Undisclosed Desires in your Heart !
2 O ponto de encontro
Notas iniciais
Terça, dia 29 de setembro de 2015:
Acordei mais cedo naquele dia, pois iria à escola e descobriria alguma coisa sobre aquele garoto. Tomei banho e vesti o uniforme da escola. Depois tomei café e fui pra escola. Passei na sala onde ficavam os anuários escolares e alguns álbuns de clubes de atividade extracurricular da escola. Vi umas fotos muito engraçadas, outras muito bonitas. Descobri a existência de clubes que nunca tinha ouvido falar, como o clube M&C (Matemáticos & Cientistas ), onde eles competiam com as outras escolas pra ver quer acertava mais questões (obviamente questões de matemática e ciência).
Depois de muito procurar, encontrei uma coisa sobre Jason: Ele fazia parte do clube de teatro. Vi várias fotos dele atuando em peças de teatro. Achei isso interessante. O que um ator bonito queria comigo? Decidi olhar mais um pouco e vi uma foto dele abraçado com a menina mais popular da escola, Hanna Berry. Ela também fazia parte do clube de teatro. Eles ficavam bonitos juntos, mas isso me deixou meio confusa e incomodada. Agora precisava mais ainda de respostas. Mas agora já era hora de ir pra sala.
Na sala de aula também tive um dia comum. Estudava com meus colegas desde a primeira série do ensino fundamental, mas ficava a maior parte do tempo quieta, sozinha. Eu gostava de ser assim, mas de vez em quando até dava vontade de ter uma amiga. Quem sabe um dia eu tenha uma. Eu estava ansiosa para o almoço. Dirigi-me novamente a cerejeira na esperança de encontrar Jason. Mas naquele dia ele não apareceu.
Quinta 1 de Outubro de 2015:
Nem sinal dele. Já faz dois dias que não o vejo. Eu já estava sem esperanças de que ele fosse ao jardim comer comigo. Hoje o céu estava nublado, parece até que vai chover. E apesar de querer ver Jason, decidi esquecer isso, pois, estava com fome e não via hora de comer! Afinal, vou comer minha comida preferida: Lasanha.
Quando chegou o intervalo, decidi ir comer encostada na cerejeira, mesmo achando que ia chover. Decidi que ali se tornaria o meu lugar. Fui até lá e comecei a comer. Aquela lasanha estava uma delícia. Eu mesma tinha feito. Depois de dar a primeira colherada, percebo que alguém se aproximou de mim.
— Olá Nathalie — disse ele empolgado.
— Olá... Jason, não é mesmo? — disse eu indiferente. Não queria que ele achasse que eu me importava com ele.
— Isso mesmo — disse ele rindo — Poderia sentar-me com você?
— Pode — eu respondi e indiquei com a mão que ele se sentasse.
Minutos de silêncio se seguiram. Eu estava mais preocupada em comer minha deliciosa Lasanha do que jogar conversa fora. Terminei de comer e peguei meu relógio para ver que horas eram. Ótimo, ainda restavam vinte minutos para o fim do intervalo, iria tentar obter respostas pras minhas dúvidas. Olhei para Jason e o encontrei me olhando. Fiquei sem jeito.
— Seu almoço estava com uma ótima aparência, o gosto também era bom? — perguntou ele.
— Sim. Era lasanha, minha comida preferida.
— Sério? Hummm! Que delícia. Minha comida preferida é estrogonofe. Você gosta de estrogonofe?
— Sim e eu até sei fazer. — disse eu sorrindo.
— Que prendada! Quantos anos você tem? — perguntou ele.
— 15. E você?
—15. Temos a mesma idade né? — ele disse sorrindo — Você está no segundo ano, não é mesmo Nathalie? Em que turma você está?
— No 2° D e você? Você sempre estudou aqui?- perguntei, fingindo curiosidade. Fingi não saber o fato de ele estar no clube de atuação, seria estranho saber disso. Eu esperaria ele tocar nesse assunto.
— No 2° G. E sim sempre estudei aqui.
— Não me lembro de você Jason — eu disse, fingindo um pouco de tristeza na voz.
— Já eu me lembro de você, desde a primeira vez que te vi na sexta série. Desde então eu observo você! — ele disse, como se o que ele tivesse acabado de dizer fosse normal.
