Notas iniciais
Eu sei, eu sei que vocês estão mais que ansiosas para ler o que vem a seguir, mas alguns avisos precisam ser dados:
.
*As músicas são OBRIGATÓRIAS. O clima faz toda a diferença na hora de ler e as músicas foram selecionadas a dedo. Então, enjoy!
* Só comecem a ler quando a música iniciar. As vezes tem o anúncio que atrapalha ou os acordes demoram para entrar.
*Sugiro um fone de ouvido. Ele deixa a música mas alta e concentrada.
*Este não é o capítulo final! Não sei se deixei passar essa impressão, mas ainda não estamos nos despedindo de UP, ok?

São 12 mil palavras, 29 páginas. Acho bom vocês se acomodarem bem. Logo, BOA LEITURA E ESPERO DE CORAÇÃO QUE CORRESPONDA ÀS SUAS ESPECTATIVAS!

ANTES DE COMEÇAR A LEITURA, LEIAM AS NOTAS DO CAPÍTULO

CAPÍTULO 23


30 de Junho de 1408, 10:30Atualizações


– Já podem pôr o plano em ação. Devem estar ansiosos! – Disse Esme animada.

– Uhum. – Murmurou Emmett não muito animado, já que Bella era incapaz. Rosalie baixou os olhos.

Esme estava alheia a tristeza que embalava o quarto de Emmett. Bella sentou-se na cama, forçando um rosto alegre. Sua mente só trazia o rosto de Edward, convenientemente acordando com os cabelos embaraçados e o rosto inchado de sono. Queria lembrar-se dele daquela forma, sendo um homem normal como qualquer outro, submetido aos efeitos do corpo humano ao acordar. Queria lembrar-se dele sorrindo para ela, implicando com ela, beijando-a, ensinando a arte do arco e flecha. Pegando-a no colo e levando-a para a cama, seus olhos verdes brilhando de desejo. Seu corpo com arranhões vermelhos, consequência de suas unhas na carne dele após uma noite de sexo...

Rose olhava pela janela, querendo reprimir todos aqueles sentimentos de “menininha” que se recusara a ter durante toda a sua vida. Não é justo. Pela primeira vez amara um homem e tivera uma melhor amiga, e eles eram arrancados assim da sua vida. Era isso que dava se entregar aos seus sentimentos. Tola.

– Estamos prontos.

– Vamos esperar até a noite, Esme. A casa está muito movimentada. – Disse Emmett. Não havia combinado isso com as duas, mas sabia que era o desejo delas e dele também.

– Humm... Ok. De qualquer modo, estamos prontos para qualquer momento.

– Até mais.

Emmett fechou o colar de Bella e lhe entregou. Esta saiu imediatamente do quarto. Não queria ficar lá nem um minuto a mais. Iria atrás de Edward e passaria suas últimas horas com ele.

Emmett abraçou Rosalie, depositando um beijo em sua testa.

– Promete que nunca vai se esquecer de mim, Emm.

– Esquecer de você? – Emmett olhou para os olhos azuis tão iguais ao seu. – Ah loira, você é inesquecível!


[...]


30 de Junho de 1408, 11:30


– Bella, pare de olhar para mim desse jeito, ok?

Bella sorriu triste, dando a volta na mesa e sentando no colo dele.

– De que jeito? – Bella colocou o braço esquerdo em volta do pescoço de Edward, enquanto sentia este por uma na sua cintura.

– De um jeito triste e nostálgico. Não gosto de te ver assim.

– Então vamos tirar o dia de folga. Vamos sair desse castelo, abandonar tudo, só eu e você.

– E por que essa revolta? –Disse Edward, beijando seu pescoço.

– Eu só quero passar o dia com você. – Omitiu Bella, apreciando o carinho.

– Bella, eu não posso abandonar o castelo do nada. À noite fazemos isso, ok?

– Nããão! Só hoje vai! – Bella passou a mão em seu peito, descendo preguiçosamente até o cós de sua calça. O rei respirou ofegante, mordendo o lábio inferior fortemente.

– Tudo bem, tudo bem. – Bella sorriu, dando-lhe um selinho em seus lábios. – Fale com Sue e peça para ela preparar o almoço e um lanche.

Bella levantou-se rapidamente e fez o que Edward pediu. Este, por sua vez, através de uma criada, chamou Jasper que estava namorando com Alice. Já havia contado a ele sobre sua suspeita para aquele dia e seu conselheiro prometera ficar em alerta. O loiro entrou no escritório e viu Edward com o olhar perdido.

– Edward? – O rei se sobressaltou.

– Bella quer passar o dia comigo, longe do castelo.

– E você ainda acha que algo irá acontecer hoje?

– Eu já não sei o que pensar, Jasper. Pode ser paranóia minha, mas ou ela quer me afastar do castelo ou quer se despedir de mim da melhor forma. De qualquer jeito, preciso que fique de olho em tudo que acontecer hoje por aqui.

– Pode deixar. Como você está? – Jasper perguntou cauteloso.

– Querendo que isso fosse só um pesadelo. Mas como não é, passarei à tarde com Bella da melhor forma possível. Esquecerei de tudo pelo menos até o crepúsculo.


[...]


Never Gonna Be Alone — Nickelback — Piano Cover

http://www.youtube.com/watch?v=0QAeN-qPzcU


Rosalie estava entre as pernas de Emmett, encostada em seu peito. Os dois estavam calados, sentindo a respiração um do outro enquanto Emmett brincava com as pontas dos cabelos loiros. Os dois tinham o olhar perdido, até que Emmett se pronunciou.

– Rosalie?

– Sim.

– Você me prometeria que jamais se entregaria a outro homem?

Rosalie se afastou, ficando de frente para Emmett, e o encarou confusa.

– Está querendo me entregar ao celibato?

Emmett deu um sorriso triste.

– Só acho que a idéia de eu ser o último homem pra quem você se entregou me faria sentir melhor. Como se você jamais fosse me esquecer. – Emmett encarou os próprios dedos e sussurrou. – Eu faria isso.

– Mesmo? – Rosalie deu um sorriso pequeno.

– Rosalie, você não me conheceu antes. Eu era um solteiro, mulherengo que dormia com uma mulher ou mais todo final de semana. Eu tenho quase 30 anos e nunca tive um relacionamento sério. Até conhecer você, Rose. E olha a ironia disso! Eu nem posso ter ao meu lado a primeira mulher que eu amei. Ela me é impossível.

– Você me ama? – Disse Rosalie com os olhos marejados.

– E você ainda duvida, ursinha? – Rosalie o abraçou, escondendo seu rosto no peito dele.

– Fica comigo Emmett. A gente vai para outro lugar, construiremos uma casa, teremos nossos filhos. Ao seu lado, eu estou disposta a tudo. Até a virar mamãe.

– Isso é uma coisa que eu gostaria de ver. – Os dois riram. – Você barrigudinha, carregando meus filhotinhos.

Emmett mordeu os lábios, pensativo. Tinha uma vida, não podia abandonar seu trabalho. Amava o futuro e todas as suas tecnologias. Desde pequeno sonhava em fazer descobertas no campo da física e da química. Porém, Rosálie não. Ela não tem nada que a prenda aqui. Talvez a família, mas ela passou anos longe deles, conseguiria passar mais tempo, talvez a eternidade. A imagem de Rosalie olhando maravilhada para as descobertas que o futuro proporcionava fez ele sorrir. Ela poderia ir com ele, ela...


"The Tunnel" — Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2 (soundtrack)

http://www.youtube.com/watch?v=NY9plwgorrQ


O barulho alto fez os dois se afastarem imediatamente, levantando-se em um pulo e olharem o horizonte. A fumaça dominava o centro de Londres.

– O que foi isso? – Emmett perguntou arregalando os olhos.

– Tiro de canhão. Precisamos achar a Bella!

Rosalie e Emmett entraram apressados e ofegantes no castelo no mesmo momento em que Jasper, Alice e a Rainha Elizabeth desciam as escadas apressadamente. Os criados que trabalhavam dentro da casa chegavam rapidamente a entrada, todos nervosos.

–Jasper, está sabendo de alguma coisa? – Perguntou Rosalie.

Antes que este pudesse falar algo, o mensageiro real entrava às pressas no hall. Seu olhar era assustado e estava ofegante.

– Conselheiro! Conselheiro! Onde está o rei?

– Não está presente no momento. O que está acontecendo David?

– Estamos em guerra! Os espanhóis invadiram a fronteira!

Os gritos das mulheres ecoaram no local. Jasper não parecia surpreso.

– Todas as mulheres, reúnam suas crianças e se encaminhem para o calabouço. Princesa, Rainha, entrem no quarto do pânico e levem a condessa e a Lady Tânia para lá. David, reúnam os homens e leve-os para a tenda do exército, eu estou indo para lá. Rosalie e Emmett, encontrem Edward e leve-o para lá também.


[...]


30 de Junho de 1408, 16:30


O mergulho embaixo d’água ofuscou o barulho do tiro de canhão. Nadavam nus, beijavam-se embaixo d’água e faziam paradas para se entregar um ao outro. Estavam distraídos, alheios à confusão que acontecia lá fora. Já vestidos e entre risadas, comiam o que Sue preparara para eles.

– Está melado de creme. – Disse Edward lambendo o canto da boca de Bella.

A física sorriu sapeca e pegou seu garfo melado de chocolate, sujando seu pescoço. Edward sorriu malicioso e deixou o prato de lado, debruçando-se sobre ela. Como se saboreasse o vinho mais antigo, lambeu preguiçosamente o local melado, fazendo Bella suspirar e se arrepiar.

Os gritos de Emmett e Rosalie os assustaram. Edward e Bella se levantaram enquanto a última gritava a sua localização.

