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8 A Festa, Não Acaba Bem.
Notas iniciais
Quando o bolo chegou ao terceiro andar, todo mundo já estava cheio, mas ainda havia pessoas que acabaram com o bolo- Inclusive eu.
–Pessoal, passou da minha hora. Até. — Matheus Lopes disse.
–Eu também vou — Anna Mars disse.
Vários campistas se retiraram.
–Obrigada gente! Por me proporcionarem essa linda noite de luar — Disse Hanna Mostrando á lua. -Á mais legal que eu já vi, e eu confesso. Nunca. Jamais. Fiquei acordada á essa hora. Então obrigada pelos que viram. E que lembraram que hoje é o nosso aniversario! Obrigada gente! Vocês são demais!
Mais campistas se retiraram.
Eu estava indo, quando Hanna, Myh, Lynda e Hasel viram gritando.
–PERA, PERA, PERA, PERA FLOOR! — Hanna Gritava.
–NÃO VAI, ESPERA! NÃO VAAI! -Lynda Gritava.
–É A LUCY! NÃO VAI! -Myh escandalizava.
–ESPERA CARAI! PELOS CABELOS DA BUNDA DE ZEUS, FIQUE AÍ ONDE ESTÁ AGORA! NÃO MECHA NEM UM SÓ MÚSCULO GAROTA!- Hasel vinha gritando.
Thomas ainda estava ao meu lado, que do qual me olhava com olhos de susto. E a praia estava vazia. O chalé de Afrodite tinha pegado as mesas e o chalé de Hefesto, já havia retirado às caixas. Sombria e triste á luz do luar. Os cabelos pretos de Thomas sibilavam á luz da lua, o olhar dele penetrava. Até que ele disse algo, não prestei muita atenção, os olhos dele não deixavam, até que voltei à realidade, e vi que ele já se fora.
–Mas o que?
–CALMA!- Disse Lynda.
–EU TÔ CALMA! PARA DE GRITAR E ME FALA LOGO O QUE ESTA ACONTECENDO NESSA PORRA!-Gritei.
Elas pararam de gritar e continuaram a correr para chegar em mim. Quando chegaram estavam respirando fundo e Lynda estava chorando.
–Lucy. Lucy. É. Ela. Lynda disse engasgando.
–Oi?- Disse.
–Ela sumiu. Myh disse com tristeza.
–Como assim?-Perguntei.
–Sumiu- Hanna disse chorando.
–Ainda não estou entendendo. Disse com cara de "Você não esta falando sério".
–Sumiu!- Myh disse com frieza- Evaporou! Desapareceu! Está ausente! Destacado por falta sua falta de presença! Sumiu!
Olhei para o chão e meus olhos encheram de lágrimas. — Quando? Onde? Quem?- Eu disse isso tão lentamente que até os filhos de Poseidon me achariam lerda. Não que eles fossem. Só estou dizendo.
–Quem- Disse Hanna- Lucy Trevor.
–Onde- Disse Lynda completando- Atrás do palco.
–Quando- Disse Hasel, já se afastando junto a Myh. — Á mais ou menos 1h.
–Meus deuses. Corri para alcança-las, e Lynda e Hasel, também foram.
–Ela não está em lugar nenhum! Já procurei de cima a baixo e nada!-Nicoly apareceu algo me dizia que estava chorando á tempos.
Paramos na parte que havia marcas de caixotes de metal, na areia, havia passos. Os seguimos.
–Vamos ver até onde isso vai dar. Myh disse.
–Meus deuses. — Eu estava tão assustada que só dizia isso.
Seguimos a trilha, havia passos de sapatos 46 e Sapatos de salto alto 38, que é da Lucy. Havia em meios de fios de cabelos dela, marcas de sangue.
Os passos foram até a floresta. E seguimos até lá.
Os passos de salto pararam, já estávamos na floresta. E marcas de pernas sendo arrastadas em meio de sangues e unhas no chão. Lucy. Não. Pode. Ser.
–Não. Pode. Ser. -Hanna disse o que estava pensando.
As meninas balançaram a cabeça e Hanna ficou quieta.
Chegamos numa árvore onde o corpo de Lucy estava jogado. Estava ensanguentado. Marcas de faca circulavam entre as duas pernas e o salto alto dela estava logo acima, amarrado cheio de sangue, na arvore, que a pessoa que matou ela, deveria ter usado para feri-la.
