Under Moonlight

5 Capítulo 4


Notas iniciais
Desculpa a demora para postar... trabalho e faculdade não têm me dado tempo para escrever. Eita cap pequeno '-'

A campainha soou insistentemente, sozinha, ignorada, incansável. Para Michael, que acreditava piamente que era algum vizinho, era ultraje tamanha insistência de tal ser. E por mais que não fosse um vizinho, mesmo se fosse o papa, possuído pelo próprio Espírito Santo, era falta de educação não tomar semancol e ir embora.

— Já vai, oh caramba! – Michael resmungou saindo do seu quarto contra vontade, custava tocar a campainha quando Robert tivesse acordado e pudesse atendê-la?. – EU JÁ FALEI QUE TO INDO FDP!!! – gritou já perto da porta. Parecia querer furar o chão com a força que batia os pés, por pouco não arrancou a porta com a brutalidade que a puxou.

— Desculpa. – um rapaz baixo, com uma trouxa de pêlos pendurado em seu braço, sorria envergonhado para Michael. – Eu não escutei você avisar que já estava vindo. — Michael o olhou dos pés à cabeça, envergonhando mais ainda o pobre rapaz. Ele era bonito, mas infelizmente a vida não havia sido gentil com o coitado.

- Espere um pouco, vou ver o que posso trazer para vocês. – e fechou a porta, não que estivesse preocupado com o rapaz roubar algo, ele parecia ser honesto, mas não podia confiar em ninguém nesse mundo de hoje em dia. Na verdade, levaria um esporro se deixasse isso acontecer. Voltou com uma sacola cheia de miojo, feijão e bolacha passa-tempo. – Só consegui surrupiar isso, sinto muito. – abriu a porta de supetão, encontrando o rapaz agachado de frente a uma jovem. A bolinha de pêlo, que agora ele viu que era um menino encolhidinho, estava no colo da garota. A garota era linda, pensou Michael, seus olhos lembravam tempestade, marrom intenso.

— Ah não! O senhor entendeu errado. – o rapaz levantou depois de da um beijo na testa quente do pequeno. Isso o fez abrir os olhinhos, deixando à mostra suas íris verdes, tão diferentes de qualquer um dos dois, o que fez Michael pensar se a crianças era mesmo do casal. O pequeno fechou os olhos logo em seguida, devagar, estavam todos com a aparência cansada, mas o garotinho parecia extremamente exausto, à beira de um desmaio. – Eu não quero comida. – riu sem graça.

— Quer dinheiro é vagabundo? – Michael se irritou. Passou pelo pai, que tentava desesperadamente explicar o mal entendido. Abaixou-se ficando de frente com a suposta mãe. – Que maridão você arranjou hein? – repreendeu a moça. — Toma, para você. Não dá nenhum tiquinho para ele, viste? – entregou a sacola para o garotinho, que a pegou com desânimo. Quando encostou a mão na testa do menino para lhe fazer um cafuné, viu a razão da moleza. Estava ardendo em febre. Michael continuou o carinho automaticamente. Olhou para o pai envergonhado da sua reação. – Desculpe, nem imaginei que fosse isso. Vou pegar a minha carteira.

— Espera! Pode me escutar por um segundo? – o pai puxou Michael o pai para perto com força, não que essa fosse a sua intenção, mas ele o estava tirando do sério. Queria ter uma chance para falar. – Eu não vim pedir comida, dinheiro e nem sou testemunha de Jeová vindo pregar aqui.

— Então o que você quer? – Michael o cortou novamente. Rolou os olhos, mas quando viu o olhar de repreensão do rapaz pediu desculpa e finalmente calou-se.

— Rapazes, nós podemos entrar? Não é bom Lucas ficar aqui fora. – interrompeu Luana, ao som das reclamações do pai de como ninguém o deixava falar.

Ninguém poderia dizer que eles eram totalmente estranhos. Michael sabia que conhecia o rapaz mais velho e a criança o lembrava alguém. Era isso ele os conhecia. Só não sabia de onde.

O trio acompanhado de Michael entrou na casa. O rapaz arrastava uma mala enorme. Michael não pode deixar de se questionar como um rapaz tão humilde teria uma bagagem tão sofisticada como aquela? Seria um ladrão? Só então reparou nas roupas da acompanhante do rapaz, eram igualmente sofisticadas e a guria tinha um leve ar de arrogância. Talvez fosse um seqüestro, mas mesmo com todas as duvidas e desconfianças, não conseguia expulsá-lo dali, então arriscou uma conversa, talvez fosse uma surpresa boa.

— Podem sentar. — Michael indicou o sofá. – Vou buscar algo para vocês, parecem estar exaustos. – e saiu ai murmúrio de agradecimento dos dois adultos.

Da cozinha dava para ouvir a tosse insistente do garoto enrolado no agasalho de pêlo sintético. Devia está doente, ninguém ficaria tão bem agasalhado em um calor daqueles se não estivesse doente. Providenciou algum remédio para febre, infelizmente não tinha nada infantil, daqueles com gosto de tuit-fruit, chocolate, morango. Então passou a procurar doces, para tirar o gosto amargo do remédio. Lembrava de quando era criança, tomava montanhas de remédios. Aquele gosto ruim ficava na língua por séculos, e ele não tinha nada para tirar aquele sabor tão forte que doía atrás da orelha toda vez que engolia a saliva.

Quando Michael voltava para sala, ficou pensando se a pequena família não poderia ficar um tempo por lá. O garoto não agüentaria ir até a próxima esquina sem ter uma convulsão.

O pai estava sentado em um sofá distante da moça. A criança em seu colo falava baixinho, sem sequer abrir os olhos, sua bochecha marcada de roxo, estava molhada, assim como a de seu pai, que lutava para ninguém notar a sua alteração.

