Uma luz na escuridão
9 Capítulo 9 (Revisado )
Notas iniciais
Pov. Daryl
Acordei com a claridade no rosto. Melissa dormia tranquilamente sobre o meu peito. Deixei escapar um sorriso ao lembrar da noite anterior — como uma garota meiga se transforma em um furacão de mulher em poucos minutos.
Senti-a se mover; ela levantou o rosto em minha direção e me deu um lindo sorriso. Sorri de volta. Como pode, mesmo com o rosto amassado e o cabelo despenteado, ser tão linda?
— Bom dia — saudei.
— Bom dia — respondeu, deitando a cabeça em meu peito novamente.
— Ainda com sono? — perguntei, sorrindo com aquele jeitinho manhoso dela.
— Um pouco — falou.
— Volte a dormir — disse, acariciando seus cabelos.
— Não consigo. Tive um sonho ruim e estou com uma sensação estranha — falou.
A puxei e beijei seus lábios.
— Vai ficar tudo bem — falei.
— Assim espero — suspirou.
— Vamos levantar? — perguntei.
Ela resmungou, toda manhosa. Sorri, dei mais um beijo e me levantei.
— Fica aí deitada — falei, cobrindo-a.
Ela puxou a coberta até o pescoço e fechou os olhos.
Peguei minha besta e sai da cela. Desci as escadas; Rick estava com a Bravinha no colo.
— Bom dia — ele falou.
— Bom dia — respondi, e peguei a pequena do colo dele.
— Bom dia, Bravinha — falei, beijando-a. Ela gargalhou.
— Vamos lá fora. Quero conversar com você — Rick disse, sério.
Assenti e começamos a sair do bloco de celas. Beth estava no refeitório preparando a fórmula da Bravinha; Maggie, que estava sentada comendo algo, levantou e pegou a Bravinha dos meus braços.
Já do lado de fora, Rick me contou o que Carol havia feito. Quase não acreditei — minha velha amiga se transformou. Ainda não consigo imaginar Carol matando pessoas doentes.
Ficamos conversando por um tempo, decidindo o que fazer. Por fim, concordamos em procurar Tyresse e contar o que aconteceu.
— Ela não tinha nenhum arrependimento, Daryl. Você precisava ver — Rick falou enquanto caminhávamos em busca de Ty.
— Carol mudou de um jeito que eu não consigo imaginar — respondi, sincero.
— Ela disse que queria proteger esse lugar, mas o que fez não tem explicação. Deveria ter esperado vocês voltarem com os remédios e ver o que aconteceria depois — ele disse, pensativo.
— Concordo — falei.
— Onde está a Melissa? — perguntou.
— Deixei-a deitada. Ela não está bem — respondi.
— O que aconteceu? Está doente? Daryl, precisamos — ele me interrompeu.
— Não é gripe. Ela teve um pesadelo e não acordou muito bem — expliquei.
Ele assentiu e seguimos para o outro bloco à procura de Ty.
Pov. Melissa
Sabe quando você acorda com a impressão de que algo vai dar errado? Que o mundo vai desabar sobre sua cabeça? Pois bem — hoje eu estava assim.
Daryl me deixou na cama e desceu. Eu podia ouvir a movimentação no andar de baixo. Fiquei deitada mais alguns minutos até, enfim, tomar coragem para levantar.
Vesti uma calça jeans escura, uma regata branca, calcei minhas botas e prendi as sais nas coxas — uma das coisas que aprendi com Daryl: sempre ficar armada, não importa se estamos seguros ou não. Peguei minha katana que estava na cama de cima e saí da cela.
No refeitório, Beth e Maggie conversavam; me juntei a elas.
— O que você tem? Está com uma cara péssima — falou Maggie.
— Pesadelo e sensação ruim — respondi, soltando um suspiro.
— Para com isso. Nada de ruim vai acontecer — disse Beth, tentando acalmar.