Ela estava de olhos abertos, sentada em baixo da árvore, de pernas abertas, do modo que dava pra ver que estava esfaqueado. Havia um pano em sua boca e seu cabelo estava bagunçado. Despenteado.
Imagine sua melhor amiga, esfaqueada, com arcas de sangue no corpo todo. Ensanguentada. Olhando diretamente para você. Eu começei a chorar e me encostei-me ao ombro de Hanna.
Estava escuro. Não dava para ver direito o rosto dela. E se não fosse ela? Tinha o corpo dela. Tinha que ser ela.
Myh foi mais perto dela, e feixou seus olhos, colocou ela deitada num monte de folhas ao lado. Cruzou seus braços. Myh estava com os olhos cheios de agua. Lynda estava com os olhos vermelhos. Hanna estava chorando. Hasel examinava a arvore e o lugar.
– PW5.- Ela disse passando a mão no sangue que estava na árvore.
–Ãn?- Lynda disse.
–PW5- Ela afirmou e se virou para nós. — Essas são as marcas da árvore. Ela deu uma pausa e passou as mãos nos olhos- PW5.
–PW5- Myh repetiu para si mesma.
Ela e Hasel balançaram a cabeça e se entreolhou.
–Vamos sair daqui. — Lynda colocou a mão nas minhas costas e a outra na de Hanna.
Nós saímos da floresta. Deixando o corpo de Lucy para traz. Abaixei minha cabeça. Segui para o meu chalé. O de Hermes. Ainda. Amanha haveria a fogueira. Vou descobrir quem é minha mãe olimpiana.
Deitei-me e começei a chorar loucamente. Silenciosamente. Em minha cama. Repassando essa história na minha cabeça.
Jason estava lá, ao meu lado, não demonstrou qualquer tipo de afeto. John entrou no chalé. Sentou-se em minha cama. Fez-me sentar. Deu-me um abraço apertado. Jason só olhou.
–Eu entendo. Sinto muito. — Ele me soltou e segurou pelos ombros os olhos seguiram de meus cabelos bagunçados até o meu quadril. Olhei para mim mesma, ainda estava com o mesmo vestido da festa, mesma coisa. Olhei com um olhar mais sem graça possível e ele abriu um sorriso torto.
– Você está horrível.
Abri um sorriso torto para ele.
–Melhor você ir se acostumando com a coisa horrível que vai olhar todos os dias.
Mesmo com a dor que sentia, ele me deixava mais aconchegante e melhor. Ele olhou para a parede como se tentasse lembrar-se de algo. E em seguida me olhou como se lembrasse.
– Venha. — Ele me puxou pelo pulso e eu peguei meus All Star- preto com guitarras brancas estampando- ao lado da porta, mesmo com ele me puxando.
Ele sacou do bolso direito da Jeans uma venda preta, e me vendou, me deixou plantada ali por alguns segundos e logo reapareceu com a mão nos meus ombros ás minhas costas.
Acho que ele me guiou pela floresta toda, senti folhas arrastando pelos meus pés o tempo todo. Ele me guiou pela esquerda, quando eu quase caí de cara no chão, tropeçando numa pedra. Depois, admito que não saiba mais onde ele me guiou.
Depois que paramos, ele tirou minha venda.
Eu estava mesmo na floresta, só que em cima de uma das colinas meio-sangue. Samambaias cresciam dos pinheiros, margaridas e rosas cresciam ao lado direito. Varias arvores e outras plantas exóticas com cheiros afrodisíacos, me encantavam.
O melhor é que, ele aparara o mato que havia ao meio e colocou a toalha GG que eu havia dado para ele de presente- Que tinha muitos pandas estampados nela. Dava pra usar aquela toalha de cobertor, de tão grande. A luz da lua cheia brilhava nas partes pretas dos pandas.
John me abraçou pelas costas e em seguida disse para me sentar na toalha. Só que ele não sentou, ele deitou. Eu me deitei também. Ele tirara as roupas da festa, eu percebera agora- uma blusa do acampamento, uma Jeans clara e algum tênis de marca. Eu coloquei meus All Star.
Deitei-me perto dele e cheguei mais perto, ele era somente alguns centímetros maior que eu. Mas fiquei deitada no peito dele e abracei-o, deu pra ouvir a respiração dele no meu cabelo, e a batida de seu coração era reconfortante. Ele passou a mão em meus cabelos que brilhavam á luz, e passou o braço em meu pescoço e me abraçou. Depois ele me beijou na testa e eu dormi. Foi só isso que eu lembrei.
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