pensara, sobre ele não ser uma má pessoa. Ele era! Um ser maquiavélico e desumano.

- Black, prepare meu cavalo e suma da minha vista. Agora!

Black engoliu em seco e não escondeu o desagrado.

- Sim Majestade. — Jacob fez uma reverência e logo saiu.

- Você me dá nojo. – Disse Bella amargurada.

Edward a olhou com superioridade e ao mesmo tempo ira.

- Será que você não percebe que eu não do a mínima para o que você acha ou deixa de achar? Não vê que sua opinião é insignificante para mim?

- Você não tem coração Cullen. – Continuou Bella sem se importar com que o rei havia falado. — Você não tem alma e não tem senso. Jacob não havia feito nada que te desse o direito de brigar.

- EU NÃO LHE DEVO EXPLICAÇÕES DE COMO TRATAR MEUS EMPREGADOS! – As narinas do rei inflaram de ódio, enquanto sua mandíbula endurecia. – E não me importo se você está tomando as dores do seu namoradinho.

- CLARO QUE VOCÊ NÃO SE IMPORTA! Besta fui eu em acreditar ontem que você era no fundo uma boa pessoa. Mas eu estava errada! Deus, como eu estava errada! – Bella jogou os braços para o alto. — E sabe por que Cullen? Porque você não é bom e muito menos uma pessoa. Você se quer tem sentimentos! Repugna seu pai, mas na realidade, você é igual a ele.

Bella se retirou deixando um Edward estático. Sabia que havia tocado no ponto fraco dele, deixando-o desacreditado. Chutando uma pedrinha, resmungava contra todos os antepassados do rei. Ele mereceu! Como pôde falar com Jacob daquele jeito?

Ao ouvir galopes cada vez mais altos, apertou os passos e fechou os olhos com força, rezando para que aquele idiota só estivesse dando a volta para seguir um caminho oposto ao seu.

- Você não sabe nada sobre o meu pai, ou sobre mim! – Disse Edward altivo, montado no cavalo alto e negro, o poderoso Tornado, mostrando toda a sua superioridade. – Acredite, você já estaria morta se fosse meu pai que ocupasse o trono. Você nunca pode pensar em me comparar com meu pai.

- Mas não foi você que disse que não se importava com o que eu pensava? – Edward ficou calado, observando a mulher colocar as mãos na cintura e olhar desafiadoramente para ele.

- E não me importo.

- Então por que veio atrás de mim?

- Eu não vim atrás de você. – Edward desviou o olhar dela e o direcionou para o horizonte.

Bella revirou os olhos. Assim fica difícil. Ela não tinha paciência para a arrogância e estupidez dele. Lembrou-se então que tinha que procurar o Okala na floresta. Como os ânimos estavam alterados entre eles, sabia que para conseguir algo deveria jogar com as palavras. E dificilmente conseguiria.

- Eu... eu queria sair com Alice hoje, para conhecer o reino.

- Deixa eu ver se eu entendi. – Edward desceu de Tornado, dando gentis tapinha, e se posicionou frente a ela. – Depois de tudo que você me disse, depois de me desrespeitar, tem mesmo a esperança de que eu libere você?

- Não é esperança. Você me disse que quando eu quisesse sair teria que ser com um de seus homens.

- Se eu concedesse. – Sorriu vitorioso.

- Alice quer comprar vestidos novos também, e eu sou sua dama. Tenho que ir com ela. – Insistiu Bella.

- Tudo bem. Eu concedo. Mas... – Bella revirou os olhos. É claro que não seria tão fácil assim. – você terá que beijar os meus pés.

Bella olhou cética para o sorriso cínico de Edward.

- Você tá de sacanagem com a minha cara?

- Não. – Disse simplesmente.

- Nossa! Que clima tenso. – Alice se aproximou dos dois, alheia as faíscas, deliciosas para Edward, que saltavam dos olhos de Bella. – O que está havendo?

- EU VOU MATAR O SEU IRMÃO. – Bella ia pulando em cima do rei, que se afastou sorrindo, quando Alice a segurou pela cintura. – Ele é um bruto! Um animal! Um estúpido! Ele quer que eu beije os pés dele, OS PÉS ALICE, para que nós possamos passear.

