Unclear

3 Capítulo 02 - Descoberta


Quando Arthur acorda já é de tarde, seus pais saíram e seus irmãos foram a escola. Ele levanta devagar, a preguiça era grande, sua vontade de sair da cama era zero, mais ele tinha a loja e o resto dos serviços domésticos a cumprir.

Lava o rosto no banheiro e segue ao balcão como de costume, lá o espera aquela mesma garota que comprara Sandalf, sua lança feita à mão.

— Essa lança é muito boa, eu vim... Para matá-lo com ela. — Ela esbanja um sorriso com a testa franzida.

Arthur salta para trás encostando na cortina.

— O que disse? — Ele está muito assustado, passa a mão pela cintura e desembainha sua Zweihaender, apontando-a para a garota.

A garota salta e se equilibra no balcão, quando ela o olha ele se arrepia, aquela sensação era muito familiar, era a mesma da noite passada com aquela estranha sombra, alguma coisa estava relacionada, ele começava a se indagar se era aquela jovem garota que o atacara na noite anterior.

A garota se joga contra ele derrubando-o, ela aponta sua lança para o pescoço de Arthur, sua Zweihaender fora tirada dele pelos pés da garota, seu corpo estava imóvel, ele sabia que ia morrer ali. A garota o encara com uma expressão completamente vazia, sem emoções ela o faz sangrar atravessando a lança pelo seu braço esquerdo, Arthur grita de dor enquanto tenta recuperar uma de suas espadas espalhadas pelo chão, a garota o arranha com a ponta da lança, dessa vez seu pescoço sangra enquanto ela ri. Com uma expressão de prazer, a menina arremessa sua lança longe, forçando-o agora apenas com os braços, ela era inexplicavelmente forte, muito mais forte que qualquer homem que Arthur já havia lutado, ela o empurra ao chão debruçando-se sobre ele, murmura

— Você é o receptáculo escolhido. — Após dizer tais palavras a garota solta uma risada, aquela voz não era humana, completamente diferente da voz que Arthur lembrava que havia ouvido dela, então por fim ela desmaia.

Arthur está com seus olhos arregalados, sua pupila parecia dilatada, quase morto de espanto, ele se levanta segurando seu braço ferido, observa a garota, ela estava inconsciente. Ele a carrega para seu quarto e a amarra com a intenção de interrogá-la quando a mesma acordar. E quando ela o faz, solta um grito de desespero, como se o mundo fosse acabar, como se memórias de dor simplesmente aparecessem.

— Você está bem? — Grita Arthur.

— Eu... fiz aquilo... foi tudo culpa minha... eu não queria... o que está acontecendo?

Arthur segura a mão amarrada dela e então a pressiona, forçando seu corpo contra a parede.

— Por que tentou me matar, e o que estava tentando dizer?

A garota se fecha, encolhendo-se, parecia uma criança emburrada, porém no caso dela parecia remorso, dor, algo que ele nunca tinha visto.

— Eu fui possuída por algo e eu...

— ESPERA! — Interrompe Arthur — Vamos começar com um nome.

A garota o encara, parecia nervosa por ele ter gritado e a interrompido, mas vira o rosto para o lado.

— Victoria... Victoria Sliver.

Ela era bonita, cabelos longos e caramelados, olhos negros como a noite e uma expressão de inocência que fora tirada pelo medo.

— Eu acho que você pode começar sua história, Victoria.

Arthur estava a encarando de uma forma que a deixava apavorada, ela parecia ter medo de olhos zangados ou de uma aparência nervosa, provavelmente alguma experiência de infância.

— Não vai acreditar, mas eu fui possuída por algo.

Arthur apresenta um rosto de desinteressado, achando aquilo uma grande baboseira até se lembrar da criatura que o havia atacado na noite anterior, a expressão vazia e a sensação de morte que ele havia sentido quando ela o atacou era a mesma daquela noite, ele aparenta mais concentrado agora.

— Possuída? Demônio quer dizer?

A garota arregala os olhos, olhando fixamente para os olhos verdes de Arthur.

— Eu me lembro do que fiz nesses últimos dias, Arthur certo? Fui eu que lhe ataquei ontem, eu matei aquelas pessoas, eu matei muitas outras na mesma noite, a criatura murmurava algo no meu cérebro, aquilo me controlava e mudava minha forma, eu ficava grande e robusta, era nojento aquilo tudo, minha pele dissecava e caia no chão, a dor era imensa, mas o pior de tudo, o pior de tudo foi ver que... Eu estava sorrindo. Aquele monstro me controlou e me fez virar um demônio... não... Era um demônio, eu tenho certeza.

Arthur está perplexo, confuso e ao mesmo tempo aterrorizado, pensando se aquilo seria verdade, mas ele acima de tudo pensa que ela poderia estar mentindo, ou se fosse verdade, aquele “demônio” ainda poderia estar dentro dela, forçando-a a dizer tais coisas para o enganar ou o deixar confuso, tudo passava pela mente de Arthur naquela hora.

— Como você pode ter certeza? — Pergunta Arthur.

— Ele murmurava coisas além de ordens na minha cabeça. Ele dizia que a missão dele era se encontrar com seus irmãos e conseguir a maior quantidade de energia vital humana possível para se fortalecer e ganhar sua forma real, sem precisar de um receptáculo. Eu não entendi muito bem, mas parece que eles querem...

A garota se contorceu, gritou e berrou, começou a falar coisas de outra língua que Arthur não conseguia entender, começou a sair sangue pelo ouvido e nariz, sua voz estava mais rouca e seu corpo retorcido.

— ELES QUEREM TRAZER O FIM DO MUNDO. O APOCALIPSE BÍBLICO!

Arthur se espanta, ela grita muito alto, porém em seguida volta a desmaiar, ele resolve que tratar das feridas é o imediato necessário por hora, começou a acreditar cada vez mais nela, ninguém sangra daquele jeito normalmente, o que o atacou na noite anterior era algo incrivelmente rápido e se juntar a força de Victoria poderia significar alguma coisa, ele estava confuso, porém crente de que aquilo não era humano.

Arthur está suando frio, ele está cauteloso com Victoria, ele não sabe o que ela pode realmente fazer, tudo aquilo ainda era estranho para ele, esse mistério que vem guardado junto com Victoria ainda não tinha sido completamente revelado, era o que ele estava imaginando agora, tudo estava confuso, mas uma coisa ele tem certeza... Se o que Victoria diz for realmente verdade, então mundo pode estar em perigo, e ele precisa fazer alguma coisa