Unidas pela guerra

2 Mulan e a chegada dos refugiados


Notas iniciais
Me perdoem a demora para postar, estava com bloqueio criativo... Espero que gostem desse capítulo também.

– Filipe e seu pessoal estão chegando! Eles estão entrando no acampamento e tem alguém ferido com eles! – Gritou um soldado ao entrar correndo na tenda onde Robin e Mulan discutiam táticas de ataques com outros membros do bando.

Mulan estava ansiosa com a chegada de seus amigos, há tempos ela não os via. Além disso, estava louca para conhecer o filho de Filipe e Aurora. Ao atravessar o acampamento Mulan avistou as carruagens chegando, seu coração acelerou um pouco e um desconforto na barriga a incomodou. Aquela sensação não podia voltar agora, ela não podia se sentir assim perto de Aurora novamente. Então fechou os olhos por um instante e respirou profundamente. Ao abrir os olhos viu Filipe gritar desesperado por ajuda, em seus braços estava Aurora, desmaiada e sangrando. Mulan saiu imediatamente de seu transe e correu para ajudá-los.

– Filipe! O que houve? O que aconteceu com ela? – Mulan se sentia atordoada com a cena e não sabia ao certo como ajudar.

– Caímos em uma emboscada! Estávamos lutando para nos defender e a Aurora entrou no meio para socorrer o pai, então ela foi atingida. – Os olhos de Filipe estavam inchados e vermelhos, era certo que ele havia vindo a viagem toda chorando. – Mulan, eu preciso que você leve o Patrick em uma cabana segura, ele ainda está na carruagem. Ah, leve uma das criadas para cuidar dele. Depois venha nos encontrar.

– Claro! – Mulan correu até a carruagem, onde encontrou um menino assustado encolhido no banco. – Oi! Eu sou a Mulan, amiga dos seus pais. Você deve ser o Patrick, certo?

– Sim. Minha mãe... Ela está machucada? – O garoto tinha a voz trêmula como se estivesse prestes a chorar.

– Sua mãe está com um pequeno dodói. Mas já estão cuidando dela pra que ela fique bem. Agora vem comigo, vou te levar pra um lugar quente e com comida. – Ao segurar na mão da pequena criança, Mulan sentiu o quão gelado ele estava. Ela o pegou no colo, chamou uma das criadas e os levou para a cabana onde ela dormia.

– Eu preciso que você fique aqui e cuide dele. Tem comida nessas caixas, pode pegar o que vocês dois quiserem. Eu volto já! – Depois de dar as instruções à criada Mulan saiu em disparada ao encontro de Aurora. “Ela está ferida, desmaiada e sangrando.” Era tudo o que Mulan conseguia pensar.

– Como ela está? Ela vai ficar bem? – Ao entrar na cabana, onde se encontravam Aurora, Filipe, Robin e um curandeiro, Mulan se deparou com a princesa deitada sobre uma mesa, pálida e respirando fracamente. Teve vontade de correr até ela e abraça-la, mas conteve-se em ver de longe, enquanto a única pessoa que havia amado estava debilitada.

– Ela vai ficar bem. Apesar de ter perdido bastante sangue, o que ela precisa é descansar e se alimentar. Deixem-me só terminar de fechar e limpar a ferida e vocês poderão movê-la para outra cabana. – Disse o curandeiro.

– Vocês podem ficar na minha cabana. Patrick já está lá e é a que tem mais espaço livre. – Ofereceu Mulan a Filipe.

– É uma boa ideia. Obrigada, Mulan! Você sempre foi uma boa amiga. – O sorriso de Filipe exibia sincera gratidão a tudo que Mulan já havia feito por eles.

Após Aurora ter recebido todos os cuidados necessários, lavaram-na para a cabana de Mulan. Patrick levantou da cama ao os ver chegar e correu para abraçar o pai. Quando viu a mãe desacordada sendo transportada em uma rede perguntou:

– A mamãe está bem? Por que ela está dormindo?

– Ela está bem sim, meu querido. Ela só está descansando, daqui a pouco ela acorda e dá um grande abraço em você. – Disse Filipe enquanto acariciava os cabelos do filho e o olhava nos olhos.

Com Aurora acomodada na cama Filipe resolveu conversar com Robin Hood sobre o que eles fariam a partir dali. Então, pediu para que Mulan cuidasse da Aurora, enquanto a criada dava um passeio com Patrick.

