Umbrae

2 Tarde escura


De onde paramos? Ah sim, no meu belo encontro com as gêmeas vampiras. Bom, elas notaram o quanto eu parecia confuso e aterrorizado, então saíram da sala discutindo sobre chamar um alpha ou algo do tipo. Foi então que pude olhar mais para o lugar, que parecia um quarto de garota comum. Havia uma cama coberta por uma colcha branca e — ohh q meigo —, uma pelúcia fofinha de vampiro clássico. Aquilo era alguma piada?

Também se podia notar uma janela grande com duas partes, uma de vidro fechada e uma de metal, um armário também branco — parece que alguém não sabe escolher cores alegres. Aquilo podia ser a chance para minha fuga, mas antes teria de achar um jeito de me soltar.

Sabe aquelas cenas onde os mocinhos sempre se soltam mexendo os pulsos e afrouxando as amarras? É, aquilo não funciona no mundo real — Foi quando consegui me virar e ver uma escrivaninha com uma tesoura daquelas de costureira. Parece que o destino sorriu pra mim. A única questão, era como eu iria conseguir chegar lá. Debati-me um pouco até conseguir cair da cadeira, com muito esforço me arrastei até chegar perto do móvel. Sentei-me e consegui alcançar mordendo. — Imaginei o quanto aquilo poderia estar sendo ridículo. —

Larguei-a no chão, girando em torno de mim mesmo para poder pegar com as mãos — que estavam amarradas nas costas — logo, consegui cortar facilmente as cordas, já que eram bem finas.

Com o bumbum amortecido e passos lentos, cambaleei até a janela. MEU SANTO DEUS aquilo deveria ser no quarto ou quinto andar. Como eu iria conseguir? Fui até a porta. Estava aberta, e fiquei me perguntando por que diabos não tentei isso antes — Qualquer pessoa tentaria a porta primeiro, para depois a janela —.

Bom, agora era só andar por um lugar desconhecido cheio de gente maluca e rezar para achar a saída sem ser pego.

Observei um corredor que levava a porta, e outro que levava a uma sala onde as meninas permaneciam. Fui me esgueirando e finalmente consegui me livrar desse lugar.

Se eram vampiras,o lance de “super sentido” já era. Não tive nenhum problema para sair.

Quando estava na rua, olhei para meu relógio, era mais ou menos uma e meia da tarde. Como poderia? Estava tudo escuro. Achei que meu relógio estivesse maluco ou sei la, então pensei em verificar a hora no celular, e chamar um taxi. Coincidentemente, o celular dizia a mesma coisa que o relógio. Também não havia sinal.

Logo, reconheci aquele lugar, estava a umas 4 quadras da rua onde meu amigo, Tom, morava.

Espero que Tom me permita posar em sua casa hoje.

Enquanto seguia em direção a sua casa, por coincidência, ele estava dobrando a rua.

—TOMM?

Ele se revirou rapidamente, com uma cara de espanto:

— Robb? O que diabos você está fazendo aqui?

— longa historia cara. Posso dormir na sua casa hoje ?

Ele me respondeu, com um olhar de indiferença.

— Claro. Mas vai ter que me contar essa historia.

Com um sorriso de tranquilidade, obviamente respondi que sim e fomos até a sua casa. Era uma um apartamento grande e bagunçado, já que a mãe dele havia desaparecido anos antes e ele vivia apenas com o seu pai.

Como eu já era acostumado com o lugar, me joguei no sofá e começamos a conversar assuntos aleatórios de sempre como: esportes e garotas. Repentinamente, sua expressão mudou. Com um tom sério, perguntou-me da história que eu havia prometido contar. Às vezes Tom me assustava, do jeito que mesmo estando nervoso mantinha aquela sua calma de sempre... Também conseguia ganhar a confiança das pessoas com muita facilidade, mas, o que mais me assustava, era seu jeito de falar quando estava preocupado. Contei-lhe a história desde o começo até a hora em que eu o tinha encontrado, fazendo um comentário enquanto ria.

— Vampiras cara, dá pra imaginar?

— Sim. Da mesma forma que lobisomens e bruxas.

Confesso que aquilo me assustou, como tom conseguia realmente acreditar que tudo isso era verdade? fiquei encarando-o por muito tempo, até ele perguntar:

— Robb, onde você acha que está?

Estranhei um pouco a pergunta. Resolvi responder naturalmente, sem demonstrar qualquer sentimento duvidoso.

— Na sua casa, claro. Dããh!

Ele continuou olhando-me sério, com a voz ainda calma.

— Na minha casa? Sim, isso é verdade.

Depois disso, fez uma longa inspiração me olhando nos olhos, completando:

— com apenas uma diferença: Essa é a dimensão do purgatório.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.