-Edward! – Ralhou Alice. – Não precisa disso.

- Não se meta Alice. Quer passear no meu reino? Então dirija logo essa sua boca para as minha botinas!

Bella engoliu em seco. Ela mataria aquele rei. Pode não ser hoje, nem amanhã, mas um dia, sim, um dia, eu vou acabar com a raça desse miserável.

- Então Swan? Vai querer ultrapassar os altos muros do palácio? – Edward sorriu maldoso.

Bella engoliu em seco, controlando toda a sua raiva dentro do corpo que tremia, e agachou-se diante dele. Bem devagar, inclinou-se sobre as botas sujas do rei, e encostou os lábios no couro.

- Muito bem, é uma boa submissa a mim. – Edward sorriu sínico, olhando para a mulher que limpava a boca com as costas da mão. – Depois do almoço mandarei Paul ir com vocês. Quero ver as duas no crepúsculo. Nem mais nem menos.

- Vai ter volta. – Ameaçou Bella.

- Estou aguardando com ansiedade.

- Parem com isso! – Disse Alice revirando os olhos.

Edward ignorou a irmã e montou no cavalo. O rei cavalgou na direção contrária à delas, recebendo todas as maldiçoes da viajante do tempo.

[...]

- Aqui Paul! – Alice entregou uma sacola contendo mais um par de sapatos para o Sargento. – Meu irmão deveria ter nos cedido mais um de seus homens, não acha Bella? Coitado do Sargento, está sobrecarregado já.

Bella não estava atenta no que Alice dizia. Sua preocupação era com a floresta que havia por ali. E até agora não achei nem um arbusto. Já se havia passado um bom tempo desde que os três saíram do castelo. O crepúsculo logo chegaria e ela não conseguiu nem entrar na floresta.

- Bella! – Alice sacudiu a amiga. – Você prestou atenção no que eu acabei de dizer?

- Me desculpe princesa.

- Own Bella. – Alice segurou as duas mãos de sua dama. – Sei que está incomoda com todos esses olhares dos plebeus, mas não tinha como ser diferente. Você é uma novidade aqui.

Bella nem havia dado bola para eles. Os cochichos, os olhares, as cabeças para fora das casas só para darem uma olhadinha na “prisioneira desmemoriada do rei”. Não poderia ser diferente também.

- Está tudo bem Alice. Não se preocupe comigo. – Vendo que estavam sem tempo, Bella indagou. – Alice, onde fica a floresta que contem cravos aqui no reino. Jéssica havia me falado dela.

-Ah! É descendo aquela rua ali, bem mais pro fundo. – Alice Parou um pouco, como se tivesse se lembrado de algo. – Lá perto tem uma costureira m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a!

- Então vamos logo, antes que nosso tempo termine. – Instigou Bella.

- Ok. – Disse a baixinha animada. – Paul! Vamos correndo para a Madame Vernatch.

Sargento Paul, já irritado de ter que ficar guiando a carruagem como se fosse um chofer, esperou as duas entrarem nela e chicoteou o cavalo com força, colocando-o em velocidade máxima. Em dez minutos, Alice pôde abrir uma porta luxuosa, onde anunciava com belas letras, a loja de Madame Vernatch.

O Sargento Paul resmungou, sabendo que ia demorar. Quando seu rei o escalara pra ficar de babá da princesa e de sua dama, segurara o resmungo de desagrado. Definitivamente não tinha paciência para aquilo.

O banco rangeu, anunciando a prisioneira que acabava de sentar ao seu lado. Tinha um sorriso travesso nos lábios rosados e carnudos.

- Deve estar sendo difícil para você ter que nos acompanhar nas compras, não é?

- O rei me deu uma ordem e devo cumprir de bom grado.

Bella estalou a língua.

- Ora Sargento! Pode falar a verdade, não é como se seu fosse te delatar para o rei. Eu sou uma prisioneira, esqueceu?