– O que houve? – Disse Edward irritado.

– Vocês não ouviram? – Perguntou Rose.

– Ouvimos o quê? – Bella disse confusa.

– O tiro de canhão. A Espanha invadiu nossas fronteiras. – Disse Emmett.

– E isso quer dizer...

– Que estamos em guerra. – Edward rosnou. – Bastardos!


Make You Feel My Love – Adele — Instrumental

http://www.youtube.com/watch?v=JFwd16raBKU


Bella procurou os olhos de Edward, desesperada para que eles carregassem algum vestígio de brincadeira. Foi a última coisa que encontrou. Seu coração disparou e o nó na garganta apareceu. Suas lágrimas caíram quando Edward a olhou angustiado.

– Bella, quero que fique com Rosalie no quarto do pânico, entendeu? – Disse Edward segurando o rosto banhado de lágrimas. – É o lugar mais seguro do castelo. Eu preciso ir até meu exército.

– Não, não, eu vou com você!

– Não Bells. – Disse carinhosamente. – Quero você segura. Me trará tranquilidade e eu voltarei logo.

– Então fique comigo! Vamos nos esconder.

Edward a encarou, querendo ao máximo render-se ao pedido da morena. Não posso! Não posso! Todo o seu reino precisava dele. Haviam crianças e mulheres inocentes.

– Não posso Bells. Eu sou o rei! Tenho a obrigação de lutar ao lado do meu povo.

– Não Edward! – Bella negou com a cabeça rapidamente.

– Se esconda. Eu não posso dar o meu melhor se ficar preocupado com você. Quero ter certeza de que você está segura.

– Então eu vou com você. – Bella o abraçou, soluçando. – Eu luto ao seu lado! Eu sei usar o arco e flecha.

– Eu preciso de você lutando, Emmett. Por favor, leve-as em segurança ao quarto do pânico e volte para nos ajudar. – Disse ignorando Bella.

Emmett concordou sabendo que apesar de querer participar da diversão de acabar com alguns espanhóis bastardos, aquilo não poderia acontecer.

– EU VOU COM VOCÊ! EU VOU COM VOCÊ!

– Emmett.– Edward sussurrou, lhe dirigindo um olhar significativo. Rose o olhava triste. O rei beijou o topo da cabeça da física. – Eu te amo, Bella.

Quando sentiu as mãos de Emmett envolverem sua cintura, Bella apertou o abraço ao redor do pescoço de Edward com mais força, tentando não ser separada do rei. Quando Emmett finalmente conseguiu apartá-la de Edward, Bella esperneou.

– EDWARD! EDWARD!

Edward correu no sentido contrário ao dela e, sem olhar para trás, deixou uma única lágrima escorrer.

– EU TE AMO! EDWARD EU TE AMO! – Gritou Bella, rendendo-se a força de Emmett. – Eu te amo...

Rosalie suspirou, prevendo que a próxima a gritar e chorar como um bebê seria ela. Emmett virou o corpo de Bella para si, abraçando a amiga enquanto esta chorava em seu peito. Alisando seu cabelo com carinho, amparou suas lágrimas.

– Temos que ir. É o momento perfeito para pegarmos o Okala. – Anunciou a loira.


[...]

30 de Junho de 1408, 17:00

Rosalie revelou a passagem no quarto de Jasper, que até então Emmett não conhecia. Bella havia parado de chorar, mas a sua expressão era fúnebre. O barulho de canhões e espadas se chocando podiam ser ouvidos de lá. A física decidiu esquecer o que havia acontecido e se concentrar no que estava por vir. Esperara meses por aquele momento.

– É agora.

Musica de Suspense — Terror Requiem For Dream

http://www.youtube.com/watch?v=CKr295fM9Ug


Emmett tirou a chave de seu pescoço e enfiou na fechadura, destrancando a porta. A primeira coisa que viram foi uma escada, mas a sensação que o Okala gerava os atingiu por inteiro antes disso. Os corações palpitaram, o formigamento perpassava todo o corpo, a euforia os dominava. O efeito tão parecido com o que o êxtase causava.

Eles podiam tudo!

Rosalie foi a primeira a se precipitar, sendo seguida por Bella e depois Emmett, que trancou a porta atrás si. Os degraus eram irregulares e logo o cheiro de umidade atingiu suas narinas. O lugar lembrava uma caverna, com paredes deformadas e amarronzadas. A sensação aumentava a cada degrau que eles desciam. O sangue passava por seus vasos cada vez mais rápidos e a adrenalina explodia em cada poro.

Nas paredes, tochas iluminavam o caminho. A escada parecia não ter mais fim. De repente, algo aconteceu. Seus corpos, gradativamente, perdiam o peso. Sentiam-se infinitamente mais leves. Bella olhou para si mesma, buscando algo que justificasse aquilo. Mas foi em Rosalie, que estava três degraus abaixo dela, que achou a resposta.

– Deus! — Ofegou Rose.

A loira flutuava, indo contra o teto pedregulhoso. Desajeitada, tentou empurrá-lo para voltar ao chão. Conseguiu descer alguns centímetros, mas logo foi de encontro ao teto novamente. Bella desceu dois degraus, estendendo a mão a amiga.

– Me dê sua mão.

Rosalie estendeu a sua, mas não a alcançou. Bella desceu mais um degrau, percebendo tarde de mais que a partir daquele, o corpo de qualquer um flutuaria.

– É como um campo anti-gravidade. – Sussurrou Emmett, descendo as escadas e elevando-se até o teto.

– Isso é incrível. – Sussurrou Bella, ficando de ponta cabeça e flexionando seus pés contra o teto, descendo alguns centímetros e logo voltando ao ponto inicial.

– É sim. – Emmett sorriu, jogando seu corpo para frente e dando uma cambalhota.

– Vamos.

Os três continuaram a descer as escadas, impulsionando suas mãos contra as paredes para que seguissem em frente. Bella resmungou ao sentir sua carne arder, anunciando as feridas — causadas por pequenos pedregulhos nas paredes e nos tetos — se abrindo. Os minutos se passaram até que eles pudessem enxergar uma porta de ferro. A sensação de euforia chegava ao seu limite máximo.

Emmett ergueu seu corpo para baixo, firmando-se na barra que cortava a porta horizontalmente. Empurrou-a para frente e fez com que ela se deslocasse. Ainda segurando na barra, apoiou seus dois pés na parede esquerda e pegou impulso para movimentar a porta para a direita. Esta correu, revelando um espaço com o mesmo estilo do corredor. Os três se entreolharam antes de entrar.


The Wreckage Passengers Original Soundtrack

http://www.youtube.com/watch?v=-2RrxhBwFWM


Antes de analisar qualquer objeto que pertencia à passagem secreta, seu olhos foram atraídos imediatamente para o que flutuava acima de uma grande mesa de metal. Mostrando todo o seu esplendor e mudando de forma constantemente – ora uma esfera, ora um cubo, ora uma pirâmide, ora algo indefinido -, a pequena coisa possuía uma cor prata. Sua substância parecia ser mole como um plasma.

– Deus do céu. É o Okala. – Bella sussurrou com medo de acabar com o encanto que o Okala emitia.

Os três se aproximaram do objeto sem forma definida, enfeitiçados pelo pequeno elemento. Nunca haviam visto nada como aquilo. Emmett elevou sua mão na direção do Okala e o tocou. O corpo do Okala emitiu ondas como um lago brando ao ser tocado por uma pedrinha. Bella foi a primeira a tirar seus olhos e observar o local.

Haviam armários de metal cobrindo todas as quatro paredes rudimentares e prateleiras com material cirúrgico. Objetos de laboratórios, telescópios, tubos com gases, quinquilharias que Bella reconheceu como sendo para experiências químicas... Eram obsoletos, próprios daquele século. Todos os objetos que não estavam presos ao chão ou às paredes, estavam flutuando.

– Uau. – Disse Emmett analisando tudo a sua volta. – Jasper não é só um conselheiro, ele é também um cientista. Isso explica bem o porquê dele passar boa parte de seu tempo no quarto.

– Então o motivo de tanto escarcéu é só por causa dessa coisinha? – Surpreendeu-se Rose.

– Acredite, se o manuscrito contiver fatos verídicos, o tamanho do Okala é inversalmente proporcional ao seu poder. – Disse Emmett.

– Será que o manuscrito está por aqui? – Perguntou Bella, retirando seu colar e o amarrando a um dos pés da mesa para impedi-lo de voar pela sala. Ao fazer esse movimento, sentiu a aliança flutuar em seu pescoço.

– Não duvido. – Emmett se aproximou de Bella. – Mas ele não é mais necessário.

Bella abriu o pingente e a imagem de Carlisle e Esme apareceu.

– Graças a Deus! Onde vocês estão? – Perguntou Esme.

– Ao que parece, um laboratório. Jasper é um cientista.

Emmett movimentou o pingente, mostrando o lugar para os dois.

– Não me surpreende. Se não fosse, ele logo acreditaria que o Okala é resultado de bruxaria. – Disse Carlisle.

– Estamos prontos para ir. – Disse Emmett.

– Espera! A xerox do manuscrito está no meu quarto! Não posso deixá-la lá! – Disse Bella.

– COMO É?! VOCÊ TIROU XEROX DO MANUSCRITO? – Gritou Carlisle.

Bella mordeu a língua. Esqueceu-se completamente que Carlisle não sabia da pequena travessura de Emmett.

– Foi o Emmett. – Disse rapidamente.

– Obrigado Bella. – Emmett lançou um olhar furioso para a morena. – Vá logo pegá-lo! Será que é capaz de fazer isso sem espalhar pra todo mundo que tem uma xerox do manuscrito? – Alfinetou.

