Uma luz na escuridão
3 Capítulo 3 (Revisado)
Notas iniciais
Uma semana se passou desde o ocorrido com Melissa. Os dois desgraçados foram expulsos no dia seguinte; algumas mulheres do outro bloco nos contaram que eles as atacaram algumas vezes, e não falaram antes por medo. Rick, então, junto com o conselho, decidiu expulsá-los.
Ouço o assobio de Michonne e vejo Carl abrir o portão. Depois de abraçar Carl, ela veio em minha direção.
— Hey, cadê a branquela? — Mich me pergunta assim que se aproxima.
— Matando através da cerca. — respondi, apontando.
Uma mulher do outro bloco seguia em sua direção. Melissa lhe entregou o avental que vestia, as luvas e o ferro.
— Trouxe umas coisas pra ela, vamos ver com o que ela se adapta e começo a treiná-la — informou Mich.
— Isso é bom. — falei, ainda olhando para ela.
Ela caminhava de cabeça baixa, chutando algumas pedras e estava bem distraída.
— Hey, branquela. — chamou Mich.
— Mich, voltou! — falou Melissa, feliz, abraçando Michonne.
— Sempre volto. — respondeu Mich.
Ela então se colocou ao meu lado; minha vontade era puxá-la para meus braços.
— Trouxe algumas coisas pra você. — Mich lhe falou, e ela começou a saltitar no lugar.
— O que é? — perguntou, saltitando.
Ri da alegria dela. Mich a puxou até onde tinha deixado as coisas.
— Vem, Daryl. — ela me chamou.
Segui até ela; ela estava tão empolgada que não queria deixá-la triste.
— Aqui está. — falou, entregando um saco grande.
Michonne tirou do saco uma katana, duas espadas menores e algumas adagas.
— Onde achou tudo isso? — perguntou curiosa.
— Encontrei em uma casa; parece que o morador era colecionador. — ela deu de ombros.
— Obrigada. — falou, pulando no pescoço de Mich.
Michonne riu e logo saiu para falar com Rick.
— Olha, Daryl, que lindas. — falou mexendo comigo.
— São lindas sim, igual você. — falei, e quase não acreditei que aquelas palavras saíram da minha boca.
Pov. MelissaDaryl me achava linda? Foi isso mesmo que ouvi? Senti meu rosto queimar.
— Obrigada, eu acho. — sussurrei.
— Aqui, pimentinha. — falou, me entregando a katana. — Tome cuidado para não se machucar. — completou, já andando para o outro lado da prisão.
Fiquei olhando ele ir.
— Acho que você conquistou o coração do Dixon. — falou alguém ao meu lado, me fazendo pular.
— Não diga bobagem, Carol. — respondi, me dando conta de quem era.
— Eu o conheço há bastante tempo, sabe? Sei o que estou dizendo. — falou, abraçando-me pelos ombros.
— Ele me acha bonita. — falei, sorrindo de lado, lembrando o que ele dissera há pouco.
— Claro que acha. — sorriu. — Você é uma bonequinha. — apertou minhas bochechas.
— Carol. — reclamei, passando a mão no rosto enquanto ela gargalhava.
Carol saiu ainda rindo, indo para as cercas matar aquelas coisas.
[...]
Finalmente a noite chegou. Depois de um banho gelado, meu corpo estava mais relaxado apesar do frio. Sentei-me com as meninas no refeitório, comi qualquer coisa e depois subi para minha cela.
Arrumei algumas coisas; sempre que eles saíam me traziam algo. Sério, eu me sentia mimada — nada que pudesse apagar tudo o que passei, mas eu já não dava tanto espaço ao sofrimento.
— Liss. — ouvi a voz de Carl; ele era o único que me chamava assim.
— Oi. — respondi.
— Meu pai está te chamando. — falou.
— Certo, então vamos lá, garotão. — falei, abraçando-o.
Descemos as escadas e seguimos para o refeitório.
— Olha ela aqui, pai. — disse Carl assim que entramos.
— Precisa de alguma coisa, Rick? — perguntei, notando todos reunidos.
— Na verdade sim. — falou, passando a mão nos cabelos.
— Então fale. — pedi.
— Amanhã um grupo vai sair em busca de suprimentos e eu preciso que você fique de olho no Carl pra mim. — disse.
— Claro, pode deixar que fico de olho nesse garotinho aqui. — falei, bagunçando seu cabelo.
— Ei, eu não sou criança. — emburrado, respondeu.
— Claro que não é. — falei, apertando sua bochecha.
Todos riram.
— Bem, se era isso, eu vou subir. — falei, apontando.
Daryl, do outro lado do refeitório, olhou para mim.
— Espera, tenho uma coisa pra você. — falou Maggie.
