Undisclosed Desires in your Heart !
16 O primeiro encontro
Notas iniciais
Cap 16 — O primeiro encontro
— Você fica linda assim, tão vulnerável — ele disse com aquele olhar voraz que me arrepiava.
— Calado! — disse enquanto sentia que o carro ia parando — Chegamos?
— Sim — Jason disse quando o carro realmente parou — Espere um segundo.
Ele desceu do carro e antes que viesse abrir a porta para mim, eu mesma abri e saí do carro.
— Uau, que rápida! — ele disse — Nem deu nem tempo de ser cavalheiro.
— Me poupe dessas bobagens- respondi rindo.
Observei então a entrada do restaurante. Tinha uma fila enorme que estava até quase o fim da rua.
— Como aqui é requisitado hein! — falei olhando para Jason — Vamos mesmo conseguir entrar?
— Claro que sim — ele respondeu pegando em minha mão e caminhando à frente, em direção ao recepcionista do restaurante que autorizava ou não a entrada dos clientes- Apenas me siga.
— Tudo bem.
Assim que chegamos onde estava o recepcionista, que era jovem e tinha um crachá escrito Lucas em seu terno, Jason entrou na frente de um cliente da fila.
— Boa noite — Jason disse ao recepcionista que olhava para uma prancheta e fazia anotações nela.
— Boa noite — disse Lucas e então levantou o olhar- Sr. Walker!
— Estou um pouco atrasado né? — Jason riu — É que certas pessoas me atrasaram.
— Eu não tenho culpa se fui convidada em cima da hora — respondi sem nem precisar pensar.
— Olha, está acompanhado por uma bela dama esta noite Sr. Walker? — Lucas sorriu e então esticou o braço até mim, pegou minha mão e a beijou gentilmente- É um prazer conhecer uma dama tão importante que fez até mesmo o Sr. Walker aparecer aqui.
— O prazer é meu, Lucas. Chamo-me de Nathalie.
— Hey — Jason disse dando um soquinho leve em Lucas e me puxando junto a ele — Ela é minha!
— Acalme-se Sr. Walker! — Lucas riu, uma risada suave de se ouvir — Não vou fazer nada demais. Entrem, a mesa 10, no segundo andar, os aguarda.
— Obrigada parceiro- Jason disse e me puxou.
— Obrigada Lucas — falei rapidamente e segui Jason.
Subimos uma escada, e chegamos ao segundo andar. Sentamo-nos em uma mesa que ficava na varanda, permitindo assim que a brisa refrescasse nossos corpos, e proporcionando uma vista ótima da cidade. Na parte de dentro do segundo andar, notei uma pequena orquestra tocando, e um espaço de dança onde alguns casais dançavam música lenta, com os corpos coladinhos. Era um local muito bonito, com uma decoração impecável.
— Gostou daqui? — Jason perguntou olhando em meus olhos.
— É bonito — falei tentando disfarçar minha admiração pelo lugar — Mas vamos ver se a comida é realmente boa né.
— E você entende tanto assim de comida, a ponto de avalia-la? É chef por acaso? — ele disse rindo.
— Claro! — eu ri — Além de saber cozinhar, já tive contato com grandes chefes e fui a vários restaurantes de renome enquanto acompanhava minha mãe. Apesar de que nuca comi churrasco uruguaio e não gosto tanto assim de peixes. Mas aqui é bem famoso por esses pratos e também pelos risotos.
— Sério? Eu amo pratos culinários que tem peixes! Mas enfim, sua mãe trabalha com o que? — ele perguntou realmente parecendo interessado.
— Ela é advogada.
— Uau! Meu pai também.
— Mas seu pai é rígido e sério como minha mãe?
— Um pouco. Deve ser coisa de advogados mesmo.
— Provavelmente — respondi balançando a cabeça em sinal afirmativo — Pelo menos sua mãe que é enfermeira deve ser mais maleável.
— Sem dúvida mais maleável — ele falou e riu mais uma vez — Mas e seu pai?
— Eu não sei — respondi friamente.
— Como não? — ele disse com certo espanto.
— Não o conheço.
