Melissa Andrews

Nossos lábios se afastam e ele cola sua testa na minha. Nossas respirações estão descompensadas e meu coração parece querer sair pela boca. Ele se afasta sem dizer mais nada e se abaixa, pegando a sacola e saindo do quarto. Engulo em seco e passo as mãos pelos cabelos, nervosa.

Deus, por favor... Traga-o de volta!

Sento-me na cama e apoio os cotovelos nos joelhos, segurando a cabeça com as mãos. Ouço passos se aproximando e ergo o olhar. — Queria que mamãe e papai estivessem aqui. — Milena diz com a expressão triste e eu sorrio fracamente, batendo a mão ao meu lado da cama. Ela se senta ao meu lado.

— Eu também queria. — Respondo e puxo-a, deitando sua cabeça em meu colo. — Lembra quando íamos ao parque e o papai comprava sorvete para nós? — Ela assente. — E quando o meu caiu no chão e ele nos obrigou a dividir. — Sorrio com a lembrança. — Ele dizia que tínhamos que cuidar um do outro.

— E você faz. — Ela resmunga e eu acaricio seus cabelos. — Você sempre cuida de nós. A gente que nunca conseguiu retribuir isso. — Nego com a cabeça, tentando tranquilizá-la. — Fico feliz que tenha o Justin para isso. — Completa surpreendendo-me.

— Eu também. — Solto de repente e assusto-me com minhas próprias palavras. Ela sorri fraco e fecha os olhos, aproveitando o carinho.

***

Minha cabeça cai na cabeceira do sofá e abro os olhos assustada. Estou tão cansada e com sono, mas não irei dormir enquanto eles não voltarem. Olho a tela do celular mais uma vez e não há nenhuma ligação ou mensagem, apesar de todas minhas chamadas. Ouço o som do elevador e esperto-me, ficando de pé e olhando em sua direção.

— Ainda acordada? — Ken pergunta e eu rodo os olhos a procura do loiro. — Ele não vem. — Diz e eu franzo o cenho. — Deu tudo certo, não se preocupe.

— Então aonde ele foi? — Ele engole em seco e se aproxima. — Você cheira a álcool. — Digo.

— Depois que entregamos o dinheiro, passamos num bar e tomamos alguns drinks. — Responde e eu assinto, irritada.

— E não pensou em avisar? — Exaspero. — Poderiam ter mandado uma mensagem ao invés de me deixar preocupada.

— Desculpe. — Pede.

— E onde ele está? — Insisto e ele leva a mão até a nuca, coçando a mesma. — Tudo bem, eu já sei... — Suspiro. — Ele foi dormir com aquela mulher. — Sinto um aperto em meu peito e a mão de Ken alcança meu ombro me puxando para um abraço.

— Eu gostaria de entender o que vocês sentem um pelo outro. — Ken resmunga acariciando minha cabeça. — Não acho que um homem que não sente nada por você, iria se arriscar em algo assim por ela. — Afasto-me e olho-o. — Sabemos que ele não fez o que fez hoje para me ajudar, mas sim, por você!

Nego com a cabeça. — Não, ele fez isso para não correr o risco de isso explodir e sujar a reputação dele. — Resmungo.

— Se fosse somente por isso mesmo, ele não se arriscaria. — Rebate. — Mandaria outro em seu lugar ou me deixaria ir sozinho. — Mordo o lábio. — Pense nisso. Já chega de negar o que sentem. — Arregalo os olhos. — Sejam sinceros um com o outro. Eu não acho que isso tudo entre vocês, seja fingimento. — Completa me dando as costas e subindo as escadas. Ofego.

Justin! Eu preciso te dizer...

Justin Bieber

Aquele beijo foi como um alimento para minha alma. Sinto como se todas minhas forças tivessem sido recarregadas um pouco. Quando estou perto dela o meu coração palpita por seu corpo. É como uma necessidade. Existe desejo, ternura, paixão...