Aquilo que ele disse me deixou em choque por dois minutos. Como assim? Ele me observava? Por quê? Que garoto estranho. Não sabia se aquilo era bom ou ruim. Agora havia ainda mais dúvidas em minha mente. Mas o que eu mais queria saber era sobre Hanna, afinal o que havia ocorrido entre eles? E como agora esse garoto estava interessado em ser meu amigo ou algo mais? Eu precisava obter respostas, mas sei que não conseguiria obtê-las naquele momento. Então tinha que pensar numa resposta e rápido.
— Ahh, sinto muito por não se lembrar de você — eu disse.
— Sem problemas Nathalie.
Eu já não estava mais no clima de conversa. Queria sair dali e pensar. Precisa processar tudo aquilo.
— Acho que está na hora de voltar pra sala. Adeus Jason — eu disse e virei às costas.
Comecei a andar, mas que senti que ele me segurava pelo braço.
— Ei! Espere. Vou te levar até sua sala, e não aceito que você recuse Nathalie! Aliás, posso te chamar de Nath?
Hesitei um pouco para responder. Mas por fim eu disse que ele podia e fomos caminhar em direção à escola. Minha sala ficava no primeiro andar no corredor à direita, e a dele no segundo andar. O clima entre nós estava tenso. Depois de uns minutos estamos quase chegando a minha sala. Ele parou e disse:
— Hey Nath, me desculpe pelo que eu disse sobre te observar. Deve ter sido meio estranho. Quero que sejamos amigos, o que acha? — Aquelas palavras me trouxeram um pouco de alívio.
— Ótima ideia, eu preciso mesmo de amigos — eu disse e sorri. Continuamos andando até que chegamos a porta de minha sala.
— Tchau Jason — eu disse e estiquei a mão em sua direção para cumprimentá-lo.
— Tchau Nath. Venha cá, deixe de ser tímida! — ele e me puxou pela mão, e me envolveu em seus braços. Aquele abraço significou muito para mim.
Esse era o segundo abraço que eu tinha ganhado em toda minha vida. Ao abraçar Jason senti um sentimento diferente. Era como se ao nos abraçarmos, nos tornássemos um só ser humano. O corpo dele era quente. Eu ficava na altura do coração dele, eu podia ouvir os batimentos dele. Aquilo era estranho e novo pra mim. Aquele abraço era ótimo, mas logo se desfez. Queria que ele tivesse durado para sempre, mas não foi assim.
— Tenho que ir agora, amanha nos encontramos na árvore ok? Lá será nosso ponto de encontro, pode ser? – ele sugeriu.
— Claro que pode. Nos vemos amanhã! — respondi empolgada e não pude conter o sorriso.
Ele devolveu o sorriso e ele seguiu em frente. Agora nós dois tínhamos um ponto de encontro e acho que as coisas ficariam interessantes. Ao entrar na sala, senti que todos me olhavam. Todos haviam visto aquela cena.
— "... como essa garota estava falando com Jason, o menino mais bonito dessa escola?" Foi o que e ouvi uma garota ao meu lado dizer para suas amigas.
—"Ela não chega nem aos pés de Hanna"- a outra disse.
Todos estavam conversando e parecia que em todas as conversas o assunto era eu e Jason. Preferi fingir que nem ouvia aquilo. Logo o professor chegou e as aulas retomaram. Tive mais um dia comum. A noite antes de dormir estava pensando naquele abraço. Como era boa a sensação de estar envolvida nos braços de Jason. Sentir o calor do corpo dele. Eu realmente gostei daquilo, e foi apenas um abraço rápido. Mas me lembrei do meu primeiro abraço, que havia sido muito melhor. O primeiro abraço que tinha ganhado foi do único amigo que eu já havia tido. Estávamos no fim da quinta série, e ele ia embora. Antes de ir ele me deu um abraço e pediu que eu continuasse sendo eu mesma. Quando demos aquele abraço, me senti protegida. Senti-me querida, amada, como se eu realmente fosse importante. Ele foi o único que me fez sentir importante. Também senti como se aquilo não fosse o fim, como se nós fôssemos nos rever. Mas infelizmente não havia sido assim. Já haviam se passado quatro anos e não tinha nenhuma notícia sobre ele. Eu sentia saudade dele. O nome dele era Daniel. Nós tínhamos crescido juntos, pois éramos vizinhos. E ele também era da minha turma na escola. Nós passávamos a maior parte do tempo juntos aprontando. Ele era loiro, alto para uma criança de onze anos, seus olhos cor de mel reluziam com a luz do sol. Ele era lindo, até mais do que Jason. Ele deve ter crescido e ficado ainda mais bonito. Onde será que ele estava agora? Será que estava bem? Dormi pensando nisso...
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