Underword
9 Ele estava me pedindo perdão?
Notas iniciais
Estava com os braços e pernas presos á uma cadeira elétrica. Não consigo me mexer, minha perna dói muito. Havia pontas de metal nela que faziam cortes profundos na minha carne.
De repente, descubro que meus olhos estavam fechados. Abro-os rapidamente.
Ah deuses! Estou no submundo. O mundo inferior. O ar estava quente e minha respiração estava ofegante. E o que mais me assusta. Estou á beira do Tártaro, e a cadeira ameaçava a cair.
Flashback On~
Vejo três crianças, uma delas reconheci pelos incríveis cabelos negros e pelos olhos azuis. Lucy Trevor. Estava correndo em volta do lindo piquenique, com a toalha xadrez branca e vermelha. Lucy usava um lindo vestido azul, com sapatinha branca, e uma simples tiara também branca nos cabelos. A outra menina morena, de 5 anos, estava usando um vestido vermelho de bolinhas brancas, sandália cor-de-rosa e estava com o cabelo preso, tinha a pele negra, que realçava a cor dos seus lindos olhos ocre. O garoto com cabelos negros parecia que tinha 11 anos, tinha uma regata azul, uma bermuda preta e um tênis verde, tinha a pele pálida e fria como o gelo, que também realçava seus olhos negros como uma pérola negra.
Lucy correu da menina morena, estavam brincando de pega-pega. Perto do local que estavam, havia uma cabana de madeira, Lucy correu para lá, na tentativa de correr da menina para não ser pega no jogo. A porta estava fechada, á trancas, mas Lucy pulou nas lixeiras, conseguindo alcançar a janela da casa. Saltou para dentro.
Era úmida e o ar era rarefeito- não sei como -, estava imunda. Ela estava sorrindo, na casa havia somente um cômodo. O sorriso de Lucy se dissipou. Na sala escura havia uma grande mesa de madeira; que nela havia vários doces-Salgadinhos, balas, dadinhos, paçocas, chocolates, sorvetes, M&M, Oréo, Lays, tudo que tem de bom no mundo- aí então que vi o porquê que o sorriso de Lucy se dissipou. No topo da mesa, na cadeira central, sentada nela, havia um ser sem olhos, magro e rosado, um "bestante”. Estava com as mãos na mesa, não se mexia- por incrivel que pareça- não fazia nada. Suas mãos eram totalmente sem pelos, tinha garras no lugar de unhas, e os ossos de sua mão estavam saltando para fora. Sua cabeça era redonda, como um olho, sem cabelos, e tinha o nariz do Tio Voldy- Lord Valdemort, Harry Potter-, a boca era somente um risco, como uma reta na régua. Seu tórax era pequeno, e dava para contar a quantidade de costelas com facilidade, tinha seios pequenos e caídos, seu umbigo ficava na cintura. Perto de suas mãos tinha um prato de metal, brilhando na luz amarelada da sala- Havia uma lareira acesa no canto da sala, só havia aquela luz. No prato havia um par de olhos vermelhos, parados. Lucy caminhou ao redor da sala, certificando-se que não havia mais ninguém no mesmo local. A lareira estava quente, foi quando percebi que havia ossos de pessoas, animais e outros nos cantos da sala e muito sangue ao redor da mesma.
Ela olhou para o bestante. Não se mexeu.
Ela balançou a mão perto do rosto do bestante.
–Olá?-Perguntou. Como não respondeu, deu de ombros.
Caminhou para perto da mesa, e começou a comer loucamente os doces. E começou a guardá-los na meia. Quando comeu o primeiro doce, o bestante mexeu as mãos, diretamente para o prato.
Os olhos começaram a mexer-se, quando o monstro os tocou. Ele pegou o olho direito e abriu à mão esquerda, envéz de coloca-los em suas órbitas vazias, colocou-o em um buraco na mão esquerda, e fez o mesmo com a mão direita. Levantou-se da cadeira e posicionou as mãos onde seriam os olhos. Andou em direção á Lucy, desengonçadamente. Lucy não percebeu e continuou comendo e colocando os doces nas meias. O bestante tropeçou na mesa e ela fez um barulho horrível. Lucy escutou o barulho e alarmou-se.
O bestante vinha cada vez mais perto. Ela começou a correr pela sala em busca de uma saída.
Quando percebeu que, não havia saída, começou a gritar.