— Sério? Eu sinto muito por tocar num assunto tão delicado — ele disse parecendo realmente sentir-se arrependido por tocar no assunto.
— Tudo bem — disse ainda demonstrando indiferença.
Seguiu uns poucos minutos de silêncio, onde nós olhávamos nos olhos um do outro.
— Bom — Jason disse quebrando o silêncio e entregando o cardápio que estava com ele em minhas mãos- Escolha o que quiser. Não seja tímida ou se preocupe com preços.
— Pode deixar — respondi sorrindo e então comecei a olhar o cardápio, e rapidamente decidi o que queria – Vou pedir risoto de filé mignon como prato principal. E salada de agrião e tomate como entrada.
— Eu vou querer churrasco uruguaio mesmo. Pedir esse prato chamado à moda da casa, pois vem batata, morcilla, linguiça e carne – Jason disse enquanto levantava a mão e fazia um sinal para que o garçom viesse até nossa mesa.
— Morcilla? Aquela linguiça de sangue? Isso é realmente bom?
— Claro que sim – ele disse e então olhou para o garçom que havia acabado de chegar.
— O que vão querer? – o garçom perguntou.
— Para mim, salada de alface e tomate como entrada, e para ela salada de agrião e tomate. Como prato principal, vou querer um á moda da casa e ela vai querer esse riso te filé mignon.
— Qual bebida vão querer?
— Mount Eden Vineyards Chardonnay da sagra de 95 – Jason respondeu sem nem precisar pensar.
— Vou providenciar o vinho e levar os pedidos até a cozinha – o garçom disse e retirou-se.
— Eu não bebo Jason – falei a ele.
— Há primeira vez pra tudo na vida — ele olhou bem nos meus olhos e piscou — Você vai gostar, esse vinho é um dos melhores!
— Como você tem certeza disso? Entende tanto assim de vinho? — indaguei curiosamente.
— O suficiente pra saber que essa é uma das melhores safras — ele respondeu confiante.
— Uau! Então quer dizer que você gosta de bebidas alcoólicas?
— Claro que sim! Não sou um alcoólatra, mas gosto de beber sempre que posso. Geralmente é divertido.
— E seus pais concordam com isso?
— E quem disse que eles precisam saber? — ele respondeu com um sorriso malicioso.
— Você é corajoso!
— Por que diz isso Nath?
— Nunca fui boa em esconder as coisas de minha mãe, e só agora estou aprendendo a impor algumas vontades minhas a ela. Então acho que pessoas que como você, que fazem o que bem entendem, tem uma coragem que me falta.
— Faz sentido Nath, mas é questão de prática. Você não é boa nisso porque provavelmente nem tentou. Você é muito séria.
— Eu? Séria? — perguntei, sentindo-me surpresa.
— Você mesma. Como já disse antes, observo você desde a sexta série. E você não teve muitos amigos, nunca vi você em uma festa, nunca te vi fazer nada a não ser estudar.
— Eu simplesmente mantenho meu foco nos estudos.
— Mas existem tantas outras coisas pra se fazer. A vida é muito curta pra simplesmente seguirmos todas as regras e só agradarmos aos outros Nath!
— Mas Jason, também é preciso ter responsabilidade! — respondi convicta de que estava levando minha vida corretamente.
— Posso servir as taças? — disse o garçom que eu nem havia visto aproximar-se com o vinho.
— Claro — Jason respondeu.
— Logo trago a entrada — disse o garçom enquanto servia as taças — Agora, me deem licença — ele colocou a garrafa de vinho na mesa e retirou-se.
— Você primeiro Nath — Jason disse me pressionando com aquele olhar cafajeste que me hipnotizava.
— Okay — respondi pegando a taça na mão e tomando um gole de vinho, que era incrivelmente bom — Isso é ótimo!
— Sabia que ia gostar — ele riu — Esse é só o começo.
— Começo de quê? — indaguei.
— Da Nath divertida que eu vou te ajudar a ser — ele disse e seu sorriso pareceu brilhar ainda mais.
— E como você pretende fazer isso? Acha mesmo que sou tão fácil assim? — falei lançando um olhar e sorriso provocativos.
