Undead

4 Been to hell, down you fell


Notas iniciais
Não planejava demorar tanto, mas taí Q.
Feliz Natal [atrasado], seus lindos. Muito obrigada pela recomendação (minha beta linda *--*), comentários, seguidores, favoritos... mesmo que o cap passado não tenha sido lá essas coisas e eu percebi pelo número de reviews. Ainda assim, danke ♥ ♥ ♥
Sim, estou tendo dificuldades em manter os personagens longe do out of character :/
Hm, Zlata e Nikola, Bósnia e Sérvia. Não irei colocar mais OCs do que esses na história, ok? ^^

Tudo bem, pensou Arthur, está realmente tudo bem. Só estou em um carro com quatro gângsters que não conhecem leis de trânsito. E que provavelmente vão me levar para um canto obscuro para fazer coisas ilegais. Realmente, está tudo bem.


Estou até com medo de perguntar, -o inglês começou -mas para onde vamos?


–Encontrar aquele croata filho da mãe e resolver umas coisas por aqui. -respondeu Jackson, que guiava o Cadillac preto de Mathias.


Quem eu estou tentando enganar? Mum! Não, não está nada bem!


O inglês suspirou. Havia mesmo concordado em sair com os Undead após umas poucas palavras macias de Jackson em Hollywood? Era assim tão fácil comprá-lo?


–Pensei que Andrej fosse amigo de vocês. -murmurou Arthur no tom mais baixo que podia, como que com medo de se intrometer demais nos assuntos da gangue.


Mathias, do banco do passageiro, riu.


–Ah, acho que podemos considerá-lo assim. O que a gente vai resolver não é com ele, inglesinho.


–Kesesese. Já ouviu falar da MS-13? -Gilbert perguntou, e Lizzy lhe deu um tapa na nuca. -Ai! Para quê isso, Lizzy?


–Aprenda a ficar quieto, Gil. Você fala demais. -a garota se justificou.


MS-13? Parece o nome de uma arma. Não estou gostando nada disso!


–Enfim, aquele croata idiota deve estar nos esperando lá pelo Nove ou Dez. -disse Jackson. Entravam com o Cadillac em um loteamento completamente deserto.


–E ele vai trazer mais gente, né Jackson? Vai me desculpar, mas não acho que aguentamos essa sozinhos. -falou Mathias.


–Não é ele lá na frente? -Lizzy levantou-se parcialmente do banco, apertando os olhos para ver melhor. -É, ele trouxe mais gente! -a garota comemorou um pouco.


–Pensei que ele iria nos esperar mais à frente. Ah, mas esse motherfucker é um covarde de marca maior! -Jackson riu, mas sua raiva era evidente.


Pararam o Cadillac exatamente defronte a um carro vermelho, em cuja lateral voltada para a calçada se recostavam o croata e mais duas pessoas. Pela virgindade de Elizabeth Primeira, preciso de mais marginais atormentando minha vida?


Uma delas era um loiro alto, de cabelos arrepiados e olhar sério. A outra era uma garota de cabelos pretos e lisos ao comprimento dos ombros. Esta última acenou, sorrindo, enquanto o núcleo da Undead e Arthur saíam do carro.


–Zlata! Quanto tempo, minha linda! -Mathias foi abraçando a garota de cabelos pretos.


–Köhler... -o loiro de olhar sério não parecia nem um pouco satisfeito com o contato físico entre Mathias e Zlata.


–Kesesese, relaxa, Nikola! Não é como se o Mathias fosse comer a Svetlana ou coisa do tipo. -Gilbert disse.


–Zlata. -corrigiu Nikola. -Não sei nem como é capaz de deixar sua namorada tão perto dele, Beilschmidt.


Mathias, ofendido, tentava dizer algo em sua defesa, e Zlata se segurava ao máximo para não rir. De outro lado, Andrej e Jackson conversavam sobre algo — o americano visivelmente irritado pelo croata não tê-lo esperado no local combinado- e, encostados ao Cadillac, Arthur e Lizzy assistiam às trapalhadas de Mathias Köhler, a garota se contorcendo de tanto que ria.


–Ah, o Mathias nunca aprende!


–Hey, Lizzy! -Jackson chamou, e Lizzy praticamente pulou de susto. Logo virou sua atenção para o líder. -Já estamos indo para o Catorze. Anda logo!


Tudo o que Arthur queria era não se meter em encrenca, então foi dizendo que não possuía a menor vontade de entrar no tal lote e resolver o que quer que fosse do interesse de Jackson. Andrej, Lizzy e Jackson riram, deixando o inglês vermelho de vergonha.