Bella acariciou o peito do ofegante soldado enquanto o olhar dele era direcionado para seus seios, que estavam propositalmente protuberantes. Bella aproximou o rosto do dele, mordendo sua orelha preguiçosamente. Extasiado, Paul tentou encostar seus lábios no dela, mas esta afastou-se sorrindo.

- Vou ver se apresso a princesa.

- Se-senhorita, você não tem permissão para entrar nas lojas. – Disse Paul baixinho. Depois se recompôs. – O rei não quer que fique sozinha com Alice.

- Sargento! Não há ninguém aqui a não ser nós dois, ninguém verá que me deixou sozinha com Alice. Além disso, eu fico com ela o tempo todo e nada acontece, por que aconteceria agora? Não se preocupe. Eu só vou apressá-la. Se não ficaremos aqui até depois do crepúsculo e aí sim o rei brigará com você!

Sem o contra-ataque de Paul, Bella adentrou a loja.

O lugar tinha cortinas de veludo tinham cor de vinho, a parede era creme e coberta por pinturas de uma mulher magra e alta, com um ar superior e olhar enigmático. A mesma do quadro estava a sua frente, segurando uma fita métrica ao lado de Alice, enquanto esta estava em cima de um banquinho de madeira clara. Ao vê que era a sua dama que fora denunciada pelo sininho localizado na porta de vidro, Alice arregalou os olhos.

- Bella! Paul sabe que está aqui?

- Sabe. Disse a ele que iria te apressar para chegarmos antes do crepúsculo.

- Deve estar sendo um dia terrível para ele. – Refletiu Alice. – Bella, esta é a Madame Vernatch.

A mulher avaliou Bella dos pés a cabeça.

- Boa tarde senhorita. Deve ser a desmemoriada dama de companhia da Princesa Alice. – Disse a mulher de aparentes cinquenta anos, com forte sotaque francês.

- É. – Bella torceu o nariz. – Madame Vernatch, onde posso fazer minhas necessidades?

- Final do corredor, terceira porta à direita. – E a mulher voltou a se concentrar na cintura da princesa.

Bella adentrou o corredor, mas não seguiu as instruções da costureira. Procurou alguma porta que desse para o lado de fora da loja, e foi na terceira à esquerda que a encontrou, junto com o escritório administrativo da francesa. Discretamente, saiu do comércio. Observando o movimento da rua, que àquela hora era pouco, viu enfim o que poderia ser a entrada do lugar onde estaria o “elemento” que tanto almejava: o Okala.

Sem pensar em mais nada, adentrou a floresta correndo, sem se importar se poderia se perder. Seu coração batia acelerado. Caso encontrasse o Okala naquela floresta, poderia voltar para Harvard e acabar de vez com tudo aquilo. Seria maravilhoso.

[...]

Calculou que correra cerca de vinte minutos pela floresta adentro. Ofegante, enfim parou, colocando as mãos no joelho em busca de um pouco de ar e calma. Será difícil me acharem por aqui. Por mais dez minutos, pôde enfim sentar-se com relativo controle sobre seu acelerado coração, retirando seu colar do pescoço e girando o gancho que prendia o pingente ao cordão.

- Três vezes para direita e duas para a esquerda...

E como previra, o chato pingente em formato de coração se abriu, surgindo um holograma com tons cinza-azulados. Pôde ver Esme e Carlisle discutindo, enquanto Emmett os olhava entediado.

- Então quer dizer que você gostava de mim! – Disse Esme fazendo uma careta engraçada.

- Pare de distorcer minhas palavras! – Disse Carlisle com o rosto vermelho de raiva. – Eu disse que quando te via no campus não pensava que você era esse inferno de mulher.

- Então você me observava! Coitado, como se você tivesse alguma chance... – Esme deu uma risadinha.

- Ora sua...

- Eu to aqui! – Bella decidiu se pronunciar.

- Finalmente, eu não aguentava mais ouvi-los! – Disse Emmett sorrindo. — E aí gostosa, como andam as coisas?

Bella contou tudo que eles ainda não sabiam, exceto os detalhes sobre a noite do noivado. Os três escutavam com atenção e perguntavam as curiosidades, que ela respondia prontamente.