– Desculpe Emm. – Disse Bella subindo as escadas.

– Conversaremos quando voltar, Emmett. – Rosnou Carlisle.

– De repente me deu uma vontade de ficar! – Emmett sorriu amarelo.

O estômago de Rose revirou.


[...]


– Majestade! – Correu o Sargento Seth até a tenda, carregando uma espada desembainhada. – Não vamos aguentar por muito tempo. O exército espanhol está se aproximando do castelo.

– Então envie os melhores homens. Use os canhões. Não queria essa alternativa, mas a nossa defesa é o mais importante. General Uley, seja o mais ofensivo possível. A reconstrução de Londres é uma preocupação posterior.

– Como está a munição espanhola? — Perguntou o General.

– Se esgotando, Senhor.

– Perfeito. Vamos.

Os melhores homens do exército Inglês e Italiano saíram da tenda e se direcionaram para a fronteira do castelo com a cidade. Sob as ordens do General Uley, os trabalhadores do castelo carregaram os canhões, arcos e flechas — com material inflamável na ponta — e material para fazer uma fogueira. A idéia inicial era que os homens menos treinados fossem os primeiros a lutar, diminuindo a quantidade de espanhóis e os expondo ao cansaço. Agora, os bem treinados exterminariam o restante dos espanhóis cansados.

Edward e Jasper acompanharam o general, mas algo parou o rei.

– Edward? Temos que ir!

– O que Bella está fazendo que ainda não foi para o quarto do pânico? – Edward rosnou.

Deixando os soldados para trás, que estavam ocupados demais parar notarem sua ausência, Edward correu até a entrada. Jasper bufou e jogou as mãos pro alto, seguindo-o. Os dois franziram a sobrancelha ao ver o vulto de Bella subir as escadas do primeiro andar e seguir para a direita. Edward mordeu o lábio inferior, querendo estar enganado. Não é possível.

Os dois a seguiram, agora cuidadosamente, e os temores de Edward se confirmaram. Ela havia entrado do quarto de Jasper, carregando algo pequeno nas mãos e o conjunto de arco e flecha que o rei lhe dera de presente. Ao seu lado Jasper ofegou.

– Então foi por isso que ela veio ao passado. Mas como? Como ela descobriu? Não há lógica nisso. Eu... eu... será que as pessoas do futuro inventaram algo para descobrir coisas... indescobríveis? Se é que essa palavra existe! Deus! Tem noção do que pode acontecer... Edward?

O caminho dos pensamentos de Edward há muito havia se divergenciado dos de Jasper.

– Ela me usou. – Jasper deixou os ombros caírem diante da tristeza que passava nos olhos do seu melhor amigo. – Todo esse tempo.

– Edward...

– Eu baixei minha guarda para ela. Deixei que entrasse em meu coração. Tudo por causa de uma maldita coisa prata.

Os minutos se passaram em silêncio, até Jasper ver a expressão e a postura de Edward endurecerem. Ele havia voltado a ser o que era antes de Bella, voltara a ser o que era quando o conhecera. Jasper ficou calado, esperando que o amigo reagisse.

– Vamos até lá.

Edward tomou a dianteira e Jasper o seguiu, inseguro. Ele não está bem. Ao pararem em frente a porta de Jasper, este a abriu e entrou. Edward tentou fazer o mesmo, mas sentiu uma dor familiar e insuportável. Soltou um rosnado.

– Não posso Jasper. Ele está descoberto. – Disse Edward ofegante enquanto se recuperava do lado de fora do quarto.

– Com o susto da bala de canhão eu o deixei assim. Vou isolá-la e você poderá entrar.

Jasper, após pegar a chave escondida no assoalho, amarrou as pedras envolta dos pés e desceu pela passagem secreta. Logo sentiu seu corpo mais leve, mas as pedras o impediam de flutuar. Algo que ainda buscava entender. Já possuía inúmeras teorias para explicar porque aquele “campo anti-gravidade” só funcionava com humanos e objetos que eles construíam, mas nenhuma efetiva.

Se aproximando da segunda porta, a conhecida euforia já estava instalada em seu corpo. Começou a ouvir sussurros. Havia mais de uma pessoa na sala. Quantos sabem? Sem cerimônia, correu a porta para direita, surpreendendo os que estavam ali.

– Emmett? Rosalie?

Todos se assustaram com a voz de Jasper ecoando pelo local e logo o laboratório silenciou-se. Jasper observou o holograma de um casal que saia do pingente que ele reconhecera como sendo de Bella. Jasper não perdeu mais tempo e foi até o Okala. Posicionado acima do elemento, havia um braço de ferro sustentado pelo mesa. Em sua ponta haviam dois hemisférios ocos de vidro. O conselheiro juntou os dois, envolvendo o Okala como uma cápsula de vidro.

O movimento fez com que Bella, Rosalie e Emmett despencassem do teto. Foi ouvido também o barulho dos objetos caindo. Jasper retirou as pesadas pedras, aguardando de pé os três se recomporem.

– Quem é este? – Disse o homem do holograma.

– Jasper Whitlock. – O próprio conselheiro se apresentou naturalmente, despertando o espanto de todos. – E você?

– Ah... Carlisle Foster. Esta é Esme Stwart.

– Jasper... – Iniciou Bella. – Eu sei que você está confuso.

– Só em alguns pontos na verdade. – Disse Jasper como se falasse sobre o tempo. – E o principal deles é sobre o que Emmett e Rosalie fazem aqui. Principalmente a última.

A falta de resposta vinha do imenso susto que o grupo passava naquele momento. Onde estava o choque, a raiva, o medo do holograma?

– Jasper, há muito o que explicar, mas acredito que não vá entender de primeira. – Explicou Emmett.

– Eu não apostaria nisso. – A voz refletiu arrepios em Bella, mas não de um jeito bom como costumava.

Edward entrou na sala secreta com uma postura que causou um dejavú ruim na física: ereta, com o queixo erguido e o olhar confiante, acompanhado dos passos firmes e precisos. Aquele não era o Edward que amava. Olhou-o nos olhos, mas este em nenhum momento dirigiu seu olhar a ela.

– Mas acho que temos que esclarecer alguns pontos, dos dois lados na verdade. – Continuou Edward, emitindo um sorriso sínico.

Bella se prontificou. Estava claro que Edward sabia de algo que ela sufocou-se para não contar.

– Eu sou Isabella Marie Swan e sou do ano de 2011.

– Isabella Marie Swan. Me admira você não ter mentido sobre isso. – Edward a olhou pela primeira vez desde que chegara no cômodo, agora lhe dirigindo o seu sorriso sínico. Bella baixou os olhos. – É 2011, Jasper? Pensei que a zona do tempo já tinha atingido 2012.

– Não Edward, ainda é 2011.

– Como você... como vocês sabem? – Perguntou Emmett.

– É... acho que nós devemos começar a explicar para que algo faça sentido nesse meu laboratório.

– Lhe dou a palavra. Pode começar quando quiser meu amigo. – Falou Edward.

Transformers 3 DOTM Soundtrack 08 'There Is No Plan' Steve Jablonsky

http://www.youtube.com/watch?v=onlIxqiO1qk

(N/A:Repitam até acabar essa cena.)


– Bom... – Tranquilamente, Jasper pôs as mão atrás das costas. – Acho que devo começar pela minha própria história. Eu nasci do ano de 1977, em uma cidade do Texas chamada Odessa. Ainda jovem decidi fazer Física, acho que por influência dos meus pais que, quando eu ainda estava na escola, faleceram em um acidente de carro. Logo me interessei única e exclusivamente por Física Quântica, me desligando das outras áreas da física. Nestas, minhas notas caíram, servindo de consequência para que mais tarde eu não conseguisse arranjar um emprego como professor de Física.

“Decepcionado, resolvi que me afundaria no laboratório que meus pais possuíam no porão. Com a ajuda da herança que estava até então intocada, acreditava que eu iria descobri algo que mudaria a vida de todos e não precisasse mais me humilhar procurando emprego, recebendo apenas ‘não’. Mas não foi bem eu que descobri algo, e sim meus pais. Um dia eu estava limpando o laboratório e encontrei um papel com a letra da minha mãe, que continha um projeto de uma máquina do tempo. Ensinava tudo que eu precisava saber para construí-la.”

“E eu me afundei nesse projeto por 3 anos, até que em janeiro de 2002, eu fiz minha primeira viajem no tempo. Como pode ver, escolhi a nossa própria zona do tempo para viajar, que além de ser mais interessante, é a mais segura.”

– Zona do Tempo? – Bella franziu o cenho. – Este foi o nome que deu a linha do tempo?

– Acho que sim, deve ser a mesma coisa. São aquelas que surgem a cada decisão humana de real importância para o mundo?

– Isso. – Emmett confirmou.

– Continuando. – Prosseguiu Jasper. – Viajei pela pré-história, tentei sobreviver um bom tempo na era jurássica, mas não consegui. Fui ao Império Romano, à África. Para mudar de ano, eu voltava ao futuro e colocava o ano que eu queria. Tudo graças a essa pequena caneta.

Jasper retirou do bolso uma caneta e puxou suas extremidades. Como uma antena, a caneta aumentou de tamanho e ao chegar ao seu limite, Jasper empurrou para o lado a extremidade superior. Automaticamente, a caneta se tornou um fino círculo, lembrando um escudo.

– Acredito que o que te transporta para o futuro seja este colar, que pelo que vejo também é um comunicador. – Bella confirmou com a cabeça. – Continuando, viajei o equivalente a um ano no futuro, até que vim parar na Itália do ano de 1399. Eu havia gostado daqui, então decidi permanecer por mais um tempo estudando a Era Medieval e sua ignorância científica. Construí uma casa em uma floresta na Itália, perto de um lago. E foi neste lago que eu descobri algo que mudaria não só a minha vida, como a de Edward também.

