Undead

3 We are young


Notas iniciais
Nha, meus agradecimentos à Maria (kunaifu), minha beta linda, que me convenceu de que este cap não está uma porcaria sem sentido completa. Te amo ♥
E a todas as minhas leitoras que comentam e a meus leitores fantasmas também, muito obrigada *--*

As batidas na porta eram insistentes. Era segunda-feira, e tudo o que Arthur queria era descansar -física e mentalmente- e aproveitar a ausência de Francis, engajado em algum projeto de sua faculdade de arquitetura.


Quem quer que seja, é melhor ter um bom motivo para me acordar logo de manhã tão cedo, pensou Arthur, sonolento.



Levantou-se da cama, colocou um robe qualquer apenas para não aparecer de pijamas e foi atender a porta.



–Quem é? -perguntou, obviamente mau humorado.



–Quero conversar com você, Arthur.



Ah, minha Rainha, é o Jackson! Estou destinado a ser perseguido por esses caras? E logo depois daquela festa? Ah, não!



Arthur parou onde estava e respirou fundo. Tomaria uma decisão racional e não entraria em pânico. Ótimo, vamos estudar minhas opções agora.



1-Eu posso falar para ele ir embora, correr para me trancar no meu quarto, chamar a polícia e nunca mais sair de casa.



2-Eu posso educadamente falar para ele ir embora e dizer educadamente que eu não tenho interesse em me envolver mais com a Undead.



3-Eu posso abrir a porta, escutar o que ele tem para dizer, dizer educadamente que eu tenho algo muito importante para fazer e pronto.



Se decidiu pela terceira. Afinal, não precisava de mais problemas do que já tinha.



Abriu a porta, tremendo. Não havia se recuperado do choque da madrugada de domingo, e não se atreveu a encarar Jackson, mantendo seu olhar baixo. Oh, de repente o chão me parece tão interessante!



–O-oi, Jackson.



–Bom te ver também, inglesinho. Você tem aula hoje à noite, certo? Deixou tudo pronto? -Jackson foi entrando na sala. -Seu primo não está aqui? Vá trocar de roupa, estamos saindo em cinco minutos. Não me faça esperar



–Espera. -Arthur indignou-se. -Por que quer saber se tenho aula hoje à noite? Como você sabe onde eu moro? E como assim estamos saindo? Eu não combinei nada! -logo depois arrependeu-se de ter falado o que pensava. Ainda não havia se recuperado do choque



O americano riu, apossando-se de um assento no sofá de couro bege.



–Ah, inglesinho, você fica tão engraçado quando bravo... você não combinou nada, mas eu estou combinando agora. -Jackson respondeu, deixando bem claro que suas vontades sobressaíam às do inglês. -Quanto a como sei onde mora, você foi estúpido o suficiente para dar seu endereço ao Mathias ontem. -Arthur corou, um pouco envergonhado e enraivecido com a observação. Ah, é, quem ferra com minha vida sou eu mesmo!



–E... para onde vamos, Jackson? E por que?



–Vamos porque eu quero, e aonde não interessa. Pegue suas coisas e troque de roupa, rápido. -Jackson não precisava adicionar mais nada, deixando bem claro que as consequências seriam desagradáveis caso o inglês não o obedecesse.



Arthur foi correndo para seu quarto. Em menos de cinco minutos colocou jeans, uma camiseta dos Rolling Stones e tênis simples. Pegou a bolsa de couro com os livros e objetos necessários para a aula de mais tarde, e voltou para a sala. Deus, o que ele quer? Para onde vai me levar?


–Hm... -se dirigiu a Jackson, desajeitado e um tanto quanto apavorado. -A-agora só falta eu escovar os dentes, ok?



Jackson soltou um 'hmph', e Arthur foi para o banheiro para, apressado, resolver o que faltava. Escovou os dentes de qualquer jeito, apressadamente, respirou fundo e tornou para onde Jackson estava.



–Agora, me fale por favor. Para onde vamos? -perguntou ao americano.



–Ah, é, eu esqueci de te avisar -Jackson desconversava, enquanto mexia em um dos bolsos, tirando um pequeno objeto preto e sacudindo-o na mão. -que estou com seu celular.



Os olhos de Arthur brilharam. Meu celular lindo! Você voltou!