Olhei confusa.
— Quando cheguei não te vi. — ela disse, dando de ombros e correndo para dentro do bloco de celas.
Vi Daryl rir, olhando para algo atrás de mim.
— Aqui está. — Maggie trouxe um urso de pelúcia no colo, de tamanho grande.
Todos riram.
— Maggie, o que... — fui interrompida quando ela o jogou no meu colo.
— Presente pra nossa mocinha. — falou, e todos caíram na risada.
— Maggie, obrigada, mas acho que isso deveria ser da Judy ou de uma das outras crianças. — falei.
— Eles já têm. — sorriu e apontou para Judy.
Judy, no colo da Mich, “segurava” um urso quase maior que ela, e aquilo me fez rir.
— Então obrigada. — falei, abraçando o urso.
— Olha aí, pai, ela que é a criança, não eu. — resmungou Carl.
— Ei, garotinho, não sou criança nada, tá? — falei, mostrando a língua.
Certo, isso não foi nada adulto, e todos riram.
— Sou mais velha que a Beth, até. — falei, olhando para a loirinha que comia tranquilamente.
— Quantos anos você tem, afinal? — perguntou Carl.
— Tenho vinte e três. — respondi.
Todos me olharam boquiabertos.
— O que foi, gente? — perguntei, rindo.
— Não te daria mais que dezesseis. — falou Rick, e todos concordaram.
— Obrigada, eu acho. — disse, rindo.
Vi Daryl sair do refeitório.
— Bom, acho melhor todos irem descansar. — falou Rick, e todos começaram a seguir para suas celas.
Abraçada ao urso, subi as escadas para minha cela. Cheguei e ela estava vazia. Ajeitei o urso na parte de cima do beliche e me deitei no canto da parede.
Pov. DarylEstava no refeitório; Melissa já tinha ido pra cela. Eu esperava os outros irem para as suas para então subir também.
— Já decidiram para onde vão amanhã? — perguntou Rick.
Glenn respondeu que sim e mostrou onde iríamos.
Depois de um tempo, Carl chegou com Melissa; ela estava linda como sempre. Rick pediu que ela ficasse de olho no Carl amanhã. Eu sabia que ele ia pedir para ela ir na busca conosco, mas eu não concordava. Talvez, ao vê-la com Carl, ele percebeu que ela era apenas uma criança — isso me fez me recriminar por todas as vezes em que me imaginei tocando seu corpo. Depois de uma leve birra de Carl, Maggie se pronunciou e saiu correndo.
Ela olhou em minha direção; sustentei seu olhar, desviando apenas quando percebi a movimentação atrás dela. Maggie trazia um urso de pelúcia grande; aquilo me fez sorrir.
Ela tentou recusar o presente, dizendo que deveria ser da Bravinha, mas ao ver que a Bravinha já tinha um, aceitou.
— Olha aí, pai, ela que é a criança, não eu. — resmungou Carl.
— Ei, garotinho, não sou criança nada, tá? — ela respondeu, mostrando a língua.
Todos riram da atitude nada adulta dela.
— Sou mais velha que a Beth, até. — ela falou, olhando para Beth; isso me intrigou ainda mais.
— Quantos anos você tem, afinal? — perguntou Carl; agradeci internamente.
— Tenho vinte e três. — ela sorriu.
Vinte e três, vinte e três... Aquilo se repetiu em minha mente mais algumas vezes enquanto eu a observava.
Eu sabia que ela era nova, mas pensei que fosse ainda mais nova. Saber que ela tem vinte e três me aliviou — afinal, não cometerei crime de pedofilia. Balancei a cabeça, afastando pensamentos que começavam a me dominar.
— O que foi, gente? — ela perguntou com um lindo sorriso.
— Não te daria mais que dezesseis. — disse Rick, e todos concordaram.
— Obrigada, eu acho. — falou, sorrindo e ficando vermelha como uma pimentinha.
Saí do refeitório; precisava sair dali antes que a puxasse para meus braços.
Peguei uma muda de roupa e fui pro banho; precisava de água gelada pra acalmar a cabeça.
Subi para a cama; a noite já estava alta e o frio mais forte.
Caminhei em frente à cela dela, como fazia todas as noites. Ela dormia no canto da parede e estava descoberta. Entrei sem fazer barulho, peguei a coberta dobrada na cama e a cobri. A coberta era fina demais pra aquecê-la, então peguei a do beliche de cima e a cobri de novo. Ela se mexeu um pouco e abriu os olhos.
— Daryl. — sua voz rouca pelo sono fez meus pelos se arrepiarem.
— Estava passando, você estava descoberta. Está frio. — falei sem jeito.
— Ah, sim. — respondeu timidamente.