– Espera... então a casa em que Carlos morava era a casa que você construiu? – Concluiu Bella, recebendo um aceno afirmativo de Jasper. – Bem que ele disse que a havia encontrado vazia.

– Pois é. Passei oito meses estudando esse exótico elemento cuja principal e inacreditável característica é o poder de assumir diversas formas e ocupar diversas funções. Ele é simplesmente magnífico e eu tinha noção do quão perigoso ele poderia ser se caísse nas mãos gananciosas de certos homens. Decidi então escondê-lo. Quer continuar a história Edward?

– Claro, mas agora vamos começar outra história. Sobre quando a família real inglesa viajava para a Itália para o casamento do primogênito do rei Laurent. Nós fomo atacados por bandoleiros e quando eu e meu pai tentamos resistir, eles nos sequestraram. Meu pai fugiu assim que pôde, me deixando com os bandoleiros sem pensar duas vezes. Eu só tinha 16 anos. Por vingança, os bandoleiros tentaram me matar e foram embora.

– Você contou uma história diferente para Alice e para o resto das pessoas.

– E como você acha que ela reagiria ao sabe que seu pai abandonou o próprio filho? Vamos, Isabella, você conhece a amiga que tem. Jasper me encontrou próximo à casa dele, com uma faca enfiada no coração. Eu havia perdido muito sangue e estava prestes a morrer. Até que ele teve uma idéia. Acho melhor você explicar essa parte.

– Edward estava morrendo e de repente eu imaginei se aquele elemento poderia assumir a função do coração de Edward, que estava seriamente danificado e já não bombeava sangue como devia. Em alguns minutos ele morreria. Eu não tinha nenhum instrumento para realizar uma cirurgia e então decidi levar Edward e o objeto químico para o futuro. Cortei um pedaço do elemento e imediatamente este assumiu a forma do coração de Edward, passando a bombear sangue para todo o organismo dele. Eu decididamente ainda não sei como consegui fazer aquela cirurgia.

– Só que há um problema. – Continuou Edward. – O elemento, quando separado do todo, perde a força. A parte que está aqui – Edward elevou a mão esquerda ao coração. – em poucos dias deixará de bombear sangue e precisará voltar para o todo para se recompor em sua plenitude, enquanto outra parte do elemento será repartido e posto no lugar do meu coração. Será um eterno rodízio. É por isso que eu tenho diversas cicatrizes no lugar do coração.

“Aquela vez em que eu fiquei doente e você viu as minhas veias incharem, não era alergia, era o elemento perdendo sua força e precisando ser trocado.” Disse Edward a Bella em um tom seco.

– E aquele líquido que você tomou? – Disse Bella cuidadosa.

– Serve para diminuir os sintomas e desinchar as veias, artérias e vasos capilares, pelo menos por alguns minutos.

– Dói?

– Muito. –Bella mordeu o lábio inferior.

– Outro detalhe é que o elemento possui uma força magnética muito alta. Quando tiramos parte dele, este tende a se juntar novamente com o seu resto. Edward não pode entrar nem se quer no meu quarto porque se não a parte do elemento que está em seu coração fará força para se juntar ao todo, correndo perigo de quebrar seus ossos e rasgar sua pele.

– E como ele consegue estar aqui agora?

–O vidro é isolante do elemento. – Disse Jasper apontando para a cápsula de vidro. – Enfim, quando trouxe Edward para o futuro e fiz a cirurgia nele, ele acordou assim que pus o elemento no lugar do coração, nem esperou para que eu fechasse a ferida. Depois contei tudo a ele e Edward reagiu da forma que qualquer pessoa da Era Medieval reagiria. Depois aceitou bem e pediu para continuarmos no futuro.

– Eu havia me encantado com o ano de 2002 e de forma alguma queria voltar para o traidor do meu pai. Foram os 42 dias (que equivaleram a sete anos aqui) mais felizes da minha vida. Eu teria permanecido lá, mas eu acabei lendo em livros de história que meu pai morreria de Tuberculose e que Alice se casaria com o arrogante do meu primo Philip, 43 anos mais velho que ela. Eu não poderia deixar isso acontecer.

– Eu decidi vir com ele. Levei todos os equipamentos e o elemento. Mas quando uma vez eu tentei voltar para o futuro e me atualizar do que está acontecendo... eu não consegui mais. Estou preso ao passado e nem sei o porquê. – Suspirou Jasper.

O pensamento de Bella, Emmett, Rose, Carlisle e Esme foi imediato: falta de energia na máquina do tempo que estava no futuro. Preferiram ficar calados, porém Rosalie permaneceu inquieta. Pela conclusão, seu irmão morreria caso levassem o Okala pra o futuro. Este pensamento fez ela hesitar.

– Então... o Okala é o que te mantém vivo? – Perguntou Emmett.

– Okala? O que é Okala? – Jasper franziu a sobrancelha.

– O elemento químico, é claro. Você o denominou assim. – Falou Carlisle.

– Na verdade, eu nunca dei um nome para ele. – Jasper permaneceu confuso.

– Deu sim! No seu manuscrito. Você o assinou como DCRJTW. “Conselheiro Real Jasper Theodor Whitlock”. O “D” deve ser de Doutor... De quem tem Doutorado.

– Eu não escrevi manuscrito nenhum, não faço idéia do quê que você está falando. E eu só me formei em física, não fiz nem mestrado e muito menos Doutorado.

– Mas foi você que quebrou a caverna que abrigava o Okala. – Afirmou Bella.

– Se o tal do Okala é este elemento que está na nossa frente, então sim. Mas eu não escrevi nada justamente porque eu sei o grande perigo caso alguém ambicioso tomasse conhecimento dele.

– Então... Se não foi você que escreveu o manuscrito... Quem foi? – Esme perguntou.

– Eu. – A nova voz no local chamou a atenção de todos para a entrada do laboratório.


[...]

– Alice, não ouse ultrapassar esta porta!

– Você não sente nada? Me diga Elizabeth, nenhum sentimento de proteção passa em seu coração ao saber que a sua filha mais velha está lá fora? – Rugiu a princesa.

– Ela não é mais minha filha! Ela foi deserdada! – Elizabeth levantou-se do banco, encarando Alice ferozmente. — Minha única preocupação é com você e seu irmão, mas este eu sei bem onde está! Agora volte já para o seu lugar.

Alice observou a mãe sentar-se novamente ao lado de uma Tânia encolhida e chorosa. Do seu lado esquerdo estava a sogra de Edward, que acalentava a filha. Desde que foram levadas para aquele quarto protegido a sete chaves, a princesa não se aquietou. Esperava que Edward levasse Rose e Bella para lá e até agora as duas não apareceram.

A Cullen mais nova olhou para a porta e para a mãe. Já chega de ser apenas uma marionete. A princesa destrancou a primeira fechadura.

– Alice Mary Cullen! Se você abrir mais uma fechadura pode esquecer que tem uma mãe!

Alice olhou para a mulher de quem herdara os olhos azuis. Decidida, arrancou a pequena e delicada coroa de sua cabeça e a jogou no chão, sob os olhares céticos da outras três mulheres. Em seguida, destrancou a segunda fechadura.

– Com licença, Elizabeth. Eu vou atrás da minha irmã e da minha melhor amiga!

Sob os gritos da mãe, Alice abriu todas as fechaduras do quarto do pânico, saindo imediatamente. Sentiu algo inédito se apossar de seu coração: liberdade. Deveria ser assim que Rosalie se sentiu quando foi deserdada. Estava leve, alegre e feliz. Apesar de escutar os tiros de canhões, não pode deixar de sorrir. Era uma nova mulher.

Descendo as escadas, encontrou Ângela que arrastava uma trouxa com dificuldade.

– Ângela! Você deveria estar no calabouço! – Alice correu até ela, tirando a trouxa de suas mãos. – Vá logo para lá.

– Não! Eu não posso, eu não posso!

Alice observou o comportamento desesperado de Ângela. Ela parecia estar assustada, em pânico. Os olhos arregalados e a boca roxa.

–Ângela, você está bem?

– Eu tenho que ir embora! Eu tenho que ir embora! Ele está aqui.– Alice a impediu de sair, segurando-a em seu braço.

– Você não vai a lugar nenhum que não seja o calabouço! Estará segura lá! Isto é uma ordem!

– EU NÃO ESTAREI SEGURA SOB O MESMO TETO QUE ELE! Eu não estarei segura. Eu nunca estarei segura. – Ângela abraçou a si mesmo. – Você não entende! Eu vou morrer se ficar aqui! Eu tenho que ir embora! Tenho que fugir!

– Ângela, se acalma! Se você for embora pode ser alvo de uma guerra lá fora!

– Ele é perigoso! Eu juro que quando me envolvi com ele eu não queria que ninguém morresse. Eu juro princesa. – Os olhos arregalados de Ângela varreram todo o salão de entrada, como se procurasse alguém. – Eu não imaginava que ele era perigoso!

– Quem é ele, Ângela? – Alice segurou os ombros da criada.

– Você tem que fazer algo princesa! Só você pode me ajudar! Prometa que vai me ajudar se eu contar toda a história!

– Eu não posso...

– PROMETA! Prometa agora ou eu vou ter que passar a minha vida toda fugindo dele! Ele vai me matar, Alice! Ele vai me matar! – Ângela chorava em sinal de desespero.

– A gente pode te ajudar!

– NINGUÉM PODE ME AJUDAR! NINGUÉM! Prometa, por favor, só me prometa! – Ângela fincou suas unhas nos dois braços de Alice.

– Eu prometo.

[...]