–John! Hasel! Socorro!-Gritou-Me ajudem! Aqui! John! Hasel!
Ouviu-se um barulho, como os de alguém socando loucamente a porta. Lucy sabia que seus amigos á escutaram, e também sabia que, eles estavam confundindo o Bestante, e tambem sabia que, era Hasel socando a porta.
Lucy correu ao outro lado da sala, o monstro, seguiu o barulho da porta. Enquanto ele iria em direção à porta, Lucy começou a bater o pé no chão, á chutar a mesa, jogar coisas de metal ou de vidro no chão, para que o bestante ficasse totalmente confundido. Foi quando parou no meio da barulheira e começou a balançar a cabeça.
Ouviu-se um estilhaço enorme vindo da janela, uma faca fora jogada contra o bestante- Era de John, Lucy sabia- e passou raspando na sua pele, que fez um corte profundo, e parou na parede ao lado do bestante.
Lucy parou de bater os pés e correu para a faca, o bestante foi atrás de Hasel.
John pulou a janela e correu atrás do bestante e derrubou-lhe, que caiu no chão, ele se arrastou e levantou-se e conseguiu- de algum modo- abrir a porta. Viu Hasel. Ela começou a gritar quando o bestante puxou-lhe os cabelos.
Lucy sacou a faca da parede e foi em direção aos gritos.
Atrás do bestante, virou a cabeça e fechou os olhos. Pegou a faca e cortou a garganta do bestante. Sangue escuro espirrou em seus cabelos, o bestante caiu de bruços no chão.
Lucy pulou e correu para a direção de Hasel, que, quando a mão do bestante fora retirada de seus cabelos caiu como uma folha de papel no solo.
–Você esta bem, né?- Disse. Lucy abraçou a amiga com força- Ah claro que está. Que pergunta mais boba não é?- Completou rindo de si mesma.
–Estou bem sim- Disse Hasel, colocando a mão atrás do pescoço para afastar a amiga.
–Meninas? Venham aqui!- Disse John, distante, havia pulado a janela novamente e ido parar no outro lado da casa- Achei algo!
Elas correram juntas, Hasel reclamando com dor nos pés, até John, para ver o que ele, talvez, Talvez, encontrara.
Ele estava cavando, no lado esquerdo de uma figueira, no solo arenoso. Suas vestes estavam sujas, e suas mãos não paravam.
–O que foi dessa vez, John?- Perguntou Lucy, enquanto Hasel reclamava dos seus pés.
–Olhem isso!-Respondeu, sorrindo. Retirou uma maleta de viagem, vermelha, da terra, que com o tempo as fechaduras estavam emperradas.
.
Depois de um tempo, tentando abrir, eles conseguiram. Abriram devagar, as porcas faziam barulho, como se dentes rangessem. O sonho embaçou. Tudo preto. Uma luz amarela surgiu, um brilho branco apareceu, como um rosto. Seus olhos eram grandes e sua boca fina.
–Ella Mellarck!- Disse, e sorriu, com ironia.
Fiquei sem palavras.
–Precisamos colocar a conversa em dia!- Disse- Me encontre no Starbucks, no Bronklyn, sabe?- Perguntou
–Quem é? Algum deus?
–Ártemis, claro!
–Veio ajudar?- Digo, indignada.
–Encontrar Lucy? Hãm, talvez, bem, ajudar na sua missão.
–Talvez?
Meu sonho embaçou novamente.
Acordei assustada, procurando algo para agarrar. Foi quando, balancei as mãos e agarrei algo macio, como seda. Era uma mão, que me entregou algo mais macio ainda, minha visão voltou ao normal.
Era um ursinho de pelúcia, tinha olhos pretos e sorria alegremente. Suas bochechas rosadas destacavam-se na sua pelúcia, que tinha cor de amendoim. Suas orelhas eram pontudas e ele tinha uma cartola vermelha e preta, destacando no paletó. Ele poderia ser considerado "fofinho", o que verdadeiramente era. De quem era a mão?
Levantei a cabeça e sorri de imediato.
Ele estava ali. Sorrindo; Jason. Ele retribui o sorriso
–Como uma oferta de paz. — Diz.
–Como uma oferta de paz. — Repito, sorrindo.
– Aceita?
Não respondi. Todos do chalé dormiam. Silenciosamente. Jason não fazia questão de falar baixo, ou sussurrar. Ele estava me pedindo perdão?
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