— Então boa noite. — falei, já virando para sair.
— Daryl. — ela me chamou; eu a olhei.
Ela estava sentada na cama.
— É... Será que você pode ficar aqui? — perguntou, abaixando a cabeça.
— Aqui? — perguntei, incrédulo.
— É que eu tive um pesadelo. — falou, torcendo a mão sobre as cobertas.
Sorri minimamente e me sentei no chão, próximo à sua cama.
— Pode dormir. — falei.
— Daryl. — ela bateu no espaço livre ao seu lado.
Minha mente não assimilava tanta informação. Levantei-me sem saber o que fazer e sentei ao seu lado. Ela se encolheu e deitou a cabeça no meu colo. Fiquei ali, olhando-a sem saber o que fazer.
— Ei, deita direito, você vai ficar dolorida desse jeito. — brinquei.
Ela se levantou ainda sonolenta; o rosto vermelho, olhos cintilantes — prestes a chorar. A puxei para o peito; ela colocou os braços ao redor do meu corpo e se apertou contra mim.
— Tudo bem, pequena. Eu estou aqui. Ninguém vai te fazer mal. — falei.
Pouco depois a respiração dela estava calma. A deitei lentamente na cama. Ela abriu os olhos, segurou minha camisa e me puxou junto. Sem ter o que fazer, me deitei; ela se aconchegou em meu peito e logo dormiu novamente.
A claridade me fez acordar. A pimentinha ainda estava sobre meu peito; eu sabia que ela não estava mais dormindo.
— Você tem mesmo que ir? — perguntou.
— Pra onde? — perguntei, sem entender.
— Sair em busca de suprimentos. — disse, levantando o rosto.
— Tenho. — respondi, me perdendo em seus olhos.
— Me deixa ir com você. — pediu.
— Não. — falei rude. — Você vai ficar aqui. — completei.
— Não gosto quando você sai. — falou, olhando-me.
— Eu preciso. — respondi.
Ela suspirou pesadamente.
— Toma cuidado. — pediu.
— Sempre tomo. — falei.
Em um movimento rápido ela tentou passar por cima do meu corpo e acabou caindo sobre mim. Seu rosto ficou a centímetros do meu; o rosto angelical corado a deixava ainda mais perfeita. Sua respiração irregular; minhas mãos na sua cintura. Aqueles olhos verdes me puxavam de tal forma que eu não conseguia desviar um segundo sequer. Ela se aproximou mais dos meus lábios; eu a queria, queria sentir seus lábios nos meus...
— Daryl, já acordou? — alguém perguntou na porta da cela. — Oh, me desculpem. — falou Michonne, prendendo o riso.
A pimentinha saiu de cima de mim rapidamente, sentou na ponta da cama envergonhada e calçou as botas.
Rapidamente ela saiu da cela. Eu, ainda tentando entender o que acontecera, me sentei na cama e encarei a figura na porta.
— Me desculpa, eu não sabia. — disse Michonne, tentando disfarçar o riso.
Resmunguei qualquer coisa sem sentido, levantei e saí da cela, seguida por Michonne.
Chegamos ao refeitório; ela estava sentada ao lado de Carl, com a Bravinha no colo. Ao me ver, abaixou o rosto envergonhada.
— Vamos sair daqui a pouco. — falou Rick, e eu assenti.
Abri uma lata de frutas secas e comi rapidamente, tomei um pouco de água e logo saí.
Pov. MelissaMeu Deus, eu quase beijei o Daryl.
— Bom dia. — falou Beth assim que cheguei ao refeitório.
— Bom dia. — respondi.
— Você está bem? Está vermelha. — ela veio até mim e colocou a mão em minha testa.
— Estou. — respondi, abaixando o rosto.
— O que aconteceu? — perguntou, me analisando.
— Eu... eu... — gaguejei. — Quase beijei o Daryl. — consegui dizer.
— Meu Deus! — exclamou Beth. — Me conta, conta tudo. — sentou-se e me puxou junto.
Antes que eu pudesse falar, Carl chegou com Judy no colo.
— Depois quero saber de tudo. — disse Beth, rindo da minha cara.
Carl sentou ao meu lado e eu peguei Judy no colo. Não demorou muito e Daryl chegou ao refeitório; nossos olhares se cruzaram por um instante e eu abaixei o rosto.
Rick informou que sairíamos em breve. Vi Daryl sentar e começar a comer.
Não demorou e o vi indo lá pra fora. Levantei com Judy no colo e o acompanhei.
— Toma cuidado. — falei.
— Sempre tomo. — respondeu, olhando-me direto nos olhos.
Então ele subiu na moto e logo saímos.
Pov. Daryl— Toma cuidado. — falou Melissa, despedindo-se.