“Panic Inside Hogwarts" — Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2 (soundtrack)

http://www.youtube.com/watch?v=OV-f61mzhNA


O sorriso sínico e diabólico em conjunto com o brilho de malícia nos olhos fez todos naquela sala se arrepiarem. Não conheciam aquela expressão que transbordava no rosto da última pessoa que imaginava estar envolvida naquela corrida pelo Okala – ou seja lá qual fosse o nome dado ao curioso objeto. O autor terminou de entrar na sala com uma calma arrepiante, carregando uma arma de fogo na mão direita. Rosalie olhou para o objeto: nunca vira antes, mas seus instintos aguçados pelo destino diziam que todos estavam em perigo.

Os que conheciam o poder mortal daquele pequeno objeto se alarmaram. Consciente de seu poder momentaneamente superior, o autor do manuscrito deu um sorriso maior.

– Olá queridos.

– Carlos? – Bella disse cética. – Não é possível.

– Parece que vocês dois nunca aprenderam nada sobre “Nunca falem com estranhos”. – Disse o homem por volta dos 50 anos, referindo-se ao casal principal. – Eles podem ser “do mal”.

O barulho oco dos sapatos de sola de madeira ecoaram mais alto na medida que Carlos Walter se aproximava deles. Parecia se divertir com o brilho de surpresa e medo emitido nos olhos de cada um dos homens ali presente, assim como aqueles que assistiam a cena a partir do holograma emitido pelo pingente de coração.

– Mas não se preocupem. Vou explicar tudo que quiserem saber. Quem vai fazer a primeira pergunta. Vamos! Vamos! Não se acanhem!

O silêncio permaneceu.

– Estou vendo que não estão curiosos. Acho que vocês preferem morrer na ignorância, mesmo. – Carlos destravou a rama.

– Explique tudo Carlos. – Jasper disse, ganhando tempo. – Você sabe que nós queremos saber de tudo.

– Hum... acho que terá que ser mais específico. – Carlos mirou a arma para Jasper.

– Como você descobriu o Okala? Como descobriu sobre a gente? Sobre este lugar? – Emmett disse sem respirar. Jasper olhou surpreso para ele. Esperava aquela reação de Edward e jamais de Emmett, afinal, ele mentira dizendo que era seu amigo.

Carlos riu.

– A amizade é uma coisa bonita e rara. Mantenham isso na vida após a morte. Ok queridos, vou explicar tudo timtim por timtim. Mas uma boa história sempre inicia-se com uma reflexão sobre a vida ou sobre as pessoa que habitam esta terra. E eu, como um ótimo autor, seguirei o mesmo caminho.

“O problema universal do cientista é a sua aversão por outra ciência que não seja a sua. Biólogos não gostam de geografia, matemáticos detestam história, antropólogos não suportam a química. Esta é a origem da ignorância. Os próprios cientistas a produzem, pois os leigos, por viverem nessa condição, abre os olhos e os ouvidos para o mundo ao seu redor. Felizmente, eu nasci com o dom da curiosidade universal. Mesmo com o meu diploma em física e engenharia mecânica, sempre achei fascinante os povos antigos e a sua geografia.”

“Perdoem-me a arrogância, mas não vejo outro modo de começar efetivamente a minha história: os EUA teve uma grande perda quando eu me demiti da CIA.”

– Você é um ex-agente da CIA? – Falou Esme.

– Sim querida. Eu não deixaria o governo se aproveitar da minha mente como abutres atrás de carniça. Eu nem se quer sou americano, nasci em Londres no ano de 1946. Não tenho esse espírito, me perdoem o linguajar, ridículo de “Yes, we can!”. Americanos e suas baboseiras!

“Eu tinha 40 anos quando trabalhei em um projeto que, resumindo bastante, buscava partículas de fótons nos lugares mais remotos do universo. Para quem não sabe, fótons são partículas responsáveis pelo eletromagnetismo. – Disse olhando para Rosalie. — Uma noite, em meu apartamento, eu e meu parceiro, um astrofísico, trabalhamos até tarde operando uma máquina que nós mesmos construímos para alcançar o mais longe possível do universo. Foi aí que, indo contra todas as expectativas, encontramos uma grande quantidade de fótons. Alguém se habilita a dizer de onde os fótons vinham?”

– Das linhas do tempo. – Disse Emmett.

– Supondo que essas sejam o que eu chamo de tubos do tempo, sim. Ganhará um dez na minha prova, Senhor McCarty. – Carlos sorriu zombeteiro. – Naquela noite, eu matei meu parceiro. Oh, não façam essa cara, é mais fácil do que parece. Decidi então me aprofundar nos tubos do tempo, entregando relatórios falsos para a CIA sobre a minha pesquisa, alegando que eu não consegui avanços relevantes. Meus ex-companheiros de trabalho até hoje acham que eu sou um inglês fracassado.

“Quando comprovei minhas suspeitas de uma viajem no tempo ser possível, me demiti da CIA. Foi ai que eu me dediquei a construção da máquina do tempo. Dez anos da minha vida foram entregues a ela e em nenhum momento eu me arrependo. Então, em 1996 e com 50 anos, eu viajei para o passado.”

O público permaneceu em silêncio, esperando o desenrolar da história.

– Ora! Vocês não vão me perguntar o mais legal de toda história? Não me decepcionem! Vamos! Vamos! – Carlos fez gestos com mão, como se incentivasse uma multidão a gritar seu nome. Todos franziram o cenho, notando um brilho de psicopatia nos olhos do homem. – Os jovens têm uma grande vantagem sobre os velhos: não se preocupam com a aparência. Ah, deixa para lá, eu mesmo explico. Quem vai me dizer em que ano termina os tubos do tempo?

– 2011.

– Correto senhorita Isabella! Logo, se eu viajei em 1996 se passaram 15 anos. E 15 anos no futuro, para alguém que viaja no tempo, equivale a...

– 900 anos. – Falou Carlisle. – Você tem o equivalente a 950 anos.

Todos prenderam a respiração.

– CORRETO! PARABÉNS PARA O HOLOGRAMA! Já pode ir para faculdade senhor...

– Foster.

– Senhor Foster. – Carlos riu sinicamente. – Mas enfim, estou no meio da nossa história. Preciso entrar no enredo. Aquele que prende o nosso leitor ou telespectador até o final da história. Ah! Garanto que ficarão empolgados e não deixarão essa sala até eu terminar a minha história, ela é fascinante.

“Eu passei 800 anos viajando, permanecendo em torno de 50 anos em cada época que viajava. Eu gostava de me tornar uma pessoa daquele tempo, nos costumes, vivenciar as leis, me vestir, ser um cidadão. Porém, sempre tinha que mudar de lugar, já que eu não envelhecia e as pessoas começavam a notar.

Até que eu fiz a mais importante viajem: a Antiguidade, e fui parar justamente onde viviam os povos Hebreus que, na minha opinião, era o povo mais curioso de se estudar. E eu cheguei em um momento memorável. O momento que possibilitou o dia de hoje. Que me possibilitou conhecer vocês, meus amigos.

– Você descobriu o Okala. – Falou Rosalie.

– Não querida, não seja boba. Eu cheguei exatamente no momento em que esta pequena e preciosa coisinha foi feita. Ela e os outros Okalas.

– Você escreveu que ele era único!

– E é. Este Okala é único. As réplicas – se assim posso dizer – não chegam perto do poder deste. A energia que ele emite. Hum... acredito que meu enredo prendeu vocês.

– Por que você não para com esses joguinhos e vai direto ao ponto final? – Rosnou Edward.

– Edward! – Bella segurou em seu braço, tentando acalmá-lo. Carlos era um homem perigoso e a física temia pela vida de todos ali, em especial a do rei. Edward se desvencilhou imediatamente, como se a repudiasse.

O olhar frio que recebeu daquele que amava fez Bella esquecer-se de tudo que acontecia na sala e olhar para frente. Ele me odeia. Carlos fez uma careta.

– O que houve entre os pombinhos? Tão lindo juntos. Mas não é hora de discutir a relação. Quero terminar minha história com um Grand Finale digno de Best-Seller. Enfim, onde eu estava mesmo? Sim! No dia da criação do Okala. Ah! Nem perguntei. Vocês gostaram do nome? Criativo, não? Eu adorei. Olha, já estou me desviando da história. Mas dessa fez vou me concentrar, prometo.


Snow White & the Huntsman (Soundtrack) — 14 — "Death Favors No Man"

http://www.youtube.com/watch?v=c9AZYNJFmUM


“Os nossos ancestrais são muito mais poderosos do que imaginam e o povo contemporâneo, em sua imensa arrogância, insistem em chamá-los de primitivos. Mas se eles vissem o que eu vi, jamais ousariam chamá-los assim, com tamanho descaso.”

“O momento em que eu cheguei era de extrema importância. Os chefes e sacerdotes das 12 tribos de Israel — Rubén, Simeão, Judá, Dã, Naftali, Gade, Asser, Issacar, Zebulom, Manassés, Efraim e Benjamim — estavam reunidas no território que pertencia à tribo Efraim. Era noite, eu diria madrugada. Infelizmente eu não pude entender a língua, mas as expressões eram sérias. Eu invadi a tenda em que eles estavam escondidos e depois de um tempo, eles deram as mãos e começaram a pronunciar palavras ritmadas. Eu não entendia o que eles faziam, mas de repente, pequenas bolinhas brilhantes apareceram na frente de cada chefe. Todos sorriram. Então, os líderes saíram da tenda e suponho que voltaram para suas respectivas tribos, mas os sacerdotes permaneceram lá. Assim que não viram mais nenhum cavalo no horizonte, eles tiraram o sorriso do rosto e ficaram sérios. Se concentraram e deram as mãos novamente, fechando seus olhos e falando palavras ritmadas. Eles passaram cerca de sete horas assim, imóveis, até que seus corpos começassem a flutuar. Eu tive que me agarrar a haste que segurava a tenda para que não me descobrissem.