–Mas você não ia mesmo, inglesinho! Minha ideia era que você ficasse do lado de fora, alerta para a polícia ou qualquer merda do tipo. -enquanto Jackson falava, Lizzy pegara o celular do inglês e digitava um número na agenda.


–Qualquer coisa me ligue. -Lizzy lhe disse.


Arthur, por um lado, estava contente por não estar diretamente envolvido no que a gangue faria naquela noite de domingo. Por outro, se sentia como o novo brinquedinho da Undead. Sou o carinha do "ah-fodeu", santa Rainha? Será possível que ninguém nunca me chama para nada sem querer se aproveitar?


–Então, somos sete. -Mathias comentou. -É, acho que assim já dá.


–Seis. -decretou Nikola. -A Zlata não vai.


–E desde quando você decide tudo por ela, Nikola? Até parece que você manda nela. -Andrej implicou.


–Não, está tudo bem. -sorriu Zlata, tentando mediar a discussão dos dois enquanto ainda era tempo. -Acho até melhor ficar sem me envolver com os salvatruchas. E o amigo inglês do Jackson não fica sozinho. Certo? -virou-se para Arthur, sorriso ainda no rosto.


O inglês estava tranquilo, Zlata transmitia ser uma boa garota. Já Nikola não parecia nem um pouco satisfeito.


–Se esse cara encostar em você...


–Não vai acontecer nada, prometo. Boa sorte. -Zlata o beijou suavemente em despedida. -E vê se não apanha muito, Andrej! -brincou com o croata a seu lado.


–Vadiazinha, é claro que não. -Andrej respondeu.


Jackson os interrompeu.


–Não estamos aqui para brincar, motherfuckers. E inglesinho, eu até gostaria de te levar para conhecer esse inferno viciante que é a L.A. real, mas fica para a próxima. Até mais, eu acho.


Arthur observou enquanto Jackson e seu bando partiam para confrontar os salvatruchas. Vendo-se livre de outras companhias, tomou liberdade para comentar com Zlata:


–Seu namorado é muito ciumento, hein?


Zlata sorriu.


–Sempre foi. Desde que éramos pequenos ele me protegia demais. Não gostava que eu brincasse com outros garotos e insistia em me acompanhar a todo lugar. Bem, ele não mudou muito.


Arthur não gostava de se intrometer em assuntos que nada diziam a seu respeito, mas a garota era educada e deixava aberturas para uma conversa. Combinados a seu absoluto tédio e pensamentos de "Bloody hell, yankee estúpido!" e "Sou um idiota, santa Rainha. Deveria ter ficado em casa com aquele francês pervertido, fazendo meus relatórios de Dickens", os encantos de Zlata criaram no inglês a irresistível vontade de continuar lhe fazendo perguntas.


–Que interessante que se conhecem desde pequenos! De onde são? Seus nomes são bem diferentes.


–Somos daqui de Los Angeles mesmo. Mas nossos pais são da ex-Iugoslávia. Vieram para cá quando começaram os problemas e, por sorte, não presenciaram uma guerra sequer.


Arthur arregalou os olhos, um tanto quanto confuso.


"Nossos pais"? Quer dizer que vocês dois são...


–Ah, não! Acho que me expressei mal. -Zlata riu baixinho. -Somos primos, de primeiro grau, sim, mas não irmãos. Nem temos o mesmo sobrenome, já que a tradição impões que recebamos apenas o sobrenome do pai.


–Ah, entendi. -Arthur sentiu-se um pouco mais ousado, indo perguntar algo que o estava incomodando bastante sobre a relação dos dois primos-namorados. -Você deixa que ele mande em você? -vendo a expressão tranquila de Zlata se alterar, arrependeu-se imediatamente de ter feito a pergunta. -Ah, me desculpe! Sei que não deveria me intrometer.


Bloody hell, como sou idiota! Onde está minha etiqueta de gentleman? Não posso sair perguntando coisas assim a uma garota que acabei de conhecer!


–Está tudo bem. -a garota o garantiu. -No fim, acho que é isso mesmo, não é? Nikola é superprotetor, mas não é só isso. Ele quer que eu faça tudo o que me diz. Se ele quer que eu fique de fora desta briga, eu fico. -sorriu, mas o inglês conseguia perceber a dor da menina. -Ele manda e eu sou assim, submissa, obedecendo sem pestanejar. E sempre foi assim, desde nossos tempos de criança.