— O que tanto pensa? — A voz da loira soa e seus braços envolvem meu peito enquanto seu corpo cola em minhas costas. — Em como foi imprudente hoje? — Reviro os olhos e levo a mão até seus braços, acariciando de leve.

— Preciso dormir. — Respondo e ela bufa.

— Justin, é sério que você vai ignorar o fato de que colocou sua vida em risco por problemas daquela mulher? — Exaspera e eu me viro, olhando-a.

— Aquela mulher é minha esposa. — Rebato e ela estreita os olhos, irritada. — Enquanto estivermos casados, os assuntos dela são meus.

— Você não tem culpa se ela tem um irmão vigarista. — Grita e eu suspiro, irritado. Afasto-me dela e ela me segue.

— Eu fiz o que pediu... — Grito. — Me afastei dela por conta das suas ameaças. — Ela arregala os olhos. — Mas, não me peça mais do que isso, pois não poderei lhe dar.

— O que quer dizer? — Se aproxima. — Eu só quero que esqueça essa mulher e que possamos viver nossa história, querido.

— Não existe, nossa história. — Bufo passando as mãos nos cabelos e ela abre a boca, ofendida. Sento-me no sofá.

— O que está tentando me dizer? — Resmunga com a voz trêmula. — Não consigo te entender, amor. — Se aproxima, ajoelhando-se na minha frente e segurando meu rosto com as mãos. — Eu amo você! — Completa e eu não sinto nada, como antes. Eu esperei tanto por essa frase da boca dela que hoje não faz mais sentido algum.

— Agradeço. — Sorrio e ela retribui. — Mas é tarde demais! — Uma lágrima escorre de seus olhos e eu me levanto, deixando-a no chão. — Vou dormir num hotel. — Completo me afastando e saindo do apartamento.

Mel, eu preciso de você...

Melissa Andrews

Desço as escadas e caminho até a sala de jantar. — Bom dia! — Resmungo para meus irmãos e funcionários, me assustando com a presença de Justin sentado à mesa.

— Bom dia! — Respondem e eu me sento ao lado de Milena. O loiro me olha de canto de olho. Ignoro-o e vejo Maria se aproximar.

— Quanto tempo não vejo todos reunidos... — Ela diz sorridente e toca meu ombro. — Isso é muito bom! — Sorrio fracamente.

— Ken, está pronto? — Justin pergunta e olho para o mesmo. Ken assente e só então me atento de que ele está vestido socialmente.

— Aonde vai? — Pergunto.

— Trabalhar. — Ken responde. — Esqueceu que o Justin me deu um emprego. — Sorri e eu olho para o loiro que devolve o olhar de forma amigável.

— Espero que seja a coisa certa! — Resmungo fazendo ambos franzir o cenho, confusos. Meu celular apita. Pego o mesmo e olho a tela. Joseph me espera no estacionamento. — Maria, irei tomar café na lanchonete. Obrigada! — Me levanto.

— Também estamos saindo. — Justin informa se levantando. Ken o segue e juntos adentramos o elevador. O silêncio paira no espaço e nossos olhos se encontram. Como se nos conectássemos com apenas o olhar, sem nenhuma palavra. Vejo uma expressão de melancolia tomar conta de seu rosto e molho os lábios, nervosa. As portas finalmente se abrem e eles saem do elevador, caminhando para o carro de Justin. — Quer uma carona? — Pergunta.

— Não... — Respondo e vejo o carro de Joseph se aproximar vagarosamente. — Obrigada! — Ele nota o veículo e assente, suspirando irritado. Lhe dou as costas e caminho até o carro do homem, abrindo a porta e olhando o loiro uma última vez antes de entrar.

— Tudo bem? — Joseph resmunga enquanto coloco o cinto. Assinto e ele se aproxima, ergo a mão e seguro em seu peito, impedindo-o.

— Aqui não. — Digo e ele arqueia o cenho, assentindo e se afastando. — Você sabe que podem nos fotografar e...

