Uma vez Sonserina

1 Capítulo 1: Deslocada


Notas iniciais
Oi, pessoal! Depois de anos (muitos mesmo) de ausência neste site, tive hoje um surto e resolvi voltar. A proposta desta história é apresentar alguns personagens como eles não costumam ser representados nas fics por aí. O enredo focará no romance de Rose e Scorpius, mas de um jeitinho diferente, espero que vocês gostem. Já imaginaram se a Rose não fosse a cópia exata de Hermione? E se ela fosse parar na Sonserina, casa de seu melhor amigo Scorpius? Boa leitura :)

Rose Weasley acordou com uma única certeza: havia algo profundamente errado.

Não foi apenas a dor de cabeça ou a estranha sensação de peso no corpo. Foi o cheiro. E o silêncio. E... o verde.

Sentou-se de súbito, piscando contra a luz incômoda que invadia o quarto. As paredes à sua volta estavam decoradas em tons de verde escuro e prata. Cortinas pesadas escondiam os vitrais góticos. Travesseiros bordados com cobras. Tudo era luxuoso, frio e... completamente fora de lugar.

Seu coração disparou.

— Que droga... — murmurou, empurrando as cobertas. Estava usando um pijama que não reconhecia. Também não estava no dormitório da Grifinória. E definitivamente não estava sonhando.

Levantou-se, cambaleando um pouco, e atravessou o quarto em direção à porta. Foi então que ouviu vozes no corredor.

— Ela já acordou? — perguntou uma menina.

— A essa hora? Rose só acorda cedo em dia de prova — respondeu outra, entre risos abafados.

Rose recuou. Elas me chamaram de Rose. Não Rosie, como Al e Lily fazem. Nem Weasley, como os sonserinos costumam dizer com desdém. Só... Rose.

Ela abriu a porta.

Dois rostos se viraram para ela: Amber Parkinson e Clarisse Nott. As duas usavam o uniforme da Sonserina, impecável até nos detalhes. Quando viram Rose, sorriram como se nada fosse estranho.

— Bom dia, dorminhoca — disse Amber, casualmente.

— Dormi aqui? — foi a única coisa que Rose conseguiu perguntar, a voz mais aguda do que gostaria.

As garotas se entreolharam, confusas.

— É o que você costuma fazer no seu dormitório — respondeu Clarisse com um sorrisinho debochado. — Tá tudo bem com você?

Rose paralisou. Meu dormitório?

Voltou para dentro como se flutuasse, fechando a porta devagar. Encostou-se nela e inspirou fundo. Havia um espelho sobre a cômoda — o tipo grande, oval, com moldura de ferro batido. Aproximou-se devagar, quase temendo o reflexo.

E lá estava ela. Mesma Rose. Mesmo cabelo ruivo meio armado. Mesmas sardas. Mas ao seu lado, sobre a mesa, repousava uma gravata com as cores da Sonserina.

Sentiu a náusea subir. Tudo isso só podia ser um sonho. Um pesadelo causado por um feitiço malfeito. E então, como um estalo, ela lembrou.

O livro. A biblioteca. A página rasgada. Um feitiço antigo com a promessa vaga de “libertar o verdadeiro eu”. Não lembrava de ter terminado o encantamento — talvez tivesse adormecido no meio? Mas e agora?

Antes que pudesse organizar o pensamento, a porta se abriu de novo — sem nem um bater.

— Você está atrasada. — Era a voz de Scorpius Malfoy.

Rose girou nos calcanhares.

— O quê?

Ele estava ali, parado com naturalidade. Usava o uniforme da Sonserina com a gravata meio frouxa e o cabelo bagunçado de sempre, mas o jeito com que olhava para ela era diferente. Sem estranhamento, sem surpresa. Como se eles fossem...

— Você tá bem? — perguntou, dando um passo à frente. — Parece meio pálida.

Ela não respondeu. Ele franziu a testa e chegou mais perto.

— Foi a insônia de novo? — disse, num tom tão familiar que doeu. — Eu avisei que não adiantava ficar relendo aqueles livros antes de dormir. Seu cérebro não desliga.

Meu cérebro não desliga? Era o tipo de coisa que alguém muito próximo diria. Alguém que a conhecesse melhor do que deveria.

— Scorpius, o que tá acontecendo?

Ele piscou, confuso.

— A aula de Poções é em quinze minutos. E você tem que apresentar o projeto comigo, lembra?

Ela engoliu em seco.

— Desde quando eu faço Poções com a Sonserina?

Scorpius a encarou, agora com mais atenção. Seus olhos ficaram mais sérios.

— Rose... você é da Sonserina.

Notas finais
Gente, dps de 5 anos tomei vergonha na cara. Revisei o capítulo e vou dar continuidade à história. Será que ainda tem alguém por aqui?