Unclear
4 Especial - Reino I
De manhã acordo com o cheiro de ovo frito vindo da cozinha, Samara, minha mãe sempre fez um ovo frito que ninguém do mundo fazia igual, era terrivelmente delicioso, derretia na boca e sempre tinha a dosagem certa de cada coisa, tudo o que ela fazia era incrivelmente perfeito, foi uma das coisas que a levou a servir os Karmesin, Diogo Karmesin sempre procurou mulheres com habilidades altas em qualquer serviço doméstico, ele é um bom chefe.
Me deparo com meu colar de espadas cruzadas que ganhei de meu pai quando eu era pequeno, aquela cruz que formava me lembrava de que eu podia exorcizar qualquer mal que viesse me assolar, era o que eu pensava até os dias que seguiram minha vida. No passado, Victoria foi uma grande garota, ajudou muito em tudo o que aconteceu, os pais dela, Joseph e Yngrid sempre foram ótimas pessoas, me acolheram junto com minha família por um bom tempo, aqueles foram tempos difíceis, porém ninguém podia reclamar.
— Arthur, venha comer. — Samara grita da cozinha.
Levanto-me da cama e calço meus sapatos, dou “Bom dia” a minha família assim que exponho minha cara para fora do quarto. O banheiro parecia mais limpo e brilhante que o normal quando escovo meus dentes, um dia muito quente mesmo sendo de manhã. Sento-me na cadeira ao lado de meu irmão mais novo Jon de oito anos. Todos reunidos sorrindo era muito raro nessa família, eu aproveitei cada segundo daquele dia.
— Majestade.
Um homem com capa preta se ajoelha diante de um trono vazio, o sol transparece por traz do trono, as janelas de vidro realçavam a beleza do dia pela manhã. O trono vermelho com bordas brancas sempre vazio era o centro de tanta beleza, porém tão feia a imagem do homem ao trono, aquilo não estava certo.
Um homem de aparência elegante sobe as escadas até o trono, senta-se nele e responde.
— Pois não?
O homem de capa preta se levanta e mostra os dentes brancos num sorriso esnobe.
— Gartty não está mais cooperando com a idealização de Tyros, o que devemos fazer?
— A idealização de Tyros depende de mim e de como eu a cumpro, eu não sei qual o motivo de Gartty descordar deste pacto após tantos anos, porém, não posso deixa- livre. Os demônios irão renascer e nós seremos os Governantes Finais.
O trono se esvazia novamente, como num passe de mágica o homem ali sentado desaparece, porém uma voz ecoa na cabeça sombria do homem de capa preta... “Sabe o que fazer, Ritzard”.
O governo estava corrupto, o rei anterior dotado como bondoso havia sido assassinado em segredo, a população estava sendo governada por um demônio de classe média e ninguém fazia ideia.
Um jovem de capa branca adentra a cidade de Nestland, como ele conseguiu ultrapassar as muralhas de cinquenta metros altamente protegidas por guardas continua sendo um mistério. Ele esgueira-se pelas ruas até decidir bater na porta de uma casa comum, quem abre a porta é Arthur, ele está com um pão na boca.
— Posso ajudar?
O jovem o encara e então tira o capuz que estava cobrindo sua cabeça, revelando longos fios de um cabelo negro reluzente.
— Preciso de água...
Arthur o observa, analisando-o.
— Tudo bem, vou lhe dar um pouco. — Arthur entra em casa, trancando a porta atrás dele.
Arthur chega na cozinha, e então pega um copo de vidro com detalhes floridos cheio de água e leva ao jovem na porta.
— Aqui.
— Obrigado. — Diz o jovem.
Após tomar toda a água, o jovem se despede entregando o copo nas mãos de Arthur. Ele tinha um ar tão nobre que não parecia ser alguém pobre, provavelmente está indo ao castelo, pensou Arthur.
Entrando em casa, seus pais haviam sumido e seus irmãos estavam dormindo espalhados pela casa, a primeira impressão foi que eles estavam cochilando, porém a expressão facial feliz de Arthur sumia quando ele lembrou que eles haviam acabado de acordar, ele não conseguia acordar nenhum deles mesmo os chacoalhando fortemente. Seus pais não haviam deixado nem rastro e tudo que ele tinha ali era irmãos inconsciente, talvez até mortos, a angustia só piora quando ele se vira e vê claramente o jovem que havia pedido água mais tarde parado, abaixado perto de um de seus irmãos, aparentemente analisando-o, o que chamou mais atenção foi o par de asas douradas gigantes que saiam de suas costas, tão brilhantes quanto o ouro, tão amarelas quanto o sol, encantavam Arthur. Até ele se dar conta de que aquele jovem não era humano já havia perdido a consciência.
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