— Tranquilo. — Corta-me e fecha os vidros do carro, dirigindo para longe dali. — Correu tudo bem ontem? — Pergunta.

— Sim. — Resmungo me lembrando do beijo do loiro. — Por que não me ligou? — Pergunto.

— Porque seu marido deixou claro que eu não tenho nada a ver com isso e você me pareceu concordar. — Responde e eu bufo debochada.

— Em momento algum concordei. — Rebato.

— Mas também não discordou. — Olha-me sugestivo e eu nego com a cabeça, desviando o olhar e encerrando o assunto.

***

— Então, eu quero que faça uma lista se estiver faltando algo. — Digo para a funcionária que assente atentamente. — Pode me servir um café? — Peço e ela sorri, concordando.

— Dois, por favor... — Uma voz soa atrás de mim e olho, me deparando com a mãe de Justin.

— Sra. Pattie... — Me levanto, abraçando-a. — Bem-vinda! — Ela retribui o carinho, sorrindo.

— Justin me falou que recuperou a lanchonete de sua família, quis vir prestigiá-la. — Diz e eu guio-a para uma mesa.

— Obrigada!

— Quis vir também porque queria conversar. — Mordo o lábio, nervosa e assinto. — Eu notei que de uns dias para cá vocês dois não andam bem.

— Não, não. — Sorrio. — Estamos bem, apenas ocupados. — Minto e ela nega com a cabeça.

— Eu conheço o filho que eu tenho, querida. — Responde. — Ele jamais dormiria lá em casa se estivesse tudo bem com vocês. — Arregalo os olhos.

— Ele dormiu lá?

— Sim, ontem. — Estreita os olhos. — Não sabia?

— Achei que ele ia dormir em um hotel. — Minto. Eu pensei que ele estivesse com aquela mulher patética.

— Então vocês brigaram mesmo... — Ela suspira. — Eu notei a fisionomia dele triste e vejo o mesmo em você. — Completa. — O que aconteceu com o brilho de vocês do início? — Pergunta e dou de ombros. — Não percebem que um precisa do outro? — Sorri. — Querida, para um relacionamento dá certo, um sempre terá que ceder.

— Eu sei, mas ele é muito teimoso. — Bufo e ela balança a cabeça, concordando. — Ele jamais vai ceder.

— Então faça isso você! — Rebate e eu arregalo os olhos. — Se quer que isso funcione, tome as rédeas da situação e não espere dele o que você mesmo pode fazer.

— Com licença... — Uma voz soa e ambas olhamos. — Aqui está o café. — O garçom diz nos servindo. — Sra. Melissa, seu irmão pediu para chamá-la lá nos fundos. — Reviro os olhos.

— Ele deveria estar com o Justin. — Bufo. — O que ele aprontou dessa vez? — Me levanto. — Sra. Pattie, eu volto em dois minutos. — Informo e ela assente. Sorrio e caminho para os fundos da lanchonete, encontrando o espaço vazio. Suspiro pegando o celular no bolso, ligando para o mesmo.

— Oi. — Ele atende no terceiro toque.

— Cadê você? — Pergunto irritada olhando ao redor.

— O que? Por quê?

— Você mandou me chamar aqui no fundo da lanchonete. Está procurando brincadeira, Ken?

— Do que está falando? — Pergunta. — Eu não mandei nada. Estou trabalhando, Mel! — Finaliza e eu arregalo os olhos, nervosa.

— Então...

Meu celular cai no chão e minha cabeça é coberta por um saco preto. Tento gritar, mais uma mão tapa minha boca e sinto meu corpo ser agarrado e carregado. Me debato tentando me soltar, mas é inútil. Ouço o som de uma porta de carro ser aberta e meu corpo cai sobre um banco macio.

— Olá princesa! — Uma voz rouca soa e finalmente o saco é tirado da minha cabeça, me dando visão de um homem com a expressão maliciosa.

— Quem é você? — Pergunto com a voz trêmula.