— Fácil? Não... Mas adoro um bom desafio.
— Veremos então quem vence.
— Veremos — ele respondeu com certa ironia e levantou-se da cadeira — Eu já volto Nath, só um segundo.
— Okay — respondi e o observei entrar no salão e ir em direção a orquestra.
Enquanto Jason conversava com os músicos, o garçom trouxe as entradas. E alguns minutos depois Jason então volto até nossa mesa.
— Está com fome Nath? — ele disse ainda em pé.
— Um pouco, por quê?
— Nada — ele sentou-se — Então vamos comer logo as entradas.
Comemos as saladas em silêncio. Minha salada de agrião estava maravilhosa, principalmente acompanhada do vinho que aos poucos ia bebendo mais. Jason terminou de comer primeiro e ficou me observando. Quando terminei, comecei a olha-lo também.
— Meu rosto está sujo? — perguntei a ele.
— Não... Só estava esperando — ele disse e sorriu.
— Esperando o que? — perguntei e minhas sobrancelhas se juntaram.
— Você terminar de comer — ele disse e levantou-se — Concede essa dança?
— Dança? — olhei bem nos olhos dele, que ficou com a mão estendida a minha frente.
— Sim — ele respondeu e então olhou para a orquestra e fez um sinal com a mão — Conhece esta música?
Então ouvi que a orquestra começou a tocar O lado do Cisne.
— Eu amo está música! É linda! — falei entusiasmada.
— Ótimo, então me conceda esta dança — ele disse com o braço ainda estendido.
Olhei bem nos olhos deles e me senti confiante.
— Por que não? — respondi segurando a mão dele — Vamos logo.
— Assim que eu gosto — ele disse enquanto caminhávamos de mãos dadas para a pista de dança.
Rapidamente chegamos lá. Ele colocou uma das mãos na minha cintura, e eu coloquei uma das mãos no ombro dele. E então começamos a dançar aquela valsa.
E iniciou-se um momento mágico. Era como se mais nada existisse, apenas eu e Jason, ao som de uma música que parecia conectar nossas almas. Sentia como se estivéssemos voando juntos. A mão dele em minha cintura pressionava meu corpo ao dele. Os olhos dele acompanhavam os meus, procurando por alguma coisa. E eu o olhava tentando ver o que havia na profundeza daqueles olhos.
— Você sabe mesmo dançar — Jason disse.
— Claro que sei, por isso estou no curso de dança.
— Curso de dança? Não sabia disso.
— É recente, tive apenas uma semana de aula até agora.
— Então quer dizer que você aprendeu sozinha? — ele sorriu — Acho que é uma das poucas coisas divertidas que você deve fazer!
— Hey! — eu sorri também — Não sou tão chata, já falei isso hoje.
Então de repente a música acabou e Jason parou, mas ainda segurando minha mão.
— Quer mais uma dança? Ou quer ir comer? — ele perguntou olhando para nossa mesa, onde o garçom deixava nossos pratos.
— Vamos comer e talvez voltemos depois para dançar — respondi e começamos a andar até a mesa.
Sentamo-nos e começamos a comer.
— Este risoto está divino! — falei com uma empolgação exagerada.
— Nunca comi ele antes, posso provar? — ele perguntou com certa expectativa.
— Claro, afinal é você que está pagando.
— Verdade — ele disse, pegou um pouco com o garfo e colocou na boca — Que delícia! Só está meio quente.
— Um pouquinho né – respondi, rindo da expressão engraçada que ele fazia — Queimou a língua?
— Quase — ele riu — E você quer provar do churrasco peruano?
— Não.
— Okay.
Então continuamos a beber e comer, mas em silêncio, enquanto nos encarávamos. Logo terminamos de comer e dessa vez quem quebrou o silêncio fui eu.
— Seu rosto está sujo — falei para Jason olhando em seu queixo.
— Onde? — ele perguntou.
— Aqui — disse pegando um guardanapo na mão e limpando o queixo dele — Agora está limpo.
— Obrigada — ele disse com um olhar grato e sincero — Vamos pedir uma sobremesa agora?
— Claro — eu sorri — Já até sei o que quero.
