Undisclosed Desires in your Heart !
17 A Boate
Notas iniciais
— Onde você quer ir ? – perguntei quase cedendo.
— Para uma boate.
— Uma boate? Está ficando louco?
— Por que?
— Eu não vou a esse tipo de lugar – falei com um tom ríspido.
— É justamente isso que quero mudar. Quero te ensinar a divertir-se! – ele alegou com um olhar que ficava cada vez mais difícil resistir.
— Não acho que seja uma boa ideia – falei com um sorriso torto.
— Então vamos combinar o seguinte: Vamos e se você não gostar me avisa e levo pra casa na mesma hora. Combinado?
— Ainda acho que é uma ideia ruim – falei ainda com o sorriso torto no rosto – Mas está combinado – cedi — Vamos logo a essa Boate.
— Eba, então vamos logo.– ele disse empolgado, num breve impulsou me deu um selinho e virou-se na direção do motorista — Para a Boate New Generation.
—Hey! Não se aproveite – falei dando um tapa nele.
— Você que tem que para de me provocar?
— E como eu fiz isso?
— Fica se fazendo de difícil com esse sorriso e tom de voz sérios, como se estivesse brava. Dá uma vontade de te beijar e apertar.
— Você tem sérios problemas – respondi tentando não corar – Essa boate fica longe?
— Não. Daqui uns 10 minutos estaremos lá.
— Ótimo. Não desperdiçaremos muito tempo aqui.
— Sim. Enquanto isso podemos conversar mais.
— Sobre o que?
— Sobre você! O que mais você gosta de fazer além de dançar? – ele disse parecendo realmente curioso.
— Ler, escrever, ouvir música, assistir, tantas coisas.
— Percebo. Qual seu gênero textual preferido?
— Romance.
— Qual seu romance preferido?
— Romeu e Julieta.
— O que você gosta de escrever?
— Poemas. Já não chega de perguntas? Estou sentindo-me em um interrogatório! – respondi e ele riu.
— Okay. Então faça alguma pergunta também.
— Qual a coisa mais importante pra você?
— O teatro. Você não tem ideia do quanto ele significa pra mim – ele respondeu com uma intensidade, com um sorriso tão largo e um olhar tão brilhante que era impossível não perceber que ele falava sério.
— Por que significa tanto assim? – perguntei.
— Porque quando estou atuando eu esqueço quem sou. Esqueço os problemas, esqueço tudo. Minha alma saí e é preenchida pela alma do personagem que estou interpretando. É simplesmente maravilhoso.
— Uau! Ouvindo isso dá até vontade de fazer teatro.
— Por que não faz?
— Não acho que sou boa nisso. Mas quem sabe um dia eu tente.
— Apoio esta ideia Nath – ele disse e então o carro parou – Chegamos Nath.
— Okay.
Então saímos do carro. A frente da boate estava lotada, a fila estava até maior que a do restaurante.
— Como pretende entrar aí? – perguntei para Jason.
— Apenas me siga – ele disse me puxando pela mão.
Andamos e chegamos a entrada da boate, onde estavam dois seguranças e uma moça que segurava uma prancheta com uma lista na mão.
— Jason! – a moça alta e morena que segurava a prancheta.
— Oi Sara! – Jason respondeu empolgado e deu um beijo na bochecha dela – Quanto tempo né?
— Realmente – ela disse e então olhou pra mim – Trazendo carne nova desta vez?
— Sara, está é Nathalie – Jason disse me olhando.
— Prazer Sara – respondi com um tom irônico, pois não havia gostado do comentário dela sobre eu ser carne nova.
— Prazer Nathalie – ela estendeu a mão até mim e nos cumprimentamos – Sua nova namorada Jason?
— Quase isso – ele respondeu e antes que eu protestasse por esse comentário, ele continuou falando – Podemos entrar?
— Você sabe que pode, é VIP aqui – ela disse fazendo um sinal para os seguranças que abriram passagem para nós dois – Aproveite Jason. E você seja bem vinda Nathalie – ela disse com um tom carregado de ironia.
— Pode deixar – respondi lançando um olhar desafiador para ela e seguindo Jason que me puxava pela mão.
Entramos e a boate estava lotada. Tinha um enorme bar, com varias pessoas sentadas bebendo. Também havia um dj e uma enorme pista de dança.
— Você quer beber ou dançar? – Jason me perguntou.
— O que você sugere?
— Vamos pegar alguma bebida para você – ele respondeu.