— Seu irmão nunca falou de mim? — Debocha. — Estou ofendido. — Gargalha irônico. Olho em volta e percebo que estou dentro de uma van. — Seu irmão me deve muito.

— Ele pagou tudo ontem. — Digo.

— Correto. — Aproxima sua mão do meu rosto e eu me afasto. — Mas, vi que ele tem uma família importante. — Sorri. — O cunhado dele. Qual o nome mesmo?

— Justin Bieber! — Um outro homem diz atraindo meu olhar. Ele está no banco do passageiro.

— Isso mesmo! — Volto a olhá-lo. — Seu esposo tem muita grana, então por que vou me contentar com migalhas? — Volta a aproximar a mão do meu rosto e dessa vez ele agarra meus cabelos com força. — Tenho certeza de que ele pagará pra ter a bonequinha dele de volta. — Puxa-me para perto. — E de sobra, você pode me servir pra outras coisas. — Malicia e sinto meus olhos encherem de lágrimas.

Justin Bieber

— Pode explicar a ele, as atividades que ficarão sobre a responsabilidade dele? — Pergunto para Scooter que assente.

— Muito legal da sua parte disponibilizar um emprego para ele. — Scooter me parabeniza. — Essa garota mexeu mesmo com você.

— Só não quero que isso manche minha imagem e...

A porta é aberta ferozmente e Ken passa pela mesma, desesperado. — Justin, cara... — Ofega.

— O que houve? — Pergunto assustado.

— Acho que pegaram a Mel. — Responde e eu arregalo os olhos. — Ela estava falando comigo no telefone, dizendo que eu tinha chamado ela no fundo da lanchonete e do nada sumiu e me deixou falando sozinho.

— Merda! — Grito sentindo o desespero tomar conta do meu corpo. — Vou ligar para lá. — Digito no celular e em dois toques, sou atendido. — Aqui é Justin Bieber. Poderia falar com minha esposa? — Pergunto.

— Ela não está. — Uma mulher responde. — Mas, sua mãe está aqui. Gostaria de falar com ela?

— Sim.

— Oi filho! — Minha mãe diz.

— Onde está Mel? — Pergunto.

— Ela foi falar com o irmão. — Responde. E eu passo as mãos pelos cabelos, nervoso. — Vou chamá-la. Espera!

— Mãe, o irmão dela está aqui comigo. — Digo e ouço-a respirar fundo. Isso não pode estar acontecendo.

— Querido, ela não está aqui. — Diz nervosa. — O celular dela está aqui no chão, mas ela sumiu. — Completa. — O que está acontecendo?

— Ainda não sei... — Uma nova chamada soa em meu aparelho. — Tenho que desligar, há outro número me ligando. — Digo e atendo a chamada.

— Justin... — A voz meiga de Melissa soa no telefone. Ela está chorando e com medo.

— Mel. — Grito e Scooter e Ken se aproximam. Coloco na viva voz. — Onde você está?

— Muito fácil. — Uma voz masculina soa. — Primeiro vamos negociar. — Gargalha e Ken arregala os olhos.

— Mathias, seu filho da puta. — Ken grita. — Nós lhe pagamos ontem. — Soca a mesa.

— Quero mais. — Responde. — Ainda mais que seu cunhadinho tem de sobra. — Respiro fundo.

— Não a machuque. — Peço.

— Não garanto nada. — Ri malicioso. — Ela até que é gostosinha, mas não sei se vai aguentar meu pique.

— Não ouse tocar nela! — Grito.

— Faça uma transferência de um milhão de dólares, se quiser ela de volta e completa. — Diz.

— E o que garante que vai soltá-la?

— Terá que tentar a sorte. — Rebate. — Mandarei os dados da conta. — Desliga antes que eu possa dizer algo.

— Porra! — Grito jogando o celular na mesa. — Eu não posso perdê-la. — Choramingo e os homens me olham, surpresos. — Eu... Eu... — Suspiro. — Eu a amo!

Notas finais
O que será que vai acontecer agora?