–Obrigada, Jackson! -Arthur sorriu. Não era que até alguém como Jackson poderia ser legal? Fez menção de pegar o celular das mãos do americano, mas foi impedido. -Não vai me devolver? -o sorriso do inglês foi morrendo. Oh, Arthur, é claro que um cara assim seria gente boa!, ironizou por pensamento.



Jackson foi saindo pela porta, fazendo sinal para que Arthur também saísse.



–Eu vou te devolver, inglesinho. Mas não antes de você dar uma volta por L.A. comigo. -Jackson deu aquele sorrisinho que Arthur já conhecia bem, carregado de intenções ruins.



–Mas... por que? -o inglês foi perguntando e, enquanto desciam para o estacionamento do prédio, outro questionamento começou a instigá-lo. -Jackson, como foi que você conseguiu entrar no prédio?



–A porteira daqui é uma daquelas típicas solteironas. É só um cara jovem e bonito lhes dar um pouco de atenção que ficam completamente caídas. -Jackson riu um pouco.



Arthur esperava uma resposta que envolvesse um pouco de ameaças e violência, mas não se surpreendeu nem um pouco.



Jackson entrou em um Maybach em um tom estranho de vinho, e abriu a porta do banco do passageiro.



–Entra aí, inglesinho.



Arthur entrou. Sinceramente, foi pensando, seria melhor comprar um celular novo. Mas a última coisa que quero é contradizer um cara desses... ele apontou uma arma para aquela garota russa, provavelmente faria o mesmo comigo.



O inglês permanecia tenso enquanto saiam dos domínios do prédio, e o silêncio era absoluto enquanto o Maybach cruzava as ruas de Westwood, sem rumo. Jackson decidiu quebrá-lo.



–Acho que você não gosta de Los Angeles, inglesinho. Mas tenho certeza que... hm, tem algum lugar que gostaria de conhecer aqui, em L.A.? -perguntou.



Tudo aquilo estava demasiadamente estranho para Arthur. Jackson com toda a certeza queria algo mais. Escolheu entrar no jogo do americano.



–Na verdade, tem sim. Hollywood. -confessou Arthur.



Jackson olhou as horas no celular de Arthur, muito contribuindo para uma certa onda de raiva proveniente do inglês.



–São dez e pouco agora. Se dermos sorte, chegamos em Hollywood ao meio dia. Let's go, inglesinho. -disse, pisando no acelerador e desrespeitando provavelmente todas as leis californianas de trânsito até o famoso distrito angeleno.



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Recapitulando, Arthur fazia suas anotações mentais, como é que eu vim parar numa situação dessas?



Estava em um dos incontáveis restaurantes McDonald's existentes em Hollywood, terminando um McFish e um copo de suco de laranja, em uma mesinha de dois lugares. O assento a sua frente era ocupado por Jackson e, diante dele, um copo vazio de milkshake. Por pura provocação, julgou Arthur, o americano jogava algum dos joguinhos de seu celular.



O loiro apressou-se em terminar o lanche. Pigarreou para chamar a atenção de Jackson.



–Terminei, vamos? -quanto mais cedo acabarmos com isso, mais cedo eu pego meu celular e mais cedo eu vou para a segurança e o conforto do campus da UCLA, pensou.



Jackson parou com o que estava fazendo e guardou o celular do inglês no bolso. Já havendo pagado, -oh, pelo menos o git não é de todo desonesto-foram saindo. Arthur percebeu que, quando Jackson passava, todas as garotas do local se viravam para olhar. Deus que guarda minha querida Rainha, eu juro que não estou com ciúmes!



–Então, inglesinho, agora começamos nosso passeio pela fachada de L.A., a parte bonitinha e puramente comercial desta linda cidade. -Jackson foi dizendo, como se fosse apresentador de algum programa.



–Não acho que Hollywood seja puramente comercial, Jackson. -Arthur discordava da colocação do americano. -Mais do que só um centro de celebridades, é um centro cultural. -e, por Britannia, provavelmente a única coisa que se salva em Los Angeles, não teria coragem de dizer.



–Oh, vejo que temos alguém culto por aqui. -o moreno deu uma risadinha irônica. -Senhor Kirkland, que lugar desse centro cultural sugere que visitemos primeiro?



Arthur olhava para os lados, pensativo. Havia tantas coisas para se visitar em Hollywood! Ele e Jackson foram andando, e o inglês viu uma placa. Apertou os olhos para focalizá-la melhor, e viu os dizeres Hollywood Boulevard.