- Carlisle como eu vou achar o Okala?

- Só um minuto.

Carlisle se agachou e saiu do campo de visão de Bella, surgindo logo depois segurando um bloco de folhas de papel. O chefe da área de Física virou algumas páginas até encontrar o que queria.

- Está aqui. “Esta preciosidade não é algo que se procure. Ela é algo que se sinta. Qualquer ser vivo e não-vivo que esteja perto do Okala conhecerá sua grandeza e força. Só precisa estar próximo a ele, e assim, sentirá todo seu o poder.”

- Carlisle, — Bella arregalou os olhos. – isso por acaso é o manuscrito?

- Não o original.

- A NSA com certeza não te deu essa cópia. – Disse Bella bestificada.

- Eu tenho os meus meios. – Disse Carlisle orgulhoso.

- Ele roubou uma cópia que o Diretor da NSA tinha em mãos. – Disse Emmett calmamente.

-EMMETT! – Carlisle brigou. O ursão só deu os largos ombros.

- Eu não esperava isso de você Carlisle. – Disse Bella surpresa.

- Eu esperava. – Disse Esme olhando distraidamente suas unhas.

- Olha aqui sua...

- Chega, ok? – Disse Bella interrompendo a nova briga dos dois. – Eu só entrei em contato pra avisar que vou procurar, sentir, ou seja lá o que for, o Okala.

- Ok Bellinha, qualquer novidade entre em contato com a gente. – Disse Emmett.

- Ok, tchauzinho vocês! E Esme e Carlisle, se comportem!

Bella fechou o pingente e tornou a colocá-lo no pescoço. Levantou-se. Estava um pouco ofegante ainda. Respirou fundo e fechou os olhos.

“Esta preciosidade não é algo que se procure. Ela é algo que se sinta”

Seguiu então pela direita.

[...]

- O QUE É QUE VOCÊ ESTÁ ME DIZENDO?

A voz de trovão foi ouvida por todo o castelo, fazendo com que os criados parassem suas atividades.

- Foi culpa minha Majestade...

- ISSO É ÓBVIO, SEU IDIOTA!

- Não foi não! – Resmungou Alice chorosa. – Ela simplesmente pulou da carruagem e fugiu. O Sargento foi atrás dela, mas parece que ela tomou chá de sumiço!

Paul deu um olhar de esguelha para a princesa. Ela é muito bondosa mesmo.

- ISSO NÃO ME INTERESSA! Paul, se você ainda consegue fazer qualquer merda nessa sua vida insignificante, chame Uley e diga que quero falar com ele. SUMA DA MINHA FRENTE, AGORA!

Paul, desconcertado, saiu do escritório e obedeceu as ordens de seu rei.

- Isso tudo é culpa sua! – Disse Alice chorando.

- O quê? – Disse Edward furioso. – Você tem minhocas nessa sua cabeça? Aquela miserável me enganou, enganou meu Sargento e enganou VOCÊ! Será que não percebe que ela não passa de uma IMPOSTORA?

Alice fungou e limpou as lágrimas dos olhos vermelhos.

- É sua culpa sim! Se não a mantivesse enjaulada nesse palácio duvido que ela quisesse fugir. Você me fez perder uma amiga! – A princesa voltou a chorar. – E sabe por que Edward? Por que ninguém aguenta essa sua arrogância e senso de superioridade! Bella sempre odiou estar sob o mesmo teto que você. Se eu fosse ela, também fugiria!

Alice saiu correndo deixando um Edward paralisado. E o que importava se ele era arrogante e tivesse senso de superioridade, era o melhor rei que a Inglaterra já teve! Mesmo que ninguém da sua família reconhecesse isso!

“Repugna seu pai, mas na realidade, você é igual a ele.”

Lembrou-se da fala de sua prisioneira. Por que aquilo, vindo da boca daquela mulher desprezível, o afetara tanto? Edward sabia que ele não era como o pai. Talvez... Bella realmente achasse isso. Por isso fugira, como Alice havia dito. Mas ela não podia fugir. Não dele.

- Majestade. – A voz do General Sam Uley invadiu o escritório. Logo atrás dele, vinha um conselheiro com ira em seus olhos.