“Então algo aconteceu. Uma bolinha prata, sem formato definido e com um poder imenso passou a habitar o nosso mundo. O meu precioso Okala”. Carlos elevou um olhar de adoração para a bolinha prata envolvida pela cápsula de vidro.

Os presentes observaram o homem suspirar e divagar por alguns minutos. Por mais esquisito que Carlos fosse, queriam saber o final da história.

– Ainda flutuando, o que parecia ser o líder dos sacerdotes buscou uma redoma de pedra no canto da tenda e abrigou o Okala nela. Logo depois, eu e os outros caímos no chão. A pedra parecia anular o efeito do Okala, assim como o vidro. Carregando a redoma, o líder se despediu dos outros e saiu da tenda. Viajou por dias e dias sem saber que me tinha como companheiro de viagem. Até que ele chegou em um lago escondido numa floresta, e dizendo algumas palavras em voz alta, jogou o Okala com sua redoma no lago.

– O lago na Itália. – Concluiu Edward.

– Exatamente. O sacerdote foi embora e imediatamente eu mergulhei no lago, indo atrás do Okala. Mas quando tentei me aproximar eu bati em um paredão invisível. Aquele maldito sacerdote usou magia pra impedir que as pessoas se aproximassem do Okala. Mas ao que parece eu estava errado, não estava Jasper? Diga-me, como você conseguiu pegá-lo?

Quando Jasper não respondeu, Carlos agitou a arma na direção dele.

–VAMOS! DIGA-ME! – Jasper se encolheu.

– Pegando! Nada me impediu de me aproximar.

– ESTÁ MENTINDO!

–Não, eu juro! Eu simplesmente o vi quando estava nadando. E a sensação de euforia que está sentindo agora me atraiu até ele. Eu sai do lago e voltei com um martelo. Quebrei a redoma e peguei o Okala.

Carlos ainda manteve a arma na direção de Jasper por alguns segundos, até abaixá-la e dar um sorriso psicopata.

– Não importa mais! Ele está aqui, ao meu alcance. Onde eu estava mesmo? Sim... Depois desse dia tentei por diversas vezes penetrar o paredão que protegia o Okala. Mas não consegui. Então decidi ir atrás dos outros Okalas’s. Viajei por cada tribo de Israel e vocês acreditam que todos os chefes das tribos haviam desaparecido misteriosamente? O que facilitou minha busca, é claro. Mas eu tenho uma teoria para esse sumiço dos chefes. Acho que a intenção dos Sacerdotes era justamente matá-los. Criaram cada Okala para que estes os destruíssem. Mas porque criaram aquele Okala – Carlos apontou para a coisa prata no meio da sala. – eu não faço idéia.

“O manuscrito foi criado baseado nas observações que eu tinha dos Okala’s que eu peguei. Mas com o tempo eles foram perdendo sua energia, sua força e morrendo. Voltei para o lago para dar uma olhada no Okala para ver se ele tinha morrido também, mas ele permanecia lá, imutável e com energia máxima.”

“Eu estava decidido a consegui-lo. Então pensei se esse paredão perderia a força conforme os anos se passassem. Então foi aí que eu decidi: eu viajaria para o ano de 1407. Alguém pode adivinhar o que aconteceu quando cheguei? Vamos, vocês tem que se entrosar na história. Ok... quem eu apontar irá responder.”

Carlos direcionou a arma a todos, até parar em Bella. Edward tencionou-se.

– Você! Diga-me o que aconteceu.

– Não encontrou o Okala.

– Viu como eu consigo prender meus ouvintes na história! Eu sou um ótimo contador. Enfim, eu cheguei nesse século e descobri que havia uma casa de madeira e o meu Okala não estava lá. Pensei em retornar alguns anos antes, mas então percebi que seria mais fácil se eu roubasse, afinal fiz isso com os outros.

“Só precisava descobrir quem o tinha pego. E começaria pelo dono da casa que estava abandonada quando cheguei. Com cuidado, fiz uma pesquisa em uma taverna que havia próximo à floresta. E adivinha o que eu descobri? Que um grande rei da Inglaterra – na época príncipe — foi vítima de um ataque de bandoleiros. Todos achavam que ele estava morto mas a verdade era que ele foi encontrado por um imigrante que morava em uma casinha simplória de madeira que ele mesmo construiu. Este imigrante o acolheu e, quando teve suas feridas cuidadas, o rei descobriu que havia perdido a memória. Durante sete anos viveu como um simples camponês.”

“Mas com o passar dos anos o rei recuperou a memória e voltou para o seu reino. Em agradecimento, deu o cargo de Conselheiro Real ao imigrante que o acolheu. Vocês conhecem essa história? É bem famosa na Itália. CONHECEM? RESPONDAM-ME!”

– Conhecemos. – Apressou-se Rosalie ao ver que Carlos agitava aquela coisa de metal para todos na sala.

– Então princesinha deserdada, me diga a quem ela pertence.

– A Edward e Jasper.

– Muito bem. Depois que descobri isso, voltei para a casa que foi do nosso atual Conselheiro Real e a revirei. Agora, quem vai me dizer o que encontrei?

– Uma passagem secreta. – Respondeu Edward.

– Agora me responda o que havia lá?

– Era onde Jasper escondia o “Okala”.

–Foi quando eu vi o lugar que eu tive certeza que era o Conselheiro Real que possuía o meu Okala. Suspeitava que o rei também sabia, mas só tive certeza hoje, enquanto esperava o melhor momento para entrar aqui e me revelar pra vocês. Uma entrada triunfal, não acham?

Carlos alisou o cano da arma como se fizesse um carinho, e depois olhou para o rosto de cada um.

– Foi então que eu decidi viajar para a Inglaterra e conhecer esse maravilhoso reino. E sabem quem eu conheci também? Uma doce e gentil criada do castelo. Alguém arrisca um palpite?

– Ângela. – Disse Edward.

– Exatamente, majestade. Eu me aproximei dela e a seduzi com histórias do futuro. Ela ficou maravilhada e eu prometi a ela que se me ajudasse a conseguir o Okala, eu a levaria para o futuro. Eu voltei para a Itália decidido a morar naquela simpática casinha de madeira, e nós mantivemos contato sobre tudo que acontecia. Até de uma certa mulher desmemoriada cujo o rei a fez de criada. – Carlos sorriu para Bella. – Mas foi um outro acontecimento que chamou minha atenção. O rei da Inglaterra viria para a Itália para confraternizar com o Laurent! E eu vi a oportunidade perfeita para por meu plano de roubar o Okala em prática. Esperei o nosso querido rei chegar à Itália.

– Você matou Jacob! – Bella elevou as mãos a boca.

– Uau! Você é rápida! Nem esperou eu contar como eu desparafusei as rodas da carruagem sem que ninguém me visse.

– SEU CRETINO, MISERÁVEL!

No impulso, Bella pegou o arco e a flecha, que estavam repousados na bancada atrás de si, e mirou em Carlos. Mas antes que soltasse a flecha, Edward empurrou seu braço, fazendo com que o objeto afiado batesse na porta.

– Se acalme. – Rosnou Edward para Bella, enquanto ela segurava o choro. Edward queria abraçá-la, mas seu orgulho venceu.

Carlos a encarou com ira nos olhos.

– Eu acho bom você acalmar a sua namorada, majestade. Se não eu mesmo a acalmo. E para sempre. – Carlos de repente sorriu. – E eu tenho certeza que não é isso que ela quer, pois se não, não poderia ouvir essa incrível história até o fim. Onde eu estava mesmo? Sim...

“Voltando a minha história, eu me tornei chofer real não como havia planejado, mas acabou tendo o mesmo resultado. Minha intenção ao desparafusar as rodas da carruagem era apenas pará-los e assim eu apareceria milagrosamente e ofereceria carona enquanto eu lamentava como minha vida era horrível. Em gratidão e pena, o rei me ofereceria um cargo de chofer. Este estaria vago porque antes eu pedi para Ângela colocar veneno no café do chofer, mas ela colocou apenas laxante. Foi ingenuidade minha acreditar que aquela criada estúpida tinha capacidade pra matar. Mas o que aconteceu foi melhor ainda. A minha sorte foi que o tal Jacob morreu, porque caso não tivesse acontecido isso, provavelmente eu não estaria aqui. Por causa dele, peguei vocês em um péssimo momento, os levei para minha pobre casa, acolhendo-os de todo meu coração, e de quebra descobri que não era o único viajante do tempo. A fragilidade de vocês resultou em uma confiança imediata em mim, ao ponto de mudarem o cargo do antigo chofer para me colocar neste. E tudo saiu melhor do que eu havia planejado. Perdoei Ângela depois pela sua fraqueza.”

– Como soube que ela era do futuro? – Perguntou Jasper

– Como eu não reconheceria um sotaque americano, sendo eu inglês? É o mesmo que não reconhecer um sotaque brasileiro sendo um português. As línguas são iguais, mas o sotaque tem grande diferença. E se estou certo, em 1408 a América ainda não foi descoberta. Mas aquele ali... – Carlos apontou para Emmett – aquele ali me enganou direitinho! Até outro dia, quando eu os segui até a floresta e os ouvi conversando com o Carlisle ali, eu realmente imaginava que Emmett era um francês dessa época. Assim como o do Conselheiro me enganou, já que morava a tantos anos na Inglaterra que perdeu seu sotaque americano.

– Eu falo fluentemente francês porque minha mãe é francesa. – Disse Emmett.

– Então foi por isso. O sotaque francês impregnou em você e camuflou o americano.

