Uma mente perene
3 Capítulo 3 - Estocolmo
Hoje eu pensei em você. Do nosso caminhar na beira da praia. Nossos abraços e beijos tímidos em frente àquela figueira que mais parecia um velhinho segurando uma bengala, e por lembrar disso, eu sorri. Aquele sorriso que você sempre disse amar. Aquele sorriso que por pior que estivesse sendo meu dia, ainda se destacava cada vez que via seu rosto. Sempre que você vem à minha cabeça, é inevitável segurar as lágrimas. Sinto elas descerem pelas maçãs do meu rosto neste exato momento, mas não se preocupe, elas sinalizam que em mim meu coração ainda bate. Lembro-me de seus olhos castanhos. Do seu cabelo rebelde pintado de roxo. Seus joelhos machucados como dos meninos que jogam bola no pátio da escola; você era perfeita. Sua honestidade cativante ainda faz meu cérebro refutar as mentiras que criei, mentiras que corromperam nosso relacionamento. Você seria tão feliz se não tivesse me conhecido.
Pensei também nas loucuras que fizemos. Nas noites em que rimos e choramos. Me perguntei se em algum momento eu realmente fui algo para você. Estranho como na mente de um depressivo, tudo é motivo de dúvida e incerteza. Seguindo essa linha de pensamento, a depressão foi algo que destruiu nosso relacionamento. Sabe aqueles ciúmes e brigas que tivemos? Me desculpa, não era pra ser assim. Você é a pessoa que amo, e a pessoa na qual estou dizendo adeus.
É estranho escrever sobre o passado, é como se você estivesse revivendo tudo mais uma vez. Por um lado isso pode ser bom, se eu não tivesse tanto sofrimento para relembrar. Quando eu fecho meus olhos, como estou fazendo neste exato momento, eu penso nas coisas que eu deveria ter feito ou dito. Imagino o que mudaria no presente se eu tivesse me calado no início da briga que tivemos no passado. Se eu tivesse falado menos na hora da raiva, e mais na hora da felicidade.
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