— Trouxe lanche e remédio. – Michael colocou a bandeja na mesinha de centro, abaixou-se e tocou o rosto do pequeno. Levantou o olhar para o pai, e pode perceber o seu rosto igualmente machucado. – Quem bateu em vocês?

-Alguém sem importância. – estendeu a mão pedindo o remédio. – Filhinho, olha o que o tio trouxe para você. – sacudiu de leve a criança no intuito de acordá-la.

— Que é isso papaizinho?- fez cara feia para o copo com um líquido amarelado. – Parece xixi. – virou a cabecinha para Michael. – Desculpa tio não-sei-quem-lá, mas eu não tomo xixi.

— Lucas! – o pai o sacudiu novamente, chamando a sua atenção. Apesar de rir muito com as piadinhas do pequeno, tinha que educá-lo, e passar uma boa impressão, mostrar que era capaz de criar uma criança educada, adorável, bondosa e obediente. – Não é xixi, é remédio. Tome agora!

— Preferia xixi. – remendou.

— Shiu! Doente não tem preferência. – franziu o cenho expondo a sua insatisfação com a atitude malcriada do seu filhote.

— Tem gosto de o que, tio?- tomou o copo em suas mãos pequenas. – É morango?

— Desculpa pequeno, mas não tinha remédio com sabor. – Michael respondeu abaixando o termômetro e o entregou ao pai, que colocou no garotinho, causando arrepios no pequeno devido ao choque entre sua pele quentinha e a ponta gelada do termômetro. — Mas se você tomar todinho, o tio vai lhe dá um... – pegou na bandeja um chocolate de coco e o levantou bem alto, como se fosse um troféu. -... Tcharam! Um chocolate! – e o pai vibrou junto com Michael. Vibraram para incentivar Happy B-day. O que deu certo, pois ele tomou fôlego, tampou o narizinho e bebeu de gute-gute o líquido amargo. Esticou a mãozinha na direção de Michael ainda com os olhos apertados, só abrindo quando mastigou o primeiro pedaço do doce gostoso. Todos comemoraram como se fosse gol da seleção.

‘Bobos!’ pensou Luana.

— Muito bom principezinho. – parabenizou Michael, com aquele jeito de professora de primário ligado ao extremo. – Mas, para sem mais príncipe ainda, tem que ir ao nosso amigo médico.

— De jeito nenhum! – ao contrário do que o mais velho pensou que resistiu à ordem foi o pai, espantado e alterado. — É só uma gripezinha, não precisa de medico porra nenhuma.

— Você é medico, rapá? – Michael protestou. – Creio que não. Então como fez o diagnóstico? Ta mais que na cara que essa criança precisa de uma avaliação médica.

— Eu não vou levá-lo ao hospital, e nem vou deixar que alguém faça isso. – o pai então percebeu o seu nervosismo, e ao ver todos os olhares questionadores de Luana e Michael em cima dele, resolveu dá a razão antes mesmo que alguém á pedisse. – Eles vão tirá-lo de mim. – agarrou o seu menino com força, como se á qualquer minuto fossem arrancá-lo de seus braços carinhosos. Sua voz soava como uma súplica, como se há bastante tempo tivesse pesadelos com a possibilidade de tal crueldade.

— Rapaz, você é realmente o pai dessa criança? – Michael, com muito cuidado, indagou. – Digo. – limpou a garganta. – Esse seu medo todo é meio estranho. E até porque eu te acho vocês muitos novos.

— Calma lá! Eu não sou casada com o pai não. – Luana logo tirou o corpo fora. Se o garotinho tivesse sido seqüestrado, ela queria deixar bem claro que não era cúmplice. – Desse ai, eu nem sei o nome.

— É ela realmente não é a mãe. Nem sei de onde vocês tiraram isso. – desfez a confusão, sussurrando para o Michael que o seu bebê era bonito demais para ser filho de duas coisas tão mal feitas. Infelizmente o sussurro foi alto o suficiente para que Luana jogasse contra ele uma almofada. O pai se sentia confortável naquele ambiente, lembrava de seus amigos, não tinha certeza que eles fizessem o mesmo, mas mesmo assim, se sentia parte da família. – Mas eu sou o pai dele sim. – sorriu, esperando a confiança da sua família, mesmo que ele não fosse reconhecido.

— Desculpa, mas tem como provar? – e mais uma vez o pai surpreendeu. Ao invés de ficar chateado com a pergunta de Michael, ele abriu um sorriso, daqueles lindos que só poucas pessoas têm, deitou Happy B-day no sofá e andou calmamente até uma mochila velha, que estava em cima da vistosa mala. Retirou de lá duas folhas de papel envelhecidas e entregou para Michael. Ainda mantinha o sorriso encantador no rosto.

Michael iniciou a leitura do documento que parecia ser mais velho. Porem, antes que terminasse a leitura do dito cujo, e sem sequer olhar para o segundo documento, laçou o rapaz em um abraço, e só depois do que pareceram horas da demonstração de afeto, que deixou Luana com uma enorme interrogação pairando sobre a cabeça, conseguiu falar.

— Que saudade Polegar. – separou do abraço, olhando bem o jovem pai. Como não havia o havia reconhecido, Deus do céu? Bagunçou algumas mechas dele.

— Se tivesse reparado bem, ira me reconhecer. – o pai fingiu-se de emburrado.

— Oh sim! – soltou um sorrisinho de quem quer provocar o melhor amigo. – Você continua sendo o mesmo anão, Frankie.

Notas finais
Quem sabia que era o Frank levanta a mão o/