Uma vida de indecisão

1 Capítulo I. Parentes surpreendentes


Notas iniciais
Primeira história que crio e tenho coragem de postar. Na verdade, postei há algum tempo já e NINGUÉM leu :c #depressão Pois é, só escrevi esses dois capítulos pois ninguém demonstrou interesse.Se o fizerem eu ficaria agradecida e feliz.FAÇAM A LARI FELIZ POVO o/ HAHA

Rápida introdução para a compreensão dos fatos:

Meu nome é Guilhermina (eu sei, ridículo, culpe minha mãe), tenho 15 anos e nesse exato momento quero matar uma pessoa.

Minha vítima é meu melhor amigo, para o qual estou prestando um favor.

“Gui, vai ser legal, juro!” Dissera aquele estúpido, duas semanas antes, na escola, ao me convidar para a FESTA ANUAL DA FAMÍLIA GROFFMAN.

Claro que eu neguei, todos sabem que essas festas são um castigo. Mas Bernardo (Bernardo Groffman, um nome quase pior que o meu) insistiu e persistiu, até que eu finalmente disse que o acompanharia na festa.

E aqui estou eu, sentada ao lado de uma velha gorda embalada em um vestido azul marinho, em uma mesa com toalha branca suja com o que parecem ser respingos de molho. Próximo a nossa mesa, um cartaz com os dizeres “NA FESTA DOS GROFFMAN, O CHOPP É PRA TODOS”!

A velha ao meu lado, Tia Fátima, não para de falar. Fiquei grata quando um garçom trouxe-nos um prato com pasteizinhos e croquetes, porque comida faz qualquer um calar a boca. Mas não a Tia Fátima, pois claramente a norma da etiqueta que diz que NUNCA se deve falar de boca cheia não é seguida por ela. Ops, acho que um pedaço do croquete que ela estava devorando voou e caiu em meu vestido. Quero morrer.

Ia pedir licença e ir ao banheiro, para sair à procura do maldito Bernardo, que tinha saído da nossa mesa e dito que voltaria logo e só iria cumprimentar os parentes, mas não voltara passados 15 minutos.

Tia Fátima então falou algo que prendeu minha atenção (até antes tinha simplesmente fingido interesse e tentado me esquivar dos restos de comida que voavam da boca dela).

–-Bernardinho é um menino muito festeiro sabe, não vejo como ele possa namorar uma menina tão mosca morta com você. Não querendo ofender você xuxuzinho.

EU VOU MATAR O BERNARDO, MUITO DEVAGAR PARA QUE ELE SOFRA MUITO.

–-Ah, hum...É que, veja bem, eu não sou namorada do Bernardo. – respondi a ela, já me levantando para procurar seu sobrinho.

Ela pareceu surpresa.

–-Toda família pensa que Bernardinho arranjou uma namorada, que decepção!

Dei um sorriso amarelo e levantei os ombros.

–-Bom, mas somos só amigos. Vou procurar por ele para que venha se sentar conosco.

Mas antes vou lhe dar uma surra por me fazer passar por esta situação e por esta festa ridícula, acrescentei mentalmente.

Ajeitei meu vestido e tirei o pedaço de croquete que estava grudado no bojo e, com calma por causa dos sapatos de salto alto, caminhei pelo enorme clube a procura do meu amigo e futuro defunto.

Passei por vários homens gordos bebendo chopp, sentados a mesa jogando cartas e berrando um com os outros. Passei por mulheres muito parecidas com Tia Fátima e me perguntei por que ela não se juntava a essas mulheres, ao invés de ficar comigo em nossa mesa solitária. Uma voz zombeteira em minha cabeça respondeu a pergunta.

“Porque isso é pra você sofrer mais.”

Continuei procurando por Bernardo, cada vez com mais raiva por ele ter me abandonado com a velha e chata Tia Fátima, em uma festa que eu nem queria ter ido.

Então, em um canto do clube, eu o vi de costas. Seus cabelos castanhos estavam despenteados, como sempre, e seu terno um pouco amarrotado. Cuidado com a aparência não era uma das características de Ber, mas ele não precisava disso, ele era bonito sem esforços ou cuidados.

De frente para ele, conversando e rindo, estava outro garoto. Primeiro pensamento: L-I-N-D-O.

Segundo pensamento: L-I-N-D-O-D-E-M-O-R-R-E-R.

Tinha cabelos do mesmo tom de cor dos de Bernardo, e seus olhos eram azuis e profundos. Tinha feições despreocupadas e parecia ser dois ou três anos mais velho que eu, era alto, magro porém não aquele tipo magro-desnutrido. Era magro-saradinho. Usava jeans e uma camisa polo azul, como os olhos.

Repito, lindo.

Fiquei um pouco aturdida porque ele era muito parecido com Ber, seus cabelos e olhos, porém ele era mais alto e mais forte. Uma versão de Bernardo melhorada.

Mas, isso não me fez esquecer a raiva que eu sentia e quando me aproximei e Bernardo me viu, ele deu um sorriso. Então ele deve ter notado minha expressão nada feliz e comentou.

–- Eai Gui, acabei encontrando meu primo aqui e esqueci de voltar pra mesa.

Ah, primos. Festa de família. Faz sentido.