Sorri. Sempre admirei o jeito que ela cuidava da Judy. Juro que já vi trocas de olhares entre Beth e Rick, mas nunca comentei nada — pode ser coisa da minha cabeça, mas fariam um casal lindo.
Beth colocou a pequena que já dormia em sua cadeirinha.
— Onde está Hershel? — perguntei.
— Saiu com Mich — respondeu Maggie.
— Ele deve estar muito feliz com a melhora de todos — falei.
— É, ele está sim. Bem, vou indo, preciso dar o chá pro Gleen — Maggie disse, sorrindo, e se levantou.
Um estrondo alcançou nossos ouvidos.
Peguei minha espada e corremos para fora. Maggie estava com sua arma; Beth vinha logo atrás.
Chegamos ao pátio e nos escondemos atrás de uma parede para observar. Havia um tanque, alguns carros e pessoas; um homem em cima do tanque gritava por Rick. Olhei em volta: Carl estava posicionado, apontando a arma para o homem.
— Quem é ele? — perguntei.
— É o governador — respondeu Beth.
Então esse era o tal governador. Aquele maldito não aprende: ele não pode — e não vai — nos destruir.
Vi Rick chegar correndo ao pátio, acompanhado por Daryl e Tyresse. Rick falou algo com o governador que eu não ouvi direito; vi Daryl assentir e vir em nossa direção, mas sem tirar os olhos daquele homem.
— Quando checaram as provisões do ônibus? — o governador perguntou.
— Antes de irmos ao Big. Estávamos com pouco alimento, como estamos agora — respondeu Sasha.
— Juntem todos. Se as coisas ficarem ruins, vão para o ônibus — ele falou, e então me encarou.
Neguei com a cabeça; ele sabia que eu não sairia dali sem ele.
— Você tem que sair daqui se as coisas ficarem ruins — ele insistiu.
— Não vou sem você — respondi, firme.
— Não quero que vá sem mim, mas se as coisas piorarem, preciso que você vá. Eu te encontro, eu prometo — disse, segurando meu rosto e olhando nos meus olhos.
Daryl me deu um beijo na testa e caminhou até as armas, pegou algumas e nos entregou.
— Vou ficar ali com Carl, antes que o dedo rápido dele comece uma guerra — falou.
— Espera — disse, segurando seu braço.
Daryl se virou.
— Eu te amo, Daryl Dixon — falei, selando nossos lábios.
— Eu também te amo, Melissa Pimentinha — respondeu, sorrindo.
Beijou minha testa e se afastou.
— Hershel faz parte do conselho? — gritou o governador, e eu voltei minha atenção.
Hershel foi retirado de um carro, mãos amarradas nas costas. Aquilo despedaçou meu coração.
Beth e Maggie olhavam assustadas; eu não estava diferente. Caminhei até o cesto de onde Daryl pegou as armas; já carregava uma AK-47. Peguei um fuzil de assalto, passei a bandoleira no pescoço e apontei a AK na direção daquele caolho.
— Michonne também faz parte do conselho? — gritou ele.
Michonne foi retirada de outro carro. Meu ódio aumentou; meu sangue ferveu. Michonne foi colocada de joelhos ao lado de Hershel. Minha guerreira mantinha a cabeça erguida — minha samurai, minha mestre, minha irmã. Eu sabia que ela não abaixaria a cabeça para aquele monstro.
Após alguns minutos de conversa — muito blá-blá-blá por parte daquele desgraçado — ele decretou o destino deles.
Ergueu a katana de Michonne e, mirando o pescoço de Hershel, desferiu o golpe.
Um grito escapou dos meus lábios — assim como os de Maggie e Beth. Hershel, com sua imensa sabedoria, tombou diante de nossos olhos; havia estampado no rosto dele um sorriso orgulhoso.
Não sei quem atirou primeiro e não me importo. Quando me dei conta, apertava o gatilho da AK freneticamente. Vi Michonne escapar para o lado; os homens e mulheres do governador atravessavam nossas cercas. Eles atiravam tentando nos acertar.