- ULEY, QUERO TODO O MEU EXÉRCITO ATRÁS DE BELLA SWAN! DISTRIBUA-O EM TODO O REINO. NAS FRONTEIRAS, NAS CASAS, NAS RUAS, NOS VILAREJOS, NAS CAMPINAS. EM TODO O LUGAR! ELA NÃO PODE TER IDO MUITO LONGE!

- Sim senhor! – Uley bateu continência.

- Eu vou também! – Disse Edward. – Quero ela viva!

- Ou morta! – Completou Jasper.

- Sim Majestade! – O General bateu continência e saiu do escritório.

- Você não vem? – Perguntou Edward ao conselheiro.

- Não posso, estou no meio do processo. – Disse Jasper a contragosto. – Assim que terminar me juntarei a vocês.

[...]

- MAJESTADE! – Sargento Seth se aproximou a cavalo do Rei.

- Encontraram-na? – Edward direcionou sua atenção ao seu soldado.

- Não, mas os guardas afirmaram que ninguém ultrapassou as fronteiras. Bella Swan ainda está no reino.

- Ok. Volte a procurá-la Sargento.

- Sim senhor.

Quando Seth sumiu de suas vistas, Edward tornou a descer a rua. Seu cavalo favorito cavalgava com pressa, sem desapontar o dono. As cabecinhas de seu súditos estavam para fora das casas, o observando correr em direção a floresta.

É isso!

A floresta era grande demais para ela ter tido tempo de atravessá-la e arrumar um jeito de furar as fronteiras. Com a mente certa de que sua prisioneira estava em algum lugar daquela mata, Edward adentrou na floresta montado em seu cavalo, atingindo a velocidade de um Tornado.

[...]

- Estou sentindo... – Disse Bella de olhos fechados, andando vagarosamente. – Eu sei que está perto. Eu já estou sentindo. Estou me aproximando. Estou sentindo!

Se recusou a abrir os olhos quando uma coisa gosmenta atingiu seu rosto. Não pode ser. Abriu os olhos, delirando de raiva, e passou as costas da mão em sua bochecha, limpando as fezes branca de um pombo que acabara de passar por ali.

- Eu vou te matar Carlisle! – Rosnou Bella, dando soquinhos no ar — Mas primeiro eu vou te esganar e te torturar. Quer achar o Okala? Que bom! Então venha procurar! E SER CAGADO POR UM POMBO!

Bella grunhiu! Estava cansada, com fome e com sede, e precisava culpar alguém. Fora Carlisle o da vez, mas achou que outra pessoa ocuparia melhor o cargo. É tudo culpa daquele rei ordinário. Se ele não a tivesse feito prisioneira, estaria mais preparada para se enfiar em uma floresta qualquer. O crepúsculo estava chegando ao fim e logo logo tudo ficaria escuro e frio.

Foi com esse pensamento em sua mente que a carne de seu pescoço foi perfurada por uma pequena agulha acoplada a um vidrinho com líquido transparente. Imediatamente, suas pernas perderam a força e pararam de sustentá-la, deixando Bella cair no chão de terra. Sua respiração ficou rarefeita, se assemelhando a uma forte crise de asma. A busca instintiva por oxigênio fez com que ela se revirasse no chão.

Viu então uma figura indefinida. Sua visão embaçada só a permitiu identificar que era uma pessoa. Deduziu ser um homem pela calça que vestia, pois a falta de volume na região inferior da pessoa jamais seria causado por um vestido de época. Bella ainda conseguiu vislumbrar uma cabeleira loira. Ele se ajoelhou ao lado dela e tirou imediatamente o vidrinho de seu pescoço, colocando o rosto da mulher em seu colo e tirando o cabelo de sua face. Daí em diante, Bella não pôde ver mais nada.

O preto tomou conta de tudo.

Notas finais
quem será, quem será?
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quero ler suas opiniões. quem vocês acham que é essa pessoa misteriosa? Vocês já a conhecessem ou acham que é uma ilustre desconhecida.
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estou aberta a opiniões!
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bjs e até o próximo capítulo!