– Claro, fico aqui. Se algo acontecer eu mando te chamar.

Ficar sozinha com Aurora era uma das coisas que Mulan mais gostava na época em que se conheceram, mas vê-la dormir ainda causava um desconforto na guerreira. Depois de um tempo em silêncio total, Aurora soltou alguns gemidos de dor e começou a despertar.

– O que... O que aconteceu? – Sua voz estava falhada e ofegante. Era evidente a força que ela fazia para respirar.

– Aurora, sou eu, Mulan. Você chegou ao acampamento e está bem. Você se lembra de ter sido ferida? – A voz de Mulan estava carregada de preocupação.

– Lembro... Meu pai! Ele está bem? Ele tinha uma ferida na cabeça. – Aos poucos a fala de Aurora ia ficando mais contínua, sem serem necessárias pausas para retomar o fôlego.

– Ele está bem sim! Só está preocupado com você, aliás, todos nós estamos. Mas agora que você acordou, todos vão ficar aliviados. Vou mandar chamar o Filipe. – Disse Mulan se levantando. Mas parou quando Aurora segurou-a pela mão.

– Espere! Ele deve estar ocupado, se não estaria aqui. Você pode muito bem cuidar de mim, você já fez isso antes. – Com um sorriso no rosto Aurora apontou para a cadeira para que Mulan se sentasse novamente.

– Tudo bem. Eu posso ficar. – Mulan sentou-se novamente e segurou mais firme a mão de Aurora.

A princesa parecia bem melhor depois de ter tomado um copo de água e descansado mais um pouco. Agora elas conversavam, contado uma à outra tudo o que havia acontecido nesses últimos três anos. A conversa estava ótima, as duas riam e trocavam olhares carinhosos, estavam falando sobre como Patrick estava grande quando Filipe entrou com o filho nos braços.

– Aurora! Você acordou. Por que não mandaram me chamar? – Pai e filho tinham um sorriso enorme no rosto.

– Mamãe! – Patrick pulou dos braços de Filipe e correu para abraçar a mãe.

– Eu não quis te incomodar. Além disso, ainda precisava descansar mais um pouco. – Aurora agora se acomodava na cama de modo que pudesse ver melhor o marido.

– Você sabe que não teria me incomodado. Mas vejo que agora você está bem melhor. Agradeço por ter ficado aqui esse tempo todo, Mulan. – Disse Filipe virando-se para a amiga. – Mas infelizmente não podemos mais fazer companhia à nossa princesa. Robin Hood pediu para que eu viesse te chamar. O plano de ataque está pronto e ele quer conversar com todos os soldados sobre isso.

– Claro, vamos lá. Você vai ficar bem sozinha ou prefere que chamemos alguém para ficar aqui? – Perguntou Mulan à Aurora.

– Vou ficar bem sozinha, podem ir.

Ao chegaram à cabana de reuniões encontraram Robin Hood na ponta da mesa, sobre a mesma estava um mapa com todos os castelos invadidos, o acampamento e florestas entre esses.

– Ótimo! Agora que estão todos aqui posso explicar qual é o plano para vocês. – Hood sentou-se, colocou os cotovelos sobre a mesa, entrelaçou os dedos e começou a falar – Bem, como todos vocês sabem, cada castelo está a pelo menos três dias a pé de distância do outro. Isso nos dá uma vantagem para que ataquemos. O plano é: vamos chegar com todos os soldados de ataque no castelo, tirar os invasores de lá, deixar alguns soldados para tomar conta enquanto o resto vai se abrigar na floresta. Eu e meu bando conhecemos essas matas melhor que ninguém, eles nunca nos achariam. Depois vamos para o próximo antes que eles nos alcancem. Como vamos estar a cavalo chegaremos em no máximo 12 horas, contando com as pausas. Vamos começar do castelo com mais invasores e terminamos com o que tem menos.

– É um bom plano, contanto que eles não tenham conseguido cavalos. – Argumentou Filipe.

– Eu tenho dois vigias em cada um dos castelos, até ontem eles não tinham nenhum tipo de transporte. Por fim, sugiro que esperemos mais alguns dias e ataquemos. Mais alguns aliados vão chegar e vamos precisar de toda ajuda possível. Se ninguém tiver nenhum ponto a expor o plano fica decidido. – Ninguém disse nada, apenas olhares foram trocados. – Bem, então é isso. Avisarei a vocês quando formos partir.