Arthur se sentia um pouco mal pela garota. Ele próprio não era uma pessoa submissa -do contrário, era teimoso e por vezes egoísta. Mas sabia bem o que era deixar a vontade de outra pessoa suprimir sua própria, e imaginava o quão doloroso isso era para Zlata.


–Eu acabo me convencendo de que o que ele quer é o que quero também. Mas sei que estou enganando a mim mesma. -cansada de ficar semi-ereta, recostada ao Cadillac preto de Mathias Köhler, sentou-se no meio-fio. Foi imitada por Arthur.


Tentando mudar um pouco de assunto, o inglês perguntou à garota sobre sobre a opinião dos pais quanto ao relacionamento dos primos.


–Quando eu falei que Nikola me pedira em namoro, encararam com naturalidade. Sempre fomos muito próximos, então era apenas como mais um passo à frente, todos já esperavam por isso. Além disso, ele é como uma estrela em nossa família. -Zlata foi se empolgando na conversa, o que Arthur julgou como um sinal da necessidade dela de desabafar. -Minha mãe me diz que ele é um ótimo partido! Meu pai até gosta dele, mas detesta o fato que... ah, me desculpe, estou falando demais, não estou?


–Está tudo bem. Eu só... me surpreendo que tenha se aberto tanto com um estranho. -explicou Arthur.


Zlata deu outro daqueles sorrisos que tentavam esconder a tristeza.


–Talvez eu precise de alguém para conversar de verdade. Você é tão diferente desse meio, Arthur... não entendo como veio parar aqui, com o Jackson e os outros.


–Eu também não entendo. Acho que devo culpar minha estupidez e falta de sorte. -os dois riram. -Também não entendo como uma garota do seu tipo está envolvida em uma gangue.


–Só estou aqui porque Nikola também está. Ele entrou seguindo Andrej, e o porquê eu não sei. Acho que é isso: não tem um motivo. Está aqui por querer, simples assim. -a garota novamente se empolgava em demasia com os rumos da conversa. -Como eu já falei, ele é como uma estrela em nossa família, então ninguém dá a mínima se ele está envolvido com coisas ilegais. Quer dizer, meu pai se importava. Achava que ele iria piorar mas, contrariando todas as expectativas, ele até me bate menos desde que entrou para a Undead. -ao perceber o que havia dito, tentou consertar. -Quero dizer... esquece. Não está certo eu ficar te chateando com assuntos assim.


Bloody hell. Devo mesmo esperar tudo desses caras. Arthur estava chocado demais para dizer qualquer coisa, mas tentou formular a pergunta de confirmação.


–Seu namorado bate em você?


–Eu, definitivamente, não deveria ter falado isso. -Zlata suspirou.


Bloody bastard... desculpe. Só não acredito que, caramba... -o inglês estava estupefato, não conseguindo se expressar bem. -E você simplesmente aceita?


–E eu posso fazer o quê? Ouvi o Jackson com uma expressão interessante hoje. Inferno viciante. –a garota olhou para o céu, a noite limpa de março sem estrelas, e pensou por um instante. -Não tem nada que se aplique melhor a minha situação. Nikola é sempre assim, vai longe demais e depois pede desculpas. Diz que vai mudar, e eu tento acreditar. -novamente, Zlata parou por um instante de falar para dar espaço a seus pensamentos. -Eu me afundo cada vez mais. Sei que ele me ama. Talvez seja de um jeito errado, mas ele me ama.


Arthur não sabia o que dizer, então decidiu que o silêncio era a melhor opção no momento. Ficaram os dois observando o céu vazio, em um clima estranhamente pesado, até Zlata romper a quietude.


–Gosta de Queen? -perguntou a menina, apontando para a camiseta cinza com o brasão da banda que Arthur usava.


–Ah, é uma das minhas bandas preferidas! -o inglês respondeu, um tanto quanto empolgado porque Zlata reconhecera o símbolo. -Você também gosta?


–Gosto bastante até. Minha música preferida é... -levantou-se do meio-fio, assustada. -Ah, meu Deus! O que aconteceu?


Arthur levantou-se também, confuso. A garota em prantos era Lizzy? Zlata foi em direção à garota, que ia carregada. Jackson, Andrej e Nikola vinham atrás.


Quando o inglês se aproximou suficientemente de Lizzy, teve a certeza de que a garota não estava normal. Sua boca sangrava um pouco, mas não era o mais preocupante. Chorava a ponto de soluçar, estava extremamente palída e, ofegante, lutava contra o apoio firme de Mathias e Gilbert.


–Lizzy está bem? -perguntou Zlata, preocupada.


–O que você deu para ela, Gil? -Mathias vociferou.


