Undead

1 Come on down to the city of L.A.


Notas iniciais
Hm, primeiro cap é mais uma introdução, ficou podre, e eu odiei ^^
Estou sem word, então qualquer erro, podem me corrigir que eu fico contente ^^

Oito horas da noite. Eu já deveria estar na universidade, pensou Arthur. O inglês, recém-transferido de Nova York para Los Angeles, relutantemente admitia estar perdido e, horror dos horrores, atrasado.

Era muito diferente Los Angeles de tudo o que Arthur conhecia. Apenas havia solicitado a transferência por questões financeiras: o aluguel nova-iorquino subia a cada dia, e seu primo Francis havia lhe oferecido seu apartamento. Já havia deixado suas coisas na casa do francês, e agora que partira para a faculdade -curso de literatura- estava sem saber para onde ir. Londres e Nova York, as cidades onde morara anteriormente, eram gigantes frenéticas, possuidoras de um ritmo louco, porém organizadas. Os padrões das ruas e as numerações faziam sentido. Já Los Angeles era absolutamente caótica.


Arthur decidiu que conseguiria, sozinho, encontrar o caminho para a Universidade da Califórnia em Los Angeles. Era demasiado orgulhoso para ligar para Francis ou pedir informações.


Continuou caminhando a esmo. Westwood. Não deve ser tão difícil achar. Perguntou-se se não era perigoso andar sozinho em uma cidade como aquela. Ia se embrenhando por ruas mais escuras e sentia seres assustadores tomando forma. Ignorou tudo -maldita crença na magia e no sobrenatural, nos faz imaginar coisas.


A sensação de estar sendo perseguido permanecia. Apressou o passo, apertou mais a bolsa de couro com os livros contra o corpo, olhava para os lados. Pessoas estranhas em algumas vielas e, em outros cantos, ruas completamente desertas. Onde foi que me meti?

–Ei, você! Alguém deixou que entrasse aqui? -uma voz não tão distante lhe gritou. Arthur congelou onde estava. -Sério, cara, que porra você está fazendo aqui?

Era uma voz de homem, um tanto quanto efeminada, mas definitivamente de homem. Pelo sotaque, provavelmente do Leste Europeu, mas Arthur não quis se prender a detalhes em um momento como esse.

Arthur saiu correndo, apavorado. Havia entrado em um território pertencente a facções criminosas? Ouviu o homem e uma outra pessoa, desta vez uma garota, discutindo rapidamente em uma língua estrangeira e saindo a seu encalço.

Em sua fuga, não percebeu o desvio no chão, uma escadela, pedra ou qualquer outra coisa que o valha. Caiu, e se esqueceu de todo o resto.

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–Ele acordou? -uma garota oriental, em um inglês terrível e carregadíssimo sotaque chinês, perguntou.

–Acho que sim, Yuan. Veja, acho que ele está abrindo os olhos. -uma outra oriental, de inglês infinitamente superior, respondeu.

Arthur abriu os olhos. Sentiu uma dor terrível na cabeça, e fez menção de se levantar, mas foi impedido por mãos femininas surpreendentemente fortes. Tentou focalizar o ambiente: estava em um quarto grande que seria bonito se não estivesse tão sujo e desorganizado. Percebeu estar cercado por duas garotas asiáticas que, apesar de excessivamente maquiadas, eram sem dúvida atraentes. Decote fundo, saia curta, salto alto. Prostitutas?

A mais baixa, com o fraco domínio da língua inglesa, foi se apresentando:

–Sou Chun Yan, mas pode me chamar de Yuan só. E essa é a Son Ye. Cara, você bateu a cabeça com força... consegue ouvir o que digo? -falava rapidamente, fazendo com que Arthur tivesse ainda mais dificuldade em entendê-la. Entretanto, assentiu. -Ai, Son Ye! Já disse para não apertar meus seios!

–Desculpe, é a força do hábito. -a mais alta disse, se afastanto de Yuan. -Creio que estava sendo perseguido pelo Red Army. Eles não deveriam estar por aqui... qual o seu nome? Você não é daqui, é?

Arthur olhou pela janela antes de responder. Já é manhã... quantas horas passei desacordado? E, bloody hell, perdi meu primeiro dia na UCLA!

–Sou Arthur. Arthur Kirkland. -começou a falar, ignorando as dores latejantes na cabeça. -Sou inglês, mas estudava em Nova York, até ser transferido ontem para cá e... por que estou aqui e não em um hospital?