— Já?
— É um dos meus doces preferidos.
— E qual é?
— Flambado de morango.
— Nunca provei, mas vou confiar em seu paladar — ele fez um sinal e logo o garçom chegou — Vamos querer dois Flambados de Morango.
— Os trarei logo — ele disse e retirou-se levando os pratos sujos da mesa.
— Que outros doces você gosta?
— Bolos, sorvetes, mousses, tudo que tiver açúcar me interessa.
— Você é uma formiguinha – ele sorriu – Qual seu sabor preferido de sorvete?
— Pistache, sem dúvidas.
— Não é chocolate? Que garota diferente – ele disse e seus olhos brilharam.
— Ao menos nisso – respondi com um sorriso provocativo – Qual o seu?
— Morango.
— Outro clichê.
— Algum problema com clichês? — ele perguntou cerrando as sobrancelhas.
— Jamais. Sou uma garota clichê em muitas coisas.
— Sério? Poderia dar um exemplo? – ele perguntou parecendo curioso.
— Adoro contos de fadas. Cinderela é o meu favorito.
— Então você espera ir a um baile numa abobora encantada e encontrar seu príncipe?
— Algo parecido com isso. Acho que quero alguém que me entenda, que desperte em mim meu melhor lado, mas que ao mesmo tempo não tenha medo do lado obscuro. Alguém que saiba que sou imperfeita e me ame mesmo assim.
— Bem clichê – ele disse e nos rimos – Mas chega até a ser fofo.
Nossa conversa foi interrompida pelo garçom que chegou com nossas sobremesas.
— Aqui estão os morangos flambados – o garçom disse.
— Obrigada. Feche a conta, por favor – Jason disse e o garçom retirou-se — Agora veremos se esses morangos são bons.
— Pode ter certeza que são – respondi colocando uma colher com os morangos na boca – E esses especificamente estão divinos!
— Sou obrigado a concordar.
Comemos a sobremesa em silêncio.
— Qual tal dançarmos uma ultima música? – Jason disse já se levantando.
— Pode ser – respondi e então fomos até a pista.
Dançamos essa última dança ao som de The Only Exception. Nossos corpos ficaram bem colados. Minhas mãos entrelaçaram-se atrás da cabeça dele, e ele segurou minha cintura. Foi como na valsa, e o mundo desapareceu ao nosso redor. Quando a música acabou, ele foi pagar a conta. Então saímos e entramos na limusine.
— Para onde vamos senhor Walker? — perguntou o motorista olhando Jason pelo retrovisor.
— Espere um segundo — Jason respondeu e olhou pra mim — Nath, que tal irmos pra outro lugar agora?
— Agora? — olhei Jason com cara de desdém — Não, me leve até minha casa.
— Pra que terminar essa noite agora? Ainda são 22 h e 15 min. Está cedo! Ainda podemos nos divertir muito hoje!
— Jason, eu agradeço pelo ótimo jantar — sorri e falei num tom gentil — Mas agora quero ir pra casa. Se formos pra outro lugar, vamos chegar tarde em minha casa e minha mãe não vai gostar. E amanhã nós dois temos aula.
— Nath – os olhos dele pareciam suplicar — você tem que se divertir um pouco. Tem que viver mais pra si mesma, não por sua mãe. Aceite por favor!
— Mas Jason...
— Mas Nath — ele falou ainda com aquele olhar difícil de resistir.
— Onde você quer ir ? – perguntei quase cedendo.
— Para uma boate.
— Uma boate? Está ficando louco?
— Por que?
— Eu não vou a esse tipo de lugar – falei com um tom ríspido.
— É justamente isso que quero mudar. Quero te ensinar a divertir-se! – ele alegou com um olhar que ficava cada vez mais difícil resistir.
— Não acho que seja uma boa ideia – falei com um sorriso torto.
— Então vamos combinar o seguinte: Vamos e se você não gostar me avisa e levo pra casa na mesma hora. Combinado?
— Ainda acho que é uma ideia ruim – falei ainda com o sorriso torto no rosto – Mas está combinado – cedi — Vamos logo a essa boate.
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