– Eu sabia que tinha alguém espionando a gente! – Exclamou Rosalie.

– Ah queridos! Se eu fosse vocês sempre acreditaria na princesinha deserdada, ela tem um sexto sentido de órfão que chega a me assustar. Voltando a minha história, tudo estava saindo como planejado, mas algo quase me atrapalhou. A Senhorita Swan quis sair do castelo por dor de cotovelo. Eu não podia simplesmente deixá-la ir, afinal, ela era uma viajante no tempo e eu não sabia o que ela queria fazer aqui no passado. Eu precisava ficar de olho. Então pedi para Ângela oferecer a casa de sua santa mãezinha para manter Bella sobre minhas vistas. E a fofinha iludida amorosamente aceitou de bom grado.

“Mesmo longe, eu não deixava de ficar de olho em você. Durante o torneio, descobri que não estava lá e achei estranho. A cidade estava toda concentrada na lutas dos cavaleiros e eu então fui ao domicílio temporário de Bella. E adivinhem, a encontrei lendo algo xerocado. E minha maior surpresa é que era meu manuscrito. Mas sabem como eutive a certeza de que era ele mesmo?

– Assinando seu próprio manuscrito. – Concluiu Rose.

– Exatamente. Sabendo que se ele caísse em mãos erradas tudo estaria comprometido, eu sempre o levava comigo. Então resolvi fazer um teste: colocaria a minha assinatura e se fosse mesmo o meu manuscrito, ela apareceria na xerox. E foi o que aconteceu.

– E o que significa “DCRJTW”? – Perguntou Bella.

– Doutor Carlos Romerveld Jonatha Tribiani Walter. Nomes ingleses, sabem como eles são grandes... Agora como o meu manuscrito viajou 600 anos até chegar a sua mão é uma história que eu gostaria de ouvir, mas primeiro eu vou terminar a minha história. Vocês devem estar ansiosos para saber o resto.

“O tempo passou e com Ângela dentro da casa, foi mais fácil descobrir sobre a passagem secreta quando a mandei vasculhar o quarto do rei e o de Jasper. Eu planejei sequestrar o conselheiro e torturá-lo até dizer aonde estava a chave, mas Ângela começou a se assustar. Nós brigávamos direto, inclusive já fomos por você, não é majestade? Tive que inventar uma história sobre um namorado indecente. E vocês acreditaram facilmente, afinal tinham confiança plena em mim.”

“Então eu dei a Ângela um ultimato: ou ela conseguia a chave da passagem secreta, ou eu poria em prática meu plano. Então ela decidiu procurar a chave no dia do baile de apresentação da pequena princesinha. E olha que legal, ela encontrou a loirinha com a chave na mão.”

– Então foi você que matou o chaveiro. Quando descobriu que Rosalie tinha a chave, deduziu que ela levaria ao chaveiro, ele tiraria a chave modelo e depois você a roubaria? – Perguntou Emmett.

– Sim, fui eu. Porém eu não deduzi que ela levaria ao chaveiro. Minha intenção era matar a loirinha e pegar a chave, mas ela estava sempre acompanhada de você. Seria difícil matar os dois juntos. Mas eu fiquei de olho nela e no dia seguinte os vi indo até o chaveiro. Esperei vocês irem embora e o matei. Mas Ângela não gostou e ameaçou contar tudo, afinal ela estava triste porque seu querido tio morreu. Então eu a ameacei. Disse que ia até o inferno para matá-la e esta é minha intenção. Assim que eu ter em minhas mãos esta belezinha prata.

“Vocês agora devem estar se perguntando: se você tinha a chave, porque não alcançou o Okala antes de nós. Mas eu respondo, não se aprecem: eu precisava ver todos aqui. Eu precisava me revelar para vocês, ver como reagiriam ao perceber que o grande vilão não era o lado real possuidor do Okala, ou o lado plebeu futurísta. Mas sim aquele lado que ninguém desconfiava, o que permaneceu na sombra durante toda a história. Um simples figurante. Afinal minha intenção é ter uma boa história para que um dia eu possa escrever um livro e entreter meu leitor até o fim dela. Como estou fazendo com vocês.” (n/a: Considerem uma fala minha também :D)

A conclusão de todos os presentes naquele laboratório era sobre o real estado mental de Carlos Walter. Suas mudanças extremas de humor, sua psicose, sua fixação... Tudo apontava para uma doença psíquica.

– Agora é a sua vez de contar uma história, grupinho do futuro. Vamos, não se acanhem, quero saber de tudo, inclusive como o meu manuscrito foi parar em suas mãos.

Emmett se prontificou.

– Não está só nas nossas mãos. Está nas mãos de diversos países.

– O QUÊ? — Carlos ficou vermelho, mas depois sorriu. – Desculpe, me precipitei. Apenas conte-me, prometo não interromper.

– Acho que Carlisle vai querer contar. – Emmett olhou para o holograma.

Todos olharam para Carlisle e esse direcionou seu olhar para Jasper e Edward. Era para eles que Carlisle sentia que devia alguma explicação.

– Acho que devo começar nos apresentando. Eu sou o chefe da área de Física de Harvard. Emmett é o meu assistente e é doutor em Física Moderna assim como eu, mas também tem bacharel em Química. Já Bella é mestranda em Física Quântica e além disso eu a tenho como minha filha. Todos nós somos professores de Harvard e tudo que acontece aqui é culpa minha. E da máquina do tempo que eu criei.

Carlisle começou a contar a história, tendo como seu maior ouvinte Edward. Este recusava a direcionar seu olhar a Bella, mas absolvia tudo que lhe era dito. Bella o encarava sem constrangimento, querendo acompanhar cada expressão que o rei fazia com o decorrer da história, mas sua face permanecia séria.

– O Okala está sendo a causa de uma guerra mundial? – Perguntou Carlos.

– Está. – Disse Bella ainda encarando Edward. – E eu recebi a missão de recuperar o Okala para impedir que bilhões de pessoas morram de um ataque entre países com um grande poder armamentista. Eu viajei às pressas quando uma bomba atingiu os EUA. Foi por isso que cheguei aqui de jeans. Suponho que foi por isso que vocês descobriram que eu não era dessa época.

Jasper afirmou com a cabeça.


"Courtyard Apocalypse" — Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2 (soundtrack)

http://www.youtube.com/watch?v=IaxkSlvwzpo


– Tudo está melhor do que eu imaginava. – Carlos falou para si mesmo. – Acho que está na hora de eu me despedi de vocês e ir fazer eu mesmo o meu clímax.

Em um movimento imediato, Carlos puxou a cápsula de vidro para baixo e a desprendeu do braço de ferro que a sustentava. Com o Okala em sua posse, correu até a porta de ferro, enquanto Bella pegava seu arco e posicionava a flecha. Porém, antes que estivesse pronta para atirar-lhe, Carlos disparou a arma na direção de um dos tubos de vidro que Jasper possuía no laboratório. Bella só concluiu que o que o tubo carregava era gás Hélio, cuja uma das principais características era ser altamente inflamável, quando o tubo explodiu e espalhou fogo por grande parte do laboratório. Aproveitando-se do susto, Carlos saiu e trancou a porta pelo lado de fora. Que morram queimados.

– Temos que sair daqui! — Rosalie correu até a porta, puxando-a para si, mas esta não se moveu. – Está trancada!

– Onde está a chave, Jasper? – Emmett gritou, ficando ao lado de Rose e forçando a porta com ela.

– Não tem chave. – Jasper foi para perto da porta, local onde as chamas ainda não haviam alcançado. – Ela só abre pelo lado de fora.

– Vamos morrer queimados? É isso? – Bella gritou, rasgando parte de seu vestido e cobrindo com o pano seu nariz e boca.

– Não, não vão. – Carlisle gritou, ficando de costas para a imagem. – Vou abrir o portal agora.

– Não! – Falou Bella. – Ou eu volto com o Okala, ou eu morro aqui. Pode ser que Emmett queira voltar, mas eu não volto.

Emmett olhou para a amiga e sorriu, admirando sua coragem.

– Eu fico com ela.

– Vocês estão loucos! Vão voltar agora! – Esme gritou.

Emmett foi até o colar e o fechou, interrompendo o contado entre eles e o futuro.

– Temos que agir juntos. Se todos forçarem a porta possa ser que consigamos quebrar a tranca. – Falou Edward, indo para o lado de sua irmã e sendo acompanhado de todos.

Por quatro vezes, os cinco puxaram para si a porta, mas esta não se moveu. A fácil absorção do calor pelo ferro tornou impossível de continuar. Bella aproximou-se de Edward e sem avisos, deu-lhe um selinho, pegando-o desprevenido.

– Em nenhum momento ouse achar que eu não amo você.

Antes que Edward pudesse responder a voz de Alice apareceu no local.

– Edward? Você está aí?

– ALICE! ABRA A PORTA! – Gritaram juntos. – Estamos presos.

Do outro lado, Alice tentava enxergar perante a fumaça que se instalava no local. Ingenuamente, tocou a barra que impedia a porta de abrir, mas logo recolheu a mão pela alta temperatura. Sem pensar demais rasgou grande parte de seu vestido e enrolou o pano em sua mão. Levantou então a barra que trancava a porta e a empurrou para a direita, libertando o grupo.


[...]


30 de Junho de 1408, 22:00


Assim que todos passaram, Jasper trancou novamente a porta, sabendo que ela era corta-fogo. Uma vez que todos estavam em seu quarto e respiravam aliviados, Alice começou a falar.

– Ângela me contou tudo e até ver Carlos sair desse quarto carregando aquela coisa prata, eu não acreditei. Por mais que esse negócio de viagem no tempo seja loucura, quero saber de tudo depois, inclusive sobre o que aconteceu lá embaixo.