–Estamos na Hollywood Boulevard! Grauman's Chinese Theater! A calçada da fama! Eu vou poder ver as estrelas de John Lennon, George Harrison, Ozzy Osbourne... vamos lá! -Arthur, tomado pela excitação, nem se preocupava em manter a compostura, se comportando como uma criança em uma loja de doces.



Não surpreendendo nem um pouco, Jackson riu da empolgação do inglês.



–Vamos nessa, inglesinho.



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–Uau. -Arthur se encontrava prostrado diante do Grauman's Chinese Theater, encarando, boquiaberto, a imponente fachada da construção.



–Muito bonito, não é? -Jackson colocou-se ao lado do inglês, eventualmente passando o braço pelos ombros do loiro, que se arrepiou um pouco. -Mas eu diria que ele é um usurpador. O Grauman's Egyptian Theatre estava aqui em L.A. desde 1922 e, como fez sucesso, abriram o Chinese em 1927. E hoje em dia ninguém mais fala do Egyptian. -soltou um 'hmph', seguido de um sorrisinho de lado. -O que você quer mesmo é a Calçada da Fama, né, inglesinho? Tá aí. -apontou para a famosa calçada, que se estendia de algum lugar indefinido até a fachada da construção em estilo chinês, e de lá continuava, aparentemente infinda.



Os olhos de Arthur brilhavam enquanto os dois passavam pelas estrelas.



–Essa aqui -apontou Jackson -É definitivamente minha preferida. Neil Armstrong e os outros caras da Apollo 11.



–Legal! Gostaria de tirar uma foto, se ao menos eu tivesse trazido... -lembrou-se que seu celular estava com o americano, e suspirou, decepcionado.



–Eu tiro as fotos pra você. Depois eu vou te devolver mesmo... eu acho. -Jackson deu seu característico risinho sádico, que tanto irritava o inglês.



–Sério, você me disse que devolveria depois, seu... -Arthur estava enraivecido, mas sabia que precisava medir bem suas palavras. Já sabia um pouco do que o americano era capaz, e não desejava descobrir mais.



–Cala a boca e faz pose para a foto, inglesinho. -Jackson disse, preparando-se para fotografar o loiro. O mesmo se surpreendeu por um instante, mas se agachou ao lado das estrelas dedicadas aos astronautas da Apollo 11, sorrindo. Jackson capturou a imagem.



–Agora eu quero tirar foto com a estrela do Ozzy! -Arthur foi correndo à frente, procurando pela estrela.



Quando a encontrou, o inglês fez sinal para que Jackson preparasse a câmera do celular. fez a "mão chifrada" e mostrou a língua.



–Mão chifrada, inglesinho? -Jackson fez um 'pff' enquanto o fotografava. -Precisamos visitar a estrela de James Dio então. E a do John Lennon. Sabe, o Dio marcou sua estrela com esse símbolo. E o John Lennon aparece com ele no Yellow Submarine.



Arthur estava fascinado. Não esperava que alguém como Jackson soubesse tanto, talvez mais do que ele. Ok, ele lê o tempo inteiro, mas ainda assim... por que um cara inteligente desses se envolveria em algo como a Undead?



–Vamos andando, motherfucker, não temos o dia todo. -Jackson foi o apressando.



Os olhos do loiro brilhavam enquanto tirava fotos com as marcas de seus ídolos. Os dois foram andando pela extensão da calçada, até que o americano lhe apontou uma estrela.



–Charlie Chaplin. Esse cara era absolutamente foda.



Isso foi uma grande surpresa para Arthur. Jackson? Charlie Chaplin? Não acredito!



–Seu compatriota, inglesinho. Gosta dele? -perguntou Jackson.



–Ah. Gosto sim. Inclusive leio vários textos dele na faculdade e...



–Legal, que seja. -interrompeu-o Jackson, deixando Arthur um pouco emburrado. -O Charlie Chaplin Studios fica na La Brea Avenue, aqui pertinho. São... -olhou as horas pelo celular do inglês. -duas e vinte agora. Dá tempo de conhecermos o estúdio, ir no Mount Lee ver a porcaria do letreiro de Hollywood e te deixar na faculdade.



Foram voltando ao ponto onde haviam deixado o carro. Entraram e partiram a toda a velocidade para a La Brea Avenue. Quero ver quantas multas esse git vai receber!