Me escondi atrás de um carro e atirei sem dó. Aqueles desgraçados iriam morrer. Eu podia morrer — não me importava mais —, mas levaria o máximo que conseguisse comigo.
— Mel — ouvi meu nome. Annabelly corria em minha direção, com uma arma nas mãos, atirando.
— Vá pro ônibus — gritei.
— E você? — perguntou.
— Vai logo — gritei, e sem esperar resposta me levantei.
Dois homens vinham em nossa direção; os acertei rapidamente. Olhei em volta: Daryl estava escondido atrás do que um dia foi um armário, atirando contra alguns homens que revidavam. Meu coração quase saiu pela boca quando um zumbi se aproximou dele. Senti algo queimar contra a pele — levei um tiro de raspão no braço — e atirei contra quem me havia acertado.
Daryl seguia em direção aos homens, usando um zumbi como escudo; o vi lançar uma granada. A explosão fez minha cabeça zunir; fiquei atordoada com o barulho.
Ouvi Maggie e Sasha gritando por Bob — eles estavam perto do ônibus. Então o ônibus saiu. Voltei minha atenção para a frente a tempo de ver Daryl jogar uma granada dentro do tanque.
Vi algumas crianças correndo em direção à horta: Lizzie acertou um tiro na cabeça de uma mulher; ela e Mika correram, assim como as outras crianças. Tyresse foi atrás delas.
Daryl saiu do meu campo de visão. Agora zumbis tomavam conta do que um dia foi nossa casa.
Corri para fora da prisão — precisava encontrar alguém, precisava encontrar Daryl. Minha família estava espalhada, e eu iria encontrá-los.
Atirei em mais alguns zumbis que se aproximavam; meu fuzil não duraria para sempre. Corri em direção à floresta, desviando de criaturas que queriam me pegar. Minha munição acabou. Joguei o fuzil e empunhei minhas sais.
Minha mente estava a mil. Hershel estava morto — aquele caolho maldito o matou. Ele nos tirou o homem mais bondoso que eu já conheci.
Minhas sais cortavam tudo o que vinha pela frente. Eu precisava encontrar os outros. Eu precisava encontrar Daryl. Lágrimas escorriam pelo meu rosto.
Dezenas de zumbis caminhavam para o que restou da prisão.
— Maldito — gritei, acertando um que vinha em minha direção.
Olhei para trás mais uma vez. Eu estava longe; já não via mais as grades ou as paredes da prisão. Resolvi dar a volta — os outros deviam estar por perto. Caminhei o mais rápido que minhas pernas aguentavam. Estava mais próxima da prisão. Prestei atenção para ver se via alguém. Senti uma pancada na cabeça e a escuridão tomou conta.
Melissa sentiu uma forte pancada e caiu desacordada. Quem a acertou tinha um sorriso maldoso — um sorriso diabólico.
A garota foi jogada sobre os ombros como um saco de batatas. O homem acelerou o passo em direção ao seu esconderijo: conseguiu o que queria — uma das pessoas que procurava.
Depois de algum tempo caminhando, o homem chegou à sua caverna. Ele havia encontrado aquele abrigo há alguns dias, enquanto se escondia dos zumbis na floresta. Era uma caverna espaçosa, protegida por uma cortina de plantas que impedia a localização. Ele improvisou um portão com alguns galhos. Ao chegar ao destino, jogou a garota sem cuidado sobre um cobertor velho, pegou pedaços de corda e amarrou pés e mãos dela. Tirou a espada das costas.
Enquanto observava a garota desacordada à sua frente, não deixava de pensar na sorte de tê-la encontrado sozinha. Achou que ela havia fugido com alguém durante o ataque; admitiu, em silêncio, que ficara furioso com o homem que atacou a prisão e que quase arruinou seus planos. Mas depois de encontrar Melissa só na floresta, ficou mais do que grato.
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