– Não podemos deixar Carlos com o Okala. – Falou Jasper, que assim como os outros, estava sujo de fuligem. – Ele com certeza vai fazer alguma coisa imprudente.

– Pra onde ele iria com a cidade em guerra? E sem Ângela para ajudá-lo a se esconder? – Perguntou Rose.

– A cidade está em guerra, mas o castelo ainda não está. – Disse Bella. – Ele só pode ter ido para a floresta do castelo.

Sem dizer mais nada, os seis saíram do castelo correndo. Tudo estava deserto, o que causou uma sensação ruim em Bella. A área do castelo era sempre cercada por guardas e criados e naquele momento eles estavam escondidos ou lutando. Imaginou quantos voltariam vivos para casa.

Junto com os outros, embrenhou-se nos matos do castelo. Alice estava um pouco pra trás, mas seguia os outros sem dificuldades. Não foi o barulho, mas o grande clarão que fez com que a atenção do grupo voltasse para a direção do lago.

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– Vamos. – Sussurrou Emmett.


Death Eaters/HP and the Order of the Phoenix

http://www.youtube.com/watch?v=9AKluFJF2HY


Com cuidado e pequenos passos, os seis se aproximaram do local, a ponto de ver um grande portal oval azul com feixes brancos flutuando sobre um cinto de couro, que Bella reconheceu com facilidade ser do físico, já que este sempre estava com ele. Carlos olhava sorrindo para o portal, com seus ralos cabelos brancos esvoaçando devido ao forte vento que o portal emitia. Em suas mãos estava o motivo de tanta confusão. A arma que causara a explosão no laboratório não estava mais as vistas.

– Isabella, você vai fazer o que eu te ensinei. – Edward se dirigiu a Bella, que não deixou passar o tom frio que seu nome soou. – Tudo depende de você. Tem que acertá-lo. É capaz disso?

Bella segurou o arco com força e meneou a cabeça afirmativamente. Colocando-o em posição, retirou a flecha da bolsa em suas costas e no momento em que se preparava para mirar, os corpos de todos flutuaram, inclusive o de Carlos. Este havia quebrado a redoma de vidro.

Edward gritou e imediatamente Jasper o chutou para fora da zona de influência do Okala. Apesar de estar um pouco distante de Carlos e dos outros, ainda conseguia ver o que acontecia.

- Acham mesmo que eu sou tão velho a ponto de não ouvir os galhos se quebrando a cada passo que vocês dão? – Disse Carlos, com o Okala flutuando entre ele e o grupo. – Vocês me ofendem assim.

Bella tentava mirar novamente a flecha em Carlos, mas a posição em que estava não a deixava. O físico retirou a arma de seu bolso e sem esperar mais, apertou o gatilho na direção de Bella. Esta fechou os olhos, aguardando ser perfurada, mas nada aconteceu.

Ao abrir os olhos novamente, viu a bala de cobre caminhar em câmera lenta em sua direção. Gravidade zero, é claro. Quando a bala estava perto de si, Bella a segurou, dando um sorriso. Por mais sinistra que fosse a situação, seu amor pela física não podia impedir que ela achasse tudo incrível. Emmett, querendo confirmar o que todos pensavam, tirou uma pequena adaga de sua bota e lançou em direção à Carlos, mas esta caminhou lentamente até ele, que sorriu ao pegá-la.

- Ah! Como eu amo a física e sua magia. Mas está na hora de eu partir para 2011. O que será que os chefes dos países irão me oferecer para que eu entregue essa preciosidade a eles? Bom, acho que esse é o fim. Adeus!

-NÃO!

Emmett impulsionou-se para frente quando apoiou seus dois pés na árvore atrás de si, mas não alcançou Carlos antes que ele pegasse o Okala. Mas algo que não estava nos planos de ninguém aconteceu: assim que sua mão esquerda tocou o elemento, o corpo do ex agente da CIA lentamente se reduziu a pó conforme o grito de dor que ele emitia aumentava. Todos assustaram-se assistindo o corpo do autor do manuscrito mudar para a cor cinza e ir se despedaçando em bilhões de pedacinhos, restando somente sua roupa.

- Este é o Grard Finale que ele tanto quis. — Sussurrou Rose depois que um grande silêncio instalou-se no local.


"Hermione's Parents" — Harry Potter and the Deathly Hallows (soundtrack)

http://www.youtube.com/watch?v=iaZWD8FJMLw


Houve segundos de silêncio, até que o Okala assumisse a forma de um retângulo prata com os seguintes dizeres:

תאוות שלטון בלתי מוגבל עשו מנהיגים גדולים ייעלמו לנצח אדם אמביציה הופך לאבק רק הצדיקים שרצונך להשתמש לטובת כוהני המורשת הגדולות עשויים להחזיק אותו אבל אף אחד לא יכול להיות הבעלים של המורשת של האנושות הוא שעובר טוב מ אב טוב לבנו

- Acho que isso é hebraico. – Jasper sussurrou. – É uma “língua morta”.

De repente, as letras transformaram-se em inglês.

“A cobiça pelo poder ilimitado fez os grandes chefes desaparecerem para sempre. A ambição transforma o homem em pó. Somente o justo, aquele que deseja utilizar para o bem o grande legado dos sacerdotes, poderá possuí-lo. Mas ninguém pode ser proprietário. O legado é da humanidade, que passa do bom pai para o bom filho.”

O Okala, após voltar a sua forma indefinida – mudando de cubo para esfera, de esfera para cone, de cone para pirâmide — e suas palavras inscritas desaparecerem, foi o responsável pelo grande silêncio no local. O portal ainda permanecia lá e os corpos ainda flutuavam. Emmett jogou-se para baixo e com dificuldade alcançou o cinto, quebrando-o ao meio e consequentemente, fazendo o portal desaparecer.

Em seguida, vasculhou a roupa de Carlos atrás do manuscrito que, segundo o próprio físico e engenheiro mecânico mencionara, andava sempre com ele. Ao encontrar, analisou-o com cuidado e depois colocou no próprio bolso.

- O Okala é de vocês. – Disse Edward de repente, virando-se de costas e saindo do local.

- Edward! Você vai morrer! – Exclamou Jasper. Alice e Rosalie prostraram-se para frente.

- EU JÁ DEVIA ESTAR MORTO!

- Edward! Edward! – Bella tentou ir atrás, mas Jasper a segurou.

- É melhor você ir embora.

- Não! Não! Edward! Edward!

A baixa estatura de Bella a impediu de seguir Jasper atrás de Edward, já que o físico tinha força suficiente para se impulsionar e seguir a diante.

O alto choro de Bella a impediu de prestar atenção no pedido de Emmett para que Rose viajasse para o futuro com eles e consequentemente sua aceitação entusiasmada. Impediu de ver Emmett entrar em contato com Esme e Carlisle e também a impediu de ver os rostos inchados dos dois. Impediu de escutar a bronca deles, e também impediu de vê-los programar o portal para transportá-los para o futuro. Impediu de ver Alice chorando e dizendo que sentiria saudades deles.

Ela só pôde sentir os braços de Emmett e Rosalie envolta dela, a sensação de euforia causada pelo Okala tão próximo, mas que de forma alguma ofuscou o que sentia. E a sensação que um dia fora tão incrível de viajar no tempo, transformou-se em uma distância desesperadora a cada momento que se aproximava de 2011.



Betagem feita pela JuhRodrigues


LEIAM AS NOTAS FINAIS



Notas finais
Well, well, well...
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Eu estou esperando de coração que pelo menos nesse capítulo as fantasminhas apareçam e mostrem sua opinião. Também espero várias recomendações, pq o trabalho que deu não foi brincadeira, mas eu estou feliz demais com o resultado!
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Vamos lá...
a minha intenção desde o inicio foi induzi-las a se preocupar com os personagens com nomes que a gente já conhece: Jasper, Bella, Edward... Para despistar o real vilão, botei um nome comum: Carlos. Se eu tivesse posto Aro, James ou Laurent, vocês se atentariam a ele. Um pequenino detalhe que faz a grande diferença.
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Fiz vocês acreditarem que o Jasper era a razão de tudo com pistas óbvias que levavam até ele. Eu simplismente manipulei vocês, no bom sentido é claro, para que acreditassem no que eu queria que acreditassem. Seria uma fic de mistério muito ruim se o vilão ficasse óbvio desde o início.
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Outro detalhe é que eu queria tanto que vocês ignorassem o Carlos que pus a entrada dele bem despois da história ter começado. Ora, um personagem principal como ele sempre aparece desde o inicio da história. Mas eu fiz o contrário justamente para ele continuar com o caráter de figurante. E vocês acreditaram.
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Pus pistas sobre uma participação oculta na história e vocês nem se atentaram pra elas. Um exemplo foi o laxante do chofer oficial. Se não ouvesse intromissão do Carlos eu não teria dito que o chofer tinha ficado doente. O que é significante nisso? Porque que eu simplesmente disse q ta doente?, não tem lógica! Jacob poderia ter sido motivo de um ciúmes de Edward como nas maiorias das fanfics. Vocês nem se ligaram nisso, como eu queria!
As pistas foram tão suaves que quase não apareceram.
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No final, o Carlos estava tão na surdina que todo mundo considerava-o um figurante. E quando eu consegui induzi-las a acreditar nisso, eu me realizei como autora. Estou orgulhosa de mim.
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Os melhores livros e filmes de mistério são aqueles que, no final, dão aquela reviravolta inimaginária. E eu acho q consegui isso.
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Bom, espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu, e espero suas recomendações se acharem que eu mereço. Quero ver a opinião de vocês nos reviews, se vcs já imaginavam isso ou se surpreenderam. Bjs e até o proximo capítulo.