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–Nem vamos entrar, mas olha. -apontou Jackson para a fachada do estúdio. A bandeira americana ondulava ao vento, e um sapo vestido de Chaplin parecia os saudar de cima de uma pequena torre. -Li uma vez que esse estúdio tem ares de Peter Pan. É bem isso.


–É incrível mesmo. -Arthur admirava a construção. -Mas hoje em dia não é o Jim Henson Studios?



–É, mas quem é que chama esse estúdio por esse nome? Te garanto que isso aqui é famoso como é por ser o Charlie Chaplin Studios, inglesinho. Bem mais um ícone cultural do que qualquer marca de estúdio.



O inglês não conseguiu evitar um sorrisinho.



–Então você admite que Hollywood não é puramente comercial? -Arthur provocou o americano.



–Eu não disse isso, inglesinho. Mas... -Jackson pensou por um instante. -esquece. Vamos ver aquela porcaria de placa.



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A tarde começava a esfriar, anunciando que a noite chegaria dentro de poucas horas. Sentados no capô do Maybach, de um ponto das montanhas onde era possível ter uma visão privilegiada do famoso letreiro de Hollywood, estavam Arthur e Jackson.



Arthur admitia estar um pouco tenso por estar sozinho com o americano em um lugar tão isolado quanto aquele, tanto pelo medo quanto por algo que não sabia bem explicar. Era uma sensação de sufoco, que fazia seu coração acelerar e sua respiração ser dificultada. Tentava ao máximo controlar seu nervosismo.



–Então, inglesinho, ainda odeia Los Angeles? -Jackson retirava um maço de cigarros e um isqueiro do bolso. Acendeu um.



–Los Angeles é caótica, desorganizada, perigosa... acho que ainda a odeio. -observava enquanto o americano tragava e soltava a fumaça. -Mas Hollywood realmente vale a pena.



Jackson deu um sorrisinho de lado, balançando a cabeça em negação. Eu conheço esse tipo de coisa, é como se o git maldito estivesse dizendo "pobre criança, não sabe o que diz". Por minha virgem Elizabeth, odeio isso!



–Como eu já te falei, inglesinho, Hollywood é só fachada, assim como outras partes para os motherfuckers abastados dessa cidade. É como a maquiagem pra esconder a Los Angeles de verdade. -deu um risinho. -E Los Angeles é exatamente isso, jovem e descontrolada. Você aprende a se virar com ela, ou ela te expulsa daqui. Mas te desafio a não se apaixonar por L.A., inglesinho.



O inglês riu também, em desafio.



–Pode apostar que não vou.



–Da próxima vez que eu e meus whores sairmos, eu vou te levar. E aí começa o desafio, inglesinho.



Novamente, ele me dizendo o que eu vou fazer. E, bloody hell, como é que eu recuso?



–Tudo bem, mas saiba que eu não tenho o menor interesse em me envolver com a Undead, yankee.



–Suas coisas estão no carro, Arthur? Acho melhor já te deixar na faculdade. -Jackson cortou o assunto.



–Posso ter meu celular agora? -perguntou, esperançoso, o inglês.



–À vontade. -Jackson lhe jogou o celular de qualquer jeito e foi entrando no Maybach. Yankee grosso!



Arthur entrou no banco do passageiro e o americano já dava a partida. Quem sabe ele não seja uma pessoa tão ruim?


Notas finais
Não sei se esse capítulo será bem recebido. Como li uma vez nos comentários, e concordo plenamente, o 2P não é simplesmente o 'lado mau' do personagem - então eu não quero fazer com que o Jackson fique preso naquilo de bad boy completo.
Nem coloquei a música (Young) nesse capítulo pois não consegui encaixá-la. Fazer com que a toda hora essas músicas toquem me soa forçado demais.
Sooo, a deixei implícita nos diálogos mais para o final do Arthur e do Jackson ^^
1-Tenho plena consciência de que o Jackson chamou o Mathias e o Gilbo de suas putas QQ.
2- Eu não faço ideia de como estão dispostas as estrelas na calçada da fama e não me dei ao trabalho de pesquisar, então muito provavelmente a do Neil Armstrong fica beeeem mais pra frente da do Ozzy, e a do Charlie Chaplin é uma das primeiras... ah, não sei xD
Sinto muito por ter demorado e ter saído um capítulo assim...
Espero que não seja crucificada pelo fluffy estilo Starstruck e-e
Oh sim, o próximo terá mais Undead. Será melhor... eu acho Q.