— Sempre tomo. — respondi, olhando em seus olhos.
Subi na moto e logo estávamos na estrada. Duas horas depois chegamos à cidadezinha onde encontrei a pimentinha.
A cidade parecia deserta; tinha algumas lojas pequenas saqueadas e uma loja maior aparentemente intacta — o que só significava uma coisa: zumbis.
— Vamos olhar aquela. — Rick apontou para uma das pequenas.
Fomos até a loja com máxima atenção. Bati no vidro da frente e esperei, junto com os outros.
Entramos em formação como de costume. Ouvíamos barulhos característicos, mas não víamos de onde vinham. Começamos a vasculhar o lugar, pegando tudo que era útil.
O barulho vinha do fundo da loja: três deles presos embaixo de uma prateleira.
— Será que tem coisa boa aqui dentro? — falou Maggie, apontando para uma porta.
— Vamos ver. — Rick respondeu, e fomos até a porta.
Pov. Terceira pessoaA porta foi aberta por Rick. Daryl se posicionou rapidamente, como de costume. Um homem avançou sobre ele; transtornado, foi logo derrubado pelo caçador. Glenn disparou sua arma assim que o homem foi em direção a Maggie.
O grupo entrou na sala de onde o homem saíra e se surpreendeu com a quantidade de enlatados e suprimentos. Recolheram tudo e guardaram nos sacos que carregavam.
Alguns minutos depois o grupo saiu da loja. Enquanto os outros guardavam as coisas, Daryl e Rick ficaram de guarda.
— Rick, se liga. — falei, apontando para um carro que se aproximava.
O carro parou a poucos metros. Daryl apontava a besta e Rick a Magnum.
— Podem ficar onde estão. — Rick falou.
O homem do passageiro saiu do carro e caminhou em direção ao grupo.
— Parado, não vou repetir. — alertou Rick.
Michonne, Sasha, Maggie e Glenn já tinham armas apontadas.
O homem tinha um sorriso cínico.
— Daryl, você não me reconhece? — falou o homem.
O caçador forçou a visão para reconhecer o desconhecido e encontrou um antigo desafeto.
— Gregory. — Daryl praticamente cuspiu o nome.
— Daryl Dixon. — o homem falou, debochado.
— O que quer? — perguntou Rick, notando a tensão.
— Quero aquelas coisas. — apontou para o carro.
— Não mesmo. — Rick e Daryl disseram juntos.
O homem gargalhou.
— Acha mesmo que não vou levar o que quero? — provocou.
— Você não vai. — respondeu Daryl.
— Onde está aquele otário do Merle? — perguntou. — Ele não deveria deixar a irmãzinha dele sair por aí sozinha. — riu.
— Não queremos briga, cara. — falou Glenn.
— Que bom, garoto. Então me deem as coisas e talvez eu deixe você ir. — falou.
Nesse momento outro carro chegou. Desceram duas mulheres e dois homens.
— Olha que coincidência, querida. — falou Gregory, apontando para Daryl.
— Daryl, querido, quanto tempo. — disse a mulher, caminhando em sua direção.
Daryl conhecia aquele olhar.
— Ofélia. — o caçador falou firme.
— Não me chame assim, sabe que não gosto. — respondeu ela, se aproximando.
— Fique onde está. — ordenou o caçador.
— Vai me rejeitar mesmo? — perguntou, praticamente abrindo a blusa para mostrar os seios a ele.
Daryl recuou alguns passos, deixando claro que não queria estar perto daquela mulher ou de qualquer outro ali. Ele sabia o que poderia acontecer; queria tirar sua família dali o mais rápido possível.
— Podemos dividir as coisas e vocês vão embora. — ofereceu Rick.
Rick iria falar algo, mas o olhar do caçador o fez calar.
— Você não entendeu, garoto. Eu quero tudo. — falou Gregory.
— Tudo você não vai levar. — respondeu Rick.
O homem fez um movimento quase imperceptível e o grupo dele começou a atirar contra o nosso. Maggie, escondida atrás do carro, conseguiu acertar a mulher que falara com Daryl. Rick acertou mais dois. Um dos homens de Gregory atingiu Glenn. A troca de tiros acabou quando Rick acertou um tiro na cabeça de Gregory; os outros foram abatidos.
— Daryl! — Michonne gritou, correndo em direção ao caçador caído atrás da moto.
O caçador tentou se levantar, mas caiu de novo.
— Fica deitado. — ordenou Rick.
— Vamos, temos que levá-lo, agora. — falou Michonne, olhando para a mão ensanguentada.
Com cuidado, ela ajudou Rick a levantar Daryl. Glenn correu em direção a eles, apoiou Daryl e o colocou no banco de trás do carro.
Fale com o autor