Era horário de serviço, Jackson nos mataria se saíssemos por qualquer coisa. -Son Ye foi dizendo. Além de que conta o fato de Yuan achar que a medicina tradicional chinesa resolve tudo. -a mais alta rolou os olhos.

–Mas funcionou, não foi?! -Chun Yan retrucou, indignada.

Arthur ia se levantando, e pegou a bolsa de couro, jogada em um canto qualquer do cômodo. Não se preocupava em explicar algo a seu primo Francis, -o pervertido deve achar que dormi com alguém- quando a porta do quarto se abriu bruscamente e um rapaz entrou.

Era alto, levemente bronzeado, os cabelos morenos um tanto avermelhados. Usava óculos escuros e jaqueta de couro, e lia Anjos e Demônios, de Dan Brown. Arthur corou. Não admitiria jamais, mas o rapaz era muito atraente.

–Sessenta por cento, vadias. -abriu a mão esquerda, sem nunca desviar o olhar do livro. -E quem é esse aí?

–Eu... -Arthur começou, gaguejando.

–Ah, Jackson! -Son Ye começou, enquanto lhe passava algumas notas altas de dólar. -Esse é o Arthur. D-desculpe, o resgatamos ontem, o Red Army estava por aqui e...

–Red Army? Invadindo minha zona? -pela primeira vez Jackson levantou os olhos de sua leitura, sorrindo maliciosamente, enquanto Yuan começava a lhe passar seu dinheiro. -Esses russinhos estão pedindo para morrer... e Yuan, só duzentos dólares? Não minta.

–Está bem... -Yuan rolou os olhos, e entregou ao agente mais cinquenta dólares. -Satisfeito, seu pão duro?

–Nem um pouco. Vão trabalhar, vadias! -Jackson retomou sua leitura.

–Mas ainda é manhã! -Son Ye protestou.

–Então pelo menos saiam da minha casa, agora! Xô, xô, whores! -fez menção de agredI-las, e as duas saíram.

Arthur tremia por inteiro. Bloody hell, o que vai acontecer comigo?

–Você não é daqui, é? Jackson perguntou, assim como Son Ye o fizera. Tem uma faixa em neon com letras garrafais dizendo "oi, sou estrangeiro, me batam!" na minha testa ou o quê?

–Sou de Londres, senhor, mas estudava em Nova York, senhor, e me transferi para cá ainda ontem, senhor, e... -Arthur estava prestes a chorar de medo.

Jackson riu alto, e até fechou o livro.

–Puta que pariu, inglesinho, pra quê todo esse medo? Venha, você vai explicar para mim e meus motherfuckers toda essa do Red Army.

O americano passou um braço pelo ombro do inglês -que agora, além de tremer, corava forte- e foi o conduzindo pela casa.

A casa, em maioria branca, possuía as portas e detalhes em madeira escura e vidro. Muito bonita.

–Hey... você sabe, aquelas duas... -Arthur ia perguntando, tímido. -Elas são...?

O moreno riu um pouco.

–Está óbvio, inglesinho. Mas entenda como um ato de solidariedade: garotas bonitinhas, em maioria chinesas, mexicanas ou americanas mesmo, apesar de que tenho brasileiras, peruanas e uma coreana, a Son Ye, chegam em L.A. aos montes. Elas acham que aqui será uma espécie de Wonderland. –deu uma risadinha amarga. -Mas não é bem assim, e essas garotas bonitinhas morreriam de fome se caras como eu não as "agenciassem". -enfatizou o eufemismo, fazendo aspas com os dedos. -Ah, chegamos no ninho maldito!

Jackson soltou-se do ombro do inglês e chutou a porta de madeira escura com toda a força, arrombando-a.

–Pelo amor de Roma, abaixem essa porra! -ordenou ao albino e ao loiro que se encontravam jogando Guitar Hero na sala-quarto.

–Ah, foi mal, Jackson! -o loiro desligou o som ensurdecedor. -Quem é esse aí? Seu namorado? -provocou, recebendo olhares fulminantes do americano e o rubor total do inglês.

Um pastor de Shepherd surgiu na sala, correndo.

–Oi, Luke! -o loiro o acariciava, seus latidos quase tão irritantes quanto os do dono.

–Mas e aí, Jackson, quem é esse? Anda logo que eu quero jogar. -o albino disse.

