Umbrae

1 de sonho a pesadelo


Tudo o que eu conseguia ver era uma estreita faixa de luz sob uma venda que cobria meus olhos e pessoas discutindo a minha volta. Talvez, você deseje saber como fui parar ali. Vamos começar a partir do momento em que as coisas ficaram estranhas, ou até um pouco antes.

Lá estava eu em uma bela noite de sexta feira, prestes a sair com uma garota que acabara de conhecer pelo facebook. Pelo que conversamos, aparentava ser esperta, divertida e com um senso de humor um tanto... Sujo. Mas para mim, até que era algo bom.

Logo quando cheguei à entrada do cinema, mandei uma mensagem para ela

perguntando se ela já havia chego. Em poucos segundos, me retornou com uma resposta curta dizendo: “olhe para trás”.

Quando me virei, parecia inacreditável. Era aquela garota, com cabelos platinados, um olhar gentil de cor violeta e... Talvez um pouco “assustadoramente” branca. Até me fez lembrar algo que li uma vez sobre uma doença rara chamada “gene de Alexandria“ podemos dizer que era como um albinismo, só que em uma versão “mais legal”.

Eu a cumprimentei e começamos a conversar. Logo mais tarde ela me propôs que fossemos a casa a dela — na minha cabeça aquilo foi como “e aí, vamos para minha cama se divertir”? Qual é, não me julgue —.

Ela disse que era perto, então fomos andando. De repente, senti algo estranho... Ela pediu para parar um pouco. Logo em seguida, me abraçou. Então, esse abraço súbito levou a um beijo.

Depois disso, apaguei. Bom, estamos nesse lugar.

Eu realmente não entendo o porque de alguém me sequestrar. Eu sou apenas um rapaz comum de classe média, como qualquer outro.

Quando finalmente tudo começou a ter sentido, senti a venda deixar os meus olhos. Ao poder enxergar, notei duas garotas. A primeira era Lucy — a garota com quem acabara de sair — e uma garota parecida com ela, porém seus cabelos eram curtos, um pouco acima dos ombros. Seus olhos raivosos me encaravam como se eu fosse uma espécie de aberração. Ainda olhando pra mim, me interrogou de uma forma duvidosa:

— Que tipo de humano você é?

Aquilo me deixou confuso. Que tipo de pergunta era aquela?

— Não entendi. O que você quis dizer com isso?

Ela me fitou com um sorriso sarcástico, sendo inevitável não aparecer seus caninos, mais longos do que deveriam ser por sinal. Com um tom leve e descontraído disse:

—Normalmente vampiros se alimentam de sangue humano. Nem pra perfurar sua pele nós obtemos sucesso. Pode nos explicar o porque ?

Ta bom, confesso sempre fui um fanático por filmes de vampiros, lobisomens, zumbis e qualquer outro tipo de criatura do imaginário popular... Mas é tudo fictício. Não tinha a menor possibilidade de aquilo ser real. Por algum motivo, ao ouvir aquilo comecei a gargalhar.

Foi então que percebi que ela falava sério. Como se realmente acreditasse nisso, zombei:

— Bom, se vampiros existem, quais outras criaturas do mundo mágico podemos deslumbrar nessa magnífica cidade?

Senti seu rosto se aproximar. Então, ela colou seu rosto no meu:

— Qualquer um que possa imaginar.

Eu ainda tinha esperanças dela estar tirando uma com a minha cara. Aquilo era ridículo. Isso até Lucy me olhar com a cara mais séria possível, dizendo que aquilo era verdade... De certa forma, entrei em pânico. Indo diretamente ao ponto, eu estava dentro de um covil cercado por vampiras, tendo que arranjar um jeito rápido de sair dali.