Uma mente perene
2 Capítulo 2 - O sonho
A brisa serena chacoalhava meus cabelos castanho atrapalhado. Meus pensamentos se perdiam junto as folhas que levantavam do rígido chão. As nuvens já não mais pareciam brilhar com a força do sol. Meu corpo estremecia apenas de pensar nos momentos que tivemos, e não foram poucos. Tudo ao meu redor parecia estar morto.
Estamos sempre no piloto automático. Acordamos, saciamos nossas necessidades, nos perdemos em meio às horas, e quando menos esperamos o dia já terminou. Que droga! Por que temos que acordar? Eu sei que o silêncio era ensurdecedor, mas eu queria ficar. Da inercia surgiu o impulso, que fez com que tudo ao meu redor que antes parecia morto, criar vida. Era difícil notar quem era, mas meu coração acelerado já estava a entregar o que estava por vir. Eu poderia ficar até o fim dos tempos aqui, te esperando. Aos poucos eu me acalmava, provavelmente por quase arrancar as madeixas de cabelo.
Os primeiros brilhos surgiam em seus olhos. Os pequenos detalhes do seu rosto foram criando vida conforme se envergavam com timidez. Seus lábios se apertavam uns aos outros. Agora tudo estava mais claro, eu podia quase que totalmente reconhecer o local. Não é necessário falar muito sobre, você o conhece muito bem, mesmo sem nunca ter visto pessoalmente.
As águas abaixo batiam suavemente contra a grande parede, meu corpo parecia curtir aquele balanceio. Por que esse silêncio atormentador? Não há motivo para ter medo. E do silêncio surgiu o ruído. Do ruído a melodia. Eu me perguntava quando as primeiras palavras seriam expostas. Eis que você finalmente balbuciou, aquecendo tudo o que havia dentro de mim.
Obrigado. Obrigado por tudo que você me proporcionou. E não, essas não foram suas palavras. Suas palavras são algo que eu guardarei comigo. Apenas comigo. Eu sei que foram poucas, mas foram suficientes para eu tirar grande parte do peso que havia aqui dentro. Obrigado mais uma vez.
De frente uns para os outros. Respirações ofegantes eram as únicas coisas que se ouviam nesse silêncio. O calor do seu corpo quase que colado ao meu. Meus braços gritavam para te abraçar, porém meu corpo voltara a inercia anterior. Eu poderia ficar nesse silêncio. Eu poderia ficar para sempre nesse silêncio ensurdecedor que era meu sonho.
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