–Como se você estivesse em posição de me dar ordens, Gilbert. E Mathias, dê um jeito nesse vira-latas barulhento. Qualquer dia mato esse bicho na paulada. -Arthur pareceu horrorizado. -Ah, e a propósito, Gil, onde está sua putinha?

O albino, Gilbert, se sentiu ofendido.

–Não chame a Lizzy de putinha, ela é minha namorada, entendeu? Ela deve estar estudando ou alguma coisa assim, Lizzy sempre tem esse tipo de...

–Voltando ao que interessa, -Jackson i interrompeu. -Esse inglesinho diz que o Red Army esteve por aqui. Conta pra eles, Arthur -percebendo a estática do inglês, começou a encará-lo. -Eu disse, conta pra eles, Arthur.

Arthur foi narrando os acontecimentos.

–...e aí eu escutei o faggot discutindo com uma garota, em polonês, não sei. Depois, saí correndo e caí. Quando acordei, Yuan e a coreana haviam me trazido para cá.

–Uma garota no Red Army? Provavelmente é a Natasha. Já comi, gostosa pra caramba. -Mathias disse, pensativo, como se tratasse de um assunto realmente sério.

–Você já comeu e foi comido por metade de L.A., Köhler. -Gilbert lhe deu um tapa. -O que importa é que vamos acabar com a raça dos russos malditos. Estão pensando que podem entrar na Westwood e tomarem território da Undead? Ah, não...

Jackson soltou um "hmph", e Gilbert o tomou como concordância.

Arthur foi andando para trás. Undead? Red Army? Territórios? Santa Rainha Elizabeth, quero ir para casa!

–O inglesinho está se cagando de medo! -Mathias disse, e os três irromperam em gargalhadas. Até o cão Luke parecia acompanhá-los com seus latidos.

–Bem vindo, inglesinho, à cidade de Los Angeles, onde quem manda são os gângsters e vocês, mortais comuns, obedecem. Somos o núcleo da Undead e controlamos Westwood inteira, prazer. -Jackson, carregado de ironia, estendeu a mão para o inglês. -Pode ir embora se quiser. Mas se o Red Army ficar sabendo de algo, saberemos que foi você. E acredite, as consequências não serão nada agradáveis.

Arthur saiu correndo, a ponto de chorar, tanto de medo quanto de ódio.

–Tchau, inglesinho! Prazer em te conhecer! -Mathias Köhler acenou em despedida.

Só quero chegar bem em casa, e nunca mais me encontrar com pessoas assim, pensou, enquanto corria para longe do ninho da Undead.



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Após rodar por toda Westwood, conseguira, enfim, explicar corretamente o endereço do prédio de Francis ao taxista. Malditas ruas de Los Angeles.

Sintonizado o rádio em uma estação qualquer, iniciou-se uma música de batida divertida. Estavam a apenas uns dez minutos do endereço do francês.



Come on, everybody throw your hands up in the air
Come on lets...
And you know, we keep the party jumpin'
So lets keep them 40s comin'

Quando a segunda estrofe começou, Arthur se arrepiou por completo.

Come on down to the city of LA
Where we, we ride with gangsta's and the pimpins' easy
You know how we keep it bumpin' everyday, baby?
We ride with gangsta's and the pimpins' easy

–Se não for pedir muito, pode mudar a estação? Não gosto de rap rock.



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–Bonjour, Arthur, por onde esteve? Já passa das onze horas. -Francis foi perguntando, recebendo o primo cansado.

–É que... bem, tinha uma garota na minha classe, e... -o inglês mentiu. -Depois, eu tive dificuldade para explicar o endereço daqui para o taxista. Eu odeio Los Angeles.

–Mas Los Angeles é tão bela, mon petit Arthur. -Francis sorriu. -Uma garota, é? Conte-me mais.

–C-claro que não, pervertido do vinho.

Arthur sentiu seu estômago roncar, e só então se deu conta de quão faminto estava.

–Vou preparar algo para você, Arthur. -Francis saiu, quase dançando, para a cozinha.

–Não se incomode, eu mesmo faço.

Francis o encarou.

–Está louco, chéri? Não vou deixar que infecte minha impecável cozinha com suas... coisas indigestas inglesas!

Bastardo maldito, Arthur cerrou os punhos. Que seja. Só quero que amanhã seja um dia normal, e que eu não veja esses Undead nunca mais.