–Eu tenho certeza de que ela está limpa, Mathias! -Gilbert respondeu. -Ela ficou assim do nada!


–Controle sua putinha, Gilbert. Nem enconstaram nela, aposto como isso tudo é drama. -disse Jackson.


–Estado de choque? -Arthur perguntou, mais pensando alto do que qualquer coisa.


–Você entende dessas coisas, Arthur? -Zlata perguntou, esperançosa.


–Um pouco. Meus pais são enfermeiros, então enquanto eu morava em Londres aprendi uma coisa ou outra. -o inglês respondeu. -Mas normalmente é causado por uma lesão mais grave, e aparentemente Lizzy não teve nada disso. É melhor levarem-na para um hospital.


–Que seja. Você que cuide dela, Gilbert. Vai com o Mathias, não quero que me atrasem. -Jackson disse. -Nikola, me dê sua chave.


–Não. Eu vou dirigindo. -replicou Nikola.


–Não me desafie, motherfucker. Sério, me dê sua chave. -Jackson repetiu.


Nikola, ainda que relutante, acabou por entregar a chave do carro vermelho a Jackson. Entraram todos no veículo, Jackson e Nikola na frente, Zlata, o inglês e o croata na parte traseira.


–Falei para tomar cuidado e não apanhar muito. -Zlata disse a Andrej, examinando com os olhos os vergões em seu rosto. -Seu olho esquerdo vai ficar roxo.


–Cala a boca. Esperava o quê? As maras não são fáceis de lidar. Sorte a nossa que eram só cinco. -o croata se defendeu.


–Hédérvary se saiu melhor do que você, Andrej. -comentou Nikola.


–Tem razão. Ela apagou aquela putinha, e você... -ao invés de completar a frase, Jackson apenas riu.


Apagou? Arthur começava a entender o que realmente havia acontecido com Lizzy. Talvez fosse realmente estado de choque — mas causado pelas emoções, e não dano físico.


–Ai. -gemeu Andrej. -Nikola, você tem gelo aí?


–E por que teria? Não seja estúpido. -Nikola respondeu.


–Inglesinho, não vou ser legal com você hoje. Vou te deixar em um ponto qualquer e você se vira, pode ser? -Arthur sabia que o "pode ser?" não era uma pergunta.


Zlata colocara seus fones de ouvido e se encontrava completamente alheia ao mundo e aos garotos no carro. Cantava baixinho, apenas o suficiente para que Arthur, a seu lado, conseguisse ouvir. O inglês memorizou um trecho da canção.


You thought these streets were paved in gold

But they're dirty and dark

Been to hell

I can show you the devil

Down you fell


–--------------

Arthur colocou a chave na fechadura e a rodou até ouvir um clique. Após outra aventura não exatamente saudável com a Undead, queria descandar. Já estava tarde, por volta das duas horas da manhã, e os barulhos que vinham do interior do apartamento o assustaram.


–Francis? Você está aí, git?


Aaaah... Roderich...

O inglês suspirou. Então teria que se trancar em seu cômodo e colocar Ozzy Osbourne no volume máximo para abafar o sexo barulhento? Se dirigiu a seu quarto.


Francis e o tal Roderich estavam justamente lá, a porta escancarada. Roderich, um homem de pele branquíssima e cabelos escuros, investia com força contra o corpo de Francis. Arthur primeiro corou por completo, depois a vergonha foi substituída pela raiva.


–É pedir demais que faça isso em outro lugar, Francis? -Arthur gritou,


O inglês foi dormir no sofá naquela noite. Roderich havia ido embora assim que possível, e Francis, além da decepção pelo homem não ter dormido em sua casa, implorou de joelhos pelo perdão do primo. Arthur considerava desinfectar a cama, os lençóis e o quarto inteiro como a primeira coisa que faria quando acordasse. Também pensava em Zlata, apenas uma das muitas que sofriam com a violência contra a mulher. E tinha uma preocupação maior.


A que ponto chegaram desta vez? O que aconteceu com Lizzy?



Notas finais
Não querendo fazer marketing mas já fazendo:
http://fanfiction.com.br/historia/298900/Ainda_E_Cedo
Pra quem se interessar sobre um pouco mais das relações Zlata e Nikola, uma oneshot bem curtinha minha =D
Ok, Francis uke do Roderich. É pedir demais que não me matem? ç.ç
Ok, me focando mais em uma OC minha do que tudo. É pedir demais que não me matem?²
Próximo cap será um POV da Lizzy, e a explicação para o que aconteceu. É pedir demais que não me matem?³
Final lame é lame =D