Andamos até o bar.
— Por favor, duas batidas com maracujá.
O bar man preparou as batidas e então colocou no balcão.
— Como é a primeira vez que você bebe, é melhor ir com calma – Jason disse me entregando a bebida.
— Okay – respondi dando um gole na bebida – É bom.
— Essa bebida realmente é boa. O maracujá e o leite condensado amenizam o gosto forte da vodka. Mas beba devagar.
— Acho que isso é desperdício de tempo – falei e entornei o copo todo de uma vez.
— Você é teimosa demais garota – ele disse tirando o copo de minha mão e me puxando pelo braço indo em direção a umas mesinhas e uns bancos perto da pista de dança.
— Foi você que me disse para me divertir e fazer as coisas por mim.
— Não use minhas palavras contra mim.
— Faço o que quiser – disse soltando meu braço da mão dele e de repente sentindo uma tontura, que quase caí.
— Está vendo, já deve estar começando a sentir os efeitos do álcool no seu corpo. Você já tinha bebido vinho, e agora fez essa loucura. Vamos nos sentar antes que você caia – Jason disse e me segurou de novo.
— Não quero – falei e me soltei novamente – Vou dançar – virei-me e fui até a pista de dança.
— Nath – Jason disse ficando ao meu lado – Está bem, vou deixar você dançar, mas nada de ficar se esfregando em outros caras. Vou procurar meus amigos e já volto.
— Okay – disse e então cheguei à pista de dança.
O dj tocava Tremor do Dimitri Vegas, Martin Garix e Like Mike. Todos balançavam os corpos, pulavam, sintonizados com o ritmo da música. Eu fiz o mesmo. Depois, começou a tocar um funk, e mesmo não gostando desse tipo de musica, queria e dancei. Não conhecia ninguém ali e não me importava com o que fossem achar. Fui até o chão ao som de Anitta. Quando a terceira música, Runaway da Galantis, chegou ao fim, procurei Jason com o olhar e não achei. Fui até o bar, pois queria beber mais, e pedi 2 rodadas de whisky. Era extremamente forte, mas eu não estava ligando para isso. Me senti levemente tonta depois disso mas consegui voltar a pista de dança. Comecei a dançar She Wolf, e só parei porque senti alguém encostar em meu ombro e me virei rapidamente.
— Estava te procurando, onde estava? – Jason disse parecendo preocupado e Luke e Adam, seus amigos que conheci no boliche, pareciam surpresos .
— Fui ao banheiro – menti sem nem hesitar.
— Banheiro? — ele se aproximou do rosto – E foi lá que você tomou tequila?
— Sabe de uma coisa?
— O que Nath? Você já está começando a falar devagar
— Você é um chato, idiota e irritante, mas até que gosto de você.
— Nath – ele disse se afastando – Acho melhor voltar pra casa agora.
— Não vou – disse a ele e então olhei para os amigos dele – Oi meninos!
— Oi Nath – Adam respondeu primeiro – Parece que está se divertindo.
— Oi. Está linda Nath – Luke disse.
— Estou mesmo. E obrigada Luke, querem dançar comigo?
— Venha, vou te levar pra casa – Jason disse – Não foi uma boa ideia te trazer aqui.
— Deixe ela curtir Jason – Luke disse e então me puxou – Vamos lá.
Começamos a dançar e percebi que Jason parecia bravo e Adam só observava sorrindo. Mas não ia parar de dançar, já estávamos sintetizados com a musica. E Luke dançava bem, além de ser ótimo olhar para a beleza que ele era. De tão perto seus cabelos loiros reluziam mais, e os olhos castanhos possuíam um brilho negro. Dançamos varias musicas e então comecei a sentir-me cansada. Decidi ir atrás de Jason, e ao procura-lo o vi em um banco com Hanna e Adam. Jason parecia estar calmo, até sorria. Só de olhar isso me irritei e voltei para a pista de dança onde Luke me esperava.
— Você está bem? – ele me perguntou.
— Estou ótima.
— Parece irritada.
— Não, estou ótima. Quer me pagar uma bebida?
— Claro. Vamos lá – ele disse e então entrelaçou o braço dele ao meu e começamos a andar – Então quer dizer que você está saindo com Jason?
— Somos só amigos – respondi enquanto passávamos olhando para onde Jason, Hanna e Adam estavam sentados.
— Não parece. E parece que está com ciúmes.
— Ciúmes? Não! – Falei me exaltando.
— Dois copos de vodka com energético, por favor – Luke disse ao bar man – Cuidado com Hanna, ela é uma cobra.
— Olha! Alguém concorda comigo. Só falta nosso querido amigo Jason perceber isso – falei e então entornei o copo de vodka com energético.
— Realmente. Mas não se preocupe, é só você mostrar pra ela que Jason é seu.
— Não sei se quero fazer isso.
— Então quer ficar sentada a vendo tirar seu “amigo” de você por se sentir ameaçada já que eles terminaram?
— Okay. Você tem razão. Mas como fazer isso?
— Deixando ele mais doido de ciúmes do que já estou neste momento. Apenas confie em mim, e reaja ao que eu fizer – Luke falou com um sorriso confiante.
— Certo – disse e então fomos até a mesa com os braços entrelaçados e nos sentamos.
— Eae Hanna – Luke disse.
— Oi Luke – ela respondeu e então me olhou – desculpe, qual seu nome mesmo?
— Nathalie.
— Olá Nathalie – ela disse se aproximando mais de Jason e me lançando um olhar desafiador.
— Olá Hanna – respondi devolvendo o olhar desafiador dela.
— Jason, onde você achou essa garota? – Luke perguntou – Além de ser linda, dança muito! Vou roubar ela pra mim.
— E como pretende fazer isso? – Jason perguntou já ficando com o semblante fechado.
— Assim – Luke disse e então me beijou. Como havíamos combinado, eu apenas fiz o que ele disse e correspondi.
Ele fez isso até que Jason me puxasse e deixasse presa entre os braços dele.
— Nath é minha responsabilidade e ela vai embora agora – Jason disse e então levantou-se, me puxando junto.
— Tchau Adam, Tchau Luke, nos vemos amanha – consegui dizer antes que Jason me levasse rapidamente pra limusine.
— Você não tem juízo – ele disse quando nos sentamos – Nos leve logo para minha casa – ele disse ao motorista.
— Sua casa? Por que? E por que não tenho juízo? – Falei e comecei a me cansada.
— Você acabou de beijar um cara na minha frente.
— E o que isso tem de mais?
— Você ainda pergunta o que? – ele revirou os olhos – Gosto de você.
— Gosta? Você mal me conhece. E mesmo que gostasse de mim não significa que eu tenha que ficar com você. E, além disso, Você tem a Hanna.
— A Hanna? De novo esse ciúme idiota? Ela é só minha amiga agora.
— Uhun, sei.
— Não acredita em mim?
— Não. Vai fazer o que?
— Não me desafie.
— Desafio sim. Eaí, Você vai fazer o que?
— Provar que gosto de você – ele disse e então segurou meus braços no alto ao lado do corpo, colocou seu joelho apoiado no banco no meio dar minhas pernas, e aproximou bem o rosto de mim – Gosto mesmo de você Nath.
Então ele me beijou. No começo eu relutei, mas logo cedi. Dessa vez, o beijo foi mais ardente que na primeira. Podia sentir o desejo dele por mim. Era tanto que cheguei a sentir medo.
— Jason – falei enquanto tentava recuperar folego – Saia de cima de mim.
— Não. Só farei isso quando chegarmos em casa.
E então ele começou a me beijar novamente. E ele fez isso até o carro estacionar, apenas com pequenas pausas pra que eu pudesse recuperar meu folego. Descemos do carro mas Jason percebeu que mal conseguia ficar em pé e me levou no colo até onde eu conclui que era o quarto dele.
— Por que estamos aqui? Tenho que ir para casa!
— Bêbada deste jeito? Quer que sua mãe lhe mate? Ligue para ela e diga que vai dormir em uma amiga que encontrou no restaurante – ele disse entregando minha bolsa e retirou-se.
Peguei meu celular na bolsa e disquei o numero de minha mãe.
— Onde você está Nathalie? Já é 1 h da manhã.
— Encontrei a Emily e estava me sentindo mal, então vim dormir na casa dela. Conversamos amanhã mãe, beijo – disse e desliguei. Minha cabeça parecia estar explodindo.
— Agora tome este copo – Jason disse e então entornei o copo, quase cuspindo no rosto dele sei lá o que ele me dado.
– Poderia ter me avisado que isso tem um péssimo gosto – falei.
— Vai te ajudar a se sentir melhor. Por que não dorme? – ele disse enquanto me cobria com suas cobertas.
E foi assim que adormeci